Plano de Cuidados de Enfermagem para Anemia
Anemia

Plano de Cuidados de Enfermagem para Anemia

Plano de cuidados de enfermagem para anemia: oxigenação, tolerância à atividade, manejo de transfusão e PDF imprimível.

Plano de Cuidados de Enfermagem

Diagnóstico de Enfermagem 1: Intolerância à Atividade

Intolerância à Atividade relacionada à Anemia: Hgb < 13 g/dL em homens, < 12 g/dL em mulheres, < 11 g/dL na gestação (OMS); capacidade reduzida de transporte de oxigênio evidenciada por Desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio secundário à Hgb baixa; Dispneia aos esforços com deambulação < 15 metros; Fadiga e fraqueza relatadas pelo paciente; Elevação da FC > 20 bpm em relação ao basal com esforço mínimo; Queda da SpO2 > 4% com a atividade.

Intervenções

  • Monitorar sinais vitais (FC, PA, FR, SpO2) antes, durante e após a atividade conforme protocolo institucional.
  • Aferir sinais vitais ortostáticos (deitado, sentado, em pé) antes da primeira deambulação de cada turno quando prescrito ou conforme protocolo institucional.
  • Avaliar dispneia e fadiga relatadas pelo paciente em escala de 0 a 10 antes e após a atividade.
  • Observar sinais de superesforço: palidez, diaforese, dor torácica, palpitações ou síncope.
  • Acompanhar tendência de Hgb, Hct e contagem de reticulócitos conforme prescrição médica.
  • Auxiliar nas AVDs conforme necessário; agrupar os cuidados para permitir períodos de repouso ininterrupto.
  • Articular com a fisioterapia um plano de mobilização progressiva conforme prescrição médica e protocolo institucional.
  • Interromper a atividade e reavaliar diante de queda da PAS > 20 mmHg, elevação da FC > 20% acima do repouso, SpO2 < 92%, nova dor torácica ou nova dispneia; escalar conforme protocolo institucional.
  • Administrar oxigênio suplementar conforme prescrito quando a SpO2 cair abaixo dos parâmetros prescritos durante a atividade.
  • Manter campainha de chamada, água e itens de uso frequente ao alcance do paciente.
  • Orientar sobre técnicas de conservação de energia: escalonar atividades, priorizar tarefas, realizar atividades sentado sempre que possível.
  • Ensinar o paciente a reconhecer seu limiar de dispneia e pausar para descanso antes de atingi-lo.
  • Reforçar que o repouso prolongado no leito pode acelerar o descondicionamento físico; incentivar atividade de baixa intensidade e contínua dentro dos parâmetros prescritos.
  • Ensinar sinais que requerem acionamento do SAMU/emergência: dor torácica, síncope, dispneia grave de início súbito, confusão mental ou palpitações.
  • Notificar o médico em caso de queda da Hgb, nova dor torácica, síncope ou taquicardia persistente em repouso.
  • Articular avaliação cardiológica conforme prescrição médica se os sintomas persistirem após a correção da Hgb.

Resultado esperado: O paciente deambula dentro dos parâmetros de atividade prescritos sem dispneia significativa; a FC retorna ao basal em intervalo razoável após a atividade, conforme protocolo institucional; a SpO2 permanece dentro dos parâmetros prescritos durante a deambulação.

Diagnóstico de Enfermagem 2: Fadiga

Fadiga relacionada à Anemia: Hgb < 13 g/dL em homens, < 12 g/dL em mulheres, < 11 g/dL na gestação (OMS); capacidade reduzida de transporte de oxigênio evidenciada por Cansaço persistente relatado pelo paciente, não aliviado pelo repouso; Hgb < 10 g/dL; Redução da participação nas AVDs; Distúrbio do sono (qualidade de sono ruim, sonolência diurna); Relatos verbais de sentir-se ‘sem energia’ após atividade mínima.

Intervenções

  • Avaliar a intensidade da fadiga em escala de 0 a 10 no início de cada turno e quando necessário.
  • Identificar fatores contribuintes: dor, sono inadequado, depressão, efeitos adversos de medicamentos, sangramento contínuo.
  • Avaliar qualidade e duração do sono diariamente; identificar fatores ambientais ou sintomáticos que o perturbam.
  • Revisar o histórico alimentar quanto à ingestão de alimentos ricos em ferro, B12 e folato quando pertinente à causa.
  • Monitorar tendência de exames laboratoriais (Hgb, Hct, contagem de reticulócitos, perfil do ferro, B12, folato) conforme prescrição médica.
  • Agrupar os cuidados de enfermagem para permitir blocos de repouso ininterrupto quando o estado clínico permitir.
  • Administrar ferro oral, B12, folato, AEE ou hemocomponentes conforme prescrição médica, orientações da farmácia e protocolo institucional.
  • Articular consulta com nutricionista conforme prescrição médica ou protocolo institucional.
  • Minimizar estímulos noturnos desnecessários (luzes acesas, conversas em voz alta, alarmes desnecessários) conforme protocolo institucional.
  • Orientar sobre alimentos ricos em ferro (p. ex., carne vermelha magra, vísceras, feijão, lentilha, vegetais folhosos verde-escuros, cereais fortificados) conforme preferência alimentar e restrições indicadas pelo médico.
  • Orientar a associar alimentos ricos em ferro a uma fonte de vitamina C (p. ex., frutas cítricas, pimentão, morango, tomate) quando compatível com a dieta do paciente.
  • Orientar a separar a ingestão de ferro de chá, café, leite e alimentos ricos em cálcio no intervalo compatível com a prescrição médica.
  • Orientar sobre fontes de B12 (p. ex., carnes, peixes, ovos, laticínios, alimentos fortificados) e fontes de folato (p. ex., vegetais folhosos, leguminosas, grãos fortificados) conforme padrão alimentar.
  • Orientar sobre conservação de energia: escalonamento de atividades, priorização de tarefas, repouso antes que a fadiga atinja o pico, delegação de tarefas não essenciais.
  • Notificar o médico em caso de fadiga progressiva apesar da terapia prescrita, novos sintomas neurológicos (p. ex., parestesia, ataxia) ou sinais de sangramento.
  • Articular hemograma de controle no intervalo prescrito pela equipe médica.

Resultado esperado: O paciente relata diminuição da fadiga em escala de 0 a 10; O paciente participa das AVDs com assistência adequada; O paciente relata melhora da qualidade do sono.

Diagnóstico de Enfermagem 3: Risco de Sangramento

Risco de Sangramento relacionado à Anemia: Hgb < 13 g/dL em homens, < 12 g/dL em mulheres, < 11 g/dL na gestação (OMS); capacidade reduzida de transporte de oxigênio evidenciada por Fonte de sangramento ativo conhecida ou suspeita (TGI, TGU, cirúrgica, menstrual); Terapia anticoagulante ou antiplaquetária; Trombocitopenia (plaquetas < 100 K/µL); Coagulopatia (INR > 1,5, TTPA prolongado); Histórico de sangramento recorrente.

Intervenções

  • Avaliar sinais de sangramento evidente em cada turno: gengivas, narinas, sítios de acesso venoso, sítios cirúrgicos, fezes, urina, vômitos e fluxo menstrual.
  • Monitorar sinais vitais conforme protocolo institucional; aferir sinais vitais ortostáticos antes da primeira deambulação quando prescrito.
  • Inspecionar a pele em busca de petéquias, equimoses e hematomas; registrar qualquer hematoma novo ou em expansão.
  • Pesquisar sangue oculto em fezes e vômitos conforme protocolo institucional e prescrição médica.
  • Acompanhar Hgb e Hct no intervalo prescrito pela equipe médica quando houver suspeita de sangramento ativo.
  • Monitorar TP/INR, TTPA, contagem de plaquetas e fibrinogênio conforme prescrição médica.
  • Implementar precauções para sangramento conforme protocolo institucional: escova dental macia, aparelho de barbear elétrico, evitar temperatura retal ou supositórios quando viável e minimizar injeções IM.
  • Aplicar pressão manual prolongada nos sítios de punção venosa e injeção conforme protocolo institucional.
  • Suspender anticoagulantes e antiplaquetários somente quando prescrito; documentar a suspensão e a justificativa do médico.
  • Manter acesso venoso de grosso calibre quando prescrito para possível reposição volêmica ou de hemocomponentes.
  • Articular com o banco de sangue para tipagem e pesquisa de anticorpos irregulares ou prova cruzada conforme prescrição médica; preparar hemocomponentes conforme protocolo institucional.
  • Administrar os agentes de reversão prescritos (p. ex., vitamina K, plasma fresco congelado, concentrado de complexo protrombínico, plaquetas) conforme prescrição médica, orientações da farmácia e protocolo institucional.
  • Orientar o paciente e a família sobre precauções para sangramento: evitar AINEs e AAS sem prescrição, usar escova dental macia e evitar esportes de contato.
  • Orientar sobre quando buscar atendimento de emergência: vômito com sangue ou material em borra de café, fezes pretas ou com sangue, fluxo menstrual intenso com saturação rápida de absorventes, cefaleia intensa ou síncope.
  • Notificar imediatamente o médico em caso de queda da PAS, taquicardia sustentada, queda da Hgb ou qualquer novo sangramento evidente.
  • Articular consulta com gastroenterologia, urologia ou cirurgia conforme prescrição médica, de acordo com a fonte suspeita de sangramento.

Resultado esperado: Nenhum sangramento novo ou em agravamento identificado durante o turno; Hgb e Hct estáveis ou em elevação nos exames seriados; Sinais vitais monitorados e comunicados dentro dos parâmetros prescritos.

Diagnóstico de Enfermagem 4: Risco de Déficit Nutricional

Risco de Déficit Nutricional relacionado à Anemia: Hgb < 13 g/dL em homens, < 12 g/dL em mulheres, < 11 g/dL na gestação (OMS); capacidade reduzida de transporte de oxigênio evidenciada por Ingestão de ferro, B12 ou folato abaixo da necessidade diária recomendada; Dieta restritiva (vegana, vegetariana sem suplementação); Má absorção (doença celíaca, DII, bypass gástrico, gastrite atrófica); Aumento da demanda (gestação, lactação, crescimento); Uso crônico de álcool.

Intervenções

  • Obter recordatório alimentar de 24 horas e histórico alimentar típico da semana.
  • Avaliar fatores de risco nutricionais: dieta vegetariana ou vegana, bypass gástrico, doença celíaca ou DII, uso de álcool, idade > 65 anos, gestação.
  • Rastrear insegurança alimentar por meio de instrumento padronizado conforme protocolo institucional.
  • Monitorar peso, IMC e tendência de albumina/pré-albumina quando disponíveis.
  • Acompanhar exames seriados de perfil do ferro, B12, folato e contagem de reticulócitos conforme prescrição médica.
  • Administrar ferro oral ou parenteral, B12 e folato conforme prescrição médica, orientações da farmácia e protocolo institucional.
  • Apoiar o horário de administração do ferro oral conforme prescrição médica (comumente 1 hora antes ou 2 horas após as refeições, associado a uma fonte de vitamina C quando prescrito).
  • Articular consulta com nutricionista conforme prescrição médica ou protocolo institucional.
  • Articular encaminhamento a programas de assistência alimentar (p. ex., CRAS, banco de alimentos, programas sociais) quando identificada insegurança alimentar, conforme fluxo do serviço social institucional.
  • Orientar sobre alimentos ricos em ferro adequados à dieta do paciente (p. ex., carne vermelha magra, fígado, frango, peixe, feijão, lentilha, tofu, cereais fortificados, espinafre, sementes de abóbora).
  • Orientar a associar ferro não heme a uma fonte de vitamina C (p. ex., pimentão, frutas cítricas, morango, tomate, brócolis) quando compatível com a dieta do paciente.
  • Orientar a separar o ferro oral de café, chá, leite, suplementos de cálcio e antiácidos no intervalo compatível com a prescrição médica.
  • Orientar sobre fontes de B12 (p. ex., produtos de origem animal, leites vegetais fortificados, levedura nutricional) e fontes de folato (p. ex., vegetais folhosos, leguminosas, grãos fortificados, frutas cítricas) adequados à dieta do paciente.
  • Orientar sobre os efeitos adversos comuns do ferro oral e estratégias de autogerenciamento (p. ex., constipação, fezes escuras, distúrbios gastrointestinais).
  • Reforçar que a melhora dos exames laboratoriais pode ser gradual (reticulócitos comumente se elevam em 7 a 10 dias, Hgb em 2 a 4 semanas, ferritina ao longo de meses).
  • Notificar o médico em caso de resposta limitada ao ferro oral após 4 semanas de terapia ou de novos sintomas neurológicos que possam sugerir deficiência de B12.
  • Articular hemograma de controle, ferritina, B12 e folato no intervalo prescrito pela equipe médica.

Resultado esperado: O paciente verbaliza alimentos ricos em ferro e fontes de B12/folato adequados à sua dieta antes da alta; O paciente demonstra o horário correto de administração do ferro oral com uma fonte de vitamina C e a separação de cálcio/chá/café quando compatível com a prescrição médica; Hgb, ferritina, B12 e folato são monitorados e acompanhados nos exames de seguimento conforme prescrição médica.

Diagnóstico de Enfermagem 5: Risco de Queda

Risco de Queda relacionado à Anemia: Hgb < 13 g/dL em homens, < 12 g/dL em mulheres, < 11 g/dL na gestação (OMS); capacidade reduzida de transporte de oxigênio evidenciada por Hipotensão ortostática secundária à anemia e ao estado volêmico; Fadiga e fraqueza generalizada; Taquicardia e redução do aporte de oxigênio ao encéfalo; Idade > 65 anos; Polifarmácia (sedativos, anti-hipertensivos, diuréticos).

Intervenções

  • Realizar avaliação de risco de queda (p. ex., escala de Morse ou equivalente) na admissão e nos intervalos conforme protocolo institucional.
  • Aferir sinais vitais ortostáticos antes da primeira deambulação de cada turno quando prescrito ou conforme protocolo institucional.
  • Avaliar marcha, equilíbrio e força dos membros inferiores.
  • Revisar a lista de medicamentos em busca de fármacos que aumentam o risco de queda (p. ex., sedativos, anti-hipertensivos, diuréticos, opioides).
  • Implementar o pacote de prevenção de quedas institucional: leito em posição baixa, travas acionadas, campainha ao alcance, meias antiderrapantes, iluminação adequada.
  • Fixar identificador de alto risco de queda (p. ex., pulseira, sinalização) conforme política institucional.
  • Implementar micção programada (p. ex., a cada 2 horas) para pacientes com urgência urinária, conforme protocolo institucional.
  • Oferecer assistência em stand-by ou supervisão de contato nas transferências e na deambulação até que a tolerância à atividade seja estabelecida, conforme protocolo institucional.
  • Orientar o paciente a sentar na borda da cama por um intervalo (comumente pelo menos 1 minuto) antes de se levantar, conforme protocolo institucional.
  • Orientar o paciente a acionar a campainha antes de sair do leito, inclusive para ir ao banheiro.
  • Orientar estratégias domiciliares de prevenção de quedas: remover tapetes soltos, instalar barras de apoio quando viável, usar luz noturna, manter corredores livres.
  • Orientar a família sobre técnicas seguras de transferência e supervisão.
  • Notificar o médico em caso de qualquer queda (testemunhada ou não); realizar avaliação pós-queda e registrar ocorrência conforme protocolo institucional.
  • Articular consulta com fisioterapia/terapia ocupacional conforme prescrição médica para avaliação de marcha, equilíbrio e segurança domiciliar.

Resultado esperado: Nenhuma queda durante a internação; O paciente aciona a campainha antes de sair do leito; O paciente demonstra técnica segura de mudança de posição (p. ex., sentar na borda antes de se levantar).

Diagnóstico de Enfermagem 6: Déficit de Conhecimento

Déficit de Conhecimento relacionado à Anemia: Hgb < 13 g/dL em homens, < 12 g/dL em mulheres, < 11 g/dL na gestação (OMS); capacidade reduzida de transporte de oxigênio evidenciada por Diagnóstico recente de anemia ou novo plano de manejo de anemia crônica; Desconhecimento sobre reposição de ferro, B12 ou folato e cronograma esperado de resposta; Ensino prévio limitado sobre transfusão ou terapia com AEE; Barreiras linguísticas, de letramento ou culturais aos materiais educativos padrão; Solicitação de informações adicionais pelo paciente ou família.

Intervenções

  • Avaliar a compreensão atual do paciente sobre sua anemia, incluindo o entendimento sobre a causa e o plano terapêutico.
  • Avaliar idioma preferido, nível de letramento e estilo de aprendizagem.
  • Avaliar aspectos culturais, religiosos e alimentares que possam influenciar o plano de ensino.
  • Identificar potenciais barreiras ao aprendizado: dor, fadiga, ansiedade, comprometimento cognitivo, déficits sensoriais.
  • Utilizar a técnica de teach-back para confirmar a compreensão de cada ponto principal do ensino.
  • Fornecer materiais educativos escritos, ilustrados ou em vídeo em nível de leitura adequado, no idioma preferido do paciente, conforme recursos institucionais disponíveis.
  • Articular serviços de interpretação conforme protocolo institucional para pacientes com proficiência limitada no idioma.
  • Reforçar o ensino a cada interação, em pequenos segmentos adaptados ao estado de energia do paciente.
  • Orientar o paciente sobre seu tipo específico de anemia em linguagem acessível, utilizando a causa e o plano informados pela equipe médica.
  • Ensinar o papel, o efeito esperado e os efeitos adversos comuns de cada terapia prescrita (p. ex., ferro oral, ferro IV, B12, folato, AEE, transfusão), em articulação com a equipe médica e a farmácia.
  • Reforçar cronogramas realistas de melhora (reticulócitos comumente se elevam em 7 a 10 dias, Hgb em 2 a 4 semanas e os estoques de ferro ao longo de meses).
  • Orientar sobre quando ligar para a clínica vs. quando buscar atendimento de emergência: fezes pretas ou com sangue, vômito com sangue, sangramento intenso, dor torácica, síncope, dispneia grave de início súbito.
  • Reforçar a importância dos exames laboratoriais de controle e das consultas de acompanhamento conforme o plano da equipe médica.
  • Notificar o médico quando o paciente ou a família verbalizar um equívoco significativo ou uma barreira que o enfermeiro não consiga resolver à beira do leito.
  • Articular encaminhamentos para educação em diabetes, nutricionista, farmacêutico ou programas de gerenciamento de doenças crônicas quando prescritos ou disponíveis conforme protocolo institucional.

Resultado esperado: O paciente e a família verbalizam a causa da anemia com suas próprias palavras; O paciente verbaliza o papel de qualquer terapia prescrita (p. ex., ferro oral, ferro IV, B12, folato, AEE, transfusão) conforme ensino médico; O paciente verbaliza os sinais que devem motivar contato com a clínica ou busca de atendimento de emergência.

Fisiopatologia

A anemia é uma redução na massa circulante de eritrócitos que diminui a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. Três mecanismos a determinam. Diminuição da produção: deficiência de ferro, B12 ou folato; falência da medula óssea (aplástica, infiltrativa, SMD); doença renal crônica com baixa eritropoietina (EPO); e anemia de doença crônica. Aumento da destruição (hemólise): anemia falciforme, talassemia, anemia hemolítica autoimune, deficiência de G6PD e fragmentação mecânica. Perda sanguínea: trauma agudo, sangramento gastrointestinal, perda menstrual ou hemorragia cirúrgica. O VCM classifica morfologicamente a anemia: microcítica (< 80), incluindo deficiência de ferro, talassemia, anemia de doença crônica tardia e padrões sideroblásticos; normocítica (80 a 100), incluindo perda sanguínea aguda, anemia de doença crônica precoce, DRC e hemólise; macrocítica (> 100), incluindo deficiência de B12/folato, hipotireoidismo, doença hepática, SMD e padrões induzidos por medicamentos. A hipóxia tecidual pode desencadear taquicardia compensatória, taquipneia e vasoconstrição periférica; a anemia crônica sustentada pode causar insuficiência cardíaca de alto débito. A anemia aguda é tolerada muito pior do que a anemia crônica de instalação gradual. A investigação e os limiares para transfusão seguem as diretrizes da ASH e as recomendações de transfusão AABB 2023; os limiares específicos e as decisões de reposição são definidos pela equipe médica assistente e pelo protocolo institucional.

Referência Rápida

  • Limiar para transfusão (AABB 2023): Hgb < 7 paciente estável sem sangramento; < 8 cardiopata/sintomático
  • Ferritina (deficiência de ferro): < 30 ng/mL diagnóstico; < 100 na presença de inflamação
  • Reticulócitos %: > 2% pode indicar resposta medular adequada; < 2% pode sugerir falência de produção
  • Classificação pelo VCM: < 80 microcítica · 80 a 100 normocítica · > 100 macrocítica
  • Aguda vs. crônica: Hgb 7 crônica pode ser assintomática; queda aguda pode ser perigosa

Exames Laboratoriais Comuns

Exame Valores de referência Significado na Anemia
Hemograma com Hgb e Hct Hgb ≥ 13 (M) / 12 (F) g/dL Define a anemia; a gravidade auxilia a equipe médica a ponderar as indicações de transfusão conforme AABB 2023 e protocolo institucional.
VCM / HCM / CHCM / RDW VCM 80 a 100 fL Auxilia na classificação dos padrões micro/normo/macrocíticos; RDW elevado pode sugerir deficiência mista. O enfermeiro registra a tendência e sinaliza valores fora do intervalo de referência.
Contagem de reticulócitos (corrigida) 0,5 a 2,5% (corrigido para o Hct) > 2% pode indicar resposta medular adequada; < 2% pode sugerir problema de produção. O enfermeiro acompanha os valores seriados.
Perfil do ferro (ferritina, CTLF, Fe sérico, saturação de transferrina) Ferritina > 30 ng/mL Ferritina < 30 pode indicar deficiência de ferro; CTLF elevada com saturação de transferrina em queda auxilia na confirmação. A via e o alvo de reposição são definidos pela equipe médica.
Vitamina B12 + AMM B12 > 200 pg/mL B12 baixa com AMM elevado pode indicar deficiência. A via de reposição (IM vs. oral em alta dose) é definida pela equipe médica.
Folato (folato eritrocitário preferencial) > 4 ng/mL Deve ser verificado concomitantemente à B12; a reposição de folato sem avaliação de B12 pode mascarar déficits neurológicos relacionados à deficiência de B12.
Painel de hemólise (LDH, bilirrubina indireta, haptoglobina, Coombs) Haptoglobina 30 a 200 mg/dL LDH elevado, bilirrubina indireta elevada e haptoglobina baixa, em conjunto, podem indicar hemólise. O enfermeiro comunica o padrão à equipe médica.
Esfregaço de sangue periférico Morfologia eritrocitária normal Esquistócitos, células falciformes, esferócitos ou neutrófilos hipersegmentados podem auxiliar a equipe médica na identificação da etiologia.
Tipagem sanguínea e pesquisa de anticorpos irregulares / Prova cruzada Unidades compatíveis identificadas Solicitada na admissão por prescrição médica quando a transfusão pode ser necessária; a janela da prova cruzada segue a política do banco de sangue institucional.
Ureia / Creatinina 7 a 20 / 0,6 a 1,2 mg/dL Auxilia a equipe médica a considerar a DRC como fator contribuinte para a baixa produção de EPO e orienta as decisões sobre AEE conforme protocolo institucional.

Medicamentos Comuns

Classe Exemplos Mecanismo de ação Principais efeitos adversos Considerações de enfermagem
Ferro oral Sulfato ferroso 325 mg (≈ 65 mg de ferro elementar), gluconato ferroso, fumarato ferroso Repõe os estoques de ferro. Conforme Stoffel 2017 e Camaschella 2019, a administração em dias alternados de ferro elementar (comumente 60 a 120 mg em dias alternados) pode melhorar a absorção fracionada e reduzir os efeitos adversos gastrointestinais em comparação com a dose diária. Constipação, fezes escuras, náusea, dor abdominal, gosto metálico. Administrar conforme prescrito, seguindo a prescrição médica, as orientações da farmácia e o protocolo institucional. A dose, a via, a frequência e a duração são definidas pela equipe médica; o enfermeiro geralmente apoia a administração 1 hora antes ou 2 horas após as refeições, associa a uma fonte de vitamina C quando prescrito e separa de chá, café, cálcio e antiácidos no horário da dose. Monitorar adesão, tolerância gastrointestinal e resposta da Hgb/reticulócitos.
Ferro intravenoso Sacarato de ferro, carboximaltose férrica, gluconato férrico Repõe o ferro quando a terapia oral não é apropriada ou não é tolerada. Geralmente considerado pela equipe médica em casos de má absorção, DRC, DII, pós-cirurgia bariátrica, intolerância ao ferro oral ou deficiência de ferro com insuficiência cardíaca (FAIR-HF, AFFIRM-AHF). Hipotensão, anafilaxia (rara), hipofosfatemia (notadamente com carboximaltose férrica), reação no local da injeção. Administrar conforme prescrito, seguindo a prescrição médica, as orientações da farmácia e o protocolo institucional. O enfermeiro verifica a permeabilidade do acesso venoso, monitora reações infusionais durante e após a administração conforme o período de observação prescrito e confirma a disponibilidade de medicamentos e equipamentos de emergência. Comunicar imediatamente nova hipotensão, urticária, dispneia ou aperto no peito e escalar conforme o protocolo institucional.
Vitamina B12 Cianocobalamina (IM ou oral em alta dose) Repõe a B12 na anemia perniciosa, gastrectomia, doença ileal ou deficiência dietética. A via (IM vs. oral em alta dose) e a duração são definidas pela equipe médica com base na causa e na capacidade de absorção. Hipocalemia rara na primeira semana de reposição; desconforto no local da injeção. Administrar conforme prescrito, seguindo a prescrição médica, as orientações da farmácia e o protocolo institucional. Monitorar potássio durante a reposição inicial, reforçar que a terapia é geralmente de longa duração quando a anemia perniciosa é a causa e comunicar à equipe médica sintomas neurológicos novos ou em agravamento.
Folato (ácido fólico) Ácido fólico 1 a 5 mg VO ao dia Repõe os estoques de folato; o folato é necessário para a síntese de DNA na eritropoiese. A dose e a duração são definidas pela equipe médica. Geralmente bem tolerado. A reposição de folato sem avaliação de B12 pode corrigir a anemia deixando os déficits neurológicos relacionados à B12 sem tratamento. Administrar conforme prescrito, seguindo a prescrição médica. O enfermeiro apoia a avaliação do status de B12 antes do ensino independente sobre folato e reforça o acompanhamento concomitante de B12 quando indicado pela equipe médica.
Agente estimulador da eritropoiese (AEE) Epoetina alfa, darbepoetina alfa Estimula a produção de eritrócitos pelo receptor de EPO; comumente utilizado na anemia relacionada à DRC e na anemia induzida por quimioterapia conforme prescrição médica e protocolo institucional. Alerta de caixa preta: trombose, IAM, AVC e progressão tumoral; hipertensão; aplasia pura de série vermelha (rara). Administrar conforme prescrito, seguindo a prescrição médica, as orientações da farmácia e o protocolo institucional. A meta de Hgb (comumente na faixa de 10 a 11 g/dL, e não a normalização) é definida pela equipe médica. O enfermeiro monitora a pressão arterial, apoia a avaliação dos estoques de ferro antes e durante a terapia conforme prescrição e comunica nova hipertensão, sintomas tromboembólicos ou Hgb acima dos parâmetros prescritos.
Hidroxiureia Hidroxiureia (dose definida pelo médico, comumente 15 a 35 mg/kg/dia VO) Pode aumentar a hemoglobina fetal (HbF) na doença falciforme, podendo reduzir crises álgicas e episódios de síndrome torácica aguda. A dose, a titulação e o calendário de monitoramento são definidos pela equipe médica. Mielossupressão (neutropenia, trombocitopenia), distúrbios gastrointestinais, teratogenicidade. Administrar conforme prescrito, seguindo a prescrição médica, as orientações da farmácia e o protocolo institucional. O enfermeiro apoia o monitoramento seriado do hemograma no intervalo prescrito (comumente a cada 2 semanas durante a titulação), reforça o ensino sobre contracepção conforme orientação médica e define expectativas realistas de que o efeito pleno pode levar vários meses.
Transfusão de CHAD Concentrado de hemácias adultas desleucocitado Pode corrigir a anemia sintomática em situações agudas. Uma unidade pode elevar a Hgb em aproximadamente 1 g/dL e o Hct em aproximadamente 3% em um adulto de estatura média. Reação febril não hemolítica, reação alérgica, TRALI, TACO, reação hemolítica aguda e (raramente) infecção transmitida por transfusão. Administrar conforme prescrito, seguindo a prescrição médica e o protocolo de transfusão institucional. Conforme AABB 2023, o limiar restritivo de Hgb < 7 g/dL é comumente utilizado em pacientes hospitalizados estáveis sem sangramento, e Hgb < 8 g/dL em pacientes cardiopatas ou sintomáticos; o limiar específico e a seleção do produto são decisões da equipe médica. O enfermeiro verifica a identificação com um segundo enfermeiro conforme política institucional, registra os sinais vitais basais, conduz os primeiros 15 minutos conforme o protocolo institucional, reavalia os sinais vitais nos intervalos definidos institucionalmente e interrompe a infusão e notifica o médico diante de qualquer sinal de reação transfusional.
Quelante de ferro Desferoxamina, deferasirox, deferiprona Liga o excesso de ferro na sobrecarga por transfusão-dependência (p. ex., talassemia, doença falciforme, SMD). A seleção e a dose são definidas pela equipe médica. Alterações auditivas ou visuais, toxicidade renal ou hepática, distúrbios gastrointestinais (notadamente com deferasirox). Administrar conforme prescrito, seguindo a prescrição médica, as orientações da farmácia e o protocolo institucional. O enfermeiro apoia o monitoramento audiológico e oftalmológico basal e seriado conforme prescrição, acompanha as tendências das enzimas hepáticas e da função renal e reforça que o paciente deve comunicar imediatamente quaisquer sintomas visuais, auditivos ou gastrointestinais novos.

Referências

  • Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
  • Carson, J. L., Stanworth, S. J., Guyatt, G., et al. (2023). Red Blood Cell Transfusion: 2023 AABB International Clinical Practice Guidelines. JAMA, 330(19), 1892–1902.
  • Camaschella, C. (2019). Iron Deficiency. Blood, 133(1), 30–39.
  • Stoffel, N. U., Cercamondi, C. I., Brittenham, G., et al. (2017). Iron absorption from oral iron supplements given on consecutive versus alternate days and as single morning doses versus twice-daily split dosing in iron-depleted women: two open-label, randomised controlled trials. The Lancet Haematology, 4(11), e524–e533.

Perguntas frequentes

What is the nursing care plan for Anemia?

A Anemia nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Anemia. Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.

What are the priority nursing diagnoses for Anemia?

Priority diagnoses for Anemia appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.

What is the priority nursing intervention for Anemia?

Priority interventions for Anemia are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.

What complications should the nurse monitor for in Anemia?

Complications to monitor for in Anemia are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.

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