Plano de Cuidados de Enfermagem para Tromboembolismo Venoso (TVP e EP)
Plano de cuidados de enfermagem para tromboembolismo venoso (TVP e EP): diagnósticos priorizados, anticoagulação, monitoramento do padrão respiratório e PDF imprimível.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Alteração da Perfusão Tecidual
Alteração da Perfusão Tecidual relacionada a tromboembolismo venoso (TEV): trombose venosa profunda (TVP) e/ou embolia pulmonar (EP) evidenciada por edema unilateral de panturrilha ou coxa (> 3 cm de diferença de circunferência); dor ou sensibilidade à palpação ao longo do trajeto venoso profundo; calor e eritema do membro afetado; cordão venoso palpável ao longo do trajeto de uma veia profunda; edema com cacifo localizado no membro afetado.
Intervenções
- Mensurar a circunferência da panturrilha e da coxa bilateralmente no mesmo ponto de referência em cada plantão; documentar e comunicar diferenças > 3 cm.
- Avaliar o membro afetado quanto a dor, calor, eritema, cordão venoso palpável e edema com cacifo em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional.
- Verificar pulsos distais, tempo de enchimento capilar, sensibilidade e função motora no membro afetado em intervalos compatíveis com a gravidade clínica.
- Documentar o resultado do sinal de Homans se obtido, mas não utilizá-lo para orientar a conduta nem para confirmar ou descartar TVP.
- Monitorar todo paciente com TVP confirmada para detecção de dispneia de início súbito, dor torácica pleurítica, taquicardia ou hipoxia.
- Revisar exames de coagulação seriados (TTPa, anti-Xa, RNI, plaquetas) conforme prescrição médica e comunicar valores fora do intervalo prescrito.
- Administrar o anticoagulante prescrito (infusão de HNF, HBPM ou ACOD) no horário estabelecido, conforme prescrição médica, orientação da farmácia e protocolo institucional; verificar a dose em relação ao peso e à função renal antes de cada administração.
- Elevar o membro afetado acima do nível do coração durante o repouso no leito, conforme prescrição médica; evitar colocar travesseiros atrás do joelho.
- Aplicar meias de compressão graduada (MCG) no membro não afetado conforme prescrição médica; coordenar com a equipe médica antes de aplicar no membro com trombose aguda.
- Apoiar a deambulação precoce após atingir anticoagulação terapêutica, conforme prescrição médica e protocolo institucional.
- Manter pelo menos um acesso venoso pérvio no membro superior não afetado conforme o protocolo institucional.
- Orientar o paciente a tomar o anticoagulante prescrito exatamente conforme a prescrição, pelo tempo total indicado.
- Ensinar o paciente a acionar o SAMU/serviço de emergência diante de sinais de progressão do trombo ou EP: aumento do edema na panturrilha, dispneia súbita, dor torácica, hemoptise ou síncope.
- Orientar sobre redução do risco de TEV a longo prazo: caminhar a cada 1–2h em viagens prolongadas, manter hidratação adequada e discutir com o médico o uso de anticoncepcionais contendo estrogênio após TEV recorrente.
- Notificar o médico imediatamente diante de achados compatíveis com flegmasia cerúlea dolente (edema maciço, membro cianótico, pulsos diminuídos).
- Coordenar consulta com hematologia conforme prescrição médica para investigação de trombofilias em TEV não provocado ou recorrente.
Resultado esperado: A dor e a sensibilidade na panturrilha são monitoradas e comunicadas dentro dos parâmetros prescritos durante a internação; a circunferência do membro é mensurada e acompanhada; alterações são comunicadas à equipe médica; o calor, a coloração cutânea e o tempo de enchimento capilar do membro afetado são monitorados e comunicados.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Prejuízo na Troca de Gases
Prejuízo na Troca de Gases relacionado a tromboembolismo venoso (TEV): trombose venosa profunda (TVP) e/ou embolia pulmonar (EP) evidenciado por dispneia ou taquipneia de início súbito (FR > 20); dor torácica pleurítica com piora à inspiração; SpO2 < 92% em ar ambiente; taquicardia (FC > 100) desproporcional ao estado clínico; gasometria arterial: gradiente A-a alargado com hipoxemia e alcalose respiratória.
Intervenções
- Monitorar a SpO2 continuamente e a frequência, profundidade e esforço respiratório em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo institucional.
- Auscultar os campos pulmonares em intervalos compatíveis com a gravidade clínica; documentar atrito pleural, sibilos ou murmúrio vesicular diminuído.
- Monitorar o ritmo cardíaco continuamente para novos padrões de sobrecarga do VD: S1Q3T3, BRD novo, inversão de onda T em V1–V4 ou taquicardia sinusal.
- Acompanhar troponina e BNP/NT-proBNP conforme prescrição médica e comunicar valores fora do intervalo prescrito.
- Monitorar achados compatíveis com insuficiência do VD: elevação da PVC/turgência jugular, hipotensão, síncope, extremidades moteadas, redução do débito urinário.
- Reavaliação da dor pela escala de 0–10; diferenciar dor pleurítica de nova dor torácica isquêmica.
- Administrar oxigênio suplementar conforme prescrito e titular dentro dos parâmetros médicos para manter a SpO2 no intervalo prescrito.
- Posicionar o paciente em Fowler elevado ou semi-Fowler com a cabeceira a 30–45° conforme tolerância e prescrição médica.
- Administrar a anticoagulação prescrita prontamente após confirmação da EP, conforme prescrição médica, orientação da farmácia e protocolo institucional.
- Antecipar e preparar a terapia trombolítica prescrita (alteplase) conforme protocolo institucional para EP hemodinamicamente instável: confirmar dois acessos venosos calibrosos, carro de emergência à beira do leito e agentes de reversão disponíveis.
- Manter repouso no leito conforme prescrição médica até estabilização hemodinâmica e anticoagulação terapêutica; progredir atividade conforme protocolo institucional.
- Administrar analgesia prescrita para dor pleurítica; orientar a contenção (splinting) com travesseiro durante a tosse.
- Ensinar respiração com lábios semicerrados e respiração diafragmática que o paciente possa utilizar de forma independente durante a dispneia.
- Orientar o paciente e a família sobre achados que exigem acionamento de serviço de emergência: dispneia súbita, dor torácica, síncope, hemoptise.
- Reforçar a conclusão do esquema anticoagulante completo prescrito (comumente no mínimo 3 meses, frequentemente por período maior conforme orientação médica).
- Notificar o médico e acionar a resposta rápida conforme protocolo institucional para PAS < 90 mmHg sustentada por > 15 min, hipoxia grave a despeito de oxigênio suplementar ou parada cardiorrespiratória.
- Coordenar transferência para UTI conforme prescrição médica para pacientes com disfunção do VD ao ecocardiograma ou elevação de biomarcadores (EP submaciça).
Resultado esperado: O paciente mantém SpO2 dentro dos parâmetros prescritos com o menor suporte de O2 prescrito; a frequência respiratória permanece dentro dos parâmetros prescritos com padrão de trabalho respiratório sem esforço; a dor torácica pleurítica é monitorada e comunicada, com intervenções de conforto realizadas conforme prescrito.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Dor Aguda
Dor Aguda relacionada a tromboembolismo venoso (TEV): trombose venosa profunda (TVP) e/ou embolia pulmonar (EP) evidenciada por dor na panturrilha relatada pelo paciente com intensidade 6–8/10 (TVP); dor torácica pleurítica com piora à inspiração (EP); dor à palpação ao longo do trajeto venoso profundo; comportamento de guarda ou contenção; taquicardia e PA elevada compatíveis com resposta dolorosa.
Intervenções
- Avaliar localização, qualidade, intensidade (0–10), irradiação e fatores de piora ou alívio da dor em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e quando necessário (PRN).
- Diferenciar dor musculoesquelética na panturrilha de dor por TVP: a dor da TVP é comumente profunda, constante, piora com a dorsiflexão ou palpação e está associada a edema.
- Diferenciar dor pleurítica por EP de dor torácica cardíaca: a dor da EP é comumente em pontada, piora à inspiração e frequentemente lateral; a dor cardíaca é comumente em pressão, central e pode irradiar.
- Monitorar sinais vitais antes e após a administração de analgésicos.
- Observar indicadores não verbais de dor (careta, contenção, guarda), especialmente em pacientes que minimizam a dor.
- Administrar analgesia no horário prescrito, conforme prescrição médica, orientação da farmácia e protocolo institucional; discutir com o médico antes da administração de AINEs em pacientes sob anticoagulação.
- Administrar paracetamol conforme prescrito para dor leve a moderada, por orientação médica e protocolo institucional.
- Aplicar compressa morna na panturrilha afetada conforme prescrição médica; coordenar com a equipe médica antes de aplicar calor sobre membro com trombose aguda.
- Posicionar o paciente confortavelmente com o membro afetado elevado (TVP) ou em semi-Fowler (EP) conforme prescrição médica.
- Orientar a contenção com travesseiro sobre o tórax durante a tosse ou a respiração profunda na EP.
- Ensinar o paciente a comunicar a dor prontamente, sem aguardar até que seja intensa.
- Orientar estratégias não farmacológicas: relaxamento, distração, imaginação guiada, reposicionamento.
- Reforçar que piora da dor, novos locais de dor ou dor associada a dispneia súbita devem ser comunicados imediatamente.
- Notificar o médico por controle inadequado da dor apesar de analgesia regular, novas características da dor ou achados compatíveis com sangramento.
- Coordenar com serviço de dor conforme prescrição médica para dor refratária ou dor crônica em pacientes em uso basal de opioides.
Resultado esperado: O paciente relata dor dentro da meta de conforto prescrita após a analgesia; o paciente demonstra postura e padrão respiratório relaxados; FC e PA são monitoradas e comunicadas dentro dos parâmetros prescritos após a analgesia.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Risco de Sangramento
Risco de Sangramento relacionado a tromboembolismo venoso (TEV): trombose venosa profunda (TVP) e/ou embolia pulmonar (EP) evidenciado por anticoagulação terapêutica em curso (HNF, HBPM, ACOD ou varfarina); valores supraterápicos de TTPa, anti-Xa ou RNI; terapia antiplaquetária concomitante (ácido acetilsalicílico, clopidogrel); idade > 75 anos; história de hemorragia digestiva, doença ulcérosa péptica ou cirurgia recente.
Intervenções
- Avaliar todos os sistemas corporais quanto a sangramento em cada plantão: gengivas, nariz, urina, fezes, escarro, sítios de acesso venoso e de injeção, e pele (petéquias, equimoses).
- Monitorar sinais vitais em intervalos compatíveis com a gravidade clínica para taquicardia, hipotensão ou alteração do nível de consciência.
- Acompanhar hemoglobina, hematócrito, plaquetas, TTPa, anti-Xa, RNI e creatinina conforme prescrição médica.
- Monitorar contagem de plaquetas conforme prescrição médica durante heparinização (comumente a cada 2–3 dias); comunicar queda > 50% ou valor absoluto < 100 × 103/µL.
- Quando TTIH for suspeitada, apoiar a pontuação pré-teste 4Ts (Trombocitopenia, Timing da queda plaquetária, Trombose, ouTras causas; 0–8 pontos) antes de a equipe médica solicitar ELISA anti-FP4-heparina.
- Pesquisar sangue oculto nas fezes e hematúria na urina conforme prescrição médica.
- Avaliar cefaleia, alterações visuais, déficit focal, ou dor lombar ou em flanco intensa e súbita.
- Implementar precauções hemorrágicas conforme protocolo institucional: barbeador elétrico, escova de dentes macia, sem temperatura retal ou supositórios, minimizar punções venosas.
- Manter compressão em todos os sítios de punção venosa por no mínimo 5 minutos (10 minutos para punção arterial) conforme protocolo institucional.
- Coordenar a disponibilidade de agentes de reversão conforme protocolo institucional: vitamina K e CCP para varfarina; protamina para HNF/HBPM; andexanet alfa para apixabana/rivaroxabana; idarucizumabe para dabigatrana. Administrar conforme prescrito em sangramentos com risco de vida.
- Coordenar prevenção de quedas conforme protocolo institucional: alarme do leito, campainha ao alcance do paciente, calçado antiderrapante, assistência à deambulação.
- Coordenar com a equipe médica para limitar injeções IM; quando indispensáveis, utilizar agulha de menor calibre e aplicar compressão pós-injeção conforme protocolo institucional.
- Verificar a dose prescrita do anticoagulante em relação ao peso mais recente, função renal e exames de coagulação antes de cada administração, conforme protocolo institucional.
- Orientar o paciente sobre achados hemorrágicos que exigem acionamento do serviço de emergência: cefaleia intensa, alterações visuais, déficit motor, melena, hematêmese, hematúria, epistaxe prolongada ou hematomas extensos.
- Ensinar o paciente sobre interações alimentares e medicamentosas específicas ao seu anticoagulante (varfarina e vitamina K; ACODs e inibidores de P-gp) por orientação médica.
- Reforçar o uso de pulseira de identificação médica ou cartão de anticoagulação.
- Ensinar o paciente a informar todos os profissionais de saúde (inclusive dentistas) antes de qualquer procedimento.
- Notificar o médico diante de achados compatíveis com sangramento maior, queda de Hb/Ht > 2 g/dL, exames supraterápicos ou tendência plaquetária suspeita de TTIH.
- Coordenar revisão farmacêutica de todos os medicamentos quanto a interações com o anticoagulante prescrito, conforme protocolo institucional.
Resultado esperado: Os sistemas corporais são avaliados quanto a sangramento em cada plantão, e os achados são documentados e comunicados; os resultados de coagulação são documentados e valores fora do intervalo prescrito são comunicados prontamente; a tendência de hemoglobina e hematócrito é monitorada e comunicada conforme o protocolo institucional.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Ansiedade
Ansiedade relacionada a tromboembolismo venoso (TEV): trombose venosa profunda (TVP) e/ou embolia pulmonar (EP) evidenciada por verbalização pelo paciente de medo de morte ou de EP recorrente; início súbito e inesperado de dispneia e dor torácica; agitação ou hipervigilância em relação aos monitores; taquicardia desproporcional ao estado clínico; distúrbio do sono e dificuldade para descansar.
Intervenções
- Avaliar o nível de ansiedade pela escala de 0–10 no início de cada plantão e quando necessário (PRN).
- Identificar os medos expressos pelo paciente (medo de morte, recorrência, medicação vitalícia, sangramento).
- Observar achados físicos desproporcionais ao estado clínico: taquicardia persistente, agitação, movimentos repetitivos com as mãos, hipervigilância.
- Oferecer presença calma e tranquilizadora; falar com clareza e em ritmo pausado.
- Explicar procedimentos, exames e achados em linguagem simples e acessível ao paciente antes de realizá-los.
- Limitar estímulos não essenciais à noite e agrupar os cuidados para permitir períodos de descanso ininterruptos de ≥ 30 minutos conforme o protocolo institucional.
- Ensinar respiração diafragmática e técnicas de aterramento que o paciente possa utilizar de forma independente.
- Orientar o paciente e a família sobre o diagnóstico, o prognóstico com tratamento e a justificativa para o tempo prescrito de anticoagulação.
- Fornecer instruções de alta por escrito abrangendo medicação, sinais de alerta, acompanhamento e considerações dietéticas.
- Coordenar com capelania, serviço social ou psicologia quando a ansiedade persistir ou surgirem achados de TEPT.
- Notificar o médico para ansiedade intensa ou persistente sem resposta às medidas não farmacológicas.
Resultado esperado: O paciente verbaliza redução da ansiedade; o paciente demonstra o uso de pelo menos uma estratégia de enfrentamento; a FC é compatível com o estado clínico e os parâmetros prescritos.
Diagnóstico de Enfermagem 6: Déficit de Conhecimento
Déficit de Conhecimento relacionado a tromboembolismo venoso (TEV): trombose venosa profunda (TVP) e/ou embolia pulmonar (EP) evidenciado por novo diagnóstico de TEV (TVP, EP ou ambos); questionamentos ou concepções equivocadas do paciente sobre anticoagulação, prognóstico ou risco de recorrência; compreensão limitada dos sinais de alerta que exigem acionamento do serviço de emergência; compreensão limitada sobre adesão medicamentosa, interações alimentares e medicamentosas ou exames de acompanhamento; barreiras de letramento em saúde ou idioma.
Intervenções
- Avaliar o conhecimento basal sobre TEV, anticoagulação, sinais de alerta e o plano de seguimento prescrito na admissão e quando necessário (PRN).
- Identificar preferências de idioma e necessidades de letramento em saúde; coordenar serviços de interpretação conforme protocolo institucional quando necessário.
- Identificar cuidadores ou familiares envolvidos no cuidado e confirmar consentimento para inclusão nas orientações conforme protocolo institucional.
- Realizar educação estruturada sobre o diagnóstico, o medicamento prescrito, a duração esperada da terapia e os exames de acompanhamento conforme protocolo institucional.
- Demonstrar a técnica de auto-administração do medicamento (p. ex., injeção SC de HBPM) e observar a demonstração do paciente antes da alta, conforme protocolo institucional.
- Fornecer materiais de alta escritos ou visuais no idioma de preferência do paciente, conforme protocolo institucional.
- Ensinar os sinais de alerta que exigem acionamento do serviço de emergência: dispneia súbita, dor torácica, síncope, hemoptise, cefaleia intensa, alterações visuais, déficit motor, melena, hematêmese.
- Ensinar interações alimentares e medicamentosas específicas ao anticoagulante prescrito: varfarina e vitamina K; ACODs e inibidores de P-gp; limites de consumo de álcool por orientação médica.
- Reforçar a duração prescrita da terapia (comumente no mínimo 3 meses, frequentemente por período maior conforme orientação médica) e a justificativa para não interromper precocemente.
- Orientar sobre mobilidade em viagens prolongadas (caminhar a cada 1–2h), hidratação e discussão sobre contracepção com o médico após TEV recorrente.
- Utilizar a técnica de ensino de retorno (teach-back) para confirmar a compreensão do nome do medicamento, dose, horário, sinais de alerta e plano de seguimento antes da alta.
- Coordenar encaminhamentos (clínica de anticoagulação, seguimento com clínica médica, hematologia em TEV não provocado ou recorrente) conforme prescrição médica e protocolo institucional.
- Notificar o médico quando as orientações revelarem equívocos significativos, barreiras não abordadas ou preocupações com fatores de risco que possam comprometer a adesão.
Resultado esperado: O paciente verbaliza o diagnóstico, o plano de tratamento prescrito e a duração da anticoagulação; o paciente identifica os sinais de alerta que exigem acionamento do serviço de emergência e os critérios para retorno ao serviço de saúde; o paciente demonstra a técnica correta de auto-administração do medicamento (p. ex., injeção SC de HBPM) conforme protocolo institucional.
Fisiopatologia
O tromboembolismo venoso (TEV) engloba a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP) e decorre da tríade de Virchow: estase venosa, hipercoagulabilidade e lesão endotelial. A maioria das TVPs tem origem nos sinusoides soleus da panturrilha, onde podem se resolver, organizar ou se propagar proximalmente para as veias poplítea e femoral. Aproximadamente 50% das TVPs proximais não tratadas embolizam, deslocando-se pelo coração direito até se alojar na árvore arterial pulmonar. A EP produz desequilíbrio ventilação/perfusão (V/Q), aumento da resistência vascular pulmonar (RVP) e sobrecarga pressórica aguda do ventrículo direito (VD); a disfunção grave do VD pode precipitar choque cardiogênico e parada cardiorrespiratória. A EP maciça é definida por hipotensão sustentada (PAS < 90 mmHg por ≥ 15 min) ou parada cardiorrespiratória; a EP submaciça apresenta disfunção do VD ou lesão miocárdica sem hipotensão manifesta. Os principais fatores de risco incluem cirurgia recente, imobilidade prolongada, neoplasia ativa, anticoncepcionais orais/TRH contendo estrogênio, gestação/puerpério e trombofilias hereditárias (Fator V Leiden, protrombina G20210A). O escore de Wells (critérios distintos para TVP e EP) estratifica a probabilidade pré-teste; o D-dímero pode auxiliar na exclusão do TEV quando a probabilidade pré-teste é baixa ou a EP é improvável, com valor de corte ajustado pela idade (idade × 10 ng/mL FEU) para pacientes > 50 anos (ADJUST-PE). O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia duplex venosa (TVP) ou angiotomografia pulmonar (EP). O manejo segue comumente as diretrizes ASH 2020 para TEV e a diretriz ESC 2019 para EP, com ACODs geralmente preferidos em relação à varfarina para a maioria dos TEVs sem câncer (recomendação forte ASH 2020). A seleção do tratamento, posologia, duração, decisões sobre trombólise e implante de filtro de veia cava inferior são decisões da equipe médica, tomadas conforme o protocolo institucional e o estado clínico específico do paciente.
Referência Rápida
- Escore de Wells (EP): Dicotomizado: ≤ 4 EP improvável · > 4 EP provável (conforme ESC 2019)
- Valor de corte do D-dímero: < 500 ng/mL FEU (idade ≤ 50 anos); idade × 10 se > 50 anos (ADJUST-PE)
- TTPa com HNF: 1,5–2,5× o controle (~60–100 seg)
- RNI com varfarina: 2,0–3,0 para tratamento de TEV
- Profilaxia de TVP: Comumente heparina SC 5000 U a cada 8–12h ou HBPM conforme protocolo institucional
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valor de referência | Significado no TEV |
|---|---|---|
| D-dímero | < 500 ng/mL FEU (ou idade × 10 se > 50 anos) | Sensível, porém não específico; pode auxiliar na exclusão do TEV em probabilidade pré-teste baixa ou improvável. Valor de corte ajustado pela idade conforme ADJUST-PE (Righini 2014) para pacientes > 50 anos. A interpretação é uma decisão da equipe médica conforme o protocolo institucional. |
| TP / RNI | TP 11–13 seg / RNI 0,8–1,2 | RNI terapêutico 2,0–3,0 com varfarina. Valores basais são comumente coletados antes da terapia por ordem médica; a equipe de enfermagem acompanha os valores seriados e comunica resultados fora do intervalo prescrito. |
| TTPa | 25–35 seg (basal) | Alvo de 1,5–2,5× o controle (~60–100 seg) com infusão de HNF; a titulação segue o nomograma institucional e a prescrição médica. A equipe de enfermagem coleta os exames no horário programado, comunica os valores e ajusta a infusão conforme o nomograma ou escalona para o médico conforme o protocolo institucional. |
| Anti-Xa | HBPM terapêutica 0,5–1,0 · HNF terapêutica 0,3–0,7 UI/mL | Comumente preferido em relação ao TTPa para HBPM/HNF em obesidade, insuficiência renal, gestação ou suspeita de TTIH (conforme ASH 2018). A seleção do ensaio é uma decisão da equipe médica conforme o protocolo institucional. |
| Plaquetas (Hemograma) | 150–400 × 103/µL | Monitorar para TTIH: queda > 50% nos dias 5–14 de heparinização pode sugerir TTIH e deve motivar notificação ao médico. O escore pré-teste 4Ts (Trombocitopenia, Timing da queda plaquetária, Trombose, ouTras causas) apoia a investigação diagnóstica. |
| Creatinina | 0,6–1,2 mg/dL | Orienta o ajuste de dose de ACODs e HBPM por prescrição médica. ClCr < 30 pode alterar a dose de apixabana ou rivaroxabana conforme o protocolo institucional. |
| Troponina | < 0,04 ng/mL | Pode estar elevada na EP submaciça por sobrecarga do VD e pode subsidiar discussões sobre trombólise com a equipe médica. |
| BNP / NT-proBNP | BNP < 100 pg/mL | Elevação pode refletir disfunção do VD na EP; é um marcador prognóstico monitorado pela equipe de enfermagem e comunicado à equipe médica. |
| Gasometria Arterial (gradiente A-a) | PaO2 80–100 mmHg | Gradiente A-a alargado com hipoxemia é comum na EP; alcalose respiratória por taquipneia também é comum. A equipe de enfermagem acompanha os valores seriados e comunica resultados fora dos parâmetros prescritos. |
| Provas de função hepática | AST/ALT < 40 U/L | A seleção do anticoagulante em hepatopatia é uma decisão da equipe médica: o uso de rivaroxabana em Child-Pugh B/C com coagulopatia e de apixabana em Child-Pugh C são geralmente evitados conforme a bula vigente; a varfarina habitualmente requer monitoramento mais frequente do RNI conforme o protocolo institucional. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos adversos | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Heparina não fracionada (HNF) | Infusão IV: comumente bolus de 80 U/kg (máx. 10.000 U) + 18 U/kg/h (máx. 2.300 U/h) conforme protocolo institucional | Potencializa a antitrombina III → inativa trombina (IIa) e fator Xa | Sangramento, TTIH (1–3%), osteoporose (uso prolongado), hipercalemia | Administrar conforme prescrito pela equipe médica, orientação da farmácia e protocolo institucional. A equipe de enfermagem coleta TTPa ou anti-Xa conforme o cronograma prescrito (comumente a cada 6h até atingir nível terapêutico, depois diariamente), monitora plaquetas a cada 2–3 dias para TTIH e comunica valores fora do intervalo prescrito. A protamina é o agente de reversão habitualmente utilizado e é administrada conforme prescrito em emergências hemorrágicas. |
| HBPM (enoxaparina) | Comumente 1 mg/kg SC 12/12h ou 1,5 mg/kg SC 1x/dia por prescrição médica | Atividade anti-Xa seletiva via antitrombina III; meia-vida mais longa que a HNF | Sangramento, TTIH (menor que com HNF), hematoma no local de injeção | Administrar conforme prescrito. A dose pode ser reduzida em insuficiência renal (p. ex., 1 mg/kg/dia se ClCr < 30) por prescrição médica e protocolo institucional. O monitoramento por anti-Xa é utilizado em populações selecionadas por orientação médica. A equipe de enfermagem rodiza os locais de aplicação SC e documenta o sítio utilizado. |
| ACOD – apixabana | Comumente 10 mg VO 12/12h por 7 dias, depois 5 mg 12/12h por prescrição médica | Inibidor direto do fator Xa; a anticoagulação parenteral de transição geralmente não é necessária | Sangramento (menor risco de HSC em comparação com varfarina nos dados dos estudos), distúrbio gastrointestinal | Administrar conforme prescrito. A suspensão para procedimentos (comumente ≥ 24h pré-procedimentos de baixo risco, 48h para alto risco) é orientada pela equipe médica conforme o protocolo institucional. O andexanet alfa é o agente de reversão disponível e é administrado conforme prescrito. Conforme ASH 2020, os ACODs são tipicamente preferidos à varfarina como primeira linha para a maioria dos TEVs sem câncer. |
| ACOD – rivaroxabana | Comumente 15 mg VO 12/12h por 21 dias, depois 20 mg 1x/dia por prescrição médica | Inibidor direto do fator Xa; uma vez ao dia após a fase de ataque | Sangramento, hepatotoxicidade; comumente administrado com alimento (doses de 15/20 mg) | Administrar conforme prescrito. Coordenar a administração com a refeição principal para melhor absorção conforme o protocolo institucional. O uso com ClCr < 30 é uma decisão da equipe médica. Os esquemas com dabigatrana e edoxabana comumente requerem anticoagulação parenteral por 5–10 dias por prescrição médica. |
| Varfarina | Comumente 5 mg VO 1x/dia; titulada para RNI 2,0–3,0 por prescrição médica | Antagonista da vitamina K; depleta os fatores II, VII, IX, X e as proteínas C e S | Sangramento, necrose cutânea (fase inicial), teratogenicidade, múltiplas interações medicamentosas e alimentares | Administrar conforme prescrito. A sobreposição com anticoagulante parenteral é comumente mantida por ≥ 5 dias E até RNI > 2 por 24h conforme o protocolo institucional. A vitamina K (comumente 10 mg IV lento) e o CCP são as opções de reversão disponíveis para sangramento maior e são administrados conforme prescrito. |
| Trombolíticos (alteplase) | Comumente 100 mg IV em 2h para EP hemodinamicamente instável conforme protocolo institucional | Converte plasminogênio → plasmina → fibrinólise | Sangramento maior (HSC ~2–3%), arritmias de reperfusão | Administrar conforme prescrito pela equipe médica e protocolo institucional. A decisão de utilizar trombólise sistêmica (em vez de trombólise dirigida por cateter ou embolectomia cirúrgica) é uma decisão da equipe médica baseada na hemodinâmica, no risco hemorrágico e nos critérios institucionais. As contraindicações absolutas e relativas (AVC recente, sangramento ativo, cirurgia recente) são avaliadas pelo prescritor. |
| Filtro de veia cava inferior (VCI) | Dispositivo recuperável por prescrição médica | Intercepta mecanicamente êmbolos provenientes dos membros inferiores em direção à circulação pulmonar | Trombose do filtro, migração, perfuração da VCI, recorrência tardia de TVP | O implante é uma decisão da equipe médica conforme o protocolo institucional, geralmente considerado quando a anticoagulação é contraindicada ou falhou. O momento da retirada também é uma decisão da equipe médica (comumente assim que a anticoagulação for retomada). A equipe de enfermagem prepara o paciente, monitora o sítio de acesso e documenta os achados. |
| Profilaxia mecânica | Dispositivos de compressão pneumática intermitente (DCPI), meias de compressão graduada (MCG) por prescrição médica | A compressão externa promove o retorno venoso; reduz a estase | Lesão cutânea, comprometimento arterial na presença de DAP | Implementar conforme prescrição médica e protocolo institucional. Comumente aplicados de forma contínua durante o repouso no leito; a equipe de enfermagem avalia a pele e os pulsos em cada plantão. O uso sobre um membro com trombose aguda é uma decisão da equipe médica conforme o protocolo institucional. |
Referências
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- Konstantinides, S. V., Meyer, G., Becattini, C., et al. (2020). 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism developed in collaboration with the European Respiratory Society (ERS). European Heart Journal, 41(4), 543–603.
- Righini, M., Van Es, J., Den Exter, P. L., et al. (2014). Age-adjusted D-dimer cutoff levels to rule out pulmonary embolism: the ADJUST-PE study. JAMA, 311(11), 1117–1124.
- Cuker, A., Arepally, G. M., Chong, B. H., et al. (2018). American Society of Hematology 2018 guidelines for management of venous thromboembolism: heparin-induced thrombocytopenia. Blood Advances, 2(22), 3360–3392.
Perguntas frequentes
What is the nursing care plan for VTE?
A VTE nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Venous Thromboembolism (DVT and PE). Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.
What are the priority nursing diagnoses for VTE?
Priority diagnoses for VTE appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.
What is the priority nursing intervention for VTE?
Priority interventions for VTE are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.
What complications should the nurse monitor for in VTE?
Complications to monitor for in VTE are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.
Uma folha de relatório feita para este paciente
Este é exatamente o tipo de paciente para o qual estas folhas de relatório da NurseBrain foram feitas. Mantenha tudo o que você acompanha em uma só página, o plantão inteiro.