Plano de Cuidados de Enfermagem na Síndrome de Abstinência Alcoólica
Plano de cuidados de enfermagem na abstinência alcoólica: protocolo CIWA-Ar, precauções contra convulsões, medidas de conforto e PDF para impressão.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Risco de Lesão (convulsões, DT)
Risco de Lesão (convulsões, DT) relacionado à síndrome de abstinência alcoólica (SAA): dependência fisiológica com interrupção ou redução do uso crônico pesado; espectro de tremor leve a delirium tremens (DT) evidenciado por histórico de convulsões de abstinência ou delirium tremens; tremor grosseiro de mãos e ataxia de marcha; agitação, inquietação e impulsividade; alucinações visuais com comportamento de alcançar ou manotear; desorientação no tempo, espaço ou situação.
Intervenções
- Aplicar o CIWA-Ar em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional (comumente a cada 1 a 4 h); documentar a tendência.
- Avaliar nível de consciência, orientação e diâmetro pupilar em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional.
- Observar sinais prodrômicos de convulsão: tremor progressivo, hiperreflexia, abalos mioclônicos.
- Monitorar sinais vitais (FC, PA, FR, temperatura, SpO2) em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional durante o pico da abstinência.
- Quando um adjuvante adrenérgico (betabloqueador, clonidina, dexmedetomidina) estiver prescrito, documentar que os itens autonômicos do CIWA-Ar podem estar mascarados e o escore pode subestimar a gravidade.
- Implementar precauções para convulsões conforme protocolo institucional: grades laterais acolchoadas elevadas, aspirador e oxigênio à beira do leito, cama em posição baixa.
- Administrar benzodiazepínicos conforme prescrito, segundo o protocolo CIWA-Ar ou orientação médica; documentar o escore e a dose administrada.
- Administrar a reposição de eletrólitos prescrita (magnésio, potássio, fósforo); reverificar conforme prescrição médica e protocolo institucional.
- Coordenar observação contínua (vigilante 1:1 ou equivalente conforme protocolo institucional) para CIWA-Ar ≥ 16, alucinações ativas ou queda recente.
- Modificar o ambiente conforme protocolo institucional: iluminação reduzida, diminuição de ruídos, reorientação frequente, relógio e calendário visíveis.
- Orientar o paciente quanto a pessoa, lugar, tempo e situação em cada encontro.
- Explicar cada procedimento e medicação em linguagem calma e simples antes de realizá-los.
- Orientar a família sobre o que esperar (cronologia, alucinações, labilidade de humor) e sobre como validar emoções sem reforçar as alucinações.
- Comunicar o médico prontamente em caso de atividade convulsiva, elevação do CIWA-Ar apesar da dosagem prescrita ou instabilidade dos sinais vitais.
- Coordenar transferência para UTI conforme protocolo institucional em caso de instabilidade autonômica refratária, convulsões repetidas ou aumento progressivo das necessidades de benzodiazepínico.
- Documentar o padrão de uso de álcool (CAGE, AUDIT) e o histórico prévio de abstinência na admissão.
Resultado esperado: O paciente permanece sem lesões relacionadas a convulsões durante a internação; o CIWA-Ar é monitorado e registrado em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional; os sinais vitais são monitorados e registrados dentro dos parâmetros prescritos.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Confusão
Confusão relacionada à síndrome de abstinência alcoólica (SAA): dependência fisiológica com interrupção ou redução do uso crônico pesado; espectro de tremor leve a delirium tremens (DT) evidenciado por desorientação no tempo, espaço ou situação; alucinações visuais ou táteis; nível de consciência flutuante; incapacidade de focar ou manter a atenção; agitação psicomotora alternando com letargia.
Intervenções
- Avaliar orientação (pessoa, lugar, tempo, situação) e atenção em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional.
- Utilizar as subescalas de alucinação do CIWA-Ar (auditiva, visual, tátil) em cada intervalo de aplicação conforme protocolo institucional.
- Investigar contribuintes alternativos para o estado mental alterado: hipoglicemia, hiponatremia, hipóxia, infecção, traumatismo cranioencefálico.
- Monitorar a tríade de Wernicke: ataxia, oftalmoplegia (nistagmo, paralisia do olhar lateral) e confusão global.
- Administrar tiamina IV conforme prescrito, segundo orientação médica e protocolo institucional, comumente antes de qualquer dextrose IV; continuar conforme prescrito.
- Manter ambiente calmo e tranquilo com cuidadores consistentes, quando viável, conforme protocolo institucional.
- Manter objetos familiares (óculos, aparelhos auditivos, fotografias) à beira do leito; estimular o uso de dispositivos de auxílio sensorial.
- Limitar mudanças de quarto e minimizar a exposição a novos profissionais quando viável.
- Evitar contenção física quando viável, conforme protocolo institucional; utilizar primeiramente a desescalada verbal e a observação contínua.
- Reorientar a cada interação: informar nome, função, local, data e motivo da internação.
- Falar devagar e em frases curtas; uma instrução por vez.
- Orientar a família a validar emoções sem reforçar alucinações (por exemplo, ‘Eu não estou vendo isso, e posso perceber que isso está te assustando’).
- Comunicar o médico em caso de elevação do CIWA-Ar apesar da dosagem prescrita, novos achados neurológicos focais ou alucinações persistentes.
- Coordenar interconsulta com psiquiatria conforme protocolo institucional quando as alucinações persistirem após a resolução dos sintomas autonômicos.
- Documentar as características do Confusion Assessment Method (CAM) diariamente conforme protocolo institucional para subsidiar a comunicação da equipe sobre a evolução do delirium.
Resultado esperado: O paciente é monitorado quanto à orientação, atenção e alucinações em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional; alucinações e confusão são reavaliadas durante e após a terapia com benzodiazepínico prescrita; padrões de sono-vigília são monitorados e apoiados com modificação ambiental conforme protocolo institucional.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Risco de Queda
Risco de Queda relacionado à síndrome de abstinência alcoólica (SAA): dependência fisiológica com interrupção ou redução do uso crônico pesado; espectro de tremor leve a delirium tremens (DT) evidenciado por tremor grosseiro, ataxia de marcha e coordenação motora prejudicada; hipotensão ortostática por instabilidade autonômica e depleção volêmica; agitação, inquietação e impulsividade; alucinações visuais ou táteis levando à percepção equivocada do ambiente; sedação pela terapia prescrita com benzodiazepínico ou fenobarbital.
Intervenções
- Realizar avaliação de risco de queda na admissão, a cada turno e após qualquer mudança clínica, conforme protocolo institucional.
- Avaliar sinais vitais ortostáticos conforme prescrição médica quando o estado clínico permitir.
- Monitorar nível de sedação (RASS ou escala institucional) antes e após doses prescritas de benzodiazepínico ou fenobarbital.
- Reavalirar marcha e equilíbrio quando o paciente estiver se preparando para deambular.
- Manter a cama em posição baixa, freios travados, grades laterais superiores levantadas e campainha ao alcance do paciente, conforme protocolo institucional.
- Utilizar alarmes de cama e poltrona conforme protocolo institucional enquanto os critérios de gravidade forem atendidos.
- Coordenar observação contínua (vigilante 1:1 ou equivalente conforme protocolo institucional) quando o risco de queda for elevado.
- Calçar meias antiderrapantes no paciente antes de qualquer atividade fora do leito.
- Posicionar campainha, urinol, água, óculos e aparelhos auditivos ao alcance do paciente.
- Coordenar com fisioterapia ou reabilitação conforme protocolo institucional quando ataxia ou descondicionamento for proeminente.
- Orientar o paciente a solicitar ajuda antes de se levantar ou deambular durante o período de abstinência.
- Orientar a família sobre a justificativa dos alarmes de leito, vigilantes e reorientação, e sobre não auxiliar o paciente a sair do leito sem a presença da equipe de enfermagem.
- Ensinar ao paciente as precauções ortostáticas: sentar na borda do leito por um minuto e depois levantar com apoio da equipe.
- Comunicar o médico em caso de queda ou quase-queda, nova hipotensão ortostática ou piora da ataxia.
- Coordenar reunião pós-queda conforme protocolo institucional quando ocorrer queda.
Resultado esperado: O paciente permanece sem quedas durante a internação; a avaliação de risco de queda é documentada na admissão e após cada mudança clínica, conforme protocolo institucional; alarmes de cama e poltrona estão ativados conforme protocolo institucional enquanto os critérios de gravidade forem atendidos.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Ansiedade
Ansiedade relacionada à síndrome de abstinência alcoólica (SAA): dependência fisiológica com interrupção ou redução do uso crônico pesado; espectro de tremor leve a delirium tremens (DT) evidenciado por tremor, diaforese e taquicardia percebidos pelo paciente; alucinações (visuais, táteis, auditivas) que o paciente considera assustadoras; medo de convulsões ou piora dos sintomas; ambiente hospitalar desconhecido e intervenções frequentes; distúrbio do sono por hiperatividade autonômica e alarmes de monitorização.
Intervenções
- Avaliar o nível de ansiedade utilizando uma escala de 0 a 10 no início de cada turno e conforme necessário (SN).
- Identificar os gatilhos relatados pelo paciente (alucinações, alarmes de monitor, medo de convulsão, medo de recaída, medo de julgamento).
- Observar sinais físicos de ansiedade: taquicardia desproporcional ao estado clínico, inquietação, torção das mãos, hipervigilância.
- Avaliar a qualidade do sono e seus contribuintes (alarmes, iluminação, intervenções frequentes, tremor, ansiedade) diariamente.
- Oferecer presença calma e tranquilizadora; falar com clareza e em ritmo cadenciado.
- Explicar procedimentos e achados em linguagem simples e acessível ao paciente antes de realizá-los.
- Concentrar os cuidados para permitir períodos de repouso ininterruptos quando o estado clínico permitir.
- Limitar estímulos noturnos não essenciais (luzes acesas, conversas em voz alta, alarmes desnecessários) conforme protocolo institucional.
- Facilitar o contato com a família dentro da política institucional.
- Coordenar com capelania, serviço social ou serviços de interpretação conforme a preferência do paciente e a política institucional.
- Ensinar respiração diafragmática e técnicas de aterramento que o paciente possa utilizar de forma independente quando o estado clínico permitir.
- Orientar o paciente e a família sobre a cronologia da abstinência, como se manifestam as alucinações e o tremor, e o papel da terapia com benzodiazepínico.
- Ensinar à família o significado de cada alarme do monitor e o que é ou não clinicamente preocupante.
- Coordenar com capelania, serviço social ou psiquiatria conforme protocolo institucional caso a ansiedade persista ou piore apesar das medidas não farmacológicas.
- Comunicar o médico em caso de ansiedade grave ou persistente sem resposta às medidas não farmacológicas.
Resultado esperado: O paciente verbaliza diminuição da ansiedade com presença consistente e explicações; o paciente demonstra ao menos uma estratégia de enfrentamento (respiração diafragmática, aterramento, música) quando o estado clínico permitir; o paciente dorme em blocos de 4 horas quando o estado clínico e o ambiente permitirem.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Déficit Nutricional
Déficit Nutricional relacionado à síndrome de abstinência alcoólica (SAA): dependência fisiológica com interrupção ou redução do uso crônico pesado; espectro de tremor leve a delirium tremens (DT) evidenciado por uso crônico de álcool substituindo a ingestão alimentar; anemia macrocítica (↑ VCM) no hemograma; hipomagnesemia, hipocalemia, hipofosfatemia; hipoalbuminemia e atrofia muscular; perda de peso relatada > 5% nos últimos 3 meses.
Intervenções
- Avaliar peso basal, IMC e variação recente de peso na admissão.
- Monitorar eletrólitos diários (magnésio, potássio, fósforo), glicemia e função renal conforme prescrição médica.
- Realizar exame da cavidade oral buscando queilite angular, glossite e doença dentária na admissão.
- Investigar neuropatia periférica, ataxia e oftalmoplegia na admissão.
- Administrar tiamina IV conforme prescrito, segundo orientação médica e protocolo institucional, seguida de tiamina oral quando prescrita.
- Administrar ácido fólico 1 mg VO ao dia e polivitamínico diário conforme prescrito.
- Administrar a reposição de eletrólitos prescrita (magnésio, potássio, fósforo); reverificar após cada dose de reposição conforme prescrição médica.
- Progredir a dieta conforme prescrito, comumente iniciando com dieta geral, salvo contraindicação conforme prescrição médica.
- Comunicar o médico quando fósforo, potássio ou magnésio caírem > 20% do valor basal durante a progressão nutricional, conforme protocolo institucional de síndrome de realimentação.
- Orientar o paciente sobre o papel da nutrição na recuperação (energia, humor, sono, melhora da neuropatia).
- Ensinar alimentos ricos em complexo B, magnésio e proteína para ingestão ambulatorial.
- Fornecer instruções escritas de alta sobre a continuidade de tiamina, folato e polivitamínico conforme prescrição.
- Coordenar interconsulta com nutricionista registrado na admissão conforme protocolo institucional.
- Comunicar o médico em caso de queda de fósforo, potássio ou magnésio nos exames seriados.
Resultado esperado: O paciente tolera ingestão oral dentro dos parâmetros prescritos até a alta; eletrólitos (magnésio, potássio, fósforo) são monitorados e registrados visando os parâmetros prescritos; indicadores de síndrome de realimentação (cardíacos, respiratórios, neurológicos) são monitorados e comunicados conforme protocolo institucional.
Diagnóstico de Enfermagem 6: Manutenção da Saúde Prejudicada
Manutenção da Saúde Prejudicada relacionada à síndrome de abstinência alcoólica (SAA): dependência fisiológica com interrupção ou redução do uso crônico pesado; espectro de tremor leve a delirium tremens (DT) evidenciado por uso diário pesado de álcool relatado por > 6 meses; tolerância (necessidade de quantidades crescentes para obter o efeito); tentativas frustradas de cessação repetidas; uso continuado apesar de danos médicos ou sociais conhecidos; uso do álcool como principal mecanismo de enfrentamento para estresse, sono ou regulação afetiva.
Intervenções
- Realizar triagem com AUDIT e CAGE na admissão; documentar padrão de uso, quantidade, frequência e data da última bebida.
- Avaliar histórico de tratamentos anteriores: episódios de desintoxicação, tratamento farmacológico prévio (TAF), internações em reabilitação, maior período de sobriedade.
- Avaliar prontidão para mudança utilizando o modelo de estágios de mudança (pré-contemplação até manutenção).
- Investigar condições concomitantes: depressão, ansiedade, TEPT, histórico de trauma.
- Avaliar rede de apoio social, estabilidade habitacional, situação empregatícia e questões legais na admissão.
- Utilizar técnicas de entrevista motivacional: perguntas abertas, afirmações, reflexões, resumos (OARS).
- Manter postura não julgamental e terapêutica durante toda a internação.
- Fornecer informações escritas e verbais sobre as opções de tratamento farmacológico para dependência alcoólica (TAF): naltrexona, acamprosato, dissulfiram.
- Coordenar visita durante a internação ou contato telefônico com especialista em recuperação de pares ou programa de recuperação conforme protocolo institucional.
- Ensinar ao paciente que o transtorno por uso de álcool é uma condição médica crônica e recidivante.
- Auxiliar o paciente a identificar gatilhos pessoais (pessoas, lugares, emoções, horários do dia) e desenvolver planos de enfrentamento.
- Orientar sobre os sinais de alerta de recaída e como acessar recursos de crise (188, linha de crise local, UPA/PS).
- Coordenar encaminhamento a prescritor de TAF antes da alta conforme protocolo institucional; iniciar TAF durante a internação quando prescrito e clinicamente indicado.
- Agendar acompanhamento com atenção primária, medicina de adições ou saúde mental dentro de 7 dias após a alta conforme protocolo institucional.
- Fornecer informações de contato e locais de reuniões do AA, SMART Recovery ou outros programas de recuperação.
- Acionar serviço social para suporte habitacional, empregatício e jurídico conforme necessário.
Resultado esperado: O paciente verbaliza compreensão do transtorno por uso de álcool como condição médica crônica; o paciente identifica ao menos 2 gatilhos pessoais para o uso quando o estado clínico permitir; o paciente identifica ao menos 2 estratégias alternativas de enfrentamento quando o estado clínico permitir.
Fisiopatologia
O uso crônico de álcool potencializa o tônus inibitório GABA-A e suprime o tônus excitatório glutamatérgico NMDA. O SNC se adapta por meio de downregulation dos receptores GABA e upregulation dos receptores NMDA. Quando o álcool é retirado abruptamente, a inibição colapsa enquanto a atividade glutamatérgica permanece amplificada, produzindo um estado excitatório sem oposição com hiperatividade autonômica e limiar convulsivo reduzido.
Cronologia: 6 a 24 h → Estágio 1 (tremor, ansiedade, náusea, HAS leve/taquicardia); 12 a 48 h → Estágio 2: alucinações alcoólicas (tipicamente visuais, sensorium preservado); 24 a 48 h → Estágio 3: convulsões de abstinência (tônico-clônicas generalizadas, comumente 1 a 2 episódios; status epiléptico incomum); 48 a 96 h → Estágio 4: delirium tremens (DT) com confusão, agitação, alucinações, febre e instabilidade autonômica grave (mortalidade relatada de 1 a 5% com tratamento, até 25% sem tratamento). O DT costuma atingir o pico entre 48 e 96 h, sendo descrita uma cauda de início tardio de 7 a 10 dias, especialmente com cobertura parcial por benzodiazepínicos ou doença concomitante; a progressão para monitoramento step-down deve ser reavaliada com a equipe médica, sem desescalonamento precoce. Fatores de risco para abstinência grave incluem DT prévio, convulsões de abstinência anteriores, comorbidade clínica, idade > 65 anos e alterações eletrolíticas basais.
A gravidade é classificada pela escala CIWA-Ar (Clinical Institute Withdrawal Assessment for Alcohol, revised), uma escala de 10 itens (escore 0 a 67) aplicada em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional (comumente a cada 1 a 4 h). A administração guiada por sintomas orientada pelo CIWA-Ar é comumente preferida em relação aos benzodiazepínicos em horário fixo em ambientes monitorados, conforme a Diretriz de Prática Clínica ASAM 2020; a escolha entre regimes guiados por sintomas, horário fixo e dose de ataque é decisão da equipe médica conforme o protocolo institucional.
O cuidado é de suporte e coordenado pela equipe médica: benzodiazepínicos em horário fixo ou guiados por sintomas conforme prescrição médica e protocolo institucional, tiamina IV antes de qualquer dextrose IV para suporte à prevenção de Wernicke, reposição de eletrólitos (magnésio, potássio, fósforo), reposição volêmica conforme prescrito e escalonamento progressivo para adjuvantes com fenobarbital ou dexmedetomidina e monitoramento em nível de UTI quando a gravidade aumenta.
Referência Rápida
- CIWA-Ar: ≤ 8 leve · 9 a 15 moderado · ≥ 16 grave
- Primeira linha: Benzodiazepínicos conforme prescrição médica (lorazepam comumente preferido em hepatopatia)
- Mortalidade no DT: 1 a 5% com tratamento · até 25% sem tratamento
- Convulsões: 24 a 48 h · tônico-clônicas generalizadas · comumente 1 a 2 episódios
- Tiamina — momento de administração: 100 mg IV comumente administrada antes de qualquer dextrose IV conforme protocolo institucional
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valores de referência | Significado na SAA |
|---|---|---|
| Hemograma (CBC) | Leucócitos 4,5 a 11 k | Anemia macrocítica (↑ VCM) é comumente observada no uso crônico de álcool; a enfermagem documenta valor basal e tendência conforme prescrição médica. |
| BMP / CMP | Na 135 a 145, K 3,5 a 5,0 | Hiponatremia, hipocalemia e hipofosfatemia são comumente observadas; fornece avaliação basal da função renal e glicemia. A enfermagem comunica valores fora do intervalo de referência à equipe médica. |
| Mg2+ | 1,7 a 2,2 mg/dL | Magnésio baixo pode contribuir para convulsões refratárias mesmo com benzodiazepínico em dose adequada; a enfermagem administra a reposição prescrita e verifica os valores conforme prescrição médica e protocolo institucional. |
| Fósforo | 2,5 a 4,5 mg/dL | Comumente baixo no valor basal; risco de síndrome de realimentação ao reiniciar a nutrição. A enfermagem monitora valores seriados e escalona tendências de queda conforme protocolo institucional. |
| TGO/TGP (AST/ALT) | AST < 40, ALT < 40 | AST:ALT > 2:1 pode ser compatível com hepatite alcoólica; a enfermagem comunica os padrões à equipe médica para subsidiar a tomada de decisão clínica. |
| TP / RNI | RNI 0,8 a 1,1 | Pode estar elevado na cirrose por síntese hepática prejudicada; a enfermagem monitora valores seriados e comunica padrões preocupantes. |
| Amônia | < 35 μmol/L | Pode estar elevada na encefalopatia hepática e alterar o quadro do estado mental; auxilia a equipe médica na diferenciação entre delirium por SAA e encefalopatia hepática. |
| CK | < 200 U/L | Pode estar elevada após convulsão (rabdomiólise); a enfermagem administra os fluidos prescritos e monitora o débito urinário para suporte à proteção renal conforme protocolo institucional. |
| Glicemia | 70 a 110 mg/dL | Hipoglicemia é comumente observada; a tiamina IV é comumente administrada antes de qualquer dextrose IV conforme prescrição médica e protocolo institucional para suporte à prevenção de Wernicke. |
| Lipase | < 160 U/L | Valores elevados podem ser compatíveis com pancreatite alcoólica como causa alternativa de dor ou náusea; a enfermagem comunica os valores à equipe médica. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos adversos | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Tiamina (Vit B1) | Profilaxia: 100 mg IV/IM ao dia × 3 a 5 dias · Wernicke suspeito ou confirmado: 500 mg IV TID × 2 a 3 dias, depois 250 mg ao dia × 3 a 5 dias | Cofator da piruvato desidrogenase e transcetolase; repõe estoques depletados. | Anafilaxia rara com infusão IV em bólus rápido; caso contrário, comumente bem tolerada. | Administrar conforme prescrito segundo orientação médica, farmacêutica e protocolo institucional. A tiamina IV é comumente administrada antes de qualquer dextrose IV para suporte à prevenção de Wernicke (ataxia, oftalmoplegia, confusão); a dose terapêutica mais elevada é comumente utilizada quando qualquer componente da tríade estiver presente, conforme a diretriz RCP 2014. A enfermagem monitora reações à infusão e comunica novos achados neurológicos. |
| Folato / Polivitamínico | Ácido fólico 1 mg VO/IV ao dia; polivitamínico (MVI) | Repõe cofatores deficientes pelo consumo crônico inadequado e absorção prejudicada. | Mínimos; a reposição isolada de folato pode mascarar deficiência de B12. | Administrar conforme prescrito. Associar à B12 quando houver macrocitose, conforme prescrição médica; comumente administrado diariamente durante a internação. |
| Benzodiazepínico de longa ação | Clordiazepóxido, Diazepam | Potencializa GABA-A → restaura o tônus inibitório → sedação, anticonvulsivante. | Sedação excessiva, depressão respiratória, agitação paradoxal, delirium (pode ser mais pronunciado em idosos). | Administrar conforme prescrito segundo orientação médica e protocolo institucional. Comumente utilizado na SAA rotineira; agentes de longa ação são comumente evitados em hepatopatia grave devido ao acúmulo de metabólitos ativos. A enfermagem monitora RASS, frequência respiratória, SpO2 e resposta ao CIWA-Ar, e escalona sedação excessiva ou depressão respiratória conforme protocolo institucional. |
| Benzodiazepínico de curta ou intermediária ação | Lorazepam (Ativan), Oxazepam | Potencialização de GABA-A; sem metabólitos ativos, eliminação renal. | Sedação excessiva, depressão respiratória. | Administrar conforme prescrito segundo orientação médica. Comumente preferido em hepatopatia, pacientes idosos e SAA grave; dose e intervalo são comumente guiados pelo CIWA-Ar conforme protocolo institucional. A enfermagem monitora sedação, estado respiratório e tendência do CIWA-Ar, e escalona conforme protocolo institucional. |
| Fluidos IV | SF 0,9% ou Ringer Lactato | Restaura o volume perdido por vômitos, diaforese e ingestão inadequada. | Sobrecarga hídrica pode ocorrer em cardiopatia ou nefropatia. | Administrar conforme prescrito. Soluções contendo dextrose são comumente administradas somente após tiamina IV, conforme prescrição médica e protocolo institucional; a enfermagem titula conforme os parâmetros prescritos (comumente DU ≥ 0,5 mL/kg/h) e monitora sobrecarga hídrica. |
| Reposição de eletrólitos | Magnésio, potássio, fósforo | Restaura cofatores e estabilidade de membrana perdidos pelo uso crônico de álcool. | Hipercalemia com reposição rápida, hiperfosfatemia, reações no sítio de infusão. | Administrar conforme prescrito segundo orientação médica e protocolo institucional; o magnésio é comumente reposto precocemente, pois convulsões refratárias podem ocorrer na sua ausência. A enfermagem rechecará os valores conforme prescrição médica e comunicará valores fora dos parâmetros prescritos. |
| Fenobarbital | Fenobarbital IV (opções de dose de ataque e guiada por sintomas) | Agonista direto de GABA-A; meia-vida longa; anticonvulsivante. | Sedação excessiva, depressão respiratória, hipotensão. | Administrar conforme prescrito segundo orientação médica e protocolo institucional de fenobarbital; comumente utilizado como adjuvante ou alternativa aos benzodiazepínicos na SAA grave ou refratária, com monitoramento em nível de UTI. A enfermagem monitora RASS, estado respiratório, parâmetros hemodinâmicos e escalona sedação excessiva conforme protocolo institucional. |
| Antipsicótico (para alucinações) | Haloperidol | Antagonismo D2; pode auxiliar no manejo de agitação ou psicose que persiste apesar dos benzodiazepínicos. | Prolongamento do QTc, redução do limiar convulsivo, sintomas extrapiramidais (SEP). | Administrar conforme prescrito segundo orientação médica e protocolo institucional; comumente utilizado apenas como adjuvante, não como substituto dos benzodiazepínicos. A enfermagem monitora o QTc conforme protocolo institucional, observa SEP e escalona preocupações; comumente evitado quando há histórico proeminente de convulsões, conforme orientação médica. |
| Adjuvante adrenérgico (apenas autonômico) | Propranolol, Clonidina, Dexmedetomidina (UTI) | Bloqueio beta ou agonismo central α2 reduz taquicardia, hipertensão e tremor. | Podem mascarar os itens autonômicos do CIWA-Ar e produzir escore falsamente baixo; hipotensão; bradicardia; hipertensão rebote na suspensão abrupta de clonidina. | Administrar conforme prescrito segundo orientação médica e protocolo institucional; comumente utilizados apenas como adjuvantes, não como substitutos dos benzodiazepínicos. A enfermagem documenta que o CIWA-Ar pode subestimar a gravidade durante o uso desses agentes, monitora parâmetros hemodinâmicos e sedação, e escalona conforme protocolo institucional. A seleção de dexmedetomidina como adjuvante é decisão da equipe médica conforme o protocolo de UTI institucional. |
Referências
- Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
- The ASAM Clinical Practice Guideline on Alcohol Withdrawal Management. (2020). Journal of Addiction Medicine, 14(3S Suppl 1), 1–72.
- Mayo-Smith, M. F., Beecher, L. H., Fischer, T. L., et al. (2004). Management of alcohol withdrawal delirium: An evidence-based practice guideline. Archives of Internal Medicine, 164(13), 1405–1412.
Perguntas frequentes
What is the nursing care plan for EtOH Withdrawal?
A EtOH Withdrawal nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Alcohol Withdrawal. Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.
What are the priority nursing diagnoses for EtOH Withdrawal?
Priority diagnoses for EtOH Withdrawal appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.
What is the priority nursing intervention for EtOH Withdrawal?
Priority interventions for EtOH Withdrawal are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.
What complications should the nurse monitor for in EtOH Withdrawal?
Complications to monitor for in EtOH Withdrawal are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.