Plano de Cuidados de Enfermagem para Hantavirose
Plano de cuidados de enfermagem baseado em evidências para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH): fisiopatologia, exames laboratoriais comuns, medicamentos e 5 diagnósticos de enfermagem com intervenções baseadas em ações e justificativas, elaborado de acordo com o padrão de escopo de prática da NurseBrain.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Troca de Gases Prejudicada
Troca de Gases Prejudicada relacionada à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) decorrente de infecção por hantavírus do Novo Mundo (o vírus Sin Nombre é o mais comum nos Estados Unidos; o vírus Andes, encontrado na América do Sul, é o único hantavírus conhecido por se espalhar de pessoa para pessoa), evidenciada por SpO2 < 90% apesar do aumento da FiO2; infiltrados bilaterais em exames de imagem do tórax compatíveis com edema pulmonar não cardiogênico; relação PaO2/FiO2 < 200 (SDRA moderada a grave de acordo com a definição de Berlim); taquipneia (FR > 30/min) com uso de musculatura acessória; escarro espumoso rosado ou líquido abundante e límpido de edema pulmonar.
Intervenções
- Monitorar a SpO2 continuamente e registrar a tendência conforme o protocolo da instituição, prestando atenção redobrada durante a fase cardiopulmonar.
- Avaliar a frequência, profundidade e esforço respiratório, o uso de musculatura acessória e os ruídos adventícios (sons respiratórios) em intervalos proporcionais à gravidade clínica e conforme o protocolo da instituição.
- Monitorar e relatar os valores da gasometria arterial conforme prescrição médica; sinalizar pH < 7,30, PaO2 < 60 mmHg ou relação P/F < 150.
- Calcular e acompanhar a tendência da relação PaO2/FiO2 a cada gasometria arterial; relatar tendência de piora à equipe médica.
- Observar sinais que possam refletir a piora da hipóxia cerebral: agitação, confusão, mudança comportamental, rebaixamento do nível de consciência.
- Revisar exames seriados de imagem do tórax, quando disponíveis, e correlacionar com os parâmetros do ventilador e a oxigenação.
- Administrar oxigênio suplementar conforme prescrito e titular dentro dos parâmetros médicos para manter a SpO2 na faixa recomendada; escalonar gradualmente (cateter nasal, cateter nasal de alto fluxo, máscara não reinalante, BiPAP, intubação) conforme o protocolo da instituição.
- Antecipar e preparar-se para eventual intubação: confirmar o carrinho de via aérea à beira do leito, aspirar os medicamentos de indução conforme prescrição médica e solicitar o operador de via aérea mais experiente quando a trajetória clínica gerar preocupação.
- Coordenar com a fisioterapia respiratória e a equipe médica para dar suporte à ventilação protetora pulmonar de acordo com o protocolo ARDSnet e as prescrições médicas. Monitorar o volume corrente, a pressão de platô, a PEEP e a sincronia paciente-ventilador.
- Preparar-se para e auxiliar no posicionamento em prona conforme o protocolo da instituição, quando prescrito (comumente considerado com relação P/F < 150, apesar de parâmetros otimizados do ventilador). Reunir a equipe, fixar a via aérea e os acessos/linhas, e fornecer proteção ocular e da pele.
- Manter a cabeceira elevada a 30° em decúbito dorsal; realizar higiene oral com clorexidina conforme o protocolo de prevenção de PAV da instituição.
- Coordenar consulta precoce para ECMO conforme o protocolo da instituição quando houver desenvolvimento de insuficiência respiratória grave, choque ou colapso cardiopulmonar combinado. A ECMO-VV pode ser considerada quando predomina a hipoxemia refratária; a ECMO-VA pode ser necessária quando predominam a depressão miocárdica e o choque. Seguir os critérios institucionais do centro de ECMO.
- Quando o paciente estiver alerta (fase prodrômica ou recuperação), ensinar técnicas de respiração labial (frenolabiado) e diafragmática.
- Orientar a família sobre a evolução rápida possível na fase cardiopulmonar, como será o processo de intubação e o papel da sedação e do bloqueio neuromuscular (paralisia), se utilizados.
- Orientar o paciente e a família sobre o que esperar durante a pronação, incluindo como a equipe protegerá os olhos, os acessos e os pontos de pressão.
- Notificar o médico em caso de SpO2 abaixo dos parâmetros prescritos, PaO2 < 60 na gasometria arterial, novo escarro espumoso rosado, queda sustentada na relação PaO2/FiO2 (conforme protocolo da instituição, geralmente > 50 ao longo de 4 horas) ou qualquer alteração clínica rápida.
- Coordenar a transferência para suporte com ECMO quando os recursos locais estiverem esgotados e os critérios de ECMO forem atendidos, conforme o protocolo institucional e a orientação médica.
Resultado esperado: O paciente mantém a SpO2 dentro dos parâmetros prescritos com o menor suporte necessário para atingir a meta; a frequência respiratória permanece dentro dos limites recomendados, sem uso de musculatura acessória; os achados da gasometria arterial, incluindo a tendência da relação PaO2/FiO2, são monitorados e relatados de acordo com o protocolo da instituição.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Débito Cardíaco Diminuído
Débito Cardíaco Diminuído relacionado à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) decorrente de infecção por hantavírus do Novo Mundo (o vírus Sin Nombre é o mais comum nos Estados Unidos; o vírus Andes, encontrado na América do Sul, é o único hantavírus conhecido por se espalhar de pessoa para pessoa), evidenciado por hipotensão persistente (PAM < 65 mmHg ou abaixo dos parâmetros prescritos) apesar da ressuscitação volêmica prescrita; acidose lática (lactato > 2,0 mmol/L) sem clareamento; o CDC observa que > 4,0 é um indicador de mau prognóstico; índice cardíaco < 2,2 L/min/m2 no ecocardiograma ou PiCCO (indicador de mau prognóstico segundo o CDC); extremidades frias, cianóticas (moteadas) ou pálidas com tempo de enchimento capilar (TEC) > 3 segundos; diminuição do débito urinário (< 0,5 mL/kg/h).
Intervenções
- Manter o monitoramento contínuo por linha arterial conforme o protocolo da instituição e registrar a PAM em intervalos compatíveis com a atividade de titulação.
- Monitorar continuamente o ritmo cardíaco e registrar quaisquer novas arritmias.
- Avaliar a cor da pele, temperatura, perfusão (moteamento) e enchimento capilar em intervalos proporcionais à gravidade clínica.
- Monitorar o débito urinário de hora em hora via sonda vesical de demora; notificar o médico em caso de débito urinário < 0,5 mL/kg/h por 2 horas consecutivas.
- Acompanhar a tendência do lactato seriado conforme prescrição médica durante a ressuscitação; calcular a depuração do lactato e relatar os achados, incluindo lactato > 4,0 mmol/L.
- Revisar os achados do ecocardiograma e a tendência do índice cardíaco; relatar IC < 2,2 L/min/m2.
- Estabelecer acesso venoso central precocemente quando viável, mas não atrasar o início do vasopressor em caso de choque. Se o acesso central ainda não estiver disponível, administrar norepinefrina conforme prescrito por meio de um acesso venoso periférico adequado, de acordo com as normas da instituição, enquanto o acesso central é providenciado.
- Administrar norepinefrina e vasopressina conforme prescrito sob orientação médica e protocolo da instituição; monitorar a PAM, ritmo cardíaco, débito urinário, perfusão periférica e sinais de extravasamento.
- Administrar dobutamina conforme prescrito quando a equipe médica determinar que o suporte inotrópico está indicado por ecocardiograma ou avaliação clínica.
- Administrar o cristaloide prescrito nos volumes e intervalos direcionados pelo médico; monitorar a PAM, tendência do lactato, exame pulmonar e débito urinário após cada bônus e relatar a piora do edema pulmonar conforme o protocolo da instituição.
- Realizar o controle rigoroso de ingestão e eliminação (balanço hídrico) a cada hora; calcular e registrar o balanço acumulado de 24 horas de acordo com o protocolo da instituição.
- Antecipar e preparar-se para suporte circulatório mecânico (ECMO-VA) conforme o protocolo da instituição quando predominarem a depressão miocárdica e o choque.
- Quando o paciente estiver alerta, explicar em linguagem simples a função dos acessos, infusões e monitores.
- Orientar a família sobre as metas do suporte com vasopressores e quais são os sinais de melhora (extremidades quentes, débito urinário adequado, queda do lactato).
- Ensinar a família sobre o significado dos alarmes do monitor cardíaco e o que é barulho rotineiro versus sinais preocupantes.
- Achados como aumento do lactato, diminuição do débito urinário, hipotensão, alteração recente do estado mental ou IC < 2,2 devem motivar reavaliação urgente e notificação imediata ao médico.
- Coordenar com a cardiologia e a terapia intensiva para avaliação de ECMO quando o choque refratário for o problema dominante; a configuração VV vs. VA dependerá do padrão de falência predominante e dos critérios institucionais.
Resultado esperado: A PAM, o débito urinário e os indicadores de perfusão são monitorados e relatados dentro dos parâmetros prescritos; a tendência do lactato é documentada e relatada à equipe médica; o índice cardíaco (quando disponível) é monitorado e as alterações são notificadas.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Volume de Líquidos Desequilibrado
Alteração do Volume de Líquidos relacionada à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) decorrente de infecção por hantavírus do Novo Mundo (o vírus Sin Nombre é o mais comum nos Estados Unidos; o vírus Andes, encontrado na América do Sul, é o único hantavírus conhecido por se espalhar de pessoa para pessoa), evidenciada por hemoconcentração (Hct > 55%) no hemograma de admissão; hipotensão compatível com depleção de volume intravascular; piora do edema pulmonar em exames de imagem do tórax apesar de PVC baixa; fisiologia de extravasamento capilar (terceiro espaço em alvéolos e interstício); ressuscitação cristaloide ativa em andamento sem um alvo terapêutico claro.
Intervenções
- Acompanhar a tendência do Hct, hemoglobina e contagem de plaquetas conforme prescrição médica durante a fase cardiopulmonar.
- Auscultar os ruídos adventícios (sons respiratórios) em intervalos proporcionais à gravidade clínica; correlacionar com exames seriados de imagem do tórax, quando disponíveis.
- Manter o controle rigoroso de ingestão e eliminação de hora em hora; calcular o balanço hídrico acumulado de acordo com o protocolo da instituição.
- Monitorar os parâmetros do cateter de artéria pulmonar ou PiCCO quando implantados (PVC, DC, IC, EVLW [água pulmonar extravascular], GEDV [volume diastólico final global]).
- Realizar ultrassom pulmonar seriado para contagem de linhas B por zona, quando disponível e conforme o escopo/competência profissional.
- Pesar o paciente diariamente na mesma balança, com as mesmas roupas e no mesmo horário, quando estiver clinicamente estável.
- Administrar o cristaloide prescrito (geralmente pequenos bônus reavaliados) sob orientação médica; monitorar a PAM, tendência do lactato, exame pulmonar e débito urinário após cada bônus.
- Monitorar a PAM, depuração do lactato e débito urinário como parâmetros substitutos de ressuscitação prescritos pelo médico, em vez de metas fixas de pré-carga ou PVC.
- Coordenar com a equipe médica quando houver piora do edema pulmonar: reavaliar a necessidade de fluidos adicionais e considerar metas de perfusão apoiadas por vasopressores, de acordo com o protocolo de terapia intensiva e a prescrição médica.
- Quando a ressuscitação de grande volume for prescrita, o Ringer Lactato é geralmente preferido em relação ao NaCl 0,9%, conforme o protocolo da instituição.
- Administrar apenas os fluidos prescritos; não administrar albumina ou fluidos hipotônicos de forma reflexa. Confirmar as prescrições e esclarecer dúvidas com o médico, conforme necessário.
- Apoiar uma estratégia conservadora de fluidos (balanço hídrico neutro a negativo, estilo protocolo FACTT) de acordo com o ARDSnet e a prescrição médica assim que o paciente estabilizar com os vasopressores.
- Quando o paciente estiver alerta, explicar o motivo pelo qual a equipe pode estar administrando volumes menores do que o paciente ou a família esperam.
- Orientar a família sobre como é o 'suporte clínico agressivo' na SCPH e por que isso não inclui sobrecarregar o paciente com fluidos.
- Notificar o médico em caso de novos estertores crepitantes bilaterais, aumento das pressões inspiratórias de pico, queda da relação P/F > 50 em 4 horas ou ganho de peso rápido durante a ressuscitação.
- Coordenar reuniões rápidas (huddles) entre a terapia intensiva, farmácia e fisioterapia respiratória, conforme o protocolo da instituição, durante a fase cardiopulmonar para alinhar as metas de fluidos, vasopressores e parâmetros ventilatórios.
Resultado esperado: Os indicadores de perfusão são monitorados e relatados dentro dos parâmetros prescritos com o menor volume de cristaloide recomendado; os achados pulmonares são monitorados e qualquer piora é relatada prontamente; o débito urinário é monitorado e relatado conforme o protocolo da instituição.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Risco de Transmissão de Doença a Contatos
Risco de Transmissão de Doença a Contatos relacionado à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) decorrente de infecção por hantavírus do Novo Mundo (o vírus Sin Nombre é o mais comum nos Estados Unidos; o vírus Andes, encontrado na América do Sul, é o único hantavírus conhecido por se espalhar de pessoa para pessoa), evidenciado por exposição suspeita ou confirmada ao vírus Andes (único hantavírus conhecido por se espalhar de pessoa para pessoa); viagem recente para a América do Sul ou contato com viajante retornado apresentando sintomas compatíveis com SCPH; histórico de exposição no surto do vírus Andes em navio de cruzeiro de maio de 2026, de acordo com a notificação de rastreamento de contatos do CDC; contatos domiciliares próximos ou profissionais de saúde sem proteção respiratória N95 (ou superior) durante a fase sintomática; procedimentos geradores de aerossóis (intubação, aspiração aberta, broncoscopia, RCP) em quarto que não seja do tipo AIIR (quarto de isolamento de infecção por via aérea).
Intervenções
- Na admissão, realizar anamnese focada no histórico de exposição: contato com roedores, viagens, contatos com doentes, exposição em navio de cruzeiro ou serviços de saúde e quaisquer notificações de surto do CDC.
- Triar contatos próximos e membros do domicílio para sintomas compatíveis com SCPH (fadiga, febre, mialgia de grandes músculos, cefaleia, sintomas gastrointestinais) na admissão e no acompanhamento.
- Registrar a entrada de funcionários e a adesão ao uso de EPI durante todo o período das precauções de isolamento.
- Identificar os procedimentos geradores de aerossóis no plano de cuidados e instruir previamente a equipe sobre o uso de EPI.
- Para infecção confirmada por hantavírus não-Andes sem preocupação com transmissão de pessoa para pessoa, seguir as Precauções Padrão de acordo com as normas de prevenção de infecção da instituição e as diretrizes atuais do Apêndice A do CDC.
- Se houver suspeita do vírus Andes com base em viagem, exposição, vínculo com surto ou orientação de saúde pública, providenciar a internação em AIIR (quarto de pressão negativa) e usar capote (avental), luvas, proteção ocular e respirador N95 (ou superior), conforme a política de controle de infecção da instituição e a diretriz atual do Apêndice A do CDC (atualização de setembro de 2024).
- Para funcionários treinados em PAPR (respirador purificador de ar motorizado) e tempo prolongado à beira do leito, preferir o PAPR em relação ao N95, de acordo com a rotina da instituição.
- Providenciar insumos e equipamentos de uso exclusivo para o quarto (estetoscópio, esfigmomanômetro, termômetro); evitar o uso compartilhado sem descontaminação, conforme a política da instituição.
- Facilitar o contato familiar por meio de visitas pela janela, videochamadas e telefone; visitas presenciais permitidas de acordo com as normas da instituição, com uso obrigatório de EPI e breve orientação antes de entrar.
- Coordenar com o controle de infecção e a secretaria de saúde local ou estadual de acordo com o fluxo de doenças de notificação compulsória da instituição.
- Orientar o paciente e a família sobre como o vírus se espalha e por que as precauções estão em vigor, em linguagem simples e sem alarmismo.
- Instruir os contatos domiciliares sobre a higiene das mãos, a não partilha de utensílios e objetos pessoais, e quais sintomas devem monitorar durante a janela de observação de 42 dias, conforme as diretrizes de surto do CDC.
- Orientar os funcionários que entrarem no quarto sobre a justificativa de cada elemento do EPI e a sequência segura de desparamentação (doffing), de acordo com o protocolo da instituição.
- Notificar o controle de infecção e a secretaria de saúde local ou estadual imediatamente em caso de suspeita de infecção por hantavírus.
- Coordenar o encaminhamento dos contatos expostos identificados para a saúde pública para monitoramento de 42 dias, conforme as orientações de surto do CDC e as normas da instituição.
Resultado esperado: Ausência de transmissão secundária para contatos domiciliares ou profissionais de saúde durante a internação; a equipe que entra no quarto demonstra paramentação e desparamentação adequadas de capote, luvas, proteção ocular e respirador N95 (ou superior) de acordo com o protocolo da instituição quando há suspeita ou confirmação de vírus Andes; a internação do paciente em AIIR (quarto de isolamento respiratório com pressão negativa) é garantida conforme a política de controle de infecção da instituição quando há suspeita ou confirmação do vírus Andes.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Ansiedade
Ansiedade relacionada à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) decorrente de infecção por hantavírus do Novo Mundo (o vírus Sin Nombre é o mais comum nos Estados Unidos; o vírus Andes, encontrado na América do Sul, é o único hantavírus conhecido por se espalhar de pessoa para pessoa), evidenciada por verbalização do paciente de medo de morrer, de separação familiar ou do desconhecido; inquietação (agitação) ou hipervigilância desproporcional ao estado clínico; taquicardia desproporcional ao estado clínico e à dose do vasopressor; isolamento em quarto de precaução por via aérea com EPI nível N95 quando há suspeita de vírus Andes; Precauções Padrão nos demais casos; rápida deterioração clínica presenciada pelo paciente e pela família.
Intervenções
- Avaliar o nível de ansiedade usando uma escala de 0 a 10 no início de cada turno e se necessário (PRN).
- Identificar os gatilhos relatados pelo paciente (falta de ar, alarmes dos monitores, isolamento, medo de separação da família, medo de morrer).
- Observar sinais físicos de ansiedade: taquicardia desproporcional ao estado clínico, inquietação, torcer as mãos, hipervigilância.
- Avaliar a qualidade do sono e fatores contribuintes (alarmes, iluminação, intervenções frequentes, dispneia, ansiedade) diariamente.
- Oferecer uma presença calma e tranquilizadora; falar de forma clara e compassada.
- Explicar os procedimentos e os achados em termos simples e acessíveis ao paciente antes de realizá-los.
- Agrupar os cuidados de enfermagem para permitir períodos de descanso ininterruptos quando o estado clínico permitir.
- Limitar estímulos noturnos não essenciais (luzes de teto, conversas em tom alto, alarmes desnecessários) conforme o protocolo da instituição.
- Facilitar as visitas familiares dentro das precauções de isolamento, incluindo visitas pela janela ou virtuais (por vídeo) quando a visita presencial for restrita.
- Coordenar com o serviço de capelania, assistência social ou serviços de tradução/intérprete, conforme preferência do paciente e normas da instituição.
- Ensinar respiração diafragmática e técnicas de ancoramento (grounding) que o paciente possa utilizar de forma independente.
- Orientar o paciente e a família sobre o hantavírus: como ele se espalha (contato com roedores na maioria dos casos nos EUA; contato próximo para o vírus Andes), por que as precauções de isolamento estão em vigor e o que o tratamento de suporte abrange.
- Orientar a família sobre o significado de cada alarme da UTI e o que é ou não clinicamente preocupante.
- Coordenar com capelania, serviço social ou serviços de psicologia/psiquiatria se a ansiedade persistir ou piorar apesar das medidas não farmacológicas.
- Notificar o médico em caso de ansiedade grave ou persistente que não responda a medidas não farmacológicas.
Resultado esperado: O paciente verbaliza diminuição da ansiedade; o paciente demonstra pelo menos uma estratégia de enfrentamento (respiração diafragmática, ancoramento, música); o paciente dorme em blocos de 4 horas quando o estado clínico permitir.
Fisiopatologia
A Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) é uma doença zoonótica de progressão rápida causada por hantavírus do Novo Mundo. Nos Estados Unidos, o hantavírus que mais comumente causa a SCPH é transmitido pelo camundongo-veado (Peromyscus maniculatus), historicamente identificado como vírus Sin Nombre. O vírus Andes, encontrado na América do Sul, também pode causar SCPH e é o único hantavírus conhecido por se espalhar de pessoa para pessoa por meio de contato próximo (contato físico direto prolongado, tempo prolongado em espaços fechados ou confinados, ou exposição à saliva, secreções respiratórias ou outros fluidos corporais de uma pessoa doente). A transmissão de roedores para humanos ocorre principalmente pela inalação de excretas aerossolizadas (urina, fezes, saliva) dispersas durante a limpeza, varredura ou trabalho em espaços infestados por roedores. O CDC relatou um surto de vírus Andes em um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico em 02-05-2026; o risco atual de saúde pública para a população americana permanece baixo.
O período de incubação é de 4 a 42 dias (de forma ampla, 1 a 8 semanas; 4 a 42 dias é a faixa citada para o vírus Andes pelo CDC, 2026). A doença se desenvolve em duas fases. A fase inicial ou prodrômica é semelhante à gripe: fadiga, febre e mialgia de grandes músculos (coxas, quadris, costas, às vezes ombros) são os sintomas iniciais dominantes. Cerca de metade dos pacientes também apresenta cefaleia, tontura, calafrios e sintomas abdominais (náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal). Essa apresentação se sobrepõe à influenza, Mycoplasma, leptospirose, doença dos legionários e febre Q; a SCPH é difícil de identificar no início, por isso é essencial uma anamnese cuidadosa quanto à exposição a roedores ou contato com pessoas doentes.
A fase tardia ou cardiopulmonar começa abruptamente. Dentro de 24 horas após a avaliação inicial, a maioria dos pacientes com SCPH desenvolve algum grau de hipotensão, edema pulmonar progressivo e hipóxia, frequentemente necessitando de ventilação mecânica. O aumento da permeabilidade capilar pulmonar impulsiona o edema pulmonar não cardiogênico; a disfunção cardiopulmonar parece ser mediada por mediadores inflamatórios circulantes, em vez de dano tecidual direto. Pacientes com infecções fatais frequentemente apresentam depressão miocárdica grave que pode progredir para bradicardia sinusal e, em seguida, dissociação eletromecânica, taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular. Indicadores de mau prognóstico relatados pelo CDC incluem lactato plasmático > 4,0 mmol/L ou índice cardíaco < 2,2 L/min/m2. A SCPH é fatal em quase 4 em cada 10 pessoas infectadas (CDC, 2026); sem cuidados intensivos adequados, a maioria dos óbitos ocorre dentro de 24 a 48 horas após o início da fase cardiopulmonar.
Não há terapia antiviral específica estabelecida atualmente para a SCPH. O tratamento é de suporte e coordenado pela equipe de terapia intensiva: monitoramento precoce em nível de UTI e suporte cardiopulmonar, administração cuidadosa de fluidos (o paciente apresenta depleção intravascular devido ao extravasamento capilar, mas a ressuscitação agressiva pode piorar o edema pulmonar), oxigenação com escalonamento gradual conforme prescrito e antibioticoterapia empírica de amplo espectro conforme orientação médica enquanto o diagnóstico é aguardado. De acordo com o Clinician Brief do CDC, a iniciação da ECMO ao primeiro sinal de descompensação tem sido associada a uma sobrevida de aproximadamente 65–80% em séries de casos publicadas, apesar do colapso cardiopulmonar; a ECMO-VV pode ser considerada quando predomina a hipoxemia refratária, e a ECMO-VA pode ser necessária quando predominam a depressão miocárdica e o choque, de acordo com os critérios institucionais do centro de ECMO. A ribavirina foi testada e não se mostrou eficaz para a SCPH (CDC, 2026).
Referência Rápida
- Mortalidade: ~38–40% (CDC: quase 4 em cada 10)
- Incubação: 4–42 dias pós-exposição
- Fases: Prodrômica semelhante à gripe → cardiopulmonar
- Pessoa a pessoa: Apenas vírus Andes; não o Sin Nombre
- Momento da ECMO: Consulta precoce; ~80% de sobrevida de acordo com o CDC
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valores de referência | Significado na Hantavirose |
|---|---|---|
| Sorologia IgM para Hantavírus | Negativo em adultos saudáveis | Exame diagnóstico de escolha. O ELISA do CDC detecta IgM na infecção aguda (SCPH e FHSR). As amostras e a consulta são coordenadas por meio do controle de infecção e do departamento de saúde local, estadual ou territorial; a Divisão de Patógenos Especiais Virais do CDC pode ser consultada por canais de saúde pública. Os cuidados de suporte não devem ser retardados enquanto se aguarda a confirmação. |
| Hemograma completo com diferencial | Leucócitos 4,5–11,0 ×109/L; Plaq 150–400; Hct M 41–53% / F 36–46% | Padrão hematológico clássico da SCPH (Duchin et al. 1994; amplamente referenciado na prática clínica): hemoconcentração (Hct > 55%), trombocitopenia (Plaq < 150 × 109/L) e leucocitose com desvio à esquerda e presença de imunoblastos (linfócitos atípicos). Juntos, esses achados no pródromo tardio podem apoiar a suspeita de SCPH antes do resultado da sorologia. |
| Lactato | < 2,0 mmol/L | Hipoperfusão tecidual quando > 2,0 mmol/L; de acordo com o CDC, > 4,0 é um indicador de mau prognóstico. Os enfermeiros monitoram a tendência do lactato durante a ressuscitação; a falha na depuração do lactato (clearance) pode subsidiar discussões de escalonamento terapêutico com a equipe de terapia intensiva. |
| Índice cardíaco (eco ou PiCCO / cateter de AP) | 2,5–4,0 L/min/m2 | De acordo com o CDC, IC < 2,2 L/min/m2 é um indicador de mau prognóstico. Reflete a disfunção miocárdica na fase cardiopulmonar. Os enfermeiros relatam a tendência e os valores absolutos à equipe médica para apoiar as decisões sobre inotrópicos e ECMO. |
| BUN / Creatinina | BUN 7–20 mg/dL / Cr 0,6–1,2 mg/dL | Os pacientes às vezes apresentam disfunção renal leve; a síndrome de disfunção de múltiplos órgãos é raramente observada na SCPH, de acordo com o CDC. Os sobreviventes frequentemente tornam-se poliúricos durante a convalescença e melhoram rapidamente. |
| Gasometria arterial | pH 7,35–7,45 / PaO2 80–100 mmHg / PaCO2 35–45 mmHg | Insuficiência respiratória hipoxêmica (PaO2 < 60) com acidose metabólica mista decorrente de acidose lática. Relação PaO2/FiO2 < 200 preenche os critérios para SDRA moderada a grave de acordo com a definição de Berlim; < 100 indica SDRA grave e deve motivar reavaliação urgente e discussão com a terapia intensiva e um centro capacitado para ECMO, conforme o protocolo da instituição. |
| TP / TTPA / RNI | TP 11–13,5 seg / TTPA 25–35 seg / RNI 0,8–1,1 | A coagulopatia pode se desenvolver na fase cardiopulmonar tardia. TP/TTPA prolongados com queda de plaquetas e fibrinogênio podem sinalizar coagulopatia de consumo; os enfermeiros avaliam a tendência dos valores seriados e relatam padrões preocupantes. |
| Fibrinogênio | 200–400 mg/dL | < 150 mg/dL pode ser compatível com CIVD. Os enfermeiros relatam valores fora da faixa de referência e preparam-se para administrar os hemocomponentes prescritos (crioprecipitado ou componentes do protocolo de transfusão maciça [PTM]) conforme o protocolo da instituição. |
| Tipagem sanguínea e triagem de anticorpos | Tipagem ABO/Rh; pesquisa de anticorpos negativa | Realizar na admissão conforme prescrição médica. A transfusão pode ser necessária em caso de sangramento, hemorragia trombocitopênica ou procedimentos cirúrgicos (acesso central, canulação para ECMO). |
| PCR / procalcitonina | PCR < 10 mg/L; procalcitonina < 0,25 ng/mL | Auxiliam na avaliação de coinfecção ou superinfecção bacteriana. De acordo com o CDC e a IDSA, a procalcitonina isolada não deve ser usada para iniciar ou suspender antibióticos em suspeita de SCPH; o CDC recomenda cobertura empírica de amplo espectro enquanto se aguarda o diagnóstico. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos colaterais | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Antibiótico empírico de amplo espectro | Conforme protocolo da instituição para PAC / sepse grave (exemplos: ceftriaxona + azitromicina; antipseudomonas ± anti-MRSA na UTI) | Cobre o amplo diagnóstico diferencial de pneumonia adquirida na comunidade grave e sepse enquanto o teste para hantavírus está pendente. | Alergia, infecção por C. difficile, transaminasemia, prolongamento do intervalo QT (macrolídeos, quinolonas); toxicidades específicas da classe. | De acordo com o Clinician Brief do CDC, pacientes com suspeita de SCPH devem receber terapia antibiótica de amplo espectro apropriada, mesmo enquanto o diagnóstico está pendente. Administrar conforme prescrito sob orientação médica, orientação farmacêutica e protocolo da instituição; primeira dose em até ≤ 1 hora se os critérios de sepse forem atendidos. Monitorar quanto à resposta, alergia e efeitos adversos; apoiar o descalonamento terapêutico com a equipe médica quando a SCPH for confirmada e a coinfecção bacteriana for excluída. |
| Vasopressor (geralmente de primeira linha) | Norepinefrina | Agonista alfa-1 com atividade beta-1 leve. Vasoconstrição (aumenta a RVS e a PAM) com suporte inotrópico modesto. | Taquiarritmia, isquemia periférica e digital, necrose tecidual por extravasamento se infundido em via periférica, bradicardia reflexa. | Administrar conforme prescrito. De acordo com a Surviving Sepsis Campaign de 2021, o início do vasopressor não deve ser retardado enquanto o acesso venoso central está sendo obtido; a administração periférica de curto prazo (comumente < 24 horas via acesso venoso periférico de grande calibre em veia proximal de membro superior, com monitoramento ativo de extravasamento) é aceitável, conforme a rotina da instituição. Os enfermeiros monitoram a PAM contínua por linha arterial, débito urinário, perfusão periférica, local do acesso venoso quanto a extravasamento e ritmo cardíaco; relatar preocupações conforme parâmetros médicos e protocolo da instituição. |
| Vasopressor (geralmente associado) | Vasopressina | Agonista V1 não catecolaminérgico. Adiciona vasoconstrição em dose baixa fixa sem estimulação beta adicional; poupa a dessensibilização dos receptores de catecolaminas. | Hiponatremia, isquemia digital e mesentérica, redução do débito cardíaco em doses mais elevadas. | Administrar conforme prescrito sob orientação médica. Normalmente, uma infusão de dose fixa é selecionada pelo prescritor; os enfermeiros não titulam a vasopressina como vasopressor primário. Monitorar a PAM, sódio, perfusão periférica e abdominal. |
| Inotrópico | Dobutamina | Agonista beta-1 seletivo. Aumenta a contratilidade miocárdica e o volume sistólico; a vasodilação beta-2 leve pode reduzir a RVS. | Taquiarritmia, hipotensão em doses mais elevadas, aumento do consumo miocárdico de oxigênio. | Administrar conforme prescrito sob orientação médica quando o ecocardiograma ou a avaliação clínica justificarem o suporte inotrópico. Os enfermeiros monitoram o ritmo, a PAM, o débito urinário e a tendência do lactato; relatam nova taquiarritmia ou hipotensão conforme o protocolo da instituição. |
| Cristaloide (cauteloso) | Ringer Lactato; NaCl 0,9% | Expansão de volume para restaurar o volume intravascular no contexto de extravasamento capilar. | Edema pulmonar (o paradoxo da SCPH), acidose metabólica hiperclorêmica com grandes volumes de NaCl, hemodiluição. | Administrar conforme prescrito. O extravasamento capilar na SCPH faz com que os alvos de ressuscitação sejam decisões da equipe médica; os enfermeiros monitoram a PAM, a tendência do lactato, o exame pulmonar, as pressões inspiratórias de pico e o débito urinário após cada bônus prescrito e relatam a piora do edema pulmonar conforme o protocolo da instituição. |
| Antipirético / analgésico | Paracetamol | Inibição central da COX; antipirese e analgesia. | Hepatotoxicidade (> 4 g/dia ou com consumo de álcool/doença hepática). | De acordo com o Clinician Brief do CDC, o tratamento deve incluir redutores de febre e analgésicos. Administrar conforme prescrito; os enfermeiros verificam se a dose diária total permanece dentro dos limites prescritos e realizam triagem para paracetamol oculto em produtos combinados. Limite máximo menor em caso de doença hepática crônica. |
| Sedação / analgesia | Propofol, Fentanil | Propofol = agonista GABA-A, sedação de início rápido; Fentanil = agonista mu-opioide, analgesia e sinergia. | Propofol: hipotensão, síndrome da infusão do propofol em doses altas prolongadas, hipertrigliceridemia. Fentanil: depressão respiratória (aceitável em ventilação mecânica), rigidez da parede torácica, íleo paralítico. | Administrar conforme prescrito para pacientes ventilados. Os enfermeiros monitoram a escala RASS conforme o protocolo de sedação da instituição, a hemodinâmica, o nível de triglicerídeos no uso prolongado de propofol e os escores de dor. A interrupção diária da sedação é implementada de acordo com o bundle ABCDEF e a prescrição médica quando o estado clínico tolerar. |
| Bloqueio neuromuscular | Cisatracúrio | BNM não despolarizante. Elimina a assincronia paciente-ventilador na SDRA grave; permite pressões transpulmonares mais baixas. | Paralisia prolongada se houver acúmulo na insuficiência renal/hepática (o cisatracúrio é o menos afetado por falência orgânica); fraqueza adquirida na UTI com o uso prolongado. | Administrar conforme prescrito para hipoxemia refratária ou como ponte para ECMO, sob orientação médica e conforme o protocolo da instituição. Sempre associado a sedação profunda; os enfermeiros verificam a profundidade da sedação (RASS ou BIS conforme a instituição), cuidados oculares, cuidados com a pele e profilaxia de TVP. A ribavirina não é recomendada para a SCPH de acordo com o Clinician Brief do CDC e foi intencionalmente deixada de fora desta lista. |
Referências
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