Plano de Cuidados de Enfermagem para Exacerbação da DPOC
Plano de cuidados de enfermagem para exacerbação da DPOC com diagnósticos priorizados, desobstrução das vias aéreas, troca gasosa e PDF para impressão. Desenvolvido por enfermeiros para enfermeiros.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Limpeza Ineficaz das Vias Aéreas
Limpeza Ineficaz das Vias Aéreas relacionada à exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crônica (EADPOC) evidenciada por roncos difusos e sibilos expiratórios à ausculta; aumento do volume de escarro com aspecto purulento (amarelo-esverdeado); tosse fraca e ineficaz com depuração inadequada de secreções; relato de aperto torácico e dificuldade para expectorar; fase expiratória prolongada e uso de musculatura acessória.
Intervenções
- Auscultar os campos pulmonares em todos os segmentos em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional; documentar localização e qualidade dos sons adventícios.
- Avaliar frequência respiratória, amplitude, esforço e uso de musculatura acessória em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
- Registrar volume, cor, consistência e odor do escarro por turno e conforme protocolo institucional.
- Avaliar a eficácia da tosse; verificar se as secreções estão sendo mobilizadas.
- Monitorar SpO2 de forma contínua conforme protocolo institucional; acompanhar a tendência e não apenas valores isolados.
- Administrar broncodilatadores programados e PRN (SABA + SAMA via DuoNeb) conforme prescrição; reavaliar em 15–30 minutos conforme protocolo institucional.
- Posicionar o paciente em posição de Fowler alta ou em posição de trípode (sentado inclinado para frente, com os braços apoiados na mesa de cabeceira) quando tolerado.
- Estimular a ingestão hídrica oral (comumente 1,5–2 L/dia) conforme prescrição médica, salvo contraindicação por condição cardíaca ou renal.
- Orientar a técnica de tosse dirigida (huff cough) e disponibilizar lenços e coletor de escarro identificado à beira do leito.
- Coordenar com a fisioterapia respiratória a realização de fisioterapia torácica ou dispositivo de PEP oscilatório (por exemplo, Acapella) conforme prescrição médica e protocolo institucional.
- Ensinar a respiração com lábios franzidos: inspirar pelo nariz por 2 tempos, expirar pelos lábios franzidos por 4 tempos.
- Ensinar a técnica correta de uso do inalador e espaçador; solicitar que o paciente demonstre antes da alta.
- Orientar sobre cessação do tabagismo e oferecer recursos farmacológicos e comportamentais conforme protocolo institucional.
- Ensinar o paciente a reconhecer sinais precoces de exacerbação (cor e volume do escarro, aumento da dispneia) e o plano de ação conforme orientação médica.
- Notificar o médico em caso de febre nova, crepitações focais novas ou alteração para escarro intensamente purulento.
- Acionar a fisioterapia respiratória e a equipe médica diante de sibilos refratários, aumento da frequência respiratória ou queda da SpO2 apesar da broncodilatação otimizada, conforme protocolo institucional.
Resultado: O paciente expectora secreções efetivamente quando o estado clínico permite; os sons respiratórios são monitorados e a melhora é documentada nas auscultas seriadas; a frequência respiratória é monitorada e notificada dentro dos parâmetros prescritos.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Troca Gasosa Prejudicada
Troca Gasosa Prejudicada relacionada à exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crônica (EADPOC) evidenciada por SpO2 86% em ar ambiente; gasometria arterial: pH 7,31, PaCO2 62 mmHg, PaO2 56 mmHg, HCO3− 30 mEq/L; uso de musculatura acessória (esternocleidomastóideo, escalenos) em repouso; fase expiratória prolongada (relação I:E > 1:3); paciente relata dispneia em repouso, escala mMRC grau 4.
Intervenções
- Monitorar SpO2 de forma contínua conforme protocolo institucional; titular oxigênio dentro dos parâmetros prescritos (meta comum na DPOC: 88–92%).
- Coletar gasometria arterial na admissão e conforme prescrição; notificar pH < 7,35 ou PaCO2 em elevação em relação ao basal conforme prescrição médica.
- Avaliar o trabalho respiratório: frequência, amplitude, uso de musculatura acessória, movimento abdominal paradoxal e capacidade de falar em frases completas.
- Monitorar o estado mental em intervalos compatíveis com a gravidade clínica; documentar alterações no nível de consciência, orientação ou comportamento.
- Observar cianose (lábios, leitos ungueais), taquicardia, agitação e confusão.
- Administrar oxigênio via máscara de Venturi ou cateter nasal de baixo fluxo conforme prescrição para manter SpO2 dentro dos parâmetros prescritos; titular para baixo quando as leituras ultrapassarem o intervalo prescrito, conforme protocolo institucional.
- Posicionar o paciente em Fowler alta ou posição de trípode para favorecer a excursão diafragmática.
- Agrupar os cuidados de enfermagem e preservar períodos de repouso ininterruptos quando o estado clínico permitir.
- Coordenar com a fisioterapia respiratória e a equipe médica a avaliação para BiPAP/VNI conforme protocolo institucional quando pH < 7,35 com PaCO2 em elevação e o paciente estiver alerta o suficiente para proteger as vias aéreas.
- Administrar broncodilatadores programados e corticosteroides sistêmicos conforme prescrição; documentar a resposta a cada dose.
- Reforçar a respiração com lábios franzidos durante episódios de dispneia para prolongar a expiração e auxiliar na redução do aprisionamento de ar.
- Orientar o paciente e a família sobre a meta de SpO2 88–92% comumente utilizada na DPOC conforme prescrição médica e o motivo pelo qual valores mais altos não são necessariamente melhores.
- Ensinar o ritmo de atividades, conservação de energia e reconhecimento dos sinais de alerta de dispneia que indicam acionar o serviço de emergência ou seguir o plano de ação médico.
- Notificar o médico diante de nova sonolência sob oxigenoterapia, pH < 7,30 ou PaCO2 com elevação > 10 mmHg acima do basal.
- Coordenar transferência para UTI e prontidão para intubação conforme protocolo institucional caso a VNI não melhore a evolução após o período de prova prescrito ou o paciente não consiga proteger as vias aéreas.
Resultado: SpO2 monitorada dentro dos parâmetros prescritos com O2 prescrito (comumente 88–92% na DPOC conforme prescrição médica); os achados da gasometria arterial, incluindo tendência de pH e PaCO2, são monitorados e notificados conforme prescrição médica; a frequência respiratória é monitorada dentro dos parâmetros prescritos sem novo uso de musculatura acessória em repouso.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Padrão Respiratório Ineficaz
Padrão Respiratório Ineficaz relacionado à exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crônica (EADPOC) evidenciado por frequência respiratória de 28–34 incursões/min em repouso; uso dos músculos esternocleidomastóideo e escalenos; expiração prolongada com sibilo audível; adoção espontânea de respiração com lábios franzidos; ansiedade, inclinação anterior em posição de trípode.
Intervenções
- Mensurar a frequência respiratória por um minuto completo; observar amplitude, ritmo e simetria.
- Observar uso de musculatura acessória, tiragens intercostais e movimento abdominal paradoxal.
- Avaliar a dispneia por escala numérica de 0–10 ou escala mMRC em repouso e durante a atividade.
- Observar a relação inspiração-expiração; registrar fase expiratória prolongada típica da doença obstrutiva.
- Posicionar o paciente em Fowler alta ou posição de trípode; disponibilizar mesa de cabeceira com travesseiro para apoio na inclinação anterior.
- Orientar a respiração com lábios franzidos a cada hora durante a vigília; acompanhar com orientação calma à beira do leito durante episódios de dispneia.
- Agrupar os cuidados para preservar períodos de repouso ininterruptos (comumente de pelo menos 30 minutos) quando o estado clínico permitir.
- Administrar broncodilatadores programados conforme prescrição e avaliar FR e uso de musculatura acessória 15–30 minutos após cada dose.
- Proporcionar ambiente calmo e com baixa estimulação; coordenar restrição de visitas durante episódios agudos de dispneia conforme protocolo institucional.
- Ensinar a respiração diafragmática (abdominal): mão sobre o abdômen, inspiração nasal lenta com expansão abdominal, expiração lenta com lábios franzidos.
- Ensinar o fracionamento da fala (frases curtas) e das atividades para adequar ao padrão respiratório atual.
- Orientar sobre cessação do tabagismo e evitar poluentes domésticos e externos que possam desencadear broncoespasmo.
- Notificar o médico diante de FR sustentada > 30, queda da FR com piora do nível de consciência ou surgimento de respiração paradoxal.
- Coordenar reavaliação pela fisioterapia respiratória conforme protocolo institucional quando o padrão respiratório piorar apesar da broncodilatação.
Resultado: A frequência respiratória é monitorada dentro dos parâmetros prescritos em repouso; o uso de musculatura acessória é monitorado e a tendência decrescente é documentada; o paciente demonstra respiração com lábios franzidos e diafragmática eficazes quando alerta.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Intolerância à Atividade
Intolerância à Atividade relacionada à exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crônica (EADPOC) evidenciada por dispneia ao mínimo esforço (mMRC grau 3–4); queda da SpO2 de 90% para 84% em deambulação de aproximadamente 6 metros; relato de fadiga nas AVDs (banho, vestuário); FC elevando de 92 para 130 bpm com atividade mínima; descondicionamento por DPOC progressiva ao longo dos anos.
Intervenções
- Mensurar FC, FR, SpO2 e pontuação de dispneia antes, durante e após a atividade conforme protocolo institucional.
- Avaliar dispneia e fadiga relatadas pelo paciente em escalas de 0–10 antes e após a atividade.
- Identificar a capacidade funcional basal e a tolerância prévia à atividade do paciente.
- Observar sinais de esforço excessivo: palidez, diaforese, tontura, síncope, dor torácica.
- Auxiliar nas AVDs conforme necessário; disponibilizar cadeira de banho, comadre à beira do leito e adaptadores conforme protocolo institucional.
- Coordenar com a fisioterapia um plano de mobilização progressiva e supervisionada conforme prescrição médica.
- Interromper a atividade conforme parâmetros médicos e protocolo institucional se a SpO2 cair abaixo do intervalo prescrito, a escala de Borg atingir o limite prescrito (comumente ≥ 7/10) ou a FC ultrapassar o limite prescrito (comumente 80% da FCmáx predita para a idade).
- Proporcionar períodos de repouso (comumente de pelo menos 30 minutos) entre as atividades e após as AVDs conforme protocolo institucional.
- Confirmar que o oxigênio portátil com a FiO2 prescrita está disponível antes de iniciar a deambulação.
- Ensinar técnicas de conservação de energia: sentar durante o banho ou ao se vestir, organizar utensílios ao alcance, expirar durante o esforço.
- Ensinar o ritmo de atividades: alternar tarefas de maior esforço com períodos de repouso; realizar tarefas mais exigentes no pico de efeito do broncodilatador.
- Encaminhar para reabilitação pulmonar para exercício supervisionado, educação e suporte psicossocial conforme prescrição médica.
- Ensinar o paciente a usar a respiração com lábios franzidos durante o esforço, e não após o início da dispneia.
- Notificar o médico diante de nova dor torácica ao esforço, síncope ou dessaturação persistente ao esforço abaixo do intervalo prescrito.
- Coordenar encaminhamento para reabilitação pulmonar ambulatorial e avaliação para oxigenoterapia domiciliar conforme prescrição médica antes da alta.
Resultado: O paciente deambula de forma progressiva (por exemplo, aproximadamente 15 metros) com O2 portátil e assistência de standby conforme prescrição médica; a SpO2 é monitorada dentro dos parâmetros prescritos durante a atividade prescrita; a FC retorna a até 10 bpm do valor de repouso em até 5 minutos após a cessação da atividade quando o estado clínico permite.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Ansiedade
Ansiedade relacionada à exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crônica (EADPOC) evidenciada por verbalização de medo de sufocamento ou morte; agitação e hipervigilância em relação às sensações respiratórias; taquicardia e taquipneia desproporcionais ao estado clínico; agitação das mãos, incapacidade de se acomodar no leito; distúrbio do sono por dispneia e despertares noturnos.
Intervenções
- Avaliar a ansiedade por escala de 0–10 no início de cada turno e PRN durante episódios de dispneia.
- Identificar gatilhos específicos (dispneia, sons de alarme, medo de morrer, internação prévia em UTI).
- Observar sinais físicos: taquicardia desproporcional, agitação, agitação das mãos, hipervigilância.
- Manter presença calma e tranquilizadora; falar com clareza e em ritmo pausado.
- Explicar procedimentos e achados em linguagem acessível antes de realizá-los.
- Agrupar os cuidados para preservar períodos de repouso ininterruptos (comumente de pelo menos 30 minutos) quando o estado clínico permitir.
- Minimizar estímulos noturnos desnecessários (luz de teto, conversas em voz alta, alarmes desnecessários) conforme protocolo institucional.
- Permanecer com o paciente durante episódios agudos de dispneia e orientar a respiração com lábios franzidos junto com ele.
- Ensinar a respiração com lábios franzidos e técnicas de ancoragem que o paciente possa utilizar de forma independente.
- Orientar o paciente e a família sobre o significado dos alarmes e quais achados são ou não clinicamente relevantes.
- Ensinar relaxamento muscular progressivo e fornecer plano de ação escrito para episódios de dispneia em domicílio conforme prescrição médica.
- Acionar capelania, serviço social ou psicologia conforme protocolo institucional para ansiedade persistente ou grave.
- Notificar o médico diante de ansiedade grave ou persistente sem resposta às medidas não farmacológicas.
Resultado: A ansiedade relatada pelo paciente em escala de 0–10 é documentada e acompanhada; o paciente demonstra ≥ 1 técnica de autogerenciamento (respiração com lábios franzidos, ancoragem) quando alerta; FC e FR são monitoradas de forma compatível com o estado clínico.
Fisiopatologia
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo decorrente de dois processos sobrepostos: bronquite crônica (inflamação das vias aéreas, hiperplasia de células caliciformes, hipersecreção de muco) e enfisema (destruição das paredes alveolares com perda da retração elástica). O tabagismo é a principal causa em todo o mundo; a deficiência de alfa-1 antitripsina é a principal etiologia genética e deve ser considerada em pacientes mais jovens ou não fumantes. Uma exacerbação aguda (EADPOC) é uma piora sustentada dos sintomas respiratórios além da variação diária habitual. O gatilho mais comum é a infecção respiratória viral ou bacteriana; outros fatores precipitantes incluem exposição à poluição atmosférica, carga alergênica e não adesão à medicação. Durante uma exacerbação, a amplificação da inflamação das vias aéreas promove hipersecreção de muco e broncoespasmo, estreitando vias aéreas já comprometidas. A obstrução ao fluxo expiratório causa aprisionamento de ar e hiperinsuflação dinâmica, achatando o diafragma e aumentando substancialmente o trabalho respiratório. À medida que a mecânica ventilatória se deteriora, pode ocorrer retenção de CO2 com acidose respiratória e piora da hipoxemia por desequilíbrio V/Q. A gravidade é estadiada conforme o Relatório GOLD 2024, que orienta as decisões sobre broncodilatadores, corticosteroides, antibióticos e ventilação não invasiva.
Referência Rápida
- Meta de SpO2: 88–92% conforme prescrição médica (comumente não ≥ 92% na DPOC)
- Meta de FC: 60–100 bpm
- Duração do antibiótico: 5–7 dias na presença de escarro purulento, conforme prescrição médica
- Curso de corticoide sistêmico: Prednisona 40 mg x 5 dias conforme GOLD 2024 e prescrição médica
- Limiar para BiPAP: pH < 7,35 com PaCO2 em elevação, conforme protocolo institucional
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valor de referência | Significado na DPOC |
|---|---|---|
| Gasometria arterial – pH | 7,35–7,45 | < 7,35 com ↑ PaCO2 pode refletir acidose respiratória aguda sobre crônica. O enfermeiro registra a tendência e o valor; a iniciação da VNI é decisão da equipe médica conforme protocolo institucional. |
| Gasometria arterial – PaCO2 | 35–45 mmHg | Comparar com o valor basal conhecido do paciente quando disponível; retentores crônicos de CO2 frequentemente apresentam valores mais elevados. O enfermeiro notifica a equipe médica sobre valores fora do intervalo prescrito. |
| Gasometria arterial – PaO2 | 80–100 mmHg | PaO2 entre 60–70 mmHg é o intervalo comumente visado na DPOC conforme prescrição médica. PaO2 mais elevado pode piorar o desequilíbrio V/Q e a eliminação de CO2 pelo efeito Haldane. |
| HCO3− | 22–26 mEq/L | Valores elevados podem refletir compensação metabólica crônica para retenção de CO2. |
| Leucócitos | 4.500–11.000/µL | Elevação pode indicar gatilho bacteriano; as decisões sobre antibióticos são da equipe médica, baseadas nas características do escarro e nos critérios de Anthonisen. |
| PCR | < 10 mg/L | Marcador de tendência que pode auxiliar na avaliação de infecção bacteriana e resposta ao tratamento. O enfermeiro notifica a tendência à equipe médica. |
| Cultura de escarro | Conforme protocolo institucional | Pode auxiliar no ajuste do antibiótico conforme orientação médica. Coletar antes da primeira dose do antibiótico quando possível e prescrito. |
| Radiografia de tórax | Sem infiltrado agudo | Auxilia a equipe médica na avaliação de pneumonia, pneumotórax ou edema pulmonar que possam simular EADPOC. |
| BNP | < 100 pg/mL | Pode auxiliar na diferenciação entre EADPOC e exacerbação concomitante ou alternativa de IC. A interpretação é decisão da equipe médica. |
| D-dímero | < 500 ng/mL (ajustado pela idade em pacientes > 50 anos: idade x 10 ng/mL) | A TEP é um mimetizador subestimado da EADPOC; a equipe médica pode investigar em casos de hipoxemia inexplicada. |
| Contagem de eosinófilos | < 300 células/µL | Valores > 300 podem favorecer a responsividade a corticosteroides conforme GOLD 2024; as decisões sobre corticosteroides permanecem a cargo da equipe médica. |
| Nível de teofilina | 5–15 mcg/mL | Janela terapêutica estreita; risco de toxicidade acima de 20. O enfermeiro notifica a equipe médica sobre valores fora do intervalo prescrito e sintomas preocupantes. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos adversos | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Agonista beta-2 de curta duração (SABA) | Albuterol 2,5 mg (componente do DuoNeb) nebulização a cada 4–6h programado; PRN a cada 1–2h conforme prescrição médica na exacerbação aguda | Estimula receptores β2, promovendo relaxamento da musculatura lisa brônquica e broncodilatação. | Taquicardia, tremor, hipocalemia, palpitações, ansiedade. | Administrar conforme prescrição médica, orientação farmacêutica e protocolo institucional. Verificar FC antes e após a nebulização; monitorar K+ com doses frequentes conforme prescrição médica; reavaliar sibilos e trabalho respiratório após cada tratamento e escalar preocupações conforme protocolo institucional. |
| Antagonista muscarínico de curta duração (SAMA) | Ipratrópio 0,5 mg (componente do DuoNeb) nebulização a cada 4–6h programado; PRN a cada 1–2h conforme prescrição médica na exacerbação aguda | Bloqueia receptores muscarínicos, promovendo redução do tônus broncoconstritor vagal. | Boca seca, retenção urinária, visão turva (evitar contato ocular), broncoespasmo paradoxal. | Administrar conforme prescrição. Combinado com SABA como DuoNeb (albuterol 2,5 mg + ipratrópio 0,5 mg) é um esquema de primeira linha comum na EADPOC conforme GOLD 2024 e prescrição médica. Avaliar contraindicações relativas (hiperplasia prostática benigna, glaucoma) e notificar a equipe médica sobre preocupações. |
| Corticoide inalatório (CI) | Fluticasona, Budesonida | Suprime a inflamação das vias aéreas; pode reduzir a frequência de exacerbações a longo prazo. | Candidíase oral, disfonia, possível aumento do risco de pneumonia, início de ação lento. | Administrar conforme prescrição. Orientar enxágue bucal após cada dose; não utilizar para resgate agudo. O benefício pode ser maior quando eosinófilos > 300 conforme GOLD 2024. |
| Corticoide sistêmico | Prednisona 40 mg VO x 5 dias OU metilprednisolona IV conforme prescrição médica | Reduz a inflamação das vias aéreas e pode encurtar a duração da exacerbação. | Hiperglicemia, hipertensão, insônia, labilidade de humor, imunossupressão, hemorragia digestiva. | Administrar conforme prescrição. Monitorar glicemia conforme protocolo institucional (comumente a cada 6h) e notificar valores fora do intervalo prescrito. Em geral, não é necessário desmame no curso de 5 dias do GOLD 2024; a decisão cabe ao médico. Administrar com alimentos quando possível; orientar o paciente sobre a justificativa do curso curto. |
| Antibiótico | Azitromicina, Doxiciclina OU Amoxicilina-clavulanato (conforme prescrição médica, estratificado por gravidade) | Cobertura bacteriana quando o escarro é purulento ou quando há necessidade de ventilação mecânica (critérios de Anthonisen). Opções de primeira linha estratificadas por gravidade conforme GOLD 2024 e prescrição médica: não complicado → doxiciclina ou azitromicina; complicado (VEF1 < 50%, exacerbador frequente, comorbidade cardíaca) → amoxicilina-clavulanato ou fluoroquinolona respiratória; risco para Pseudomonas (hospitalização recente, bronquiectasia, antibióticos de amplo espectro recentes) → cobertura antipseudomonas. | Irritação gastrointestinal, prolongamento do intervalo QT (azitromicina), fotossensibilidade (doxiciclina), C. difficile. | Administrar conforme prescrição médica, orientação farmacêutica e protocolo institucional. Comumente considerado quando ≥ 2 dos seguintes estão presentes: aumento de dispneia + volume de escarro + purulência do escarro; a seleção do antibiótico é decisão da equipe médica. Obter ECG quando agentes que prolongam o QT forem prescritos. |
| Metilxantina | Teofilina, Aminofilina | Inibidor não seletivo da PDE; promove broncodilatação com leve efeito anti-inflamatório. | Taquiarritmias, convulsões, náusea, tremor; índice terapêutico estreito. | Administrar conforme prescrição. Nível sérico alvo: 5–15 mcg/mL; risco de toxicidade acima de 20. Múltiplas interações medicamentosas (macrolídeos, ciprofloxacino); raramente é primeira linha na prática atual. Notificar a equipe médica sobre níveis preocupantes ou sintomas. |
| Oxigenoterapia | Cateter nasal 1–2 L/min; máscara de Venturi 24–28%, titulada conforme prescrição médica | Corrige a hipoxemia com a menor FiO2 eficaz. O excesso de oxigênio na DPOC pode piorar a hipercapnia, principalmente por reversão da vasoconstrição pulmonar hipóxica (piora do desequilíbrio V/Q), efeito Haldane (a oxiemoglobina libera CO2) e atelectasia de absorção. | Insuficiência respiratória hipercápnica com FiO2 elevada, atelectasia de absorção, ressecamento da mucosa. | Administrar conforme prescrição e titular dentro dos parâmetros médicos prescritos. Meta de SpO2 comumente 88–92% na DPOC conforme prescrição médica e protocolo institucional; reduzir oferta quando a SpO2 superar o intervalo prescrito. Monitorar sonolência e escalar conforme protocolo institucional. |
| Inibidor da PDE-4 | Roflumilaste | Inibição seletiva da fosfodiesterase-4; pode reduzir a inflamação na DPOC grave com bronquite crônica. | Perda de peso, diarreia, náusea, cefaleia; distúrbio de humor com depressão nova ou em piora e ideação suicida; contraindicado na insuficiência hepática moderada a grave (Child-Pugh B/C). | Administrar conforme prescrição. Comumente reservado para DPOC grave (VEF1 < 50%) com fenótipo de bronquite crônica e exacerbações frequentes. Notificar a equipe médica sobre alterações de humor. |
Referências
- Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
- Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. (2024). Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of COPD: 2024 Report. Retrieved from https://goldcopd.org/
- Wedzicha, J. A., Miravitlles, M., Hurst, J. R., et al. (2017). Management of COPD exacerbations: a European Respiratory Society/American Thoracic Society guideline. European Respiratory Journal, 49(3), 1600791.
Perguntas frequentes
What is the nursing care plan for COPD?
A COPD nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with COPD Exacerbation. Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.
What are the priority nursing diagnoses for COPD?
Priority diagnoses for COPD appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.
What is the priority nursing intervention for COPD?
Priority interventions for COPD are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.
What complications should the nurse monitor for in COPD?
Complications to monitor for in COPD are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.
Uma folha de relatório feita para este paciente
Este é exatamente o tipo de paciente para o qual estas folhas de relatório da NurseBrain foram feitas. Mantenha tudo o que você acompanha em uma só página, o plantão inteiro.