Plano de Cuidados de Enfermagem para Lesão Renal Aguda (LRA)
Plano de cuidados de enfermagem para LRA: balanço hídrico, monitoramento de eletrólitos, acompanhamento de ureia/creatinina e PDF imprimível. Desenvolvido por enfermeiros para enfermeiros.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Excesso de Volume de Líquidos
Excesso de Volume de Líquidos relacionado a Lesão renal aguda (LRA): critérios KDIGO, incluindo elevação da Cr sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48h, OU ≥ 1,5× o valor basal em 7 dias, OU diurese < 0,5 mL/kg/h × 6h evidenciado por Oligúria com diurese < 0,5 mL/kg/h; Ganho de peso > 2 kg em 48 horas; Edema de membros inferiores bilateral com cacifo 2+; Distensão venosa jugular com cabeceira a 30–45°; Estertores bibasais à ausculta pulmonar.
Intervenções
- Manter balanço hídrico rigoroso com registro horário da diurese via cateter vesical de demora; calcular e documentar o balanço hídrico de 24 horas conforme protocolo institucional.
- Aferir peso diário no mesmo horário, na mesma balança e com as mesmas roupas, quando o estado clínico permitir.
- Auscultar os campos pulmonares em todos os focos em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional; documentar estertores novos ou em progressão.
- Avaliar localização do edema periférico, grau de cacifo (1–4+) e simetria a cada turno.
- Monitorar ureia, Cr, eletrólitos (K+, Mg2+, fósforo) e bicarbonato conforme prescrição médica.
- Avaliar distensão venosa jugular com cabeceira a 30–45° a cada turno e documentar os achados.
- Implementar restrição hídrica prescrita (comumente 1–1,5 L/dia na LRA oligúrica conforme prescrição médica); coordenar com a nutrição e a equipe médica.
- Administrar diuréticos de alça prescritos conforme prescrição para sobrecarga volêmica documentada; conforme o KDIGO 2012, os diuréticos não são recomendados para prevenção ou tratamento da LRA.
- Posicionar o paciente em posição de Fowler semifowler a alta durante períodos de dispneia ou estertores, conforme prescrição médica e tolerância do paciente.
- Coordenar com o nutricionista renal para dieta hipossódica e adequada para a função renal conforme prescrição médica.
- Administrar quelantes de fósforo prescritos às refeições conforme prescrição médica quando houver hiperfosfatemia.
- Orientar o paciente e a família sobre a justificativa da restrição hídrica e como monitorar a ingesta utilizando um recipiente graduado.
- Educar sobre leitura de rótulos de alimentos quanto ao teor de sódio e potássio; reforçar a meta de sódio prescrita e os alimentos ricos em K+ a serem limitados conforme a dieta renal (bananas, laranjas, tomates, batatas).
- Orientar sobre aferição diária de peso domiciliar após a alta: mesmo horário, mesma balança, mesmas roupas; contatar o médico para ganho superior a 2 lb (1 kg) em uma noite conforme o plano de alta.
- Notificar o médico para diurese < 30 mL/h por 2 horas consecutivas, ganho de peso > 2 kg em 48 h ou nova queda da SpO2 abaixo dos parâmetros prescritos.
- Coordenar com a nefrologia a avaliação de TSR (TCRR ou HID) quando os critérios AEIOU forem atendidos conforme orientação médica.
Resultado: A diurese é monitorada e comunicada dentro dos parâmetros prescritos; As variações de peso são documentadas e comunicadas conforme prescrição médica; O edema periférico é monitorado e as alterações são comunicadas prontamente.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Desequilíbrio Eletrolítico
Desequilíbrio Eletrolítico relacionado a Lesão renal aguda (LRA): critérios KDIGO, incluindo elevação da Cr sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48h, OU ≥ 1,5× o valor basal em 7 dias, OU diurese < 0,5 mL/kg/h × 6h evidenciado por K+ sérico ≥ 5,5 mEq/L (hipercalemia); Ondas T apiculadas ou alargamento do QRS ao ECG; Acidose metabólica (HCO3− < 22 mEq/L); Hiperfosfatemia (fósforo > 4,5 mg/dL); Hipocalcemia (Ca ionizado < 4,6 mg/dL).
Intervenções
- Monitorar K+ sérico, fósforo, cálcio ionizado, Mg2+ e bicarbonato pelo menos diariamente e com maior frequência conforme prescrição médica se alterados ou após o tratamento.
- Manter o paciente em telemetria contínua conforme protocolo institucional; realizar ECG de 12 derivações para K+ ≥ 6,0 mEq/L ou nova arritmia conforme prescrição.
- Avaliar sinais clínicos de hipercalemia: fraqueza muscular, parestesias, palpitações, hipotonia.
- Revisar o registro de medicamentos a cada turno quanto a nefrotoxinas (AINEs, aminoglicosídeos, contraste IV) e medicamentos que elevam o K+ (IECA, BRA, espironolactona, KCl, TMP-SMX); comunicar à equipe médica e à farmácia.
- Avaliar sinais de hipocalcemia: sinal de Chvostek, sinal de Trousseau, parestesia perioral, tetania.
- Para K+ ≥ 6,0 com alterações ao ECG, administrar gluconato de cálcio IV 1–2 g em 2–3 min conforme prescrição médica e protocolo institucional; repetir o ECG em 5–10 min.
- Administrar insulina 10 unidades IV com 25–50 g de dextrose conforme prescrição médica para deslocar o K+ para o intracelular; reavaliar glicemia a cada 1 h por 6 h e K+ em 1 h conforme protocolo institucional.
- Administrar albuterol nebulizado 10–20 mg como terapia adjuvante de redistribuição com insulina conforme prescrição médica.
- Administrar quelante de K+ prescrito (patiromer, Lokelma ou Kayexalate) conforme prescrição para redução sustentada do K+.
- Administrar bicarbonato de sódio IV conforme prescrição médica na acidose metabólica quando indicado (geralmente considerado com pH < 7,20 ou acidose sintomática).
- Administrar reposição de K+, Mg2+ e fósforo conforme prescrição médica e protocolo institucional quando reduzidos; evitar reposição empírica.
- Orientar o paciente e a família a limitar alimentos ricos em potássio durante a LRA (bananas, laranjas, tomates, batatas, melancias, substitutos de sal) conforme a dieta renal.
- Educar sobre a importância de evitar AINEs (ibuprofeno, naproxeno) e suplementos nefrotóxicos durante e após a recuperação conforme o plano de alta.
- Orientar sobre o reconhecimento de sintomas de hipercalemia: fraqueza muscular, palpitações, formigamento ao redor da boca; instruir a buscar atendimento de emergência se os sintomas se desenvolverem.
- Notificar o médico prontamente para K+ ≥ 6,0 mEq/L, qualquer nova alteração ao ECG ou pH < 7,20.
- Coordenar com a nefrologia e a farmácia o ajuste de dose renal dos medicamentos de eliminação renal conforme prescrição médica.
Resultado: O K+ sérico é monitorado e comunicado dentro dos parâmetros prescritos; O ECG é monitorado e as alterações por hipercalemia (ondas T apiculadas, alargamento do QRS, onda sinusoidal) são comunicadas prontamente; O estado acidobásico é monitorado e as alterações são comunicadas à equipe médica.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Alteração do Débito Cardíaco
Alteração do Débito Cardíaco relacionada a Lesão renal aguda (LRA): critérios KDIGO, incluindo elevação da Cr sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48h, OU ≥ 1,5× o valor basal em 7 dias, OU diurese < 0,5 mL/kg/h × 6h evidenciado por Hipercalemia com ondas T apiculadas ao ECG; Sobrecarga volêmica com dispneia nova ou progressiva; Hipotensão (PAS < 90 mmHg) por sepse ou hipovolemia subjacente; Nova arritmia à telemetria; Taquicardia desproporcional ao estado clínico.
Intervenções
- Manter telemetria cardíaca contínua conforme protocolo institucional; documentar e comunicar qualquer nova arritmia, ondas T apiculadas ou alargamento do QRS.
- Monitorar sinais vitais a cada 1–2 h na fase aguda conforme prescrição médica; calcular a PAM e acompanhar a tendência.
- Verificar tempo de enchimento capilar, temperatura e coloração da pele em intervalos compatíveis com a acuidade clínica.
- Avaliar nível de consciência, orientação e comportamento em intervalos compatíveis com a acuidade clínica.
- Auscultar bulhas cardíacas quanto a novos sopros, galopes B3/B4 ou atrito pericárdico.
- Revisar o balanço hídrico, o K+ e o estado acidobásico antes de cada turno.
- Manter pelo menos um acesso venoso periférico de grosso calibre; coordenar a instalação de acesso central conforme prescrição médica para vasopressores ou diálise quando necessário.
- Administrar vasopressores prescritos (comumente norepinefrina de primeira linha conforme prescrição médica) para manter a PAM dentro dos parâmetros prescritos.
- Implementar a cascata terapêutica para hipercalemia conforme prescrição médica e protocolo institucional (gluconato de cálcio, insulina/dextrose, albuterol, quelante de K+) quando K+ ≥ 6,0 com alterações ao ECG.
- Suspender anti-hipertensivos (especialmente IECA, BRA, betabloqueadores) conforme os parâmetros prescritos quando PAS < 90 ou FC < 50 e notificar o médico.
- Coordenar com a farmácia e a nefrologia antes de retomar IECA/BRA conforme orientação médica; geralmente considerado após normalização da Cr próxima ao valor basal e do estado volêmico.
- Coordenar o horário de administração dos medicamentos em torno do calendário de diálise quando a TSR for iniciada, em colaboração com a farmácia.
- Orientar o paciente a comunicar palpitações, tontura, dor torácica ou nova fraqueza prontamente.
- Educar sobre a importância da adesão medicamentosa após a alta e a necessidade de contatar o médico antes de retomar qualquer medicamento suspenso.
- Achados como K+ ≥ 6,5, progressão das alterações eletrocardiográficas por hipercalemia, PAS persistentemente < 90 apesar da ressuscitação prescrita ou nova arritmia sustentada devem motivar reavaliação urgente e notificação médica.
- Coordenar com a nefrologia a avaliação para diálise de urgência na presença de hipercalemia refratária, acidose ou sobrecarga volêmica.
Resultado: FC, PA e PAM são monitoradas e comunicadas dentro dos parâmetros prescritos; O ECG é monitorado e as alterações por hipercalemia ou novas arritmias são comunicadas prontamente; A perfusão periférica é monitorada e as alterações são comunicadas conforme o protocolo institucional.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Déficit Nutricional
Déficit Nutricional relacionado a Lesão renal aguda (LRA): critérios KDIGO, incluindo elevação da Cr sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48h, OU ≥ 1,5× o valor basal em 7 dias, OU diurese < 0,5 mL/kg/h × 6h evidenciado por Uremia com náuseas, vômitos e anorexia associados; Dieta com restrições renais (baixo K+, baixo fósforo, baixo Na+, proteína controlada); Alteração do paladar associada à uremia; Hipoalbuminemia (albumina < 3,5 g/dL); Estado catabólico pela doença de base.
Intervenções
- Documentar o percentual de cada refeição consumido e quaisquer suplementos orais ingeridos.
- Aferir peso seco diário quando o estado hídrico permitir conforme prescrição médica; acompanhar albumina e pré-albumina conforme prescrição.
- Avaliar náuseas, vômitos, anorexia, gosto metálico e foetor urêmico a cada turno.
- Inspecionar a mucosa oral quanto a ressecamento, ulceração ou infecção fúngica diariamente.
- Monitorar a tendência da ureia; elevação rápida da ureia associada à anorexia pode sugerir uremia sintomática.
- Coordenar com o nutricionista renal nas primeiras 24 horas da internação conforme protocolo institucional para elaboração de plano alimentar individualizado.
- Oferecer refeições pequenas e frequentes e suplementos orais adequados para a função renal (por exemplo, Nepro, Suplena) entre as refeições conforme o plano do nutricionista.
- Administrar antieméticos (ondansetrona, metoclopramida com ajuste de dose renal) antes das refeições conforme prescrição médica.
- Realizar higiene oral antes das refeições e nos intervalos compatíveis com o protocolo institucional.
- Coordenar o horário da diálise em torno das refeições quando possível conforme a equipe médica e a nefrologia.
- Orientar o paciente e a família sobre a dieta renal: baixo K+, baixo fósforo, proteína controlada, baixo Na+; fornecer materiais educativos por escrito.
- Educar sobre o uso de quelantes de fósforo: administrar durante as refeições para ligar o fósforo dietético.
- Orientar sobre sinais de piora da uremia que devem motivar contato urgente: náuseas/vômitos, confusão mental, fasciculações, fadiga intensa.
- Notificar o médico e o nutricionista se a ingesta for < 50% da dieta prescrita por mais de 48 horas ou se albumina/pré-albumina estiver em queda.
- Coordenar consulta para nutrição enteral ou parenteral conforme prescrição médica quando a ingesta oral permanecer inadequada.
Resultado: O peso é monitorado e comunicado conforme prescrição médica; O percentual da dieta renal prescrita consumida é documentado nas refeições; A tendência de albumina e pré-albumina é monitorada e comunicada conforme prescrição médica.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Déficit de Conhecimento
Déficit de Conhecimento relacionado a Lesão renal aguda (LRA): critérios KDIGO, incluindo elevação da Cr sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48h, OU ≥ 1,5× o valor basal em 7 dias, OU diurese < 0,5 mL/kg/h × 6h evidenciado por Diagnóstico recente de LRA; Questionamentos do paciente sobre causa, prognóstico e recuperação; Múltiplos medicamentos suspensos que requerem acompanhamento pós-alta; Possível novo diagnóstico motivando a evitação de nefrotoxinas a longo prazo; Necessidade de diferenciar a recuperação da LRA da progressão para DRC.
Intervenções
- Avaliar o nível de compreensão do paciente e da família sobre a LRA, a causa no caso específico e as expectativas de recuperação.
- Avaliar o estilo de aprendizagem preferido (verbal, escrito, vídeo) e o idioma de preferência; providenciar serviços de interpretação conforme política institucional.
- Identificar barreiras ao aprendizado: dor, fadiga, ansiedade, encefalopatia urêmica.
- Realizar orientações em sessões curtas (10–15 min) e reforçar os pontos principais a cada turno.
- Fornecer materiais educativos por escrito no idioma de preferência do paciente, abordando causa da LRA, recuperação, dieta e sinais de alerta.
- Envolver a família ou o cuidador designado nas sessões de orientação com o consentimento do paciente.
- Explicar as três categorias de causa da LRA (pré-renal, intrínseca, pós-renal) em linguagem acessível, relacionada à situação deste paciente.
- Fornecer lista por escrito de nefrotoxinas a evitar: AINEs (ibuprofeno, naproxeno, cetorolaco), aminoglicosídeos, contraste iodado, fitoterápicos e suplementos, e substitutos de sal.
- Educar sobre quais medicamentos suspensos (IECA, BRA, diuréticos, metformina, iSGLT2) requerem liberação médica antes de serem retomados.
- Orientar sobre sinais de alerta que devem motivar avaliação urgente: redução da diurese, ganho de peso > 2 lb em uma noite, dispneia intensa, confusão mental, palpitações.
- Educar sobre a importância de manter-se dentro dos limites de hidratação prescritos e de coordenar exames que necessitem de contraste com o médico com antecedência.
- Discutir a diferença entre recuperação completa da LRA e progressão para DRC; reforçar o plano de acompanhamento com a nefrologia.
- Coordenar o acompanhamento ambulatorial com a nefrologia em 7–14 dias após a alta conforme prescrição médica; confirmar a consulta antes da alta.
- Coordenar a reconciliação medicamentosa com o médico de atenção primária e o farmacêutico antes da alta.
- Encaminhar ao serviço social ou à gestão de casos quando forem identificadas barreiras ao acompanhamento (transporte, plano de saúde, custo dos medicamentos).
Resultado: O paciente verbaliza a causa de sua LRA com suas próprias palavras; O paciente lista pelo menos 3 nefrotoxinas a evitar; O paciente verbaliza quais medicamentos suspensos necessitam de liberação médica antes de serem retomados.
Fisiopatologia
A lesão renal aguda (LRA) é um declínio abrupto da taxa de filtração glomerular, classificada em três categorias etiológicas. A LRA pré-renal reflete hipoperfusão (hipovolemia, hipotensão, insuficiência cardíaca descompensada, síndrome hepatorrenal) com rins estruturalmente íntegros, sendo frequentemente revertida com a restauração da perfusão. A LRA intrínseca envolve dano parenquimatoso: necrose tubular aguda (NTA) por isquemia sustentada ou nefrotoxinas, nefrite intersticial aguda (NIA) tipicamente induzida por medicamentos, ou glomerulonefrite. A LRA pós-renal é obstrutiva (HBP, cálculos, neoplasias, coágulos) e reverte com a descompressão. O protocolo KDIGO 2012 estadeia a gravidade pela Cr e pela diurese: Estágio 1 (Cr 1,5–1,9× o valor basal ou elevação ≥ 0,3 mg/dL), Estágio 2 (2–2,9×), Estágio 3 (≥ 3×, Cr ≥ 4,0 mg/dL, ou início de terapia de substituição renal). Os critérios de diurese acompanham o estadiamento pela Cr: Estágio 1 < 0,5 mL/kg/h × 6–12 h; Estágio 2 < 0,5 mL/kg/h ≥ 12 h; Estágio 3 < 0,3 mL/kg/h ≥ 24 h ou anúria ≥ 12 h. Entre as nefrotoxinas comuns que a equipe médica pode suspender ou ajustar a dose, incluem-se: AINEs, aminoglicosídeos, vancomicina, contraste iodado IV, IECA/BRA (declínio funcional em DRC ou desidratação), tacrolimus e cisplatina. A urinálise pode auxiliar na diferenciação etiológica: cilindros granulosos marrom-escuros estão associados à NTA; cilindros leucocitários sugerem NIA ou pielonefrite; cilindros eritrocitários apontam para glomerulonefrite. A hipercalemia representa uma ameaça grave à vida na LRA oligúrica e justifica telemetria, ECGs seriados e uma cascata terapêutica escalonada sob direção médica.
Referência Rápida
- Elevação da Cr (KDIGO): ≥ 0,3 mg/dL em 48h ou 1,5× em 7 dias
- Limiar de diurese: < 0,5 mL/kg/h × 6 h
- ECG na hipercalemia: K+ ≥ 6,0 pode indicar telemetria contínua e notificação médica conforme protocolo institucional; ≥ 6,5 requer reavaliação urgente
- Preparo para contraste: NaCl isotônico IV conforme prescrição médica (PRESERVE 2018); minimizar o volume de contraste; coordenar a suspensão de nefrotoxinas no período periprocedimento conforme prescrição médica
- Indicações de TSR: AEIOU: Acidose · Eletrólitos · Intoxicação · Overload (sobrecarga) · Uremia (decisão da equipe médica)
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valor de referência | Significado na LRA |
|---|---|---|
| Creatinina (Cr) | 0,6–1,2 mg/dL | Acompanhar conforme prescrição médica na fase aguda (comumente a cada 6–12h); parâmetro de estadiamento KDIGO. O enfermeiro notifica a equipe médica sobre a elevação da Cr. |
| Ureia (BUN) | 7–20 mg/dL | Relação ureia:Cr > 20:1 pode sugerir fisiologia pré-renal; relações próximas de 10–15:1 podem sugerir lesão intrínseca. O enfermeiro acompanha a tendência; a interpretação é uma decisão da equipe médica. |
| TFGe (CKD-EPI 2021) | > 60 mL/min/1,73 m2 | Equação independente de raça. Apoia as decisões de ajuste de dose renal feitas pela equipe médica e pela farmácia. |
| Diurese | ≥ 0,5 mL/kg/h | Monitorar horariamente via sonda vesical de demora na fase oligúrica conforme prescrição médica; critério KDIGO. O enfermeiro documenta a tendência e notifica o médico quando abaixo dos parâmetros prescritos. |
| K+ | 3,5–5,0 mEq/L | Ameaça grave à vida na LRA; K+ sérico ≥ 6,0 deve indicar telemetria contínua e notificação médica conforme protocolo institucional. |
| Urinálise + sedimento | Ausência de cilindros | Cilindros granulosos marrom-escuros estão associados à NTA; cilindros leucocitários à NIA; cilindros eritrocitários à GN. O enfermeiro comunica os achados; a interpretação do sedimento é uma decisão da equipe médica. |
| Na+ urinário / FENa | FENa < 1% pode sugerir pré-renal; > 2% pode sugerir NTA | Utilidade limitada após início de diuréticos; a equipe médica interpreta no contexto clínico. |
| Osmolalidade urinária | > 500 mOsm/kg pode sugerir fisiologia pré-renal | Urina concentrada é compatível com função tubular preservada; o enfermeiro comunica os achados à equipe médica. |
| Ultrassonografia renal | Ausência de hidronefrose | Auxilia a equipe médica na avaliação de obstrução pós-renal e no tamanho dos rins. O enfermeiro prepara o paciente e comunica os resultados conforme prescrição médica. |
| Hemograma + albumina | Hb 12–17; Alb 3,5–5,0 | Rins pequenos ou anemia podem sugerir DRC subjacente; albumina baixa pode sugerir componente nefrótico. Os achados são comunicados à equipe médica para interpretação. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos adversos | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Cristaloide isotônico | Ringer Lactato; NaCl 0,9% | Expansão volêmica para restaurar o volume intravascular e apoiar a perfusão renal; o cristaloide balanceado pode reduzir a acidose hiperclorêmica em comparação com grandes volumes de NaCl. | Sobrecarga volêmica, edema pulmonar; grandes volumes de NaCl podem contribuir para acidose metabólica sem ânion-gap. | Administrar conforme prescrito pela equipe médica e protocolo institucional. Manter balanço hídrico rigoroso, peso diário e ausculta pulmonar seriada; suspender a infusão e notificar o médico diante de novos estertores ou queda da SpO2 abaixo dos parâmetros institucionais. |
| Diurético de alça | Furosemida (Lasix), Bumetanida | Inibe o co-transportador Na+/K+/2Cl−. Conforme o KDIGO 2012, os diuréticos não são recomendados para prevenção ou tratamento da LRA e são reservados tipicamente para sobrecarga volêmica documentada. | Hipocalemia, hipomagnesemia, ototoxicidade (especialmente com doses altas em bólus IV) e piora da fisiologia pré-renal em pacientes hipovolêmicos. | Administrar conforme prescrito pela equipe médica. Confirmar com a equipe médica o estado de euvolemia ou sobrecarga antes da administração; reavaliação de K+/Cr em 4–6 h após a dose conforme prescrição; documentar peso diário. |
| Gluconato de cálcio | Gluconato de cálcio 1–2 g IV (10% em 2–3 min) conforme prescrição médica | Promove estabilização da membrana cardíaca nas alterações eletrocardiográficas por hipercalemia; não reduz o K+ sérico. | Necrose tecidual por extravasamento; hipercalcemia; arritmia com infusão rápida. | Administrar conforme prescrito. Manter monitoração contínua do ECG; repetir o ECG em 5–10 min após a dose; repetir a cada 30–60 min conforme prescrição médica se as alterações eletrocardiográficas por hipercalemia persistirem. |
| Insulina + dextrose | Insulina regular 10 unidades IV + D50 25–50 g conforme prescrição médica; dose reduzida de insulina (p. ex., 5 unidades) pode ser prescrita se TFGe < 30 ou peso < 60 kg | Desloca o K+ para o intracelular via Na+/K+-ATPase; início de ação em aproximadamente 15 min, duração de 4–6 h. | Hipoglicemia (a LRA pode reduzir o clearance da insulina e aumentar o risco de hipoglicemia); hipercalemia rebote ao término do efeito de redistribuição. | Administrar conforme prescrito. Glicemia capilar a cada 1 h por 6 h conforme protocolo institucional; reavaliação de K+ em 1 h e 4 h conforme prescrição; coordenar com a equipe médica a remoção definitiva do K+ conforme necessário. |
| Albuterol (nebulizado) | Albuterol 10–20 mg em nebulização conforme prescrição médica | Agonista β2 que desloca o K+ para o intracelular; pode ser sinérgico com a insulina. | Taquicardia, tremor; pode ser menos eficaz em pacientes em uso de betabloqueadores. | Administrar conforme prescrito como adjuvante à insulina/dextrose, e não como monoterapia, conforme orientação médica. Monitorar FC e ritmo; notificar nova arritmia. |
| Quelantes de K+ | Poliestireno sulfonato de sódio (Kayexalate), patiromer (Veltassa), ciclossilicato de zircônio e sódio (Lokelma) | A ligação gastrintestinal pode remover o K+ do organismo; início de ação mais lento (horas) do que as terapias de redistribuição; útil para redução sustentada conforme prescrição médica. | O Kayexalate tem sido associado à necrose intestinal (especialmente no pós-operatório); patiromer e Lokelma podem contribuir para edema e interações medicamentosas. | Administrar conforme prescrito. Suspender outros medicamentos orais 3 h antes/após o quelante conforme orientação farmacêutica; avaliar função intestinal; não indicado para alterações eletrocardiográficas emergenciais. |
| Vasopressor | Norepinefrina (comumente de primeira linha para hipoperfusão conforme prescrição médica) | Agonista α1; a vasoconstrição pode elevar a PAM e apoiar a perfusão renal. | Taquicardia, arritmia, isquemia periférica e digital, e necrose tecidual por extravasamento. | Administrar conforme prescrito pela equipe médica e protocolo institucional. Acesso central é preferível conforme política institucional; de acordo com a Campanha Sobrevivendo à Sepse 2021, o início do vasopressor não deve ser adiado enquanto o acesso central está sendo obtido. Monitorar PAM, ritmo, diurese, perfusão periférica e sítio de infusão quanto a extravasamento; escalar preocupações conforme protocolo institucional. |
| TSR (TCRR / HID) | Terapia contínua de substituição renal ou hemodiálise intermitente conforme prescrição médica | Remove solutos, líquidos e toxinas quando a terapia clínica é insuficiente (indicações AEIOU: Acidose, Eletrólitos, Intoxicação, Overload, Uremia). Modalidade e momento são decisões da equipe médica. | Hipotensão (mais frequente na HID), sangramento (com anticoagulação), coagulação do filtro, distúrbios eletrolíticos e infecção de acesso vascular. | Auxiliar no início da TCRR conforme protocolo institucional; monitorar pressões do filtro, anticoagulação e equilíbrio eletrolítico conforme prescrição médica. Manter sinais vitais horários durante a TCRR, monitorar o sítio de acesso e coordenar a administração de medicamentos em torno do calendário de diálise com a farmácia e a nefrologia. |
Referências
- Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
- Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) Acute Kidney Injury Work Group. (2012). KDIGO Clinical Practice Guideline for Acute Kidney Injury. Kidney International Supplements, 2(1), 1–138.
- Evans, L., Rhodes, A., Alhazzani, W., et al. (2021). Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021. Critical Care Medicine, 49(11), e1063–e1143.
Perguntas frequentes
What is the nursing care plan for AKI?
A AKI nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Acute Kidney Injury (AKI). Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.
What are the priority nursing diagnoses for AKI?
Priority diagnoses for AKI appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.
What is the priority nursing intervention for AKI?
Priority interventions for AKI are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.
What complications should the nurse monitor for in AKI?
Complications to monitor for in AKI are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.
Uma folha de relatório feita para este paciente
Este é exatamente o tipo de paciente para o qual estas folhas de relatório da NurseBrain foram feitas. Mantenha tudo o que você acompanha em uma só página, o plantão inteiro.