Plano de Cuidados de Enfermagem para Fibrilação Atrial com Resposta Ventricular Rápida
Afib RVR

Plano de Cuidados de Enfermagem para Fibrilação Atrial com Resposta Ventricular Rápida

Plano de cuidados de enfermagem completo para FA com RVR, com diagnósticos priorizados, intervenções, avaliação e PDF imprimível gratuito. Desenvolvido por enfermeiros para enfermeiros.

Plano de Cuidados de Enfermagem

Diagnóstico de Enfermagem 1: Alteração do Débito Cardíaco

Alteração do Débito Cardíaco relacionada à Fibrilação atrial com resposta ventricular rápida (FA com RVR; frequência ventricular > 100 bpm) evidenciada por Frequência ventricular irregularmente irregular de 130–160 bpm; Perda da contração atrial organizada (ausência de “chute atrial”); Hipotensão com PAS 88–96 mmHg; Palpitações, tontura e dispneia relatadas pelo paciente; Déficit de pulso (apical > radial) à ausculta/palpação simultâneas.

Intervenções

  • Manter telemetria cardíaca contínua conforme protocolo institucional; documentar tira de ritmo a cada turno e com qualquer alteração de frequência além dos parâmetros prescritos.
  • Auscultar o pulso apical por 60 segundos completos e palpar o pulso radial simultaneamente a cada turno para identificar déficit de pulso.
  • Monitorar a pressão arterial em intervalos compatíveis com a gravidade clínica (comumente a cada 15 minutos durante a titulação IV do controle de frequência e a cada 1 hora após estabilização), conforme prescrição médica e protocolo institucional.
  • Avaliar sinais que podem refletir baixo débito cardíaco: extremidades frias ou com livedo, tempo de enchimento capilar > 3 segundos, redução do débito urinário, alteração do nível de consciência.
  • Realizar ECG de 12 derivações na admissão e com qualquer nova dor torácica ou alteração de frequência além dos parâmetros prescritos; comunicar achados à equipe médica.
  • Monitorar eletrólitos (K+, Mg2+), TSH, troponina e BNP conforme prescrição médica e comunicar achados.
  • Administrar o agente IV de controle de frequência prescrito (comumente diltiazem ou metoprolol) por orientação médica e protocolo institucional; titular dentro dos parâmetros definidos pelo médico e comunicar a resposta.
  • Administrar a reposição de potássio e magnésio prescrita (comumente para K+ 4,0–4,5 mEq/L e Mg2+ > 2,0 mg/dL) por orientação médica e protocolo institucional.
  • Manter o desfibrilador e os materiais para sedação à beira do leito e verificar o fluxo de trabalho para cardioversão sincronizada conforme ACLS e protocolo institucional quando houver risco de instabilidade hemodinâmica.
  • Manter acesso venoso (comumente dois acessos) e confirmar que o soro fisiológico está disponível conforme protocolo institucional para suporte volêmico durante a titulação.
  • Posicionar o paciente em semi-Fowler quando tolerado; promover repouso e limitar estimulação desnecessária.
  • Orientar o paciente a relatar palpitações, dor torácica, tontura, pré-síncope ou dispneia prontamente.
  • Educar o paciente sobre a autopalpação do pulso radial (frequência e regularidade) e o papel dos dispositivos de ECG de uso doméstico quando utilizados.
  • Revisar os gatilhos da FA (PIRATES) e as modificações no estilo de vida: redução do consumo de álcool e cafeína, tratamento da SAOS e redução de peso quando IMC > 27.
  • Notificar o médico para FC sustentada além dos parâmetros prescritos apesar do controle de frequência, PAS abaixo dos parâmetros prescritos, nova dor torácica ou redução do nível de consciência.
  • Coordenar a consulta com cardiologia conforme protocolo institucional para estratégia de controle do ritmo (cardioversão, antiarrítmico ou ablação por cateter) quando o paciente permanecer sintomático apesar do controle de frequência.

Resultado: A frequência ventricular é monitorada e comunicada dentro dos parâmetros prescritos (comumente < 110 bpm no controle liberal ou < 80 bpm no controle rigoroso conforme meta médica); a PAS e a PAM são monitoradas e comunicadas dentro dos parâmetros prescritos; palpitações e dispneia são reavaliadas e as alterações são comunicadas à equipe médica.

Diagnóstico de Enfermagem 2: Alteração da Perfusão Tecidual

Alteração da Perfusão Tecidual relacionada à Fibrilação atrial com resposta ventricular rápida (FA com RVR; frequência ventricular > 100 bpm) evidenciada por Estase sanguínea no apêndice atrial esquerdo pela perda da contração atrial organizada; Escore CHA2DS2-VASc ≥ 2 (homens) ou ≥ 3 (mulheres) — nota: a Diretriz de 2023 reformula o sexo feminino como modificador de risco, não como ponto independente; Ausência atual de anticoagulação terapêutica; Duração da FA > 48 horas ou duração desconhecida; História de AIT ou AVC prévio.

Intervenções

  • Calcular e documentar o escore CHA2DS2-VASc na admissão e comunicá-lo à equipe médica.
  • Calcular e documentar o escore de risco de sangramento HAS-BLED e os fatores modificáveis (HAS, RNI lábil, álcool, AINEs).
  • Realizar avaliação neurológica focada em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional (pupilas, força motora, fala, simetria facial, marcha).
  • Esclarecer com o paciente a janela de início da FA e documentar o horário do último ritmo normal conhecido.
  • Monitorar o RNI diariamente quando o paciente estiver em uso de varfarina; revisar as tendências de anti-Xa ou TTPa quando em uso de heparina como ponte.
  • Avaliar sinais de sangramento a cada turno: gengivas, fezes (pesquisa de sangue oculto conforme prescrição médica), urina, pele (hematomas, petéquias) e qualquer sítio cirúrgico ou de acesso venoso.
  • Administrar o anticoagulante prescrito (apixabana, rivaroxabana, dabigatrana, edoxabana ou varfarina) no horário correto por orientação médica, farmacêutica e protocolo institucional.
  • Coordenar a ponte com heparina conforme prescrição médica e protocolo institucional quando a cardioversão estiver planejada e a anticoagulação crônica ainda não estiver estabelecida.
  • Coordenar o ETE conforme protocolo institucional quando a duração da FA for > 48 horas ou desconhecida e a anticoagulação tiver sido < 3 semanas, conforme prescrição médica.
  • Implementar precauções para sangramento conforme protocolo institucional: escova de dentes macia, barbeador elétrico, medidas de prevenção de quedas e evitar injeções IM quando possível.
  • Ensinar o sinal SAMU para reconhecimento de AVC: Sorriso (assimetria facial), Abraço (fraqueza de membro), Mensagem (alteração de fala), Urgência (ligar 192/193).
  • Educar sobre sinais de sangramento maior que exigem contato de emergência: cefaleia intensa, fezes escuras ou com sangue, hematúria, hemoptise ou sangramento prolongado em ferimentos.
  • Quando o paciente estiver em uso de varfarina: educar sobre ingestão consistente de vitamina K (vegetais de folhas verdes), o cronograma de monitoração do RNI e as interações medicamentosas, alimentares e com fitoterápicos mais comuns.
  • Quando o paciente estiver em uso de ACOD: enfatizar a tomada diária no mesmo horário, não duplicar doses, não interromper abruptamente e manter o estoque de medicamento.
  • Educar sobre o risco de AVC na FA e a justificativa para manter a anticoagulação após a conversão do ritmo.
  • Notificar o médico prontamente para qualquer novo achado neurológico, cefaleia intensa ou sinais de sangramento maior.
  • Coordenar o encaminhamento para oclusão do apêndice atrial esquerdo (Watchman) conforme protocolo institucional quando a anticoagulação de longo prazo não for tolerada (sangramento recorrente, quedas ou intolerância).

Resultado: A anticoagulação prescrita é administrada conforme o cronograma e a resposta é monitorada; o RNI (quando em uso de varfarina) é monitorado e comunicado dentro dos parâmetros prescritos; a avaliação neurológica focada é realizada em intervalos compatíveis com a gravidade clínica, e as alterações são comunicadas prontamente.

Diagnóstico de Enfermagem 3: Intolerância à Atividade

Intolerância à Atividade relacionada à Fibrilação atrial com resposta ventricular rápida (FA com RVR; frequência ventricular > 100 bpm) evidenciada por Redução do débito cardíaco pela perda do chute atrial associada à taquicardia; Dispneia aos esforços (ex.: subir um lance de escadas); Fadiga e fraqueza relatadas pelo paciente; Elevação da FC de 110 bpm basal para 150 bpm com esforço mínimo; Queda da SpO2 durante a deambulação.

Intervenções

  • Obter sinais vitais basais (FC, PA, SpO2, FR e dispneia percebida em escala de 0–10) antes da atividade.
  • Monitorar FC, PA e SpO2 durante e imediatamente após a atividade; avaliar o tempo de recuperação.
  • Avaliar sintomas durante a atividade: palpitações, dor torácica, tontura ou pré-síncope.
  • Avaliar qualidade do sono, estado nutricional e hidratação diariamente.
  • Coordenar com a fisioterapia conforme protocolo institucional para um plano de mobilização progressiva (sentar na beira do leito, sentar na cadeira, deambulação).
  • Interromper a atividade e reavaliar quando a FC exceder os parâmetros prescritos, a PAS cair > 20 mmHg do valor basal, a SpO2 cair abaixo dos parâmetros prescritos ou surgirem novos sintomas.
  • Agrupar os cuidados de enfermagem e proporcionar períodos de repouso (comumente de pelo menos 30 minutos) entre as atividades conforme protocolo institucional.
  • Administrar os medicamentos de controle de frequência no horário correto conforme prescrição médica; coordenar a atividade com o pico do efeito medicamentoso quando possível.
  • Ensinar técnicas de conservação de energia: banhar-se e vestir-se sentado, organizar tarefas para reduzir deslocamentos e priorizar atividades significativas.
  • Ensinar respiração diafragmática e com lábios franzidos para uso durante episódios de dispneia.
  • Orientar o paciente a manter-se ativo dentro do nível tolerado, evitando o repouso absoluto no domicílio.
  • Ensinar a palpação do pulso radial para verificar frequência e regularidade antes, durante e após a atividade.
  • Coordenar o encaminhamento para reabilitação cardíaca ambulatorial conforme protocolo institucional quando elegível.
  • Notificar o médico quando a FC induzida pela atividade exceder repetidamente os parâmetros prescritos apesar do controle de frequência otimizado.

Resultado: O paciente deambula progressivamente conforme o plano de cuidados com no máximo dispneia leve; a FC é monitorada e comunicada dentro dos parâmetros prescritos para a atividade; a SpO2 é monitorada e comunicada dentro dos parâmetros prescritos durante e após a deambulação.

Diagnóstico de Enfermagem 4: Ansiedade

Ansiedade relacionada à Fibrilação atrial com resposta ventricular rápida (FA com RVR; frequência ventricular > 100 bpm) evidenciada por Verbalização de medo de AVC ou morte súbita pelo paciente; Percepção consciente dos batimentos cardíacos irregulares (palpitações); Agitação e hipervigilância em relação ao monitor e ao pulso; Distúrbio do sono por palpitações noturnas; Taquicardia que pode ser agravada pela ansiedade (alça de retroalimentação simpática).

Intervenções

  • Avaliar o nível de ansiedade em escala de 0–10 no início de cada turno e sempre que necessário.
  • Identificar os medos expressos pelo paciente (AVC, morte súbita, recorrência, sangramento pelo anticoagulante).
  • Observar sinais físicos: taquicardia desproporcional ao estado clínico, agitação, tremor ou diaforese.
  • Avaliar a qualidade do sono diariamente; identificar palpitações noturnas ou ansiedade como fatores contribuintes.
  • Manter uma presença calma e tranquilizadora; comunicar-se de forma clara e em ritmo pausado; minimizar o estresse por alarmes conforme protocolo institucional.
  • Explicar os procedimentos (cardioversão, ETE, ablação) em linguagem acessível ao paciente antes de sua realização.
  • Agrupar os cuidados para permitir blocos de repouso sem interrupção (comumente de pelo menos 90 minutos durante a noite) quando o estado clínico permitir.
  • Limitar estímulos não essenciais à noite (luzes acesas, conversas em voz alta, alarmes desnecessários) conforme protocolo institucional.
  • Ensinar respiração diafragmática e técnica de aterramento (5-4-3-2-1) para uso durante palpitações ou episódios de ansiedade.
  • Fornecer informações precisas sobre a FA: é uma condição comum, tratável, e o risco de AVC pode ser substancialmente reduzido com a anticoagulação.
  • Educar o paciente e a família sobre o significado dos alarmes do monitor e o que é ou não é motivo de preocupação.
  • Ensinar relaxamento muscular progressivo e estratégias de higiene do sono como ferramentas não farmacológicas para a ansiedade.
  • Coordenar com capelania, serviço social ou saúde mental conforme protocolo institucional quando a ansiedade persistir ou piorar.
  • Notificar o médico para ansiedade grave ou persistente que não responde às medidas não farmacológicas.

Resultado: O paciente verbaliza redução da ansiedade em escala de 0–10; o paciente demonstra o uso de pelo menos uma estratégia de enfrentamento; a FC é compatível com o estado clínico e o esquema de controle de frequência prescrito.

Diagnóstico de Enfermagem 5: Déficit de Conhecimento

Déficit de Conhecimento relacionado à Fibrilação atrial com resposta ventricular rápida (FA com RVR; frequência ventricular > 100 bpm) evidenciado por Diagnóstico recente de FA (sem educação prévia); Paciente verbaliza dúvidas sobre os medicamentos, especialmente a anticoagulação; Paciente desconhece as precauções para sangramento e a monitoração do RNI (quando em uso de varfarina); Paciente incapaz de verbalizar os sinais de alerta de AVC ou as orientações para situações de intercorrência; Múltiplos medicamentos novos com perfis de efeitos adversos sobrepostos.

Intervenções

  • Avaliar o conhecimento basal sobre a FA, suas consequências e os tratamentos atuais.
  • Avaliar o estilo de aprendizagem preferido (verbal, escrito, vídeo, demonstração) e o idioma principal.
  • Avaliar o letramento, a numeracia e quaisquer déficits cognitivos ou sensoriais que possam afetar o aprendizado.
  • Identificar o familiar ou cuidador que apoiará o gerenciamento dos medicamentos após a alta.
  • Fornecer materiais educativos escritos em linguagem acessível (nível de leitura do ensino fundamental) no idioma de preferência do paciente, conforme protocolo institucional.
  • Utilizar o método teach-back após cada sessão educativa.
  • Dividir a educação em sessões curtas (comumente de 15–20 minutos) ao longo de múltiplos turnos.
  • Fornecer uma lista impressa dos medicamentos com nomes, doses, horários, indicações e principais efeitos adversos conforme protocolo institucional.
  • Ensinar a fisiopatologia da FA em linguagem simples: ‘as câmaras superiores do coração tremem em vez de se contrair.’
  • Ensinar o reconhecimento de AVC e quando ligar para o SAMU versus contatar o médico assistente.
  • Ensinar precauções para sangramento: escova de dentes macia, barbeador elétrico, evitar AINEs quando possível e relatar fezes escuras ou hematomas inesperados.
  • Ensinar orientações para intercorrências: não interromper abruptamente betabloqueadores ou anticoagulantes; contatar o médico em caso de vômitos ou diarreia que possam afetar a absorção.
  • Ensinar modificações no estilo de vida: álcool ≤ 1–2 doses/semana, redução de peso quando IMC > 27, adesão ao CPAP quando a SAOS estiver presente e moderação do consumo de cafeína.
  • Confirmar as consultas de seguimento e (quando em uso de varfarina) o cronograma do ambulatório de anticoagulação antes da alta.
  • Coordenar o encaminhamento para ambulatório de FA, serviço de anticoagulação ou acompanhamento farmacêutico conforme protocolo institucional quando disponível.
  • Notificar o médico quando o paciente não tiver condições de gerenciar os medicamentos com segurança (ex.: declínio cognitivo, barreiras sociais).

Resultado: O paciente e a família verbalizam o diagnóstico, os fatores contribuintes e o plano terapêutico em linguagem acessível; o paciente demonstra a autoadministração correta dos medicamentos e os horários de tomada pelo método teach-back; o paciente verbaliza os sinais de alerta de AVC e as precauções para sangramento.

Fisiopatologia

A fibrilação atrial (FA) é uma taquiarritmia supraventricular impulsionada por atividade elétrica atrial caótica e desorganizada, originada por circuitos de reentrada e focos ectópicos que mais frequentemente se originam nos óstios das veias pulmonares no átrio esquerdo. A perda da contração atrial coordenada (o “chute atrial”) pode reduzir o débito cardíaco em 20–30% e produz estase sanguínea no apêndice atrial esquerdo, que é a fonte anatômica dos acidentes vasculares cerebrais cardioembólicos. A resposta ventricular rápida (RVR) ocorre quando o nó AV não filtra adequadamente os 400–600 impulsos atriais/min, produzindo uma frequência ventricular irregularmente irregular > 100 bpm que pode comprometer o enchimento diastólico, a perfusão coronariana e o débito anterógrado. Os gatilhos comuns seguem o mnemônico PIRATES: Pulmonar (doença/embolia), Isquemia, Reumatismo cardíaco, Anemia/Álcool, Tireotoxicose, Eletrólitos/Endocardite, Sepse. A FA é classificada como paroxística (termina < 7 dias), persistente (> 7 dias), persistente de longa duração (> 1 ano) ou permanente. A Diretriz ACC/AHA/ACCP/HRS de 2023 também introduziu uma estrutura de Estágios 1–4 (Estágio 1: em risco; Estágio 2: pré-FA; Estágio 3: FA; Estágio 4: FA permanente) para enfatizar a modificação de fatores de risco a montante. O risco de AVC é estratificado pelo CHA2DS2-VASc e o risco de sangramento pelo HAS-BLED, conforme a Diretriz ACC/AHA/ACCP/HRS de FA de 2023; a Diretriz de 2023 reformula o sexo feminino como um modificador de risco, e não como um ponto independente.

Referência Rápida

  • Meta de FC: < 110 controle liberal / < 80 controle rigoroso, conforme prescrição médica
  • Limiar de anticoagulação: CHA2DS2-VASc ≥ 2 em homens / ≥ 3 em mulheres (Diretriz 2023: sexo feminino agora é modificador de risco, não ponto independente)
  • Janela para cardioversão: > 48 h: 3 semanas de anticoagulação prévia ou ETE primeiro; 4 semanas de anticoagulação pós-cardioversão conforme protocolo institucional
  • Meta de RNI (varfarina): 2,0–3,0
  • FA instável: Preparar eletrodos de desfibrilação; cardioversão sincronizada conforme ACLS e protocolo institucional se critérios de choque forem atendidos

Exames Laboratoriais Comuns

Exame Valor de referência Relevância na FA
TSH 0,4–4,0 mUI/L Auxilia a equipe médica na avaliação de hipertireoidismo, que é o gatilho em 5–10% dos novos casos de FA (o “T” no PIRATES). Os enfermeiros monitoram e comunicam o resultado.
K+ 3,5–5,0 mEq/L A hipocalemia pode perpetuar a ectopia. Conforme protocolo institucional, a reposição para valores normais-altos (4,0–4,5) é frequentemente prescrita; os enfermeiros administram conforme prescrição e verificam novamente conforme protocolo.
Mg2+ 1,7–2,2 mg/dL A hipomagnesemia pode perpetuar a ectopia. Conforme protocolo institucional, a reposição para > 2,0 é frequentemente prescrita; o magnésio IV pode ser prescrito como adjuvante ao controle de frequência ou no período periconversão.
Troponina < 0,04 ng/mL Auxilia a equipe médica na avaliação de isquemia como gatilho (o “I” no PIRATES). Os enfermeiros monitoram valores seriados conforme prescrição médica.
BNP / NT-proBNP < 100 / < 300 pg/mL Valores elevados podem sugerir IC concomitante ou distensão atrial. Os enfermeiros comunicam a tendência à equipe médica.
RNI 2,0–3,0 (em uso de varfarina) RNI subterapêutico pode aumentar o risco de AVC; RNI supratherapêutico pode aumentar o risco de sangramento. Os enfermeiros monitoram e comunicam os valores; os ajustes de dose são decisões médicas conforme protocolo institucional.
Hemograma Hgb 12–17 g/dL A anemia pode agravar a RVR. O hemograma é comumente solicitado antes da cardioversão ou de procedimentos invasivos conforme protocolo institucional.
Bioquímica sérica Ureia/Cr dentro do valor normal A função renal orienta a seleção da dose dos ACODs (apixabana, dabigatrana). Os enfermeiros monitoram e comunicam; as decisões de dose são lideradas pelo médico conforme orientação farmacêutica e protocolo institucional.
Nível de digoxina 0,5–0,9 ng/mL Janela terapêutica estreita; toxicidade é comumente observada com > 2,0. Quando a digoxina é prescrita, os enfermeiros monitoram o nível junto com K+ e a função renal e comunicam valores preocupantes.
ETT / ETE FEVE e tamanho do AE Os achados ecocardiográficos (FEVE, tamanho do AE, status valvar) auxiliam a equipe médica na escolha entre agentes de controle de frequência e no rastreamento de trombo no AAE antes da cardioversão. Os enfermeiros coordenam o exame e comunicam os achados.

Medicamentos Comuns

Classe Exemplos Mecanismo de ação Principais efeitos adversos Considerações de enfermagem
Betabloqueador (controle de frequência) Metoprolol tartarato IV/VO, Esmolol em infusão Bloqueia receptores β1 no nó AV, reduzindo a condução e a frequência ventricular. Bradicardia, hipotensão, broncoespasmo, fadiga, bloqueio cardíaco. Administrar conforme prescrito por orientação médica e protocolo institucional. Verificar FC e PA antes da dose; os parâmetros de suspensão (ex.: FC < 55 ou PAS < 90) são definidos pelo médico. Os betabloqueadores são frequentemente preferidos em relação aos BCC não-dihidropiridínicos na ICFEr; a seleção do agente é decisão médica.
Bloqueador dos canais de cálcio (controle de frequência) Diltiazem IV em bolus + infusão, Verapamil BCC não-dihidropiridínico; bloqueia os canais de cálcio do nó AV e retarda a condução. Hipotensão, bradicardia, bloqueio cardíaco, edema periférico. Administrar conforme prescrito por orientação médica e protocolo institucional. Conforme a Diretriz de 2023, os BCC não-dihidropiridínicos são frequentemente preferidos na ICFEp e em doenças das vias aéreas reativas, sendo tipicamente evitados na ICFEr devido ao efeito inotrópico negativo. A seleção do agente é decisão médica.
Digoxina (adjuvante no controle de frequência) Digoxina IV/VO Aumenta o tônus vagal no nó AV; inotrópico positivo leve; janela terapêutica estreita. Náuseas/vômitos, anorexia, halos visuais, arritmias, bloqueio AV. Administrar conforme prescrito. Conforme a Diretriz de 2023, a digoxina é frequentemente reservada como adjuvante quando o controle de frequência com betabloqueador ou BCC é inadequado ou contraindicado. Os enfermeiros monitoram o nível (meta 0,5–0,9 ng/mL), K+, Mg2+ e função renal; os ajustes de dose são decisões médicas conforme protocolo institucional.
Amiodarona (controle de ritmo + frequência) Amiodarona IV em dose de ataque 150 mg, depois em infusão Antiarrítmico classe III; prolonga a repolarização; bloqueador multicanal. Disfunção tireoidiana (hipo/hiper), fibrose pulmonar, hepatotoxicidade, prolongamento do QT, pigmentação azulada da pele, depósitos corneanos. Administrar conforme prescrito por orientação médica e protocolo institucional. TSH basal, provas de função hepática, radiografia de tórax e ECG são comumente solicitados antes do início; o acesso central é frequentemente preferido para infusão devido ao risco de flebite. Os enfermeiros monitoram interações importantes: a amiodarona pode potencializar a varfarina (pode ser prescrita redução da dose de varfarina em aproximadamente 30–50%) e a digoxina (pode ser prescrita redução da dose de digoxina em aproximadamente 50%), e o risco de rabdomiólise pode aumentar com a coadministração de sinvastatina.
ACOD (anticoagulação) Apixabana, Rivaroxabana, Dabigatrana, Edoxabana Inibidor direto do fator Xa ou da trombina; reduz o risco de AVC na FA não valvar. Sangramento (TGI, intracraniano), dispepsia (dabigatrana). Administrar conforme prescrito por orientação médica, farmacêutica e protocolo institucional. Os ACODs tipicamente não são utilizados em válvulas mecânicas ou estenose mitral moderada a grave; a varfarina é frequentemente preferida nessas situações. O ajuste de dose da apixabana pode ser prescrito quando ≥ 2 dos seguintes critérios estiverem presentes: idade ≥ 80 anos, peso ≤ 60 kg ou creatinina ≥ 1,5 mg/dL. Os enfermeiros confirmam a função renal, a idade e o peso no prontuário e esclarecem com o médico quando necessário.
Varfarina (anticoagulação) Varfarina (Coumadin) Antagonista da vitamina K; inibe os fatores II, VII, IX e X. Sangramento, necrose cutânea, teratogenicidade, múltiplas interações medicamentosas e alimentares. Administrar conforme prescrito por orientação médica e protocolo institucional. A meta de RNI é comumente 2,0–3,0. A varfarina é tipicamente preferida em válvulas mecânicas e estenose mitral moderada a grave; a ponte com heparina pode ser prescrita. Os enfermeiros monitoram o RNI, rastreiam medicamentos e suplementos interagentes e comunicam os valores à equipe médica.
Heparina (ponte periconversão) HNF em infusão ou HBPM (enoxaparina) Ativa a antitrombina III, inibindo a trombina e o fator Xa. Sangramento, TIH (mais comum com HNF do que com HBPM), osteoporose com uso prolongado. Administrar conforme prescrito por orientação médica e protocolo institucional quando a ponte periconversão estiver indicada. Os enfermeiros monitoram o TTPa (HNF) ou o anti-Xa (HBPM) conforme protocolo institucional e comunicam os valores; os ajustes de dose são decisões médicas.
Antiarrítmico classe IC Flecainida, Propafenona (“pílula de bolso”) Bloqueio dos canais de sódio; retarda a condução; utilizado para controle do ritmo. Pró-arritmia, tontura, visão turva, gosto metálico. Administrar conforme prescrito por orientação médica. Os agentes classe IC são tipicamente reservados para pacientes com coração estruturalmente normal e são comumente evitados em DAC, ICFEr e HVE; um bloqueador do nó AV é frequentemente coadministrado. A seleção do paciente é decisão médica conforme protocolo institucional.

Referências

  • Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
  • Joglar, J. A., Chung, M. K., Armbruster, A. L., et al. (2023). 2023 ACC/AHA/ACCP/HRS Guideline for the Diagnosis and Management of Atrial Fibrillation. Circulation, 149(1), e1–e156.
  • January, C. T., Wann, L. S., Calkins, H., et al. (2019). 2019 AHA/ACC/HRS Focused Update of the 2014 AHA/ACC/HRS Guideline for the Management of Patients With Atrial Fibrillation. Circulation, 140(2), e125–e151.

Perguntas frequentes

What is the nursing care plan for Afib RVR?

A Afib RVR nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Atrial Fibrillation with RVR. Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.

What are the priority nursing diagnoses for Afib RVR?

Priority diagnoses for Afib RVR appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.

What is the priority nursing intervention for Afib RVR?

Priority interventions for Afib RVR are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.

What complications should the nurse monitor for in Afib RVR?

Complications to monitor for in Afib RVR are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.

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