A Escala de Coma de Glasgow ajuda a descrever o nível de consciência por meio de três componentes: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. Na enfermagem, o registro de cada componente torna a comunicação mais clara do que um total isolado.
Este guia aborda a avaliação de adultos. A aplicação exige treinamento e deve seguir o protocolo da instituição. Para crianças pequenas, utilize a avaliação pediátrica apropriada.
Antes de pontuar, observe as condições da avaliação
Verifique se há fatores que limitam a resposta, como intubação, sedação, lesões locais ou dificuldade de comunicação. Não interprete automaticamente uma limitação como ausência de resposta neurológica.
Observe a pessoa antes de estimular. Depois, utilize a abordagem padronizada conforme seu treinamento. O material oficial da Escala de Glasgow em português organiza a avaliação em verificação, observação, estimulação e pontuação. Este resumo não substitui a demonstração prática da técnica.
Quais são os três componentes?
Abertura ocular: de 1 a 4
São quatro níveis: os olhos abrem espontaneamente (4), após estímulo sonoro (3), após pressão apropriada (2), ou permanecem fechados sem um fator que impeça a avaliação (1).
Resposta verbal: de 1 a 5
Avalie orientação (5), comunicação confusa (4), palavras isoladas (3), sons sem palavras (2) ou ausência de resposta verbal quando o componente pode ser testado (1).
Resposta motora: de 1 a 6
A pontuação considera cumprimento de comandos (6), localização do estímulo (5), flexão normal (4), flexão anormal (3), extensão (2) ou ausência de movimento quando o componente é testável (1). Diferenciar localização e flexão exige a técnica padronizada, não apenas observar que a pessoa se moveu.
Quando usar “não testável”?
Se uma limitação impede avaliar um componente, registre NT, ou a designação equivalente prevista no prontuário, e explique o motivo. Um tubo endotraqueal, por exemplo, pode impedir a avaliação verbal. Isso é diferente de observar ausência de resposta em uma pessoa que poderia responder.
As orientações oficiais sobre fatores de interferência recomendam não atribuir 1 a um componente ausente por impossibilidade de teste e não apresentar um total quando há componente não testável. Os componentes que podem ser avaliados continuam úteis para acompanhar a evolução.
Não suspenda sedação ou outros tratamentos por conta própria para obter uma pontuação. Discuta a condição de avaliação com a equipe responsável e siga a prescrição e o protocolo.
Como registrar e comunicar a evolução
Quando todos os componentes são testáveis, o total varia de 3 a 15. Um exemplo de registro é “O4 V4 M6, total 14/15”, acompanhado do horário e da descrição pertinente. Em uma pessoa intubada, um exemplo possível é “O3 VNT M6, resposta verbal não testável por intubação”, sem inventar um total.
Compare avaliações realizadas em condições conhecidas. Informe mudanças de sedação ou outras limitações junto com a pontuação. Na passagem de plantão, destaque o que mudou e se a equipe já foi avisada.
Como interpretar uma pontuação baixa?
Na classificação do traumatismo cranioencefálico, os intervalos usuais são 13 a 15 para leve, 9 a 12 para moderado e 8 ou menos para grave. Esses rótulos pertencem a esse contexto; não resumem a gravidade de todas as doenças.
A diretriz NICE sobre traumatismo craniano recomenda envolvimento precoce de profissional capacitado em manejo avançado da via aérea quando Glasgow é 8 ou menos. A decisão clínica considera também respiração, reflexos de proteção e outras condições. Comunique imediatamente uma deterioração, sem esperar que o total alcance um limite específico.
Para ampliar a revisão, consulte nossos planos de cuidados de enfermagem. A escala descreve respostas; a avaliação e a conduta continuam sendo responsabilidade da equipe clínica.