A administração de medicamentos é uma das responsabilidades cruciais que um enfermeiro deve cumprir. O enfermeiro deve estar atento aos 8 certos da medicação (anteriormente 5) ao administrar medicamentos ao paciente. Seguir os 8 certos da administração de medicamentos garante a segurança do paciente, e a segurança do paciente é a maior prioridade do enfermeiro.
Este artigo discute os 8 certos que devem ser seguidos para administrar medicamentos com segurança aos seus pacientes.
Quais são os 8 certos da medicação?
Os oito certos da medicação são: paciente certo, medicamento certo, dose certa, via certa, hora certa, registro certo, motivo certo e resposta certa.
1. Paciente Certo:
Identifique o paciente utilizando pelo menos 2 identificadores. Esses identificadores podem incluir o nome, a data de nascimento ou o número do prontuário médico (prontuário). Peça para o paciente dizer verbalmente seu nome, data de nascimento e/ou número do prontuário. Verifique os identificadores do paciente com as informações contidas no rótulo do medicamento que você está administrando.
Exemplo:
Enfermeiro: “Olá, como vai? Você poderia me dizer seu nome e o número do seu prontuário para que eu possa lhe dar o medicamento?”
Paciente: “Meu nome é Sr. John e o prontuário é o n.º 123-456-789.” (Paciente certo)
2. Medicamento Certo:
Como enfermeiro, você não tem a responsabilidade de prescrever o medicamento, mas deve ter informações suficientes sobre o processo de doença do paciente e os medicamentos prescritos. Sua responsabilidade é garantir que o medicamento administrado esteja correto. Verifique o nome do medicamento no rótulo comparando-o com a prescrição médica.
Exemplo:
O enfermeiro confirmou a identidade do paciente e agora verifica o nome do medicamento com a prescrição médica.
Enfermeiro: “Uma injeção de Tylenol 500mg/50ml está descrita tanto no rótulo do medicamento quanto na prescrição do médico.”
3. Dose Certa:
Se a dose estiver certa, o medicamento funcionará de maneira eficaz e adequada. Se a dose for menor, o medicamento não funcionará porque a quantidade é insuficiente; se a dose for alta, o medicamento poderá causar efeitos adversos. Inspecione cuidadosamente o medicamento e confirme se está administrando a dose certa utilizando as unidades de medida corretas. O enfermeiro deve ser competente no cálculo de doses de medicamentos. Além disso, se tiver dúvidas sobre a dose prescrita pelo médico, entre em contato com o médico prescritor para obter esclarecimentos.
Exemplo:
Uma mulher de 55 anos é admitida com diagnóstico de diabetes. Ela faz uso de antidiabéticos orais. A prescrição médica é metformina 500mg 3 vezes ao dia (TID). Você tem comprimidos de 250mg em mãos. Você calcula a dose e administra 2 comprimidos.
4. Via Certa:
Verifique a prescrição médica e certifique-se de que o paciente pode receber o medicamento pela via prescrita. Diferentes vias de administração apresentam absorções distintas e podem ser ineficazes ou inseguras dependendo do medicamento. Portanto, é importante administrar o medicamento pela via apropriada.
Exemplo:
Você recebe uma paciente do centro cirúrgico. Ela apresenta dor 8/10. Você precisa administrar um analgésico. Você confirma na prescrição médica que a dose do medicamento é Tylenol 1000mg/100ml EV e que ele precisa ser administrado pela via endovenosa (EV).
5. Hora Certa:
O horário de administração do medicamento tem sua própria importância. Isso inclui verificar a frequência do medicamento, verificar quando a última dose foi administrada e certificar-se de que está administrando o medicamento na hora certa.
Exemplo:
O médico prescreveu um medicamento que deve ser administrado QD, o que significa uma vez ao dia. O enfermeiro do plantão da manhã administra o medicamento, mas esquece de registrar. O enfermeiro do plantão da noite administra o medicamento novamente. Isso é uma violação do certo “Hora certa” e um problema de segurança.
6. Registro Certo:
O registro deve ser feito após a administração do medicamento para garantir a precisão e a adesão ao plano de cuidados. O enfermeiro também deve documentar as considerações ou intervenções de enfermagem que precisam ser realizadas antes da administração do medicamento. Por exemplo, verificar os sinais vitais do paciente, especialmente a pressão arterial antes de administrar anti-hipertensivos, ou verificar a glicemia capilar antes de administrar insulina. Sempre registre o horário, a dose, a via e a frequência no prontuário do paciente com precisão.
Exemplo:
O médico prescreveu o medicamento anti-hipertensivo Atenolol 10 mg para um paciente com hipertensão. O enfermeiro administra o medicamento após verificar a pressão arterial do paciente e, em seguida, registra que o medicamento foi administrado após a verificação da PA, que estava em 140/90 mmHg.
7. Motivo Certo:
Isso se refere basicamente a saber por que o paciente está tomando o medicamento. É responsabilidade do enfermeiro saber o motivo pelo qual um medicamento está sendo prescrito. Conhecer a justificativa da prescrição estabelece uma relação de confiança entre o paciente e o enfermeiro e ajuda o paciente a entender seu plano de cuidados. Se o enfermeiro não tiver certeza sobre o motivo da prescrição de um medicamento, ele pode discutir o assunto com um colega mais experiente, com o farmacêutico ou com o médico prescritor.
Exemplo:
Uma enfermeira recém-formada está em dúvida sobre o motivo de a heparina estar sendo administrada em seu paciente. Ela decide pedir esclarecimentos ao médico. O médico explica que o paciente está acamado e a heparina prevenirá a trombose venosa profunda (TVP).
8. Resposta Certa:
A resposta certa refere-se à obtenção do efeito desejado e a uma resposta positiva do paciente. Verifique se o medicamento administrado está funcionando da maneira esperada.
Exemplo:
Voltando ao exemplo do paciente hipertenso. Após administrar o anti-hipertensivo prescrito, o enfermeiro verifica novamente a pressão arterial uma hora depois (conforme a rotina do setor) para garantir que a pressão tenha caído para uma faixa aceitável. Ao verificar novamente, a aferição da pressão arterial do paciente é de 122/75 mmHg. O profissional registra o novo valor e prossegue com as demais tarefas.
O que é um erro de medicação?
A falha em aderir a esses certos da administração de medicamentos pode resultar em erros de medicação. De acordo com o National Coordinating Council for Medication Error Reporting and Prevention (Conselho Coordenador Nacional para Relatórios e Prevenção de Erros de Medicação), um erro de medicação é definido como “qualquer evento evitável que possa causar ou levar ao uso inadequado de medicamentos ou causar dano ao paciente enquanto o medicamento estiver sob o controle do profissional de saúde, paciente ou consumidor”. Erros de medicação podem fazer com que os pacientes sofram efeitos/eventos adversos devido à intolerância ao medicamento incorreto ou à dose errada do medicamento.
Causas comuns de erros de medicação:
As causas comuns de erros de medicação incluem a falta de profissionais de saúde capacitados e informados, falta de assertividade por parte do enfermeiro (por exemplo, ter medo de questionar uma prescrição que não faz sentido), falta de comunicação aberta, falta de responsabilidade e comportamentos de risco, como registrar um medicamento antes de ele ter sido efetivamente administrado.
Como prevenir erros de medicação e assegurar os direitos do paciente na administração de medicamentos?
Comunicação clara e aberta:
A comunicação entre os profissionais de saúde deve ser clara. Eles devem ser capazes de esclarecer qualquer mal-entendido abertamente, sem se sentirem intimidados ou com medo.
Prepare e administre você mesmo:
Se você preparou o medicamento, você é a pessoa certa para administrá-lo. Não delegue a administração a outro profissional, pois isso pode resultar na administração incorreta do medicamento.
Rotule o medicamento:
Rotule as seringas, medicamentos endovenosos e até mesmo medicamentos orais (recipiente). O rótulo deve incluir o nome do paciente, número do prontuário, nome do medicamento, dose e via de administração. A identificação correta evita erros causados por medicamentos com embalagens ou nomes semelhantes (look-alike/sound-alike).
Retorne para verificar a resposta ao medicamento:
Se você administrou um medicamento, retorne após algum tempo para avaliar a resposta do paciente. Por exemplo, se você administrou um analgésico para dor, volte ao paciente e faça uma reavaliação da dor. Se você administrou um indutor do sono, como a melatonina, retorne para verificar se o paciente realmente adormeceu.
Trabalhe em equipe:
Conforme mencionado acima, mantenha uma comunicação aberta e trabalhe em equipe. Faça perguntas e dê respostas, ouça opiniões e respeitem-se mutuamente.
Ouça sua intuição:
Se você tiver dúvidas sobre qualquer medicamento, dose, via ou frequência, pergunte novamente ao médico e consulte uma fonte confiável. Se não tiver certeza sobre a identidade do paciente, esclareça a dúvida perguntando a ele seu nome e data de nascimento.
Ao aderir aos 8 certos da administração de medicamentos, você será capaz de fornecer uma assistência segura e competente aos seus pacientes. Assine nossa newsletter e siga-nos nas redes sociais para mais conteúdos úteis de enfermagem!
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