Plano de Cuidados de Enfermagem para Síndrome Coronariana Aguda
ACS

Plano de Cuidados de Enfermagem para Síndrome Coronariana Aguda

Plano de cuidados de enfermagem para SCA (angina instável/IAMSSST/IAMCST) com diagnósticos priorizados, intervenções e PDF imprimível. Elaborado por enfermeiros para enfermeiros.

Plano de Cuidados de Enfermagem

Diagnóstico de Enfermagem 1: Dor Aguda

Dor Aguda relacionada à Síndrome coronariana aguda (SCA): angina instável (AI), infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST (IAMSSST) ou com supradesnivelamento do ST (IAMCST), evidenciada por Dor precordial/retroesternal > 10 minutos, sem alívio com repouso; Dor irradiando para membro superior esquerdo, mandíbula, pescoço ou dorso; Dor avaliada em ≥ 7/10 na escala numérica de 0–10; Diaforese, palidez, náuseas ou vômitos; Sintomas autonômicos: ansiedade, sensação de morte iminente.

Intervenções

  • Avaliar a dor utilizando o método PQRST (Provocação, Qualidade, Radiação, Severidade, Tempo) na admissão e a cada relato de dor.
  • Obter ECG de 12 derivações em até 10 minutos da admissão e a cada recorrência de dor torácica conforme protocolo institucional.
  • Monitorar o ritmo cardíaco de forma contínua; documentar e comunicar novas arritmias, alterações do segmento ST ou inversões de onda T.
  • Avaliar os sinais vitais (FC, PA, FR, SpO2) em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional; atenção redobrada durante a dor ativa.
  • Reavaliação da dor após cada intervenção prescrita (nitro sublingual, titulação de nitro IV conforme parâmetros prescritos, morfina).
  • Auscultar bulhas cardíacas em busca de B3, B4 ou sopro novos (possível ruptura de músculo papilar ou comunicação interventricular).
  • Administrar nitroglicerina sublingual conforme prescrição para dor torácica em curso; suspender para PAS < 90 conforme parâmetros prescritos.
  • Administrar aspirina 162–325 mg mastigada (não deglutida) na admissão conforme prescrição, salvo contraindicação.
  • Iniciar ou titular nitroglicerina IV conforme prescrição e protocolo institucional para dor refratária ou hipertensão.
  • Administrar oxigênio suplementar conforme prescrição quando SpO2 < 90% ou na presença de desconforto respiratório, conforme as diretrizes de 2013 para IAMCST / 2014 para IAMSSST.
  • Administrar morfina IV conforme prescrição para dor torácica refratária à terapia máxima prescrita com nitratos.
  • Manter repouso no leito com cabeceira elevada a 30–45 graus durante a dor ativa; agrupar os cuidados para reduzir a demanda de O2.
  • Orientar o paciente a comunicar imediatamente qualquer dor torácica nova ou recorrente, mesmo que leve.
  • Educar sobre o protocolo domiciliar de nitroglicerina conforme orientação atual da AHA: um comprimido SL, aguardar 5 minutos; se a dor persistir, ligar para o SAMU/192 e tomar uma segunda dose.
  • Orientar o paciente a reconhecer apresentações atípicas (dor na mandíbula ou no braço, dispneia, náuseas), comumente descritas em mulheres, idosos e pacientes com diabetes.
  • Notificar o médico e apoiar a ativação do protocolo institucional de IAMCST conforme prescrição na presença de supradesnivelamento do ST ≥ 1 mm em ≥ 2 derivações contíguas (com limiares específicos por sexo e idade em V2–V3), suspeita de IAM posterior (V7–V9), suspeita de IAM de VD (V4R) ou BRE novo com critérios de Sgarbossa positivos; coordenar a notificação do hemodinâmica conforme fluxo institucional e solicitar derivações direitas e posteriores quando houver suspeita de IAM posterior ou inferior.
  • Notificar o médico para dor sem resposta à terapia máxima prescrita com nitratos, instabilidade hemodinâmica ou nova arritmia.

Resultado: O paciente relata dor torácica dentro dos parâmetros prescritos em até 30 minutos após a intervenção; O paciente relata resolução ou melhora sustentada da dor torácica em até 60 minutos; Os sintomas autonômicos (diaforese, náuseas, palidez) são monitorados e comunicados conforme se resolvem.

Diagnóstico de Enfermagem 2: Alteração do Débito Cardíaco

Alteração do Débito Cardíaco relacionada à Síndrome coronariana aguda (SCA): angina instável (AI), infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST (IAMSSST) ou com supradesnivelamento do ST (IAMCST), evidenciada por FEVE reduzida ao ecocardiograma (< 40%); B3 à ausculta; Extremidades frias e moteadas; Tempo de enchimento capilar > 3 segundos; Débito urinário < 0,5 mL/kg/h; Alteração do estado mental (agitação, confusão).

Intervenções

  • Monitorar o ritmo cardíaco de forma contínua; documentar e comunicar novas alterações do segmento ST, arritmias ou bloqueios de condução.
  • Avaliar a hemodinâmica (FC, PA e PAM, FR, SpO2, temperatura) em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional, com atenção redobrada nas primeiras 24 horas.
  • Verificar tempo de enchimento capilar, temperatura cutânea, pulsos periféricos e moteamento em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Monitorar o débito urinário a cada hora; notificar o médico para valores < 30 mL/h ou < 0,5 mL/kg/h por 2 horas consecutivas conforme protocolo institucional.
  • Avaliar o estado mental, orientação e comportamento em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Auscultar bulhas cardíacas a cada turno em busca de B3, B4 ou sopro novos.
  • Monitorar a tendência de troponina, BNP e ECGs seriados conforme prescrição.
  • Administrar o betabloqueador prescrito (metoprolol, carvedilol, bisoprolol) nos horários prescritos, conforme prescrição, quando o paciente estiver hemodinamicamente estável.
  • Verificar FC e PA antes de cada dose; suspender o betabloqueador para FC < 50 ou PAS < 90 conforme parâmetros prescritos e notificar o médico.
  • Administrar IECA ou BRA prescrito em até 24 horas conforme prescrição para FEVE < 40%, HAS, DM ou IAM anterior.
  • Manter dois acessos venosos periféricos pérvios conforme protocolo institucional para infusão de fluidos, medicamentos vasoativos e drogas de emergência.
  • Proporcionar períodos adequados de repouso entre as atividades assistenciais e limitar interrupções não essenciais.
  • Orientar o paciente e a família a reconhecer possíveis sinais de piora da função cardíaca: fadiga, dispneia, tontura, palpitações, redução do débito urinário.
  • Educar que os betabloqueadores não devem ser interrompidos sem orientação médica, pelo risco de taquicardia de rebote e isquemia.
  • Achados como PAS sustentada < 90 mmHg, PAM < 65, moteamento, redução do nível de consciência ou débito urinário < 0,5 mL/kg/h devem motivar reavaliação urgente e notificação ao médico; coordenar cuidados em nível de UTI conforme protocolo institucional.
  • Coordenar consulta com cardiologia para ecocardiograma, estratificação de risco pós-IAM e avaliação para CDI ou TRC se FEVE ≤ 35% aos 40 dias, conforme protocolo institucional.

Resultado: PAM, débito urinário e indicadores de perfusão são monitorados e comunicados dentro dos parâmetros prescritos; Frequência cardíaca e ritmo estão dentro dos parâmetros prescritos (comumente 60–80 bpm com betabloqueador); Tempo de enchimento capilar e temperatura das extremidades são monitorados e alterações comunicadas prontamente.

Diagnóstico de Enfermagem 3: Ansiedade

Ansiedade relacionada à Síndrome coronariana aguda (SCA): angina instável (AI), infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST (IAMSSST) ou com supradesnivelamento do ST (IAMCST), evidenciada por Verbalização de medo de morrer; Agitação, hipervigilância, incapacidade de permanecer quieto; Taquicardia desproporcional ao estado clínico e à dose do betabloqueador; Hiperventilação; Questionamentos repetidos sobre o prognóstico.

Intervenções

  • Avaliar o nível de ansiedade em uma escala de 0–10 no início de cada turno e quando necessário.
  • Identificar os fatores desencadeantes referidos pelo paciente (medo de morrer, medo de novo IAM, preocupações financeiras, questões familiares).
  • Observar sinais físicos: taquicardia desproporcional ao estado clínico, agitação, diaforese, hiperventilação.
  • Avaliar qualidade do sono, pesadelos e pensamentos intrusivos diariamente; considerar rastreamento precoce de TEPT após evento com risco de vida, conforme protocolo institucional.
  • Oferecer presença calma e tranquilizadora; comunicar de forma clara e em ritmo moderado.
  • Explicar procedimentos, alarmes e exames em linguagem acessível ao paciente antes de realizá-los.
  • Facilitar a presença de familiares durante períodos de estabilidade clínica e durante procedimentos quando a política institucional permitir.
  • Agrupar os cuidados para permitir períodos de repouso ininterruptos de pelo menos 30 minutos quando o estado clínico permitir, especialmente no período noturno.
  • Reduzir estímulos não essenciais à noite (luz de teto, conversas em voz alta, alarmes não críticos) conforme protocolo institucional.
  • Ensinar respiração diafragmática e a técnica de aterramento 5-4-3-2-1 para uso autônomo pelo paciente.
  • Orientar o paciente e a família sobre o significado dos alarmes do monitor e quais achados são clinicamente relevantes.
  • Fornecer material educativo escrito em linguagem simples sobre SCA, ICP, medicamentos e expectativas de recuperação.
  • Ensinar relaxamento muscular progressivo como auxiliar não farmacológico para início do sono.
  • Coordenar encaminhamento para reabilitação cardíaca; programas estruturados têm sido associados à redução de ansiedade, depressão e eventos recorrentes.
  • Coordenar apoio de capelania, serviço social ou psiquiatria/psicologia se a ansiedade persistir, surgir depressão ou se desenvolverem sintomas de TEPT.
  • Notificar o médico para ansiedade grave ou persistente sem resposta às medidas não farmacológicas.

Resultado: O paciente verbaliza redução da ansiedade; O paciente demonstra ao menos uma estratégia de enfrentamento (respiração, aterramento); Frequência cardíaca compatível com o estado clínico e a dose do betabloqueador.

Diagnóstico de Enfermagem 4: Risco de Sangramento

Risco de Sangramento relacionado à Síndrome coronariana aguda (SCA): angina instável (AI), infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST (IAMSSST) ou com supradesnivelamento do ST (IAMCST), evidenciado por Terapia antiplaquetária dupla (AAS + inibidor de P2Y12); Anticoagulação parenteral concomitante (HNF, HBPM ou bivalirudina); ICP recente com acesso arterial (inguinal ou radial); Fibrinólise recente ou planejada; Idade avançada, baixo peso corporal ou função renal reduzida.

Intervenções

  • Confirmar ou documentar o escore TIMI e/ou GRACE na admissão para pacientes com IAMSSST conforme prescrição médica; revisar a estratégia planejada (imediata < 2 h, invasiva precoce < 24 h, invasiva tardia < 72 h ou guiada pela isquemia) com a equipe médica.
  • Inspecionar o sítio de acesso vascular (inguinal ou radial) quanto a hematoma, sangramento, frêmito ou massa pulsátil conforme protocolo institucional (comumente a cada 15 minutos × 4, depois conforme protocolo).
  • Avaliar os pulsos periféricos (radial, pediosa, tibial posterior) quanto à presença, simetria e intensidade a cada turno, com atenção especial ao membro do acesso vascular após o cateterismo.
  • Monitorar sinais de sangramento gastrointestinal (melena, hematêmese, queda da Hgb) em vigência de DAPT associada à anticoagulação.
  • Realizar avaliação neurológica focada em intervalos compatíveis com a gravidade clínica (nível de consciência, orientação, simetria motora e sensitiva, linguagem).
  • Monitorar a função renal (ureia, Cr, TFGe, débito urinário) por 48–72 horas após exposição ao contraste conforme prescrição médica.
  • Monitorar a contagem de plaquetas durante a terapia com HNF ou HBPM e comunicar queda > 50% em relação ao valor basal ou nova trombocitopenia.
  • Administrar a terapia antiplaquetária prescrita (AAS + inibidor de P2Y12) e anticoagulante conforme prescrição por orientação médica e protocolo institucional.
  • Administrar estatina de alta intensidade (atorvastatina 80 mg ou rosuvastatina 40 mg) conforme prescrição, o mais precocemente possível.
  • Estimular hidratação oral adequada, salvo restrição; coordenar hidratação IV pré- ou pós-cateterismo conforme protocolo institucional e prescrição médica.
  • Manter o membro do acesso vascular em extensão conforme protocolo institucional; reforçar o repouso no leito pela duração prescrita.
  • Implementar precauções para queda enquanto o paciente estiver em uso de DAPT associada à anticoagulação; manter o piso livre de obstáculos e a campainha ao alcance conforme protocolo institucional.
  • Orientar o paciente sobre sinais de sangramento a comunicar imediatamente: fezes escuras, sangue na urina, cefaleia intensa, equimoses de fácil aparecimento, sangramento prolongado em cortes.
  • Orientar o paciente a reconhecer possíveis sinais de AVC (SAMU: Sorriso torto, Abraço fraco, Mudo ou com dificuldade para falar, Urgência — ligar 192).
  • Reforçar que a DAPT deve ser mantida de forma ininterrupta pela duração prescrita (comumente ≥ 12 meses pós-ICP; individualizada pelos escores DAPT e PRECISE-DAPT), e que alterações devem ser coordenadas com a cardiologia.
  • Educar sobre modificação do estilo de vida: cessação do tabagismo, dieta no estilo mediterrâneo ou DASH, ≥ 150 minutos por semana de atividade aeróbica pós-reabilitação conforme autorização médica.
  • Notificar o médico para novos déficits neurológicos, nova dor torácica, redução do débito urinário, elevação de creatinina, queda da Hgb ou sangramento ativo em qualquer sítio.
  • Coordenar encaminhamento para reabilitação cardíaca antes da alta (Classe I, comumente ≥ 36 sessões em 12 semanas).

Resultado: O sítio de acesso vascular (inguinal ou radial) é monitorado e sangramento ou hematoma são comunicados conforme protocolo institucional; Hgb, contagem de plaquetas e valores de coagulação são monitorados e comunicados dentro dos parâmetros prescritos; Sinais de sangramento gastrointestinal (melena, hematêmese, queda da Hgb) são monitorados e comunicados prontamente.

Diagnóstico de Enfermagem 5: Déficit de Conhecimento

Déficit de Conhecimento relacionado à Síndrome coronariana aguda (SCA): angina instável (AI), infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST (IAMSSST) ou com supradesnivelamento do ST (IAMCST), evidenciado por Primeira apresentação de SCA; Paciente ou familiar verbaliza incerteza sobre diagnóstico, medicamentos ou seguimento ambulatorial; Preocupações com letramento em saúde; Múltiplos medicamentos novos (DAPT, estatina, betabloqueador, IECA ou BRA); Mudanças recomendadas no estilo de vida (dieta, cessação do tabagismo, atividade física).

Intervenções

  • Avaliar o conhecimento basal sobre SCA, histórico cardíaco prévio e educação anterior sobre doenças cardíacas.
  • Avaliar o letramento em saúde pelo método teach-back; pedir ao paciente que explique com suas próprias palavras.
  • Identificar preferências de aprendizagem e barreiras: visão, audição, linguagem, cognição, crenças culturais, motivação.
  • Avaliar a capacidade de gerenciamento de medicamentos: habilidade de ler rótulos, manejar esquema com múltiplos fármacos e custear as prescrições.
  • Fornecer educação estruturada e escrita para alta hospitalar cobrindo diagnóstico, medicamentos, estilo de vida e seguimento ambulatorial.
  • Demonstrar a administração de nitroglicerina sublingual e solicitar ao paciente que realize o teach-back do protocolo.
  • Revisar cada medicamento: nome, finalidade, dose, horário, principais efeitos adversos e o que fazer em caso de esquecimento de uma dose.
  • Coordenar consulta com nutricionista para educação sobre dieta no estilo mediterrâneo ou DASH antes da alta conforme protocolo institucional.
  • Coordenar revisão farmacêutica da lista de medicamentos da alta com foco em duplicidades, interações e custos.
  • Orientar sobre sinais e sintomas que requerem acionamento do SAMU/192: dor torácica > 5 minutos, síncope, dispneia intensa, sinais de AVC.
  • Educar sobre cessação do tabagismo: opções de farmacoterapia (TRN, vareniclina, bupropiona), linhas de apoio e suporte comportamental conforme prescrição médica.
  • Orientar sobre progressão gradual da atividade física: caminhadas curtas diárias, avançando conforme o plano de reabilitação cardíaca, evitando esforços pesados até liberação pela equipe médica.
  • Educar sobre adesão à DAPT: alterações são coordenadas com a cardiologia; planejar as retiradas com antecedência; suspender conforme protocolo antes de cirurgia somente com orientação cardiológica.
  • Revisar orientações sobre atividade sexual: a retomada é comumente considerada segura quando o paciente consegue subir 2 lances de escada sem sintomas; nitratos são contraindicados com inibidores de PDE-5 por 24–48 horas.
  • Agendar seguimento cardiológico em 7–14 dias e seguimento com médico de atenção primária em até 30 dias antes da alta conforme protocolo institucional.
  • Coordenar encaminhamento para reabilitação cardíaca antes da alta; fornecer o contato e verificar a inscrição.
  • Coordenar serviço social para transporte, custeio de medicamentos e suporte domiciliar quando identificadas barreiras.

Resultado: O paciente e a família verbalizam compreensão do diagnóstico de SCA e da função de cada medicamento; O paciente demonstra o protocolo domiciliar de nitroglicerina (um comprimido SL, aguardar 5 minutos, ligar para o SAMU/192 se a dor persistir); O paciente verbaliza sinais e sintomas que requerem acionamento do SAMU/192.

Fisiopatologia

A síndrome coronariana aguda (SCA) é um termo abrangente para um continuum de isquemia miocárdica causada pela redução abrupta do fluxo sanguíneo coronariano. Nos eventos do Tipo I, uma placa aterosclerótica se rompe ou sofre erosão, expondo material trombogênico do núcleo; as plaquetas se agregam e um trombo rico em fibrina se forma sobre a lesão. Um trombo parcialmente oclusivo produz angina instável (isquemia sem necrose, troponina negativa) ou IAMSSST (necrose subendocárdica, troponina positiva, sem supradesnivelamento persistente do segmento ST). Um trombo totalmente oclusivo produz IAMCST, um infarto transmural com supradesnivelamento do segmento ST no ECG. O Tipo II de IAM reflete desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio no contexto de doença estável (taquiarritmia, anemia, hipotensão, hipoxemia), e não ruptura primária de placa. A SCA é uma emergência tempo-dependente: no IAMCST, o alvo é porta-balão com ICP primária em ≤ 90 minutos, ou porta-agulha com fibrinólise em ≤ 30 minutos quando a ICP não estiver disponível em 120 minutos, conforme protocolo institucional. A terapia moderna superou o mnemônico MONA-B legado: as diretrizes atuais enfatizam a terapia antiplaquetária dupla (DAPT), anticoagulação parenteral, revascularização urgente e início de estatina de alta intensidade, sendo a morfina rebaixada à recomendação IIb após os dados do CRUSADE associarem seu uso rotineiro a piores desfechos no IAMSSST.

Referência Rápida

  • Porta-balão (ICP no IAMCST): ≤ 90 min
  • Porta-agulha (fibrinolítico): ≤ 30 min
  • Nitro sublingual (domiciliar): 0,4 mg; ligar para o SAMU/192 se a dor persistir após a primeira dose
  • Dose de ataque de aspirina: 162–325 mg mastigada
  • Meta de FC com betabloqueador: 60–80 bpm

Exames Laboratoriais Comuns

Exame Valor de referência Significado na SCA
Troponina (I ou T, hs) < percentil 99 do URL Conforme prescrição médica, o algoritmo ESC 0/1h ou 0/2h de hs-cTn é comumente utilizado (0/3h é uma alternativa aceitável); um padrão de elevação ou queda com ≥ 1 valor acima do URL apoia o diagnóstico de IAM. A enfermagem comunica os resultados prontamente.
CK-MB 0–3 ng/mL Cai mais rapidamente que a troponina; historicamente utilizada para detectar reinfarto em até 72 horas. Amplamente substituída pelo delta de hs-cTn (≥ 20% de elevação em relação ao valor basal pós-IAM pode apoiar o diagnóstico de reinfarto); solicitada a critério médico.
BNP / NT-proBNP < 100 / < 300 pg/mL Valores elevados podem apoiar a estratificação de risco de IC e mortalidade em 30 dias pós-IAM; a tendência auxilia as decisões da equipe médica.
Hemograma (Hgb) 12–17 g/dL Valor basal antes da anticoagulação; a anemia pode agravar o desequilíbrio entre oferta e demanda. A enfermagem comunica os resultados à equipe médica.
Eletrólitos (K+) 3,5–5,0 mEq/L Conforme a prática cardiológica atual, o K+ é comumente mantido > 4,0 pós-IAM para reduzir o risco de arritmias ventriculares; a reposição é feita conforme prescrição médica e protocolo institucional.
Creatinina / TFGe 0,6–1,2 mg/dL Valor basal pré-cateterismo; apoia a identificação do risco de nefropatia induzida por contraste.
Perfil lipídico LDL < 70 mg/dL pós-SCA Colhido na admissão conforme prescrição médica (jejum não é necessário para iniciar estatina pelas diretrizes atuais).
Hemoglobina A1c < 7% Apoia o rastreamento de diabetes não diagnosticado; subsidia a modificação do risco cardiovascular a longo prazo.
ECG de 12 derivações Seriado IAMCST = ≥ 1 mm de supradesnivelamento do ST em ≥ 2 derivações contíguas, com limiares específicos por sexo e idade em V2–V3 (≥ 2 mm em homens ≥ 40 anos; ≥ 2,5 mm em homens < 40 anos; ≥ 1,5 mm em mulheres). IAM posterior (infradesnivelamento do ST em V1–V3 com onda R alta; confirmar com V7–V9) e IAM de VD (V4R) são equivalentes de IAMCST. BRE novo requer avaliação pelos critérios de Sgarbossa para ativação do protocolo de IAMCST conforme protocolo institucional.
Ecocardiograma FEVE ≥ 50% A FEVE pós-evento apoia as decisões da equipe médica quanto ao uso de IECA ou BRA, betabloqueador e elegibilidade para CDI.

Medicamentos Comuns

Classe Exemplos Mecanismo de ação Principais efeitos adversos Considerações de enfermagem
Aspirina AAS 162–325 mg mastigada (ataque), depois 81 mg VO/dia (manutenção) Inibe irreversivelmente a COX-1 e bloqueia o tromboxano A2, reduzindo a agregação plaquetária. Sangramento gastrointestinal, dispepsia, broncoespasmo, reação alérgica. Administrar conforme prescrição. Conforme orientação médica e protocolo institucional, a dose de ataque deve ser mastigada (não deglutida) para favorecer absorção mais rápida; a manutenção é comumente continuada a longo prazo pós-IAM, salvo contraindicação. A enfermagem monitora sangramento, sintomas gastrointestinais e resposta alérgica, e suspende conforme parâmetros prescritos.
Inibidor de P2Y12 Ticagrelor ou prasugrel geralmente preferidos em relação ao clopidogrel na SCA tratada com ICP Bloqueia o receptor P2Y12 mediado por ADP e sustenta a inibição plaquetária (DAPT com AAS). Sangramento, dispneia (ticagrelor), bradiarritmia (ticagrelor), PTT (clopidogrel; raro). Administrar conforme prescrição por orientação médica, farmácia e protocolo institucional. A duração padrão da DAPT é comumente ≥ 12 meses pós-ICP para SCA, individualizada pela equipe médica com uso dos escores DAPT e PRECISE-DAPT. O prasugrel é contraindicado em caso de AVC ou AIT prévio, e usado com cautela em pacientes ≥ 75 anos ou com peso < 60 kg. O clopidogrel é preferido quando a fibrinólise é utilizada ou quando o ticagrelor ou prasugrel são contraindicados. A duração pode ser estendida em pacientes com alto risco isquêmico e baixo risco de sangramento, ou encurtada (1–6 meses) seguida de monoterapia com inibidor de P2Y12 em alto risco de sangramento (PRECISE-DAPT ≥ 25). Alterações na DAPT devem ser coordenadas com a cardiologia.
Anticoagulante HNF IV, enoxaparina (HBPM), bivalirudina Inibe a geração ou a atividade da trombina, reduzindo a propagação do trombo. Sangramento, TTIH (HNF > HBPM), hematoma retroperitoneal pós-cateterismo. Administrar conforme prescrição por orientação médica e protocolo institucional. A HNF é titulada pelo TTPa ou anti-Xa conforme protocolo institucional; a enfermagem monitora plaquetas para TTIH. A HBPM é geralmente evitada quando o cateterismo é iminente; HNF ou bivalirudina são comumente preferidas para estratégia invasiva. Suspender conforme protocolo do hemodinâmica e prescrição médica.
Fibrinolítico (IAMCST, sem ICP) Tenecteplase (bolus IV com dose ajustada ao peso) geralmente preferida; alteplase ou reteplase como alternativas Ativa o plasminogênio, degrada a fibrina e apoia a restauração do fluxo coronariano. Hemorragia intracraniana (~1%), sangramento maior, reação alérgica. Administrar o fibrinolítico prescrito conforme prescrição por orientação médica e protocolo institucional. A meta porta-agulha ≤ 30 minutos é o alvo comum quando a ICP não está disponível em 120 minutos. As contraindicações absolutas verificadas antes da administração incluem comumente: HIC prévia, AVC isquêmico < 3 meses, sangramento ativo, suspeita de dissecção aórtica, neoplasia intracraniana ou MAV, trauma cranioencefálico ou facial < 3 meses, e hipertensão grave sem resposta ao tratamento. A enfermagem verifica o checklist com a equipe médica e monitora sangramento durante todo o procedimento.
Betabloqueador Metoprolol tartarato ou succinato, carvedilol, bisoprolol Bloqueia os receptores β1 e reduz FC, contratilidade e demanda miocárdica de O2. Bradicardia, hipotensão, broncoespasmo, bloqueio cardíaco, fadiga. Administrar conforme prescrição. Pelas diretrizes atuais, o início do betabloqueador nas primeiras 24 horas é comum na ausência de choque, IC aguda ou contraindicações. A enfermagem suspende para FC < 50 ou PAS < 90 conforme parâmetros prescritos e protocolo institucional, e notifica o médico.
Estatina de alta intensidade Atorvastatina 80 mg, rosuvastatina 40 mg A inibição da HMG-CoA redutase apoia a redução do LDL, a estabilização da placa e o efeito anti-inflamatório. Mialgia ou miopatia, rabdomiólise (raro), ↑ TGO/TGP, diabetes de início recente. Administrar conforme prescrição o mais precocemente possível (lipídios em jejum não são necessários para início). A enfermagem apoia as verificações de TGO/TGP e lipídios em 4–12 semanas conforme prescrição médica.
IECA ou BRA Lisinopril, enalapril / losartana, valsartana Bloqueia a angiotensina II e apoia a vasodilatação, a redução da pós-carga e a remodelagem reversa. Tosse seca (IECA), ↑ K+, hipotensão, angioedema, ↑ Cr. Administrar conforme prescrição. O início em até 24 horas é comum quando FEVE < 40%, HAS, DM ou IAM anterior; a enfermagem verifica PA e K+ ou Cr antes de cada dose conforme parâmetros prescritos.
Nitroglicerina SL 0,4 mg conforme parâmetros prescritos; infusão IV 5–200 mcg/min Libera NO e apoia vasodilatação venosa > arterial, reduzindo a pré-carga e a dor isquêmica. Cefaleia, hipotensão, taquicardia reflexa, tolerância. Administrar conforme prescrição. Suspender para PAS < 90, FC < 50 ou > 100, suspeita de infarto de VD, ou uso recente de inibidor de PDE-5 (24–48 horas) conforme parâmetros prescritos e protocolo institucional; notificar o médico.
Morfina 2–4 mg IV conforme parâmetros prescritos PRN Agonista do receptor mu, apoia analgesia e venodilatação, reduzindo a pré-carga. Hipotensão, depressão respiratória, náuseas, redução da absorção de inibidores de P2Y12 orais. Administrar conforme prescrição para dor torácica refratária à terapia máxima com nitratos. A morfina possui recomendação IIb; dados do registro CRUSADE associaram seu uso rotineiro a piores desfechos no IAMSSST por redução da absorção dos antiagregantes plaquetários orais. A enfermagem monitora a dor, o estado respiratório e a PA.

Referências

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  • Rao, S. V., O’Donoghue, M. L., Ruel, M., et al. (2025). 2025 ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI Guideline for the Management of Patients With Acute Coronary Syndromes. Circulation / Journal of the American College of Cardiology.
  • Virani, S. S., Newby, L. K., Arnold, S. V., et al. (2023). 2023 AHA/ACC/ACCP/ASPC/NLA/PCNA Guideline for the Management of Patients With Chronic Coronary Disease. Circulation, 148(9), e9–e119.
  • Amsterdam, E. A., Wenger, N. K., Brindis, R. G., et al. (2014). 2014 AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Non-ST-Elevation Acute Coronary Syndromes. Circulation, 130(25), e344–e426.
  • O’Gara, P. T., Kushner, F. G., Ascheim, D. D., et al. (2013). 2013 ACCF/AHA Guideline for the Management of ST-Elevation Myocardial Infarction. Circulation, 127(4), e362–e425.

Perguntas frequentes

What is the nursing care plan for ACS?

A ACS nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Acute Coronary Syndrome. Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.

What are the priority nursing diagnoses for ACS?

Priority diagnoses for ACS appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.

What is the priority nursing intervention for ACS?

Priority interventions for ACS are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.

What complications should the nurse monitor for in ACS?

Complications to monitor for in ACS are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.

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