Plano de Cuidados de Enfermagem para Sangramento Gastrointestinal Inferior
Lower GI Bleed

Plano de Cuidados de Enfermagem para Sangramento Gastrointestinal Inferior

Plano de cuidados de enfermagem para hemorragia digestiva baixa com diagnósticos priorizados, ressuscitação volêmica, monitoramento hemodinâmico e PDF para impressão.

Plano de Cuidados de Enfermagem

Diagnóstico de Enfermagem 1: Déficit de Volume de Líquidos

Déficit de Volume de Líquidos relacionado ao sangramento gastrointestinal inferior (SGIB): hemorragia distal ao ligamento de Treitz; hematoquezia originada no intestino delgado, cólon, reto ou ânus, evidenciado por Perda aguda de sangue por via retal (hematoquezia/SVVR); Hipotensão (PAS < 90 mmHg ou abaixo dos parâmetros prescritos) ou hipotensão ortostática; Taquicardia (FC > 100 bpm ou acima dos parâmetros prescritos); Queda de hemoglobina > 2 g/dL no hemograma seriado; Débito urinário < 0,5 mL/kg/h.

Intervenções

  • Monitorar sinais vitais em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional (geralmente a cada 15 min durante sangramento ativo, a cada 1 h após estabilização); manter telemetria contínua conforme prescrito.
  • Avaliar hipotensão ortostática (queda de PAS > 20 mmHg ou elevação da FC > 20 bpm ao sentar ou levantar) quando o estado clínico permitir a manobra e conforme protocolo institucional.
  • Documentar as evacuações: volume, coloração (vermelho vivo versus marrom-avermelhado versus melena), frequência e presença de coágulos.
  • Acompanhar o hemograma seriado conforme prescrição médica durante o sangramento ativo; notificar queda de Hgb > 2 g/dL ou valores fora dos parâmetros prescritos.
  • Registrar balanço hídrico rigoroso hora a hora; notificar débito urinário < 0,5 mL/kg/h por 2 horas consecutivas.
  • Acompanhar lactato, déficit de bases e gasometria arterial/venosa conforme prescrição médica.
  • Instalar dois acessos venosos periféricos de grosso calibre (geralmente 16–18 G) precocemente conforme protocolo institucional.
  • Administrar cristaloide IV prescrito (SF 0,9% ou RL) conforme direção médica; reavaliar PAM, débito urinário, ausculta pulmonar e lactato após cada bolus.
  • Encaminhar tipagem sanguínea e prova cruzada conforme prescrição médica; coordenar disponibilidade de unidades de concentrado de hemácias conforme protocolo institucional. A ativação do protocolo de transfusão maciça é decisão da equipe médica conforme critérios institucionais.
  • Administrar concentrado de hemácias conforme política transfusional institucional. A estratégia transfusional restritiva (geralmente Hgb 7–8 g/dL) é preferida em muitos pacientes estáveis conforme evidências atuais; o limiar é uma decisão da equipe médica.
  • Posicionar o paciente em decúbito dorsal durante hipotensão ativa. A elevação passiva dos membros inferiores pode subsidiar a avaliação de responsividade a fluidos quando prescrita; reposicionar em decúbito lateral para avaliação das fezes e região perianal conforme necessário.
  • Explicar ao paciente e à família a justificativa para a aferição frequente de sinais vitais, a infusão de fluidos IV e as coletas de sangue.
  • Orientar sobre transfusão de hemocomponentes: processo, duração esperada e sinais de reação a serem relatados.
  • Orientar o paciente a relatar imediatamente qualquer novo episódio de tontura, síncope ou sensação de desmaio iminente.
  • Notificar o médico para PAS abaixo dos parâmetros prescritos sem resposta ao bolus, queda de Hgb > 2 g/dL, débito urinário persistentemente < 0,5 mL/kg/h ou qualquer deterioração clínica rápida.
  • Articular com Gastroenterologia, Radiologia Intervencionista e Cirurgia conforme protocolo institucional. A angiotomografia é geralmente de primeira linha em pacientes hemodinamicamente instáveis ou com sangramento ativo; a colonoscopia não urgente (24–96 h após ressuscitação) é recomendada para muitos pacientes estáveis conforme ACG 2023.

Resultado esperado: PAM, FC, débito urinário e lactato são monitorados e notificados dentro dos parâmetros prescritos; a evolução da hemoglobina é documentada e comunicada conforme protocolo institucional; os indicadores de perfusão (temperatura cutânea, coloração, tempo de enchimento capilar) são monitorados e alterações são notificadas.

Diagnóstico de Enfermagem 2: Alteração Cardiovascular

Alteração Cardiovascular relacionada ao sangramento gastrointestinal inferior (SGIB): hemorragia distal ao ligamento de Treitz; hematoquezia originada no intestino delgado, cólon, reto ou ânus, evidenciada por Hemorragia aguda com perda estimada > 1500 mL ou SVVR volumoso contínuo; Hipotensão sustentada apesar da ressuscitação cristaloide prescrita; Taquicardia > 120 bpm com pressão de pulso estreitada; Extremidades frias e marmóreas com tempo de enchimento capilar prolongado; Redução do nível de consciência ou confusão de início agudo.

Intervenções

  • Monitorar continuamente o ritmo cardíaco; documentar novas arritmias (taquicardia sinusal, FA com RVR, ectopias).
  • Avaliar pulsos apical e periféricos quanto a frequência, ritmo, qualidade e déficit de pulso em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Verificar tempo de enchimento capilar, temperatura cutânea e coloração periférica a cada hora durante o sangramento ativo.
  • Avaliar nível de consciência, orientação e comportamento a cada 1–2 horas.
  • Monitorar dor torácica, dispneia ou novas alterações no ECG (infradesnível de ST, inversão de onda T).
  • Acompanhar lactato, déficit de bases e saturação venosa mista quando disponível, conforme prescrição médica.
  • Manter dois acessos venosos periféricos pérvios. A instalação de acesso venoso central e o suporte vasopressor são decisões da equipe médica conforme protocolo institucional; o enfermeiro se prepara para auxiliar conforme prescrito.
  • Administrar fluidos e hemocomponentes prescritos conforme ordens de ressuscitação e protocolo institucional. Volumes de cristaloide > 2 L antes da administração de sangue são geralmente evitados conforme prática atual de ressuscitação; a estratégia hemoterápica é uma decisão da equipe médica.
  • Administrar agentes de reversão da anticoagulação conforme prescrito (vitamina K + CPP de 4 fatores para varfarina; andexanete alfa para inibidores do fator Xa; idarucizumabe para dabigatrana) por direção médica, orientação farmacêutica e protocolo institucional.
  • Agrupar os cuidados para favorecer períodos de repouso e reduzir a demanda de oxigênio miocárdico.
  • Suspender ou reduzir anti-hipertensivos, betabloqueadores e diuréticos de uso domiciliar conforme prescrição durante o sangramento ativo.
  • Orientar o paciente a relatar imediatamente nova dor torácica, palpitações, tontura ou dispneia.
  • Explicar a justificativa para a suspensão dos medicamentos cardíacos de uso domiciliar e o plano de retomada após a estabilização determinada pela equipe médica.
  • Notificar o médico para PAS persistentemente abaixo dos parâmetros prescritos, PAM < 65 mmHg, nova livedo/marmoreio, redução do nível de consciência ou débito urinário < 0,5 mL/kg/h.
  • Articular interconsulta com Cardiologia para novas alterações isquêmicas ao ECG, elevação de troponina ou arritmia quando prescrito pelo médico.

Resultado esperado: PAM e indicadores de perfusão são monitorados e notificados dentro dos parâmetros prescritos; o estado mental é avaliado e as alterações são comunicadas prontamente; a evolução do lactato é documentada e comunicada à equipe médica.

Diagnóstico de Enfermagem 3: Alteração do Débito Cardíaco

Alteração do Débito Cardíaco relacionada ao sangramento gastrointestinal inferior (SGIB): hemorragia distal ao ligamento de Treitz; hematoquezia originada no intestino delgado, cólon, reto ou ânus, evidenciada por Hipotensão sustentada (PAM abaixo dos parâmetros prescritos) apesar da ressuscitação prescrita; Taquicardia desproporcional ao estado clínico e ao status volêmico; Extremidades frias, marmóreas ou pálidas com tempo de enchimento capilar > 3 segundos; Redução do débito urinário (< 0,5 mL/kg/h); Acidose lática (lactato > 2 mmol/L) sem depuração.

Intervenções

  • Monitorar linha arterial ou pressão arterial não invasiva conforme protocolo institucional e documentar a PAM em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Monitorar continuamente o ritmo cardíaco; documentar novas arritmias.
  • Avaliar coloração cutânea, temperatura, marmoreio e tempo de enchimento capilar em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Monitorar débito urinário hora a hora por sonda vesical de demora quando prescrito; notificar débito urinário < 0,5 mL/kg/h por 2 horas consecutivas.
  • Acompanhar lactato seriado conforme prescrição médica durante a ressuscitação; notificar valores > 4 mmol/L.
  • Revisar os achados do ecocardiograma quando prescrito; comunicar novas alterações de motilidade segmentar ou fração de ejeção reduzida.
  • Garantir acesso venoso confiável. O acesso venoso central e o suporte vasopressor são decisões da equipe médica conforme protocolo institucional; o enfermeiro se prepara para e auxilia na instalação conforme prescrito.
  • Administrar medicamentos vasoativos prescritos conforme direção médica e protocolo institucional; monitorar PAM, ritmo, débito urinário, perfusão periférica e sinais de extravasamento.
  • Administrar cristaloides e hemocomponentes prescritos conforme direção médica; monitorar PAM, ausculta pulmonar, débito urinário e lactato após cada bolus prescrito.
  • Manter balanço hídrico rigoroso hora a hora. Calcular e documentar o balanço líquido das 24 horas conforme protocolo institucional.
  • Quando o paciente estiver alerta, explicar em linguagem acessível a finalidade dos acessos, infusões e monitores.
  • Orientar a família sobre os objetivos da ressuscitação e os sinais de melhora (extremidades aquecidas, débito urinário, redução do lactato).
  • Notificar o médico para lactato ascendente, redução do débito urinário, hipotensão, nova alteração do estado mental ou novas alterações isquêmicas ao ECG.
  • Articular com Cardiologia e UTI para hipotensão refratária, arritmia persistente ou sinais de isquemia por demanda quando prescrito pelo médico.

Resultado esperado: PAM, débito urinário e indicadores de perfusão são monitorados e notificados dentro dos parâmetros prescritos; o estado mental é avaliado e as alterações são comunicadas prontamente; a depuração do lactato é monitorada e comunicada à equipe médica.

Diagnóstico de Enfermagem 4: Risco de Sangramento

Risco de Sangramento relacionado ao sangramento gastrointestinal inferior (SGIB): hemorragia distal ao ligamento de Treitz; hematoquezia originada no intestino delgado, cólon, reto ou ânus, evidenciado por Hematoquezia ativa ou recente de qualquer etiologia do SGIB; Anticoagulação (varfarina, ACOD, heparina) ou terapia antiagregante na admissão; Coagulopatia (INR > 1,5, TTPa prolongado, plaquetas < 50); Disfunção hepática com comprometimento da síntese de fatores de coagulação; Intervenção endoscópica recente (polipectomia, ligadura elástica, escleroterapia) com risco de sangramento tardio.

Intervenções

  • Inspecionar todas as evacuações e todo o material eliminado quanto à presença de sangue vivo, coágulos ou melena; documentar volume, coloração e frequência.
  • Acompanhar Hgb, INR, TTPa, fibrinogênio e plaquetas conforme prescrição médica.
  • Revisar a lista de medicamentos na admissão para identificar anticoagulantes, antiagregantes, AINEs e ISRSs; documentar a última dose e o horário.
  • Inspecionar os sítios de acesso venoso, gengivas e pele quanto a sangramento, equimoses ou petéquias a cada plantão.
  • Monitorar sinais de sangramento tardio pós-procedimento (1–2 semanas após polipectomia) quando aplicável.
  • Administrar reversão da anticoagulação prescrita (vitamina K + CPP de 4 fatores para varfarina; andexanete alfa para inibidores do fator Xa; idarucizumabe para dabigatrana) conforme direção médica, orientação farmacêutica e protocolo institucional.
  • Verificar se o agente de reversão corresponde ao anticoagulante causador antes da administração; recoletar INR ou anti-Xa conforme prescrição médica.
  • Suspender anticoagulantes e antiagregantes de uso domiciliar conforme prescrição médica. Documentar a justificativa da suspensão e reavaliar diariamente a retomada prescrita.
  • Coordenar a administração de plaquetas e PFC conforme prescrito para os limiares definidos pela equipe médica (geralmente plaquetas < 50 ou INR > 1,5 com sangramento ativo).
  • Evitar injeções intramusculares, temperatura retal e punções venosas desnecessárias na presença de sangramento ativo ou coagulopatia significativa.
  • Orientar o paciente e a família a evitar AINEs (ibuprofeno, naproxeno, cetorolaco, ácido acetilsalicílico sem indicação cardioprotetora) e apresentar o paracetamol como alternativa quando prescrito.
  • Orientar pacientes pós-polipectomia que o sangramento tardio pode ocorrer 1–2 semanas após o procedimento; fornecer número de contato disponível 24 horas conforme protocolo institucional.
  • Revisar as instruções de retomada do anticoagulante antes da alta, incluindo a data de reinício determinada pelo médico e os sinais de alerta de ressangramento.
  • Notificar o médico para nova hematoquezia ou recorrência, elevação da frequência cardíaca, queda da pressão arterial ou valores de coagulação fora dos parâmetros prescritos.
  • Articular com Gastroenterologia, Radiologia Intervencionista e Cirurgia para controle da fonte conforme prescrição da equipe médica.

Resultado esperado: Hgb, INR, TTPa e plaquetas são monitorados e notificados conforme protocolo institucional; o sangramento ativo é identificado precocemente e comunicado à equipe médica; a reversão da anticoagulação, quando prescrita, é administrada com segurança e monitorada quanto à resposta terapêutica e adversa.

Diagnóstico de Enfermagem 5: Ansiedade

Ansiedade relacionada ao sangramento gastrointestinal inferior (SGIB): hemorragia distal ao ligamento de Treitz; hematoquezia originada no intestino delgado, cólon, reto ou ânus, evidenciada por Verbalização de medo pelo paciente quanto ao sangramento ativo ou possível recorrência; Presença de sangue vivo nas fezes, na roupa de cama ou no corpo do paciente; Agitação, hipervigilância ou taquicardia desproporcional ao estado clínico; Desconhecimento do ambiente hospitalar, do preparo intestinal ou da colonoscopia; Distúrbio do sono por alarmes do monitor e intervenções frequentes.

Intervenções

  • Avaliar o nível de ansiedade por escala de 0–10 no início de cada plantão e conforme necessário.
  • Identificar os fatores desencadeantes relatados pelo paciente (sangue visível, medo de morrer, medo da colonoscopia, alarmes do monitor, dor).
  • Observar sinais físicos de ansiedade: taquicardia desproporcional ao estado clínico, agitação, gesticulação ansiosa, hipervigilância.
  • Avaliar a qualidade do sono e seus contribuintes (alarmes, iluminação, intervenções frequentes, dor, ansiedade) diariamente.
  • Manter presença calma e tranquilizadora; comunicar-se de forma clara e em ritmo pausado.
  • Explicar os procedimentos e achados em linguagem acessível ao paciente antes de realizá-los.
  • Remover roupas de cama sujas e realizar a higiene do paciente prontamente após cada episódio de sangramento; preservar a dignidade em todo momento.
  • Agrupar os cuidados para favorecer períodos de repouso sem interrupção quando o estado clínico permitir.
  • Reduzir estímulos noturnos desnecessários (luz do teto, conversas em voz alta, alarmes desnecessários) conforme protocolo institucional.
  • Facilitar visitas e contato familiar dentro da política institucional.
  • Ensinar respiração diafragmática e técnicas de ancoragem que o paciente possa utilizar de forma independente.
  • Orientar o paciente e a família sobre o SGIB: causas comuns, como é conduzida a investigação e por que o sangramento indolor não indica necessariamente um prognóstico pior.
  • Orientar a família sobre o significado dos alarmes da UTI ou da unidade semi-intensiva e o que é rotineiro versus preocupante.
  • Articular com Capelania, Serviço Social ou Psicologia quando a ansiedade persistir ou piorar apesar das medidas não farmacológicas, conforme protocolo institucional.
  • Notificar o médico para ansiedade grave ou persistente sem resposta às medidas não farmacológicas.

Resultado esperado: O paciente verbaliza redução da ansiedade; o paciente demonstra pelo menos uma estratégia de enfrentamento (respiração diafragmática, ancoragem, musicoterapia); o paciente dorme em períodos prolongados quando o estado clínico permitir.

Diagnóstico de Enfermagem 6: Déficit de Conhecimento

Déficit de Conhecimento relacionado ao sangramento gastrointestinal inferior (SGIB): hemorragia distal ao ligamento de Treitz; hematoquezia originada no intestino delgado, cólon, reto ou ânus, evidenciado por Paciente ou família com dúvidas sobre a causa do sangramento; Primeiro episódio de SGIB sem investigação prévia; Confusão verbalizada sobre o preparo intestinal, a colonoscopia ou o plano de seguimento; Barreiras culturais, linguísticas ou de letramento em saúde; Compreensão limitada sobre dieta rica em fibras, evitar AINEs ou cuidados com hemorroidas.

Intervenções

  • Avaliar o entendimento basal do paciente sobre o SGIB, sua etiologia provável e a investigação planejada.
  • Identificar preferências de aprendizado (visual, escrito, demonstração) e quaisquer barreiras culturais ou linguísticas.
  • Avaliar a ansiedade do paciente, a prontidão para aprender e a presença de familiar ou cuidador.
  • Fornecer materiais escritos com nível de leitura ≤ 6º ano escolar no idioma de preferência do paciente quando disponível.
  • Utilizar a metodologia teach-back para cada ponto principal da educação em saúde.
  • Reforçar o preparo intestinal prescrito com o paciente (geralmente 4–6 L de PEG ao longo de 4–6 horas, dieta líquida clara no dia anterior, jejum a partir da meia-noite conforme protocolo institucional).
  • Orientar sobre dieta rica em fibras (geralmente 25–35 g/dia) e ingestão hídrica adequada (geralmente 2 L/dia quando não houver contraindicação) para prevenção de doença diverticular.
  • Orientar sobre a necessidade de evitar AINEs (ibuprofeno, naproxeno, cetorolaco, ácido acetilsalicílico sem indicação cardioprotetora) e apresentar o paracetamol como alternativa preferida quando prescrito.
  • Orientar sobre sinais que indicam retorno ao pronto-socorro: hematoquezia volumosa, tontura, síncope, dor torácica ou dor abdominal persistente.
  • Orientar pacientes pós-polipectomia que o sangramento tardio pode ocorrer 1–2 semanas após o procedimento; fornecer número de contato disponível 24 horas conforme protocolo institucional.
  • Orientar sobre cuidados perianais e com hemorroidas: banhos de assento, fibras, amolecedores de fezes e evitar esforço evacuatório.
  • Revisar a lista de reconciliação medicamentosa, especialmente as instruções de retomada de anticoagulante ou antiagregante conforme direção médica.
  • Confirmar data e local das consultas de seguimento com Colonoscopia, Gastroenterologia e Atenção Primária antes da alta.
  • Coordenar encaminhamentos para Gastroenterologia, Cirurgia Colorretal ou Nutrição conforme indicado pela etiologia e prescrição médica.
  • Documentar a conclusão do teach-back no prontuário e comunicar lacunas remanescentes à equipe ambulatorial.

Resultado esperado: O paciente verbaliza a causa mais provável do seu SGIB e a investigação planejada em linguagem acessível; o paciente descreve o preparo intestinal prescrito (geralmente 4–6 L de PEG ao longo de 4–6 h conforme protocolo institucional); o paciente verbaliza a meta de fibra alimentar (geralmente 25–35 g/dia) e ingestão hídrica adequada quando não houver contraindicação.

Fisiopatologia

O sangramento gastrointestinal inferior (SGIB) é a hemorragia originada distalmente ao ligamento de Treitz (intestino delgado, cólon, reto ou ânus) e tipicamente se apresenta como hematoquezia (sangue vivo por via retal, SVVR), embora um sangramento digestivo alto volumoso com trânsito rápido possa ocasionalmente mimetizar o SGIB. A diverticulose é a etiologia mais comum (~30%): sangramento indolor, frequentemente volumoso, no cólon sigmoide, em pacientes com idade > 50 anos. A angiodisplasia (MAVs, ~15%) está associada ao envelhecimento, à LRA e à DRC. As hemorroidas são causa comum de SVVR indolor leve (internas/externas). A colite (isquêmica, infecciosa, DII como RCU ou Crohn) tipicamente se apresenta com dor associada ao sangramento. A neoplasia colorretal deve ser considerada em pacientes > 50 anos com anemia ferropriva e sangramento oculto. Outras etiologias: fissura anal (SVVR doloroso), sangramento pós-polipectomia (geralmente tardio, 1–2 semanas), proctite rádica e divertículo de Meckel (pediátrico/adulto jovem, indolor, SVVR escuro). A classificação de estabilidade hemodinâmica e o escore de Oakland (Oakland 2017; referendado pela ACG 2023) auxiliam na decisão de manejo ambulatorial versus internação; a angiotomografia computadorizada é comumente o exame de imagem de primeira linha para sangramento ativo conforme protocolo institucional, enquanto a cintilografia com hemácias marcadas é mais lenta, porém mais sensível. A diretriz ACG 2023 recomenda a colonoscopia não urgente (24–96 h após ressuscitação) para a maioria dos pacientes estáveis com SGIB; a colonoscopia urgente (< 24 h) não demonstrou melhora de desfechos no ECR de Niikura 2018 (conforme diretrizes ACG 2016 e 2023 para SGIB). O momento dos exames de imagem e da endoscopia é determinado pela equipe médica conforme protocolo institucional.

Referência Rápida

  • Escore de Oakland: ≤ 8 pode apoiar manejo ambulatorial
  • Angiotomografia: Detecta sangramento de ~0,5 mL/min (geralmente de primeira linha)
  • Cintilografia com hemácias marcadas: Detecta ~0,1 mL/min (mais sensível, mais lenta)
  • Momento da colonoscopia: 24–96 h após estabilização (não urgente, ACG 2023)
  • Sucesso endoscópico: > 90% de hemostasia inicial quando estigmas são identificados

Exames Laboratoriais Comuns

Exame Valor de referência Significado no Sangramento Digestivo Baixo
Hemograma completo (Hgb seriada) Hgb 12–17 g/dL Monitorar conforme prescrição médica durante sangramento ativo; queda > 2 g/dL pode indicar perda contínua. O enfermeiro notifica valores fora dos parâmetros prescritos.
Tipagem sanguínea e prova cruzada ABO/Rh + pesquisa de anticorpos irregulares Coletar na admissão conforme prescrição médica. Coordenar disponibilidade de concentrados de hemácias conforme protocolo institucional. A ativação do protocolo de transfusão maciça é decisão da equipe médica conforme critérios institucionais.
TP / INR INR 0,8–1,2 Elevado em uso de varfarina/ACOD ou disfunção hepática. Os limiares e a escolha do agente de reversão são decisões da equipe médica conforme protocolo institucional; o enfermeiro administra conforme prescrito.
TTPa 25–35 s Elevado em uso de heparina. A reversão com protamina é prescrita pela equipe médica conforme protocolo institucional.
Plaquetas 150–400 × 109/L Os limiares de transfusão (geralmente < 50 com sangramento ativo ou < 30 como valor basal) são decisões da equipe médica conforme protocolo institucional.
Ureia / Creatinina 7–20 / 0,6–1,2 mg/dL Ao contrário do SGIS, o SGIB não eleva de forma previsível a relação ureia:creatinina. A função renal basal subsidia as decisões sobre contraste em imagem e medicamentos pela equipe médica.
Lactato < 2 mmol/L Valores elevados podem refletir hipoperfusão. O enfermeiro monitora o lactato durante a ressuscitação e reporta os achados para subsidiar discussões de escalonamento com a equipe médica.
CEA < 3 ng/mL (não fumante) Solicitado pelo médico quando há suspeita de neoplasia colorretal. O enfermeiro não solicita marcadores tumorais de forma independente.
Coprocultura e parasitológico C. difficile, calprotectina, PSOF Investigação de etiologia infecciosa/DII quando prescrito pelo médico. O PSOF/FIT é um teste de rastreamento e tem valor limitado na hematoquezia franca.
TGO/TGP/Eletrólitos ALT/AST/Alb, Na/K/Cl/CO2 Avaliação basal da síntese hepática e dos eletrólitos; a reposição de K+/Mg2+ antes de procedimentos é decisão da equipe médica conforme protocolo institucional.

Medicamentos Comuns

Classe Exemplos Mecanismo de ação Principais efeitos adversos Considerações de enfermagem
Cristaloide IV Solução fisiológica (SF 0,9%), Ringer lactato (RL) Expansão volêmica para suporte do volume intravascular e da perfusão. Hipervolemia, coagulopatia dilucional, acidose hiperclorêmica com grandes volumes de NaCl. Administrar conforme prescrito. Dois acessos venosos periféricos de grosso calibre (16–18 G) são geralmente instalados no sangramento ativo. O enfermeiro monitora PAM, débito urinário, ausculta pulmonar e tendência do lactato após cada bolus prescrito e escala achados pulmonares deteriorados conforme protocolo institucional.
Transfusão de concentrado de hemácias Concentrado de hemácias (CH) Suporte à capacidade de transporte de oxigênio. A estratégia transfusional restritiva (Hgb 7–8 g/dL) é geralmente preferida em pacientes estáveis conforme evidências atuais; o limiar é uma decisão da equipe médica. Reação transfusional, TRALI, TACO, toxicidade por citrato em transfusão maciça. Administrar conforme prescrito por direção médica e política transfusional institucional. Verificar dupla checagem de enfermagem conforme protocolo institucional. Sinais vitais basais e depois conforme protocolo institucional (geralmente a cada 15 min por 1 h). Monitorar reações febris, alérgicas e hemolíticas; escalar conforme protocolo.
PFC + Plaquetas Plasma fresco congelado, concentrado de plaquetas Reposição de fatores de coagulação e plaquetas no sangramento ativo coagulopático. Hipervolemia, TRALI, reação alérgica, aloimunização. Administrar conforme prescrito. Os limiares de transfusão (geralmente INR > 1,5 com sangramento ativo ou plaquetas < 50 × 109/L) são decisões da equipe médica conforme protocolo institucional. O enfermeiro verifica o hemocomponente, monitora reações e escala conforme protocolo.
Suspensão de antiagregante/anticoagulante Ácido acetilsalicílico, clopidogrel, varfarina, ACODs Reduz o fator farmacológico do sangramento; o risco trombótico (DAPT pós-stent, valva mecânica) é ponderado em relação ao risco hemorrágico pela equipe médica. Trombose de stent, acidente vascular cerebral, trombose valvar quando suspenso inadequadamente. Suspender conforme prescrição médica. As decisões são geralmente individualizadas com parecer de cardiologia ou hematologia conforme protocolo institucional. O enfermeiro documenta a justificativa da suspensão no prontuário, reavalia diariamente para retomada prescrita e esclarece prescrições dúbias com a equipe médica.
Agentes de reversão Vitamina K, CPP de 4 fatores, andexanete alfa, idarucizumabe Reverte varfarina (vitamina K + CPP), inibidores do fator Xa (andexanete) ou dabigatrana (idarucizumabe) conforme indicação específica de cada agente. Tromboembolismo (CPP, andexanete), anafilaxia, sobrecarga volêmica. Administrar conforme prescrito por direção médica, orientação farmacêutica e protocolo institucional. Verificar se o agente corresponde ao anticoagulante causador antes da administração. Monitorar ressangramento e eventos tromboembólicos; recoletar INR ou anti-Xa pós-dose conforme prescrição médica.
Suplementação de ferro Sulfato ferroso VO, sacarato de hidróxido de ferro IV Reposição dos estoques de ferro no SGIB crônico / anemia ferropriva (geralmente em manejo ambulatorial). Desconforto gastrointestinal, constipação, fezes escuras (VO); reação infusional (IV). Administrar conforme prescrito. O enfermeiro orienta que o ferro VO é geralmente tomado em jejum com vitamina C quando tolerado, e que fezes escuras são esperadas e podem mascarar o PSOF.
Tratamento etiológico local Ligadura elástica, escleroterapia, nitratos tópicos/BCC para fissura Atua diretamente na fonte do sangramento: ligadura ou esclerose para hemorroidas; relaxamento esfincteriano para fissuras. Dor, ulceração, infecção, estenose anal por ligadura excessiva. As terapias procedimentais são realizadas pela equipe médica. O enfermeiro oferece suporte com banhos de assento, amolecedores de fezes conforme prescrito e orientação sobre dieta rica em fibras; avalia a dor conforme protocolo institucional.
Embolização seletiva por RI / vasopressina intra-arterial Embolização com microespirais ou gelfoam (geralmente preferida); vasopressina intra-arterial (terapia de resgate, raramente utilizada) Oclusão seletiva do vaso sangrante em fonte localizada angiograficamente. Isquemia ou infarto intestinal, nefropatia por contraste, complicações no sítio de acesso. A coordenação com radiologia intervencionista é uma decisão da equipe médica conforme protocolo institucional. O enfermeiro monitora surgimento de nova dor abdominal pós-procedimento, acompanha a evolução do lactato e avalia o sítio de acesso conforme protocolo institucional (geralmente a cada 1 h por 4 h e depois a cada 4 h).

Referências

  • Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
  • Sengupta, N., Feuerstein, J. D., Jairath, V., Shergill, A. K., Strate, L. L., Wong, R. J., & Wan, D. (2023). 2023 ACG Clinical Guideline: Diagnosis and Management of Acute Lower Gastrointestinal Bleeding. American Journal of Gastroenterology, 118(2), 208–231.
  • Strate, L. L., & Gralnek, I. M. (2016). ACG Clinical Guideline: Management of Patients with Acute Lower Gastrointestinal Bleeding. American Journal of Gastroenterology, 111(4), 459–474.
  • Niikura, R., Nagata, N., Yamada, A., Honda, T., Hasatani, K., Ishii, N., et al. (2018). Efficacy and Safety of Early vs Elective Colonoscopy for Acute Lower Gastrointestinal Bleeding. Gastroenterology, 158(1), 168–175.
  • Oakland, K., Jairath, V., Uberoi, R., Guy, R., Ayaru, L., Mortensen, N., Murphy, M. F., & Collins, G. S. (2017). Derivation and validation of a novel risk score for safe discharge after acute lower gastrointestinal bleeding: a modelling study. The Lancet Gastroenterology & Hepatology, 2(9), 635–643.

Perguntas frequentes

What is the nursing care plan for Lower GI Bleed?

A Lower GI Bleed nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Lower Gastrointestinal Bleeding. Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.

What are the priority nursing diagnoses for Lower GI Bleed?

Priority diagnoses for Lower GI Bleed appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.

What is the priority nursing intervention for Lower GI Bleed?

Priority interventions for Lower GI Bleed are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.

What complications should the nurse monitor for in Lower GI Bleed?

Complications to monitor for in Lower GI Bleed are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.

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