Plano de Cuidados de Enfermagem: Pneumonia
Pneumonia

Plano de Cuidados de Enfermagem: Pneumonia

Plano de cuidados de enfermagem para pneumonia: desobstrução das vias aéreas, oxigenação e PDF para impressão. Elaborado por enfermeiros para enfermeiros.

Plano de Cuidados de Enfermagem

Diagnóstico de Enfermagem 1: Desobstrução Ineficaz das Vias Aéreas

Desobstrução Ineficaz das Vias Aéreas relacionada à pneumonia adquirida na comunidade (PAC), evidenciada por tosse produtiva com expectoração espessa e purulenta; estertores grosseiros e roncos à ausculta; murmúrio vesicular diminuído sobre o(s) lobo(s) afetado(s); taquipneia (FR > 24/min) com uso de musculatura acessória; SpO2 < 92% em ar ambiente.

Intervenções

  • Auscultar todos os campos pulmonares (anterior, posterior e lateral) em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional; registrar sons adventícios e sua distribuição.
  • Monitorar frequência, profundidade, esforço respiratório e uso de musculatura acessória em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Avaliar força e eficácia da tosse; registrar quantidade, cor, consistência e odor do escarro.
  • Monitorar SpO2 de forma contínua ou junto aos sinais vitais, conforme protocolo institucional.
  • Revisar resultados de hemograma, PCR, procalcitonina, coloração de Gram e cultura do escarro e exames de imagem torácica conforme disponíveis.
  • Rastrear risco de aspiração (nível de consciência, disfagia, reflexo de tosse) na admissão e a cada alteração do estado clínico.
  • Administrar antibióticos prescritos conforme prescrição e no horário correto, conforme protocolo institucional; coordenar com a farmácia para garantir a administração da primeira dose ≤ 1 hora após o atendimento dos critérios de sepse, conforme protocolo institucional.
  • Estimular a ingestão hídrica oral (habitualmente ≥ 2 L/dia) quando apropriado, conforme prescrição médica e estado clínico; oferecer líquidos mornos se preferido.
  • Posicionar o paciente em posição de Fowler alta ou com cabeceira ≥ 30°; reposicionar em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e a avaliação cutânea, conforme protocolo institucional.
  • Orientar o uso do espirômetro de incentivo conforme prescrição médica (habitualmente a cada 1–2 horas durante a vigília); registrar os volumes atingidos.
  • Articular com a fisioterapia respiratória a fisioterapia torácica ou a terapia com pressão expiratória positiva (PEP) quando prescrita.
  • Aspirar as vias aéreas quando necessário, na presença de secreções excessivas que o paciente não consiga eliminar, conforme protocolo institucional.
  • Ensinar a técnica de "tosse huffing" e tosse com apoio de travesseiro sobre o tórax quando o paciente estiver alerta e capaz.
  • Orientar o paciente e a família sobre o uso regular do espirômetro de incentivo durante a recuperação (habitualmente de hora em hora durante a vigília), conforme orientação médica.
  • Ensinar ao paciente e à família os sinais que devem motivar reavaliação urgente: piora da dispneia, elevação da febre, hemoptise, nova confusão mental.
  • Notificar o médico se SpO2 abaixo dos parâmetros prescritos apesar da oferta de oxigênio, nova hemoptise ou incapacidade de eliminar secreções.
  • Coordenar avaliação pela fonoaudiologia quando aspiração for suspeita, conforme prescrição médica.

Resultado esperado: O paciente apoia a eliminação de secreções com tosse produtiva quando alerta e capaz; os sons pulmonares são monitorados e melhora (ou piora) sobre os campos afetados é comunicada conforme protocolo institucional; a SpO2 é monitorada dentro dos parâmetros prescritos com o menor suporte que atinja a meta.

Diagnóstico de Enfermagem 2: Troca Gasosa Prejudicada

Troca Gasosa Prejudicada relacionada à pneumonia adquirida na comunidade (PAC), evidenciada por SpO2 < 92% em ar ambiente; PaO2 < 60 mmHg ou PaO2/FiO2 < 300; taquipneia com uso de musculatura acessória; confusão, agitação psicomotora ou nova agitação; cianose de lábios ou leitos ungueais.

Intervenções

  • Monitorar SpO2 de forma contínua, conforme protocolo institucional; registrar a tendência em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Avaliar frequência, profundidade, esforço respiratório e uso de musculatura acessória em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Monitorar gasometria arterial conforme prescrição médica; comunicar pH < 7,35, PaO2 < 60 mmHg ou PaCO2 > 50 mmHg.
  • Observar sinais que possam refletir hipóxia cerebral: agitação, confusão, alteração comportamental, cianose, taquicardia, taquipneia.
  • Revisar o escore de gravidade CURB-65 ou PSI na admissão com a equipe médica.
  • Administrar oxigênio suplementar conforme prescrição e titular dentro dos parâmetros médicos para manter a SpO2 no intervalo prescrito (habitualmente 92–96%, ou 88–92% na DPOC conhecida, conforme prescrição médica).
  • Posicionar o paciente em posição de Fowler alta ou sentado com leve inclinação anterior, conforme tolerado.
  • Agrupar os cuidados para permitir períodos de repouso ininterrupto quando o estado clínico permitir.
  • Articular com a fisioterapia respiratória e a equipe médica a ventilação não invasiva (CNAF ou BiPAP) quando prescrita para hipoxemia refratária, conforme protocolo institucional.
  • Antecipar e preparar-se para possível intubação orotraqueal: confirmar carrinho de vias aéreas à beira do leito, preparar medicamentos para indução conforme prescrição médica e acionar o profissional sênior de vias aéreas quando a evolução clínica suscitar preocupação.
  • Ensinar respiração com lábios semicerrados e respiração diafragmática para uso durante episódios de dispneia quando o paciente estiver alerta e capaz.
  • Orientar o paciente e a família sobre escalonamento de atividades e conservação de energia para redução da demanda de oxigênio.
  • Orientar o paciente e a família sobre sinais que devem motivar acionamento do SAMU/192: dispneia grave em repouso, dor torácica, confusão mental, cianose.
  • Notificar o médico se SpO2 abaixo dos parâmetros prescritos apesar da titulação de oxigênio, FR acima dos parâmetros prescritos, nova confusão mental ou elevação da PaCO2.
  • Coordenar consulta de terapia intensiva quando os critérios de PAC grave forem atendidos, conforme protocolo institucional (CURB-65 ≥ 3, critérios de gravidade IDSA/ATS 2019 ou insuficiência iminente).

Resultado esperado: O paciente mantém SpO2 dentro dos parâmetros prescritos com o menor suporte que atinja a meta; a frequência respiratória permanece dentro dos parâmetros prescritos sem uso de musculatura acessória; os achados da gasometria arterial, incluindo a tendência da PaO2/FiO2, são monitorados e comunicados conforme protocolo institucional.

Diagnóstico de Enfermagem 3: Hipertermia

Hipertermia relacionada à pneumonia adquirida na comunidade (PAC), evidenciada por temperatura oral ou central ≥ 38,3°C (101°F); taquicardia e taquipneia acima dos valores basais; pele quente, hiperemiada e diaforética; calafrios ou tremores relatados pelo paciente; leucocitose com desvio à esquerda no hemograma.

Intervenções

  • Aferir a temperatura em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional, e aproximadamente 1 hora após a administração de antipirético.
  • Monitorar FC, PA, FR, SpO2 e estado mental em paralelo com a temperatura.
  • Rastrear sepse com qSOFA ou MEWS a cada aferição de sinais vitais, conforme protocolo institucional.
  • Monitorar balanço hídrico, turgor cutâneo e mucosas em busca de desidratação.
  • Revisar tendências de leucograma, PCR, procalcitonina e lactato quando disponíveis.
  • Administrar antibióticos programados conforme prescrição e no horário correto, conforme protocolo institucional; coordenar com a farmácia para garantir a administração da primeira dose ≤ 1 hora após o atendimento dos critérios de sepse, conforme protocolo institucional.
  • Administrar antipiréticos conforme prescrição (habitualmente paracetamol); verificar se a dose diária total permanece dentro dos limites prescritos.
  • Proporcionar ambiente fresco, roupas de cama leves e compressas mornas quando a febre for elevada e persistente, conforme protocolo institucional.
  • Estimular a ingestão hídrica oral quando apropriado, conforme prescrição médica; coordenar hidratação venosa conforme prescrição quando a ingesta for inadequada.
  • Evitar resfriamento externo agressivo que possa desencadear tremores.
  • Orientar o paciente e a família sobre a importância de completar o curso completo de antibióticos exatamente conforme prescrito.
  • Ensinar os sinais que devem motivar contato com o serviço de saúde após a alta: febre > 38,3°C além de 72 horas de terapia, piora da dispneia, confusão mental, calafrios persistentes.
  • Orientar o paciente sobre os limites seguros de dosagem do paracetamol, especialmente quando associado a produtos combinados para gripe ou resfriado.
  • Notificar o médico para temperatura > 39,5°C, calafrios intensos, nova hipotensão ou qSOFA ≥ 2.
  • Acionar o protocolo de sepse conforme protocolo institucional quando os critérios forem atendidos: culturas, lactato, antibióticos de amplo espectro e 30 mL/kg de cristaloide para hipotensão ou lactato ≥ 4, conforme prescrição médica.

Resultado esperado: A temperatura é monitorada e a tendência é comunicada conforme protocolo institucional; FC e FR são monitoradas em paralelo com a temperatura e comunicadas dentro dos parâmetros prescritos; o paciente permanece hemodinamicamente estável com hidratação mantida conforme prescrição médica.

Diagnóstico de Enfermagem 4: Intolerância à Atividade

Intolerância à Atividade relacionada à pneumonia adquirida na comunidade (PAC), evidenciada por dispneia aos mínimos esforços (< 3 m de deambulação); fadiga e fraqueza generalizada relatadas pelo paciente; elevação da FC > 20% acima do basal com esforço mínimo; queda da SpO2 > 4% durante a deambulação; sono prejudicado por tosse e dispneia noturna.

Intervenções

  • Monitorar sinais vitais (FC, PA, FR, SpO2) antes, durante e após a atividade, conforme protocolo institucional.
  • Avaliar dispneia referida pelo paciente em escala de 0–10 antes e após a atividade.
  • Avaliar qualidade do sono e fatores contribuintes (tosse, ortopneia, febre, ansiedade) diariamente.
  • Observar sinais de sobrecarga: palidez, diaforese, dor torácica, síncope, palpitações.
  • Auxiliar nas atividades de vida diária (AVDs) conforme necessário; agrupar os cuidados para permitir períodos de repouso ininterrupto quando o estado clínico permitir.
  • Colaborar com a fisioterapia em um plano de mobilização progressiva, conforme prescrição médica, iniciando habitualmente com curtas caminhadas supervisionadas.
  • Interromper a atividade quando PA sistólica, FC ou SpO2 estiverem fora dos parâmetros prescritos (habitualmente queda de PA > 20 mmHg, elevação da FC > 20% acima do repouso ou SpO2 < 92%), conforme prescrição médica.
  • Administrar broncodilatador antes das sessões de terapia quando prescrito para broncoespasmo.
  • Proporcionar períodos de repouso entre as atividades e após as AVDs, conforme protocolo institucional.
  • Orientar o paciente sobre técnicas de conservação de energia: escalonar atividades, priorizar tarefas, sentar-se durante a execução de tarefas sempre que possível.
  • Ensinar o paciente a identificar seu limiar pessoal de dispneia e a repousar antes de atingi-lo.
  • Orientar o paciente sobre a importância de manter atividade física em baixa intensidade de forma regular em vez de repouso prolongado no leito.
  • Ensinar uma expectativa realista de retorno às atividades: a fadiga pós-pneumonia persiste habitualmente por 4–6 semanas; o escalonamento gradual favorece a recuperação.
  • Coordenar com fisioterapia e terapia ocupacional o encaminhamento para reabilitação pulmonar ambulatorial quando prescrito.
  • Notificar o médico para dispneia aos esforços nova ou progressiva, dor torácica ou síncope.

Resultado esperado: O paciente refere redução da fadiga e melhora da tolerância às AVDs quando o estado clínico permitir; o paciente participa de um plano de mobilização progressiva dentro dos parâmetros prescritos; a FC retorna em direção ao basal em um intervalo compatível com a atividade realizada, conforme prescrição médica.

Diagnóstico de Enfermagem 5: Risco de Aspiração

Risco de Aspiração relacionado à pneumonia adquirida na comunidade (PAC), evidenciado por idade ≥ 65 anos; nível de consciência reduzido ou sedação; disfagia ou comprometimento deglutitório conhecido (p. ex., pós-AVC); reflexo de tosse ou deglutição prejudicado; presença de sonda nasogástrica/orogástrica ou extubação recente.

Intervenções

  • Realizar triagem de deglutição à beira do leito na admissão e após qualquer alteração do nível de consciência, conforme protocolo institucional; encaminhar à fonoaudiologia quando for identificada preocupação.
  • Avaliar nível de consciência, reflexo de deglutição e capacidade de manejar secreções em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
  • Monitorar sinais clínicos de aspiração: tosse nova ou engasgo durante a ingesta, voz molhada, febre nova, novo infiltrado.
  • Revisar medicamentos que possam deprimir o nível de consciência ou comprometer a deglutição (opioides, benzodiazepínicos, anticolinérgicos).
  • Verificar o volume residual gástrico conforme protocolo institucional em pacientes em uso de dieta enteral.
  • Manter cabeceira elevada ≥ 30° (habitualmente 45°) durante e 30–60 minutos após refeições ou dieta enteral, conforme protocolo institucional.
  • Oferecer consistências alimentares e líquidas conforme recomendação da fonoaudiologia.
  • Supervisionar as refeições; verificar se o paciente está alerta e em posição ereta antes da ingesta oral, sempre que possível.
  • Realizar higiene oral em intervalos compatíveis com a gravidade clínica, incluindo clorexidina conforme protocolo institucional quando indicado.
  • Articular com a equipe médica o uso de sonda de pequeno calibre e dieta enteral contínua (em vez de em bolus) para pacientes de maior risco, conforme protocolo institucional.
  • Ensinar ao paciente e à família estratégias seguras de deglutição: flexão cervical (chin tuck), pequenos volumes, alternância entre sólidos e líquidos, não falar com alimento na boca.
  • Orientar o paciente e a família sobre higiene oral regular e manutenção do posicionamento adequado no domicílio.
  • Ensinar os sinais de aspiração que devem motivar contato com o serviço de saúde: tosse nova durante as refeições, febre recorrente, perda de peso, alteração da voz.
  • Notificar o médico em caso de evento de aspiração presenciado, nova dessaturação durante a dieta ou novo infiltrado ao exame de imagem.
  • Coordenar fonoaudiologia, nutrição e farmácia para um plano abrangente de redução do risco de aspiração, incluindo revisão medicamentosa.

Resultado esperado: O paciente permanece sem novos eventos documentados de aspiração durante a internação; o paciente tolera a dieta recomendada pela fonoaudiologia sem tosse ou engasgo quando alerta e capaz; a cabeceira é mantida ≥ 30° durante e 30–60 minutos após refeições ou dieta enteral, conforme protocolo institucional.

Fisiopatologia

A pneumonia é uma inflamação aguda e consolidação do parênquima pulmonar causada por patógenos bacterianos, virais ou fúngicos que superam as defesas do hospedeiro. A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) desenvolve-se fora do ambiente hospitalar e é mais frequentemente causada por Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e agentes atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Legionella. A pneumonia hospitalar (PH) manifesta-se ≥ 48 horas após a admissão, e a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) ≥ 48 horas após a intubação; ambas acrescentam bastonetes gram-negativos (incluindo Pseudomonas) e MRSA ao diagnóstico diferencial. A invasão dos alvéolos pelo patógeno desencadeia exsudato neutrofílico que preenche os espaços aéreos, comprometendo a difusão e produzindo desequilíbrio ventilação/perfusão (V/Q) → hipoxemia, taquipneia e aumento do trabalho respiratório. A liberação sistêmica de citocinas provoca febre, leucocitose e, nas formas graves, sepse. O risco é maior em idosos, tabagistas e pacientes com DPOC, imunossupressão, disfagia ou alteração do nível de consciência (risco de aspiração). A gravidade e a disposição são orientadas pelo escore CURB-65 ou pelo PSI, conforme a diretriz IDSA/ATS 2019 para PAC; o CDC classifica a pneumonia como uma das principais causas infecciosas de hospitalização e óbito nos EUA.

Referência Rápida

  • Meta de SpO2: ≥ 92% em ar ambiente (88–92% se DPOC)
  • Início do antibiótico: Primeira dose conforme prescrição; ≤ 1 h se critérios de sepse forem atendidos conforme protocolo institucional
  • Duração do antibiótico: 5–7 dias se afebril há 48 h e clinicamente estável, conforme prescrição médica (IDSA/ATS 2019)
  • CURB-65: Escore de gravidade; ≥ 2 fundamenta a discussão de internação com a equipe médica
  • Critérios de UTI: IDSA/ATS 2019: 1 critério maior ou ≥ 3 menores; acionar consulta de terapia intensiva conforme protocolo institucional

Exames Laboratoriais Comuns

Exame Valores de referência Significado na Pneumonia
Leucograma (WBC) 4,5–11,0 ×109/L Leucocitose com desvio à esquerda pode corroborar etiologia bacteriana; leucopenia pode indicar doença grave.
PCR < 10 mg/L Marcador inespecífico de inflamação; tendência de queda pode indicar resposta clínica aos antibióticos.
Procalcitonina < 0,25 ng/mL Conforme IDSA/ATS 2019 (recomendação forte), a procalcitonina isolada não deve ser utilizada para iniciar ou suspender antibióticos na PAC suspeita. Pode subsidiar discussões de descalonamento e duração da terapia já em andamento; > 0,5 favorece etiologia bacteriana, e tendência de queda pode embasar discussões de suspensão com a equipe médica.
Gasometria arterial (GA) pH 7,35–7,45 / PaO2 80–100 mmHg Hipoxemia (PaO2 < 60) ou acidose respiratória podem indicar doença grave ou insuficiência respiratória iminente e devem motivar escalonamento conforme protocolo institucional.
Lactato < 2,0 mmol/L > 2 levanta suspeita de sepse ou hipoperfusão; o enfermeiro monitora o lactato durante a ressuscitação e comunica à equipe médica a ausência de clareamento.
Ureia (BUN) 7–20 mg/dL BUN > 19 mg/dL (7 mmol/L) corresponde ao componente "U" do CURB-65 e contribui para a estratificação do risco de mortalidade.
Hemoculturas ×2 Sem crescimento As culturas são habitualmente coletadas antes do antibiótico em PAC grave, internações em UTI ou bacteremia suspeita, conforme prescrição médica e protocolo institucional; o enfermeiro coordena o momento da coleta com a administração da primeira dose para minimizar atrasos.
Coloração de Gram e cultura do escarro Sem patógeno predominante Melhor rendimento com espécime de qualidade (> 25 PMNs, < 10 células epiteliais/campo de baixo aumento) coletado antes do antibiótico, quando viável, conforme protocolo institucional.
Radiografia de tórax Campos pulmonares livres Novo infiltrado (lobar, intersticial ou cavitário) corrobora o diagnóstico. A interpretação e a decisão diagnóstica cabem à equipe médica.
Oximetria de pulso ≥ 95% em ar ambiente SpO2 < 92% em ar ambiente sugere desequilíbrio V/Q significativo e pode indicar suplementação de oxigênio conforme prescrição médica e protocolo institucional.
PCR viral respiratório (influenza, SARS-CoV-2, VSR) Negativo A IDSA/ATS 2019 recomenda fortemente o teste para influenza durante período de circulação (Recomendação 5); o CDC apoia a inclusão de SARS-CoV-2 e VSR em adultos hospitalizados e ambulatoriais de alto risco. Resultados positivos podem subsidiar decisões sobre terapia antiviral e precauções de prevenção de infecção conforme protocolo institucional.

Medicamentos Comuns

Classe Exemplos Mecanismo de ação Principais efeitos adversos Considerações de enfermagem
Beta-lactâmico (primeira linha na PAC) Ceftriaxona, Amoxicilina/clavulanato, Ampicilina/sulbactam Inibe a síntese da parede celular bacteriana (ligação às PBPs); cobre S. pneumoniae e H. influenzae. Exantema, diarreia, anafilaxia (alergia a PCN), C. difficile, aumento de transaminases. Administrar conforme prescrição segundo orientação médica, farmacêutica e protocolo institucional. Verificar alergia a PCN e o tipo de reação antes da primeira dose. Conforme IDSA/ATS 2019, a primeira dose é habitualmente administrada assim que o diagnóstico é estabelecido pela equipe médica; administrar a primeira dose conforme prescrição, ≤ 1 hora após o atendimento dos critérios de sepse, conforme protocolo institucional. Esquemas habituais por contexto clínico conforme IDSA/ATS 2019: ambulatorial sadio (amoxicilina ou doxiciclina); ambulatorial com comorbidade ou internado fora da UTI (beta-lactâmico mais macrolídeo ou fluoroquinolona respiratória em monoterapia); UTI (beta-lactâmico mais macrolídeo, ou beta-lactâmico mais fluoroquinolona; monoterapia com fluoroquinolona habitualmente evitada). A duração padrão é de 5–7 dias quando o paciente está afebril há 48 horas e clinicamente estável, conforme prescrição médica.
Macrolídeo (cobertura de atípicos) Azitromicina, Claritromicina Liga-se à subunidade ribossômica 50S → inibe a síntese proteica; cobre Mycoplasma, Legionella e Chlamydophila. Prolongamento do intervalo QT, desconforto gastrointestinal, aumento de transaminases, ototoxicidade (em doses elevadas). Administrar conforme prescrição. O enfermeiro verifica o ECG basal/QTc quando prescrito para pacientes com risco cardíaco, conforme protocolo institucional, rastreia o prontuário ativo em busca de outros agentes que prolongam o QT e comunica QTc prolongado à equipe médica. Os macrolídeos são habitualmente associados a um beta-lactâmico na PAC hospitalar, conforme IDSA/ATS 2019.
Fluoroquinolona respiratória Levofloxacino, Moxifloxacino Inibe DNA girase e topoisomerase IV; pode ser utilizada em monoterapia na PAC fora da UTI, conforme prescrição médica. Alertas de caixa-preta: tendinopatia/ruptura, neuropatia periférica, efeitos no SNC, prolongamento do QT, risco de dissecção aórtica. Administrar conforme prescrição. Orientar o paciente a relatar prontamente dor tendinosa nova, parestesias ou alterações de humor. O uso concomitante de corticosteroides pode aumentar o risco de tendinopatia; o enfermeiro rastreia a lista de medicamentos e comunica preocupações à equipe médica. A escolha entre monoterapia com fluoroquinolona e a associação de beta-lactâmico mais macrolídeo é decisão da equipe médica, conforme protocolo institucional.
Antipseudomonal ± anti-MRSA (PH/PAVM) Piperacilina-tazobactam, Cefepima, Meropeném; Vancomicina ou Linezolida para MRSA Cobertura de amplo espectro para parede celular (ou carbapenêmico); vancomicina ou linezolida direcionada ao MRSA. Nefrotoxicidade (vancomicina), convulsões (cefepima ou imipenema em insuficiência renal), síndrome serotoninérgica (linezolida com agentes serotoninérgicos). Administrar conforme prescrição segundo orientação médica, farmacêutica e protocolo institucional. Conforme Kalil et al. IDSA/ATS 2016 PH/PAVM, a cobertura empírica é orientada pelo antibiograma local; o monitoramento do vale ou da AUC da vancomicina é coordenado com a farmácia. O enfermeiro apoia as discussões de descalonamento com a equipe médica assim que os resultados de cultura e sensibilidade estiverem disponíveis.
Broncodilatador de curta ação Albuterol nebulizado ou via inalador dosimetrado (MDI) Agonista β2 → relaxamento da musculatura lisa brônquica. Taquicardia, tremor, hipocalemia, palpitações. Administrar conforme prescrição na presença de sibilos ou broncoespasmo e quando o medicamento estiver prescrito. O enfermeiro monitora a FC antes e após o tratamento, comunica nova taquiarritmia à equipe médica e reconhece que o uso rotineiro de broncodilatador não é típico na PAC não complicada, conforme IDSA/ATS 2019.
Corticosteroide (PAC grave, UTI) Hidrocortisona (habitualmente em infusão contínua ou IV programada); metilprednisolona como alternativa Suprime a liberação sistêmica de citocinas inflamatórias. Hiperglicemia, imunossupressão, hemorragia digestiva, alteração de humor, infecção secundária. Administrar conforme prescrição segundo orientação médica, farmacêutica e protocolo institucional. Conforme CAPE COD (Dequin et al., NEJM 2023), a hidrocortisona foi associada à redução da mortalidade em 28 dias em adultos com PAC grave internados em UTI; a atualização ATS 2024 para PAC grave apoia a consideração de corticosteroide nessa população. A seleção, dose, esquema, desmame e triagem de contraindicações (hemorragia digestiva ativa, diabetes descompensado, exposição recente a vírus vivo-atenuado) são decisões da equipe médica. O enfermeiro monitora a glicemia conforme protocolo institucional, rastreia efeitos adversos e coordena a continuidade da hidrocortisona do protocolo de Sobrevivendo à Sepse no choque vasopressor-dependente, conforme prescrição médica.
Antipirético / analgésico Paracetamol (acetaminofeno) Inibição central da COX → antipirese e analgesia. Hepatotoxicidade (> 4 g/dia ou na presença de etilismo ou hepatopatia). Administrar conforme prescrição. O enfermeiro verifica se a dose diária total permanece dentro dos limites prescritos, rastreia paracetamol oculto em produtos combinados e reconhece o limite inferior na hepatopatia crônica. O paracetamol é habitualmente preferido em relação aos AINEs em pacientes com depleção volêmica ou idosos, conforme prescrição médica.

Referências

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  • Kalil, A. C., Metersky, M. L., Klompas, M., et al. (2016). Management of Adults with Hospital-acquired and Ventilator-associated Pneumonia: 2016 Clinical Practice Guidelines by the Infectious Diseases Society of America and the American Thoracic Society. Clinical Infectious Diseases, 63(5), e61–e111.
  • Dequin, P. F., Meziani, F., Quenot, J. P., et al. (2023). Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). New England Journal of Medicine, 388(21), 1931–1941.
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  • Evans, L., Rhodes, A., Alhazzani, W., et al. (2021). Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021. Critical Care Medicine, 49(11), e1063–e1143.
  • Centers for Disease Control and Prevention. (2024). Pneumonia: Clinical Overview. U.S. Department of Health & Human Services. Retrieved from cdc.gov/pneumonia.

Perguntas frequentes

What is the nursing care plan for Pneumonia?

A Pneumonia nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Pneumonia. Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.

What are the priority nursing diagnoses for Pneumonia?

Priority diagnoses for Pneumonia appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.

What is the priority nursing intervention for Pneumonia?

Priority interventions for Pneumonia are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.

What complications should the nurse monitor for in Pneumonia?

Complications to monitor for in Pneumonia are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.

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