Plano de Cuidados de Enfermagem para Insuficiência Adrenal e Crise Adrenal
Plano de cuidados de enfermagem para insuficiência adrenal e crise adrenal: reposição de cortisol, equilíbrio hídrico, nutrição e PDF imprimível.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Déficit de Volume de Líquidos
Déficit de Volume de Líquidos relacionado à insuficiência adrenal: primária (doença de Addison, lesão do córtex adrenal) ou secundária (hipofisária ou hipotalâmica); crise adrenal = descompensação aguda com risco de vida com hipotensão, hiponatremia, hipercalemia (somente primária), hipoglicemia e dor abdominal, evidenciado por Hipotensão: PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg ou abaixo dos parâmetros prescritos; Taquicardia, FC > 110 bpm em repouso; Depleção volêmica: mucosas ressecadas, veias jugulares planas, tempo de reenchimento capilar > 3 segundos; Débito urinário reduzido (< 0,5 mL/kg/h); Ureia e creatinina elevadas compatíveis com padrão pré-renal.
Intervenções
- Verificar sinais vitais em intervalos compatíveis com a gravidade clínica (comumente a cada 15 minutos durante a ressuscitação ativa e a cada 1 hora após estabilização), conforme protocolo institucional.
- Monitorar rigorosamente o balanço hídrico; comunicar débito urinário abaixo dos parâmetros prescritos (comumente < 30 mL/h por 2 horas consecutivas) à equipe médica.
- Avaliar nível de consciência, orientação e perfusão cutânea (cor, temperatura, tempo de reenchimento capilar) em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
- Inspecionar a pele quanto à hiperpigmentação das pregas palmares, mucosa bucal, cicatrizes e mamilos; documentar a distribuição.
- Acompanhar lactato sérico seriado conforme prescrição médica durante a ressuscitação; comunicar lactato > 2 mmol/L e qualquer falha na depuração.
- Administrar hidrocortisona prescrita (comumente 100 mg IV em bolus na suspeita de crise adrenal), conforme orientação do prescritor e protocolo institucional; o tratamento comumente não é adiado para aguardar o resultado do teste de estimulação com ACTH.
- Administrar NaCl 0,9% prescrito (comumente 1 L IV em bolus seguido de taxa de manutenção titulada), conforme orientação do prescritor; monitorar PAM, ausculta pulmonar e débito urinário após cada bolus prescrito.
- Estabelecer e manter dois acessos venosos periféricos de grosso calibre (comumente calibre 18 ou maior) ou auxiliar na passagem de acesso venoso central conforme protocolo institucional quando prescrito.
- Administrar dextrose prescrita (comumente D50 25 g IV em bolus para hipoglicemia sintomática, seguido de fluido de manutenção com dextrose), conforme protocolo institucional.
- Quando o paciente estiver alerta, explicar em linguagem acessível o que é a crise adrenal, o que pode tê-la desencadeado e por que a reposição de corticosteroide está em curso.
- Reforçar que a interrupção abrupta do corticosteroide pode precipitar uma crise, inclusive em pacientes em uso crônico de corticosteroides exógenos por outras indicações.
- Orientar o paciente e a família sobre os sinais de crise a serem relatados em domicílio (fraqueza intensa, vômitos, tontura, confusão) e o fluxo para atendimento de emergência.
- Notificar o prescritor em caso de hipotensão refratária apesar de hidrocortisona e solução salina prescritas, hipercalemia persistente ou alteração aguda do nível de consciência.
- Coordenar a identificação e o tratamento do fator precipitante: apoiar a investigação diagnóstica prescrita (hemocultura, urocultura, RX de tórax, EAS) e administrar antibióticos empíricos prescritos conforme protocolo institucional quando infecção for suspeita.
- Coordenar a transição da hidrocortisona IV para reposição oral assim que o paciente estiver estável, tolerando via oral e afebril, conforme prescrição médica e protocolo institucional.
Resultado: PAM e PA são monitoradas e comunicadas dentro dos parâmetros prescritos com o menor volume de cristaloide prescrito; débito urinário é monitorado e comunicado dentro dos parâmetros prescritos (comumente ≥ 0,5 mL/kg/h); tendência do Na+ sérico é monitorada e comunicada à equipe médica.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Desequilíbrio Eletrolítico
Desequilíbrio Eletrolítico relacionado à insuficiência adrenal: primária (doença de Addison, lesão do córtex adrenal) ou secundária (hipofisária ou hipotalâmica); crise adrenal = descompensação aguda com risco de vida com hipotensão, hiponatremia, hipercalemia (somente primária), hipoglicemia e dor abdominal, evidenciado por deficiência de cortisol contribuindo para comprometimento da depuração de água livre e hiponatremia; deficiência de aldosterona (IA primária) contribuindo para perda de sódio e hipercalemia; depleção volêmica na admissão; ressuscitação ativa com solução salina com potencial de correção rápida do sódio; comprometimento renal concomitante.
Intervenções
- Acompanhar Na+, K+, Cl−, ureia, creatinina e glicemia séricos em intervalos compatíveis com a gravidade clínica (comumente a cada 4–6 horas durante a ressuscitação ativa), conforme prescrição médica.
- Monitorar o ritmo cardíaco continuamente e comunicar ondas T apiculadas, alargamento do QRS ou nova bradiarritmia.
- Acompanhar a velocidade de correção do sódio e comunicar valores com elevação se aproximando de > 8–10 mEq/L em 24 horas.
- Avaliar o estado neurológico (orientação, função motora, fala) em intervalos compatíveis com a gravidade clínica durante a correção do sódio.
- Verificar glicemia capilar conforme prescrição médica (comumente a cada 1 hora até estabilização) e comunicar valores fora dos parâmetros prescritos.
- Administrar NaCl 0,9% prescrito (e não fluidos hipotônicos) para ressuscitação volêmica, conforme protocolo institucional; esclarecer qualquer prescrição de fluido hipotônico com o prescritor antes da administração.
- Administrar hidrocortisona prescrita no horário determinado, conforme orientação do prescritor; comunicar prontamente doses omitidas ou interrupções.
- Administrar terapia prescrita para hipercalemia (comumente gluconato de cálcio para estabilização de membrana, insulina com D50 para deslocamento intracelular e agente ligador de potássio ou diurético de alça para eliminação), conforme protocolo institucional, quando K+ estiver acima dos parâmetros prescritos ou houver alterações no ECG.
- Evitar fluidos contendo potássio (como Ringer Lactato) em pacientes com IA primária e hipercalemia, salvo prescrição específica; esclarecer com o prescritor quando a escolha do fluido não estiver clara.
- Quando o paciente estiver alerta, orientar sobre sinais de distúrbio eletrolítico a serem relatados em domicílio: fraqueza muscular, palpitações, confusão, fadiga intensa.
- Reforçar que pacientes com IA primária geralmente se beneficiam de ingestão liberal de sal conforme orientação do prescritor, em vez de restrição.
- Notificar o prescritor para elevação do sódio se aproximando de > 10 mEq/L em 24 horas, hipercalemia persistente apesar do tratamento prescrito ou novos achados neurológicos.
- Coordenar com a farmácia e a equipe médica o início da fludrocortisona assim que o paciente tolerar via oral (somente IA primária), conforme protocolo institucional.
Resultado: Tendência do Na+ sérico é monitorada e comunicada dentro dos parâmetros prescritos (comumente elevação ≤ 8–10 mEq/L em 24 horas conforme prescrição médica); tendência do K+ sérico é monitorada e comunicada dentro dos parâmetros prescritos; achados no ECG são monitorados e qualquer nova anormalidade de condução é comunicada prontamente.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Alteração do Débito Cardíaco
Alteração do Débito Cardíaco relacionada à insuficiência adrenal: primária (doença de Addison, lesão do córtex adrenal) ou secundária (hipofisária ou hipotalâmica); crise adrenal = descompensação aguda com risco de vida com hipotensão, hiponatremia, hipercalemia (somente primária), hipoglicemia e dor abdominal, evidenciada por hipotensão compatível com hipovolemia combinada com vasodilatação; taquicardia desproporcional à febre ou ao estado clínico; hipercalemia com ondas T apiculadas ou alargamento do QRS ao ECG (IA primária); hiponatremia com Na+ sérico < 130 mEq/L; alteração do estado mental compatível com hipoperfusão.
Intervenções
- Manter monitorização cardíaca contínua; comunicar ondas T apiculadas, alargamento do QRS, nova bradiarritmia ou nova taquiarritmia.
- Apoiar a monitorização contínua por linha arterial, conforme protocolo institucional, quando prescrito, e registrar a PAM em intervalos compatíveis com a atividade de titulação.
- Avaliar coloração da pele, temperatura, moteamento e tempo de reenchimento capilar em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
- Monitorar débito urinário horário por sonda vesical de demora quando prescrito; comunicar débito urinário < 0,5 mL/kg/h por 2 horas consecutivas.
- Acompanhar lactato sérico seriado conforme prescrição médica durante a ressuscitação; comunicar valores > 2 mmol/L e qualquer falha na depuração.
- Administrar hidrocortisona prescrita conforme orientação do prescritor e protocolo institucional; comunicar qualquer interrupção ou dose omitida.
- Administrar cristaloide prescrito nos volumes e intervalos determinados pelo prescritor; monitorar PAM, tendência do lactato, ausculta pulmonar e débito urinário após cada bolus prescrito e escalar achados pulmonares em piora conforme protocolo institucional.
- Administrar dextrose prescrita para hipoglicemia conforme protocolo institucional; rechecar glicemia capilar conforme prescrição médica até estabilização.
- Apoiar a passagem de acesso venoso central e a terapia vasopressora prescrita conforme protocolo institucional quando hipotensão refratária for identificada; monitorar PAM, ritmo cardíaco, débito urinário, perfusão periférica e sinais de extravasamento.
- Quando o paciente estiver alerta, explicar em linguagem acessível a finalidade dos acessos, das infusões e dos monitores.
- Orientar a família sobre os objetivos do suporte hídrico e corticosteroide e como a melhora habitualmente se manifesta (extremidades aquecidas, aumento do débito urinário, melhora do estado mental).
- Achados como lactato crescente, débito urinário em queda, hipotensão, nova arritmia ou alteração do estado mental devem motivar reavaliação urgente e notificação ao prescritor.
- Coordenar a escalada para a UTI e a avaliação pela endocrinologia conforme protocolo institucional quando choque refratário, hipercalemia persistente ou alteração do nível de consciência persistirem apesar da terapia prescrita.
- Coordenar a identificação e o tratamento do fator precipitante: apoiar a realização de hemocultura, urocultura, RX de tórax e EAS prescritos e administrar antibióticos empíricos prescritos conforme protocolo institucional quando infecção for suspeita.
Resultado: PAM, FC e indicadores de perfusão são monitorados e comunicados dentro dos parâmetros prescritos; ritmo cardíaco é monitorado continuamente e alterações de condução são comunicadas prontamente; débito urinário é monitorado e comunicado dentro dos parâmetros prescritos.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Ansiedade
Ansiedade relacionada à insuficiência adrenal: primária (doença de Addison, lesão do córtex adrenal) ou secundária (hipofisária ou hipotalâmica); crise adrenal = descompensação aguda com risco de vida com hipotensão, hiponatremia, hipercalemia (somente primária), hipoglicemia e dor abdominal, evidenciada por verbalização de medo de morrer, de separação da família ou do desconhecido; agitação ou hipervigilância desproporcional ao estado clínico; taquicardia desproporcional ao estado clínico e à terapia prescrita; novo diagnóstico de condição crônica que exige medicação diária; deterioração clínica rápida vivenciada pelo paciente e pela família.
Intervenções
- Avaliar o nível de ansiedade por escala de 0–10 no início de cada plantão e quando necessário.
- Identificar os fatores desencadeantes relatados pelo paciente (tontura, alarmes do monitor, medo de recorrência, medo de morrer, medicação diária vitalícia).
- Observar sinais físicos de ansiedade: taquicardia desproporcional ao estado clínico, agitação, gesticulação nervosa, hipervigilância.
- Avaliar qualidade do sono e fatores contribuintes (alarmes, iluminação, intervenções frequentes, ansiedade) diariamente.
- Oferecer presença calma e acolhedora; falar com clareza e em ritmo pausado.
- Explicar procedimentos e achados em linguagem simples e acessível ao paciente antes de realizá-los.
- Agrupar os cuidados para permitir períodos de repouso sem interrupção quando o estado clínico permitir.
- Reduzir estímulos não essenciais no período noturno (luz de teto, conversas em voz alta, alarmes desnecessários), conforme protocolo institucional.
- Facilitar a presença da família dentro das normas institucionais; coordenar serviços de capelania, serviço social ou interpretação conforme preferência do paciente.
- Ensinar respiração diafragmática e técnicas de aterramento que o paciente possa usar de forma independente.
- Orientar o paciente e a família sobre a insuficiência adrenal em linguagem acessível: o que é, o que desencadeou a crise e o que envolve a reposição diária.
- Explicar à família o significado de cada alarme da UTI e o que é ou não clinicamente preocupante.
- Coordenar o acompanhamento com capelania, serviço social ou psicologia caso a ansiedade persista ou piore apesar das medidas não farmacológicas.
- Notificar o prescritor em caso de ansiedade intensa ou persistente sem resposta às medidas não farmacológicas.
Resultado: Paciente verbaliza redução da ansiedade; paciente demonstra ao menos uma estratégia de enfrentamento (respiração diafragmática, aterramento, música); paciente dorme em blocos de 4 horas quando o estado clínico permitir.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Conhecimento Deficiente sobre o Regime Terapêutico
Conhecimento Deficiente sobre o Regime Terapêutico relacionado à insuficiência adrenal: primária (doença de Addison, lesão do córtex adrenal) ou secundária (hipofisária ou hipotalâmica); crise adrenal = descompensação aguda com risco de vida com hipotensão, hiponatremia, hipercalemia (somente primária), hipoglicemia e dor abdominal, evidenciado por novo diagnóstico de insuficiência adrenal; paciente verbaliza incerteza sobre quando aumentar a dose do corticosteroide; ausência de identificação de alerta médico na admissão; ausência de kit de injeção de emergência em domicílio; doses recentes esquecidas ou redução da dose por iniciativa do paciente.
Intervenções
- Avaliar a compreensão basal do paciente sobre insuficiência adrenal, o papel do cortisol e o regime de reposição atual.
- Identificar o cuidador principal do paciente e avaliar sua disposição para aprender a técnica de injeção.
- Revisar a lista de medicamentos domiciliares para identificar alterações de dose iniciadas pelo prescritor ou interrupções recentes.
- Avaliar acesso ao acompanhamento ambulatorial, transporte e capacidade de adquirir as medicações prontamente.
- Ensinar a regra de dias de doença conforme orientação do prescritor, com material escrito: comumente dobrar a dose oral em caso de doença leve ou febre ≥ 38 °C, triplicar em caso de doença grave e usar injeção IM quando vômitos impedirem a administração oral.
- Demonstrar a reconstituição do Solu-Cortef Act-O-Vial e a injeção IM em almofada de treino, realizando em seguida a demonstração de retorno com o paciente e o familiar.
- Fornecer cartão de identificação escrito com diagnóstico, doses de reposição atuais, contato de emergência e instruções para crise, conforme orientação do prescritor.
- Auxiliar o paciente a providenciar identificação de alerta médico (ou equivalente) antes da alta, conforme protocolo institucional.
- Reforçar que a interrupção abrupta do corticosteroide, inclusive por indicações não endocrinológicas, pode precipitar uma crise.
- Ensinar a dose de estresse pré-operatória conforme orientação do prescritor (comumente 100 mg IV de hidrocortisona no pré-operatório + 200 mg/24 h × 48 h conforme protocolo institucional); reforçar a importância de informar toda futura equipe cirúrgica sobre o diagnóstico.
- Orientar o paciente a mimetizar o ritmo circadiano do cortisol conforme prescrição médica (comumente maior dose ao despertar, dose intermediária ao meio-dia e menor dose no final da tarde).
- Reforçar que a ida ao pronto-socorro é comumente recomendada após qualquer injeção IM de emergência, conforme orientação do prescritor.
- Coordenar retorno ambulatorial com endocrinologia em 1–2 semanas após a alta, conforme protocolo institucional.
- Coordenar consulta com serviço social quando o paciente não tiver cobertura para os custos do corticosteroide crônico ou do kit de emergência.
- Registrar o ensino realizado, a demonstração de retorno e o plano verbalizado pelo paciente no prontuário de alta.
Resultado: Paciente verbaliza a regra de dias de doença conforme orientação do prescritor (comumente dobrar ou triplicar a dose oral em caso de febre ≥ 38 °C, doença ou estresse significativo); paciente e familiar demonstram a reconstituição e a injeção IM do Solu-Cortef Act-O-Vial; paciente providencia e planeja usar identificação de alerta médico antes da alta.
Fisiopatologia
O cortisol é fundamental para a regulação da glicose, o tônus vascular (responsividade às catecolaminas), a modulação imunológica e a resposta ao estresse. A aldosterona é fundamental para o equilíbrio de sódio e potássio e para a manutenção da pressão arterial por meio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). A insuficiência adrenal primária (doença de Addison) reflete a destruição de todo o córtex adrenal, de etiologia autoimune em ~85% dos casos nos países desenvolvidos; outras causas incluem infecção (TB historicamente, HIV, fúngica), doença infiltrativa, hemorragia adrenal e medicamentos (cetoconazol, etomidato). Como tanto o cortisol QUANTO a aldosterona estão deficientes, os pacientes podem desenvolver hipercalemia, hiponatremia, depleção volêmica e hiperpigmentação (o ACTH elevado co-estimula o hormônio estimulador de melanócitos, MSH). A insuficiência adrenal secundária decorre de disfunção hipofisária ou hipotalâmica (tumor, cirurgia, radioterapia, hipofisíte e, mais comumente, uso crônico de corticosteroides exógenos causando supressão do eixo HHA). O cortisol está deficiente, mas a aldosterona está preservada (o SRAA contorna a hipófise); portanto, hipercalemia e hiperpigmentação geralmente estão ausentes. A crise adrenal é precipitada por infecção, cirurgia, trauma, dose esquecida de corticosteroide ou qualquer aumento na demanda metabólica. A mortalidade é de aproximadamente 6–15% mesmo com tratamento quando o reconhecimento é tardio (Diretrizes de Prática Clínica da Endocrine Society 2016).
Referência Rápida
- Hidrocortisona aguda: 100 mg IV em bolus + 200 mg/24 h conforme protocolo institucional
- Exame diagnóstico: Teste de estimulação com ACTH (cosintropina 250 mcg IV)
- Regra em dias de doença: Dobrar ou triplicar a dose em caso de febre ou doença, conforme orientação do prescritor
- Dose de estresse cirúrgico: 100 mg IV pré-operatório + 200 mg/24 h × 48 h conforme protocolo institucional
- Tríade do choque: ↓ Na, ↑ K, ↓ PA + pigmentação
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valor de referência | Significado na Crise Adrenal |
|---|---|---|
| Cortisol (aleatório) | Crise: pico > 18 mcg/dL | Um nível < 18 mcg/dL em paciente gravemente enfermo no pico do estresse pode apoiar o diagnóstico de IA; o cortisol basal às 8 h é utilizado quando o paciente não está em crise. O teste de estimulação com ACTH (cosintropina 250 mcg IV, com cortisol coletado aos 30 e 60 minutos; pico < 18 mcg/dL) pode apoiar o diagnóstico de IA. Os enfermeiros comunicam os valores à equipe médica; o tratamento não é adiado para aguardar resultados dos exames, conforme protocolo institucional. |
| ACTH | 10–60 pg/mL | Elevado na IA primária, baixo ou normal na IA secundária. Auxilia na diferenciação do nível de disfunção do eixo HHA para o planejamento da equipe médica. |
| Aldosterona / Renina | Aldosterona 3–16 ng/dL | Aldosterona baixa com renina elevada pode apoiar IA primária; ambas geralmente normais na IA secundária. Subsidia a decisão da equipe quanto à indicação de reposição mineralocorticoide. |
| Na+ | 135–145 mEq/L | A hiponatremia pode ocorrer tanto na IA primária quanto na secundária (deficiência de cortisol com efeito semelhante à SIADH sobre a depuração de água livre). Os enfermeiros acompanham os valores seriados de sódio e comunicam valores fora dos parâmetros prescritos. |
| K+ | 3,5–5,0 mEq/L | Hipercalemia exclusiva da IA primária (deficiência de aldosterona); geralmente normal na IA secundária. Os enfermeiros monitoram alterações eletrocardiográficas relacionadas à hipercalemia e escalam conforme protocolo institucional. |
| Glicose | 70–110 mg/dL | A hipoglicemia é comum na crise; a glicemia capilar à beira do leito é realizada em todos os casos suspeitos, conforme protocolo institucional. Os enfermeiros comunicam valores abaixo dos parâmetros prescritos e administram dextrose conforme prescrito. |
| Ureia / Cr | Ureia 7–20 / Cr 0,6–1,2 mg/dL | Pode estar elevada com depleção volêmica. O acompanhamento subsidia a avaliação da equipe médica quanto à adequação da ressuscitação. |
| Hemograma | Leucócitos 4–11 K/uL | Eosinofilia e linfocitose podem sugerir deficiência crônica de cortisol; os enfermeiros comunicam os achados à equipe médica. |
| Anticorpos anti-21-OH | Negativo | Um resultado positivo pode apoiar IA primária autoimune (Addison). Revisado pela equipe médica em conjunto com a demais investigação. |
| TSH / Painel hipofisário | TSH 0,4–4,5 mUI/L | Auxilia no rastreamento da síndrome de Schmidt (poliendocrinopatia autoimune); o painel hipofisário subsidia a avaliação da equipe para pan-hipopituitarismo na IA secundária. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos adversos | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Hidrocortisona IV (crise) | Solu-Cortef 100 mg IV em bolus, seguido de 200 mg/24 h em infusão contínua (comumente preferida em pacientes instáveis) ou 50 mg IV a cada 6 h | Repõe o cortisol; oferece atividade glicocorticoide e mineralocorticoide parcial na dose de estresse. | Hiperglicemia, hipertensão, retenção hídrica; a hipocalemia pode ser uma preocupação tardia com terapia prolongada em alta dose (a crise aguda tipicamente se apresenta com hipercalemia que se resolve com corticosteroides e solução salina). | Administrar conforme prescrito, seguindo orientação do prescritor, da farmácia e protocolo institucional. Segundo a diretriz da Endocrine Society de 2016, a primeira dose é administrada prontamente quando a crise é suspeita, sem aguardar os resultados do teste de estimulação com ACTH, conforme protocolo institucional. Os enfermeiros monitoram glicemia, PA e K+ e comunicam achados fora dos parâmetros prescritos. |
| Solução salina normal (NaCl 0,9%) | 1 L IV em bolus, seguido de 200–500 mL/h titulado conforme prescrição médica | Ressuscitação volêmica; apoia a correção da hiponatremia e hipotensão responsivas à volemia após o início dos corticosteroides. | Sobrecarga volêmica pode ocorrer com ressuscitação excessiva, especialmente em cardiopatas ou nefropatas. | Administrar conforme prescrito, de acordo com protocolo institucional. Os enfermeiros acompanham PA, ausculta pulmonar e débito urinário; resposta rápida da PA é comumente observada quando a solução salina é associada à hidrocortisona, e os achados são comunicados à equipe médica. |
| Dextrose | D50 25 g IV em bolus para hipoglicemia sintomática, seguido de manutenção com SF + SG 5% conforme prescrição médica | Apoia a correção da hipoglicemia por deficiência de cortisol. | Hipoglicemia de rebote pode ocorrer se a manutenção não for iniciada; hiperglicemia. | Administrar conforme prescrito, de acordo com protocolo institucional. Os enfermeiros rechecam a glicemia capilar conforme prescrição médica (comumente a cada 1 h até estabilização) e mantêm o fluido de manutenção com dextrose conforme prescrito. |
| Fludrocortisona (Florinef) | 0,05–0,2 mg VO diariamente conforme prescrição médica | Mineralocorticoide sintético; repõe a aldosterona exclusivamente na IA primária. | Hipertensão, hipocalemia, edema, ganho de peso. | Administrar conforme prescrito, seguindo orientação do prescritor e protocolo institucional. Geralmente não é necessária na fase aguda (hidrocortisona > 50 mg/dia possui atividade mineralocorticoide suficiente); comumente iniciada quando o paciente tolera via oral. |
| Hidrocortisona (uso crônico) | 15–25 mg VO diariamente, divididos em 2–3 doses (a maior dose ao despertar) conforme prescrição médica | Reposição glicocorticoide com o objetivo de mimetizar o ritmo circadiano do cortisol. | Características cushingoides em caso de suprarreposição; sintomas de IA em caso de subreposição. | Administrar conforme prescrito, seguindo orientação do prescritor. Alternativas podem incluir prednisona 3–5 mg diários conforme prescrição médica; a interrupção abrupta é evitada e qualquer alteração é realizada sob orientação do prescritor. |
| Solu-Cortef Act-O-Vial (emergência) | Kit de autoinjeção IM 100 mg | Dose de emergência administrada pelo paciente ou familiar em caso de vômitos, doença grave ou crise iminente. | Reação no local da injeção. | Administrar conforme prescrito, seguindo orientação do prescritor. Muitos pacientes com IA primária carregam o kit consigo conforme recomendação do prescritor; os enfermeiros ensinam a reconstituição e a técnica de injeção IM com demonstração de retorno pelo paciente e familiar. |
| Protocolo de dose de estresse | Dias de doença: dobrar ou triplicar a dose oral; doença grave ou cirurgia: 100 mg IV pré-operatório + 200 mg/24 h conforme protocolo institucional | Compensa a ausência da elevação endógena de cortisol durante o estresse fisiológico. | Hiperglicemia transitória, alterações de humor. | Administrar conforme prescrito, seguindo orientação do prescritor e protocolo institucional. A educação do paciente apoia o reconhecimento dos gatilhos (febre ≥ 38 °C, vômitos, cirurgia, trauma) que comumente justificam uma dose de estresse, conforme orientação do prescritor. |
| Tratamento do fator precipitante | Antibióticos para infecção ou tratamento específico da causa conforme prescrição médica | A crise adrenal raramente é isolada; identificar e tratar o gatilho faz parte do cuidado de suporte. | Específicos do medicamento. | Administrar conforme prescrito, de acordo com protocolo institucional. Os enfermeiros apoiam a investigação diagnóstica (hemocultura, urocultura, RX de tórax, EAS) e monitoram a resposta à terapia prescrita. |
Referências
- Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
- Bornstein, S. R., Allolio, B., Arlt, W., et al. (2016). Diagnosis and Treatment of Primary Adrenal Insufficiency: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 101(2), 364–389.
- Husebye, E. S., Allolio, B., Arlt, W., et al. (2014). Consensus statement on the diagnosis, treatment and follow-up of patients with primary adrenal insufficiency. Journal of Internal Medicine, 275(2), 104–115.
Perguntas frequentes
What is the nursing care plan for Adrenal Crisis?
A Adrenal Crisis nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Adrenal Insufficiency and Adrenal Crisis. Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.
What are the priority nursing diagnoses for Adrenal Crisis?
Priority diagnoses for Adrenal Crisis appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.
What is the priority nursing intervention for Adrenal Crisis?
Priority interventions for Adrenal Crisis are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.
What complications should the nurse monitor for in Adrenal Crisis?
Complications to monitor for in Adrenal Crisis are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.