Plano de Cuidados de Enfermagem para Clostridium difficile (C. diff)
Plano de cuidados de enfermagem para C. diff (Clostridium difficile): precauções de contato, equilíbrio hídrico, manejo da dor e PDF para impressão.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Diarreia
Diarreia relacionada à infecção por Clostridioides difficile (ICD): colite mediada por toxina variando de diarreia leve a colite fulminante com megacólon tóxico, evidenciada por ≥ 3 evacuações não formadas em 24 horas (Escala de Bristol 6–7); EIA de toxina de C. difficile ou NAAT positivo; Cólicas abdominais e urgência evacuatória; Exposição recente a antibióticos de amplo espectro; Pseudomembranas à endoscopia ou exame de imagem quando realizados.
Intervenções
- Registrar cada evacuação: frequência, volume, consistência (Escala de Bristol), coloração e presença de sangue ou muco conforme padrão de documentação institucional.
- Auscultar os ruídos hidroaéreos e avaliar o abdome quanto a distensão, sensibilidade e rigidez em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional.
- Monitorar a temperatura em intervalos compatíveis com a acuidade clínica; comunicar febre nova ou acima dos parâmetros prescritos.
- Revisar leucócitos, creatinina, lactato e albumina conforme prescrito e monitorar valores seriados.
- Inspecionar a pele perianal em cada turno e após episódios de evacuação.
- Administrar a antibioticoterapia prescrita (comumente vancomicina oral ou fidaxomicina) no horário estabelecido conforme orientação médica, farmácia e protocolo institucional; confirmar a disponibilidade de via oral confiável.
- Não administrar agentes antimotilidade (loperamida, difenoxilato, agentes anticolinérgicos) para ICD a menos que explicitamente prescritos pela equipe médica após avaliação de risco-benefício.
- Aplicar barreira protetora cutânea (comumente produto à base de zinco ou dimeticona) na região perianal após as evacuações conforme protocolo institucional de cuidados com a pele.
- Disponibilizar comadre ou cadeira higiênica ao lado do leito e manter a campainha ao alcance do paciente; responder prontamente à urgência evacuatória.
- Manter acesso venoso e administrar cristaloides e reposição eletrolítica prescritos conforme orientação médica e protocolo institucional.
- Orientar o paciente e a família quanto à conclusão do curso antibiótico prescrito conforme indicação médica, mesmo quando os sintomas melhoram precocemente.
- Ensinar o paciente e a família a realizar higiene das mãos com água e sabão após cada uso do banheiro, conforme política institucional de controle de infecção.
- Reforçar as recomendações médicas referentes ao uso de probióticos, sem iniciá-los de forma independente.
- Notificar o médico quando o número de evacuações ultrapassar os parâmetros prescritos, quando houver evacuação sanguinolenta nova, distensão ou rigidez abdominal, ou elevação do lactato.
- Coordenar consulta com gastroenterologia conforme orientação médica quando os sintomas não melhoram dentro do prazo determinado pela equipe médica ou quando houver suspeita de recorrência.
Resultado esperado: A frequência e consistência das evacuações são monitoradas e comunicadas dentro dos parâmetros prescritos; a tendência da Escala de Bristol é documentada ao longo do curso terapêutico prescrito; o paciente verbaliza compreensão do curso antibiótico prescrito e do plano de adesão.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Déficit de Volume de Líquidos
Déficit de Volume de Líquidos relacionado à infecção por Clostridioides difficile (ICD): colite mediada por toxina variando de diarreia leve a colite fulminante com megacólon tóxico, evidenciado por múltiplas evacuações aquosas de grande volume em 24 horas; redução da ingesta oral por náusea ou anorexia; mucosas secas, turgor cutâneo diminuído; débito urinário abaixo dos parâmetros prescritos; taquicardia, alterações ortostáticas da pressão arterial.
Intervenções
- Monitorar frequência cardíaca, pressão arterial (incluindo medida ortostática quando prescrita) e SpO2 em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional.
- Manter controle rigoroso de ingestão e eliminação; calcular o balanço hídrico líquido em 24 horas conforme protocolo institucional.
- Avaliar mucosas, turgor cutâneo e enchimento capilar em cada turno.
- Monitorar ureia/creatinina, eletrólitos e lactato conforme prescrição.
- Pesar o paciente diariamente na mesma balança, com as mesmas roupas e no mesmo horário quando o estado clínico permitir.
- Administrar cristaloides IV prescritos (comumente SF ou RL) conforme orientação médica; monitorar débito urinário, pressão arterial média e indicadores hemodinâmicos conforme protocolo institucional.
- Administrar reposição eletrolítica prescrita (comumente K+ e Mg2+) conforme protocolo institucional de reposição eletrolítica quando os valores estiverem abaixo do limiar.
- Oferecer líquidos orais prescritos ou solução de reidratação oral em pequenos volumes e com frequência quando a náusea permitir e houver prescrição de ingesta oral.
- Administrar antieméticos prescritos para favorecer a ingesta oral.
- Orientar o paciente sobre reidratação com soluções de reidratação oral prescritas ou caldos, em vez de água pura isolada, quando o médico indicar ingesta oral.
- Ensinar ao paciente os sinais de desidratação para relatar em domicílio: tontura ao levantar, urina escura, redução da frequência urinária, boca seca.
- Notificar o médico quando débito urinário, frequência cardíaca ou pressão arterial estiverem fora dos parâmetros prescritos ou diante de alteração nova do nível de consciência.
- Acionar o protocolo de resposta rápida institucional para hipotensão sem resposta à ressuscitação volêmica prescrita ou para elevação progressiva do lactato.
Resultado esperado: O débito urinário é monitorado e comunicado dentro dos parâmetros prescritos; frequência cardíaca e pressão arterial são monitoradas e comunicadas dentro dos parâmetros prescritos; mucosas e turgor cutâneo são avaliados e alterações são comunicadas.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Comprometimento da Integridade Cutânea (perianal)
Comprometimento da Integridade Cutânea (perianal) relacionado à infecção por Clostridioides difficile (ICD): colite mediada por toxina variando de diarreia leve a colite fulminante com megacólon tóxico, evidenciado por múltiplas evacuações não formadas em 24 horas; eritema ou denudação perianal por umidade; relato do paciente de ardência ou queimação perianal; mobilidade ou autocuidado reduzidos limitando a higienização oportuna; incontinência fecal concomitante em adultos idosos ou debilitados.
Intervenções
- Inspecionar a pele perianal e adjacente em cada turno e após episódios de evacuação; documentar os achados conforme padrão de avaliação cutânea institucional.
- Avaliar dor, ardência ou prurido perianal utilizando escala de 0–10 ou instrumento de conforto aprovado pela instituição quando o paciente for capaz de relatar.
- Identificar limitações de mobilidade e autocuidado que possam retardar a higienização após as evacuações.
- Higienizar a região perianal com limpador perineal sem enxágue ou lenços umedecidos suaves com pH balanceado após cada evacuação conforme protocolo institucional de cuidados com a pele; evitar fricção vigorosa.
- Aplicar barreira protetora cutânea prescrita (comumente à base de zinco ou dimeticona) após a higienização conforme protocolo institucional.
- Considerar sistema de absorção com liberação de umidade conforme protocolo institucional quando apropriado.
- Acionar a enfermeira especialista em feridas ou cuidados com a pele conforme critérios de consulta institucionais quando houver lesão estabelecida ou em progressão.
- Quando o paciente for capaz, ensinar os passos de cuidado com a pele, incluindo higienização suave e reaplicação do produto de barreira após cada evacuação.
- Orientar a família sobre a técnica de higienização, uso do produto de barreira e a importância de evitar produtos cutâneos à base de álcool em pele lesionada.
- Notificar o médico diante de lesões abertas, aumento de eritema ou dor, sangramento novo na região perianal ou sinais sugestivos de infecção (calor, presença de secreção purulenta).
- Coordenar com a equipe médica e a farmácia caso o paciente esteja em uso de medicamentos que possam retardar a cicatrização (p. ex., corticosteroides crônicos).
Resultado esperado: A pele perianal é avaliada em cada turno e os achados são documentados conforme protocolo institucional; produtos de barreira cutânea são aplicados conforme prescrito e de acordo com o protocolo institucional de cuidados com a pele; o paciente verbaliza melhora do conforto ou relata redução da dor perianal quando capaz.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Risco de Infecção (Transmissão)
Risco de Infecção (Transmissão) relacionado à infecção por Clostridioides difficile (ICD): colite mediada por toxina variando de diarreia leve a colite fulminante com megacólon tóxico, evidenciado por ICD confirmada (EIA de toxina ou NAAT positivo); diarreia ativa com elevada carga de esporos; ambiente de banheiro compartilhado ou quarto coletivo; organismo formador de esporos não eliminado de forma confiável por álcool gel; múltiplos contatos de profissionais e visitantes por dia.
Intervenções
- Verificar sinalização de isolamento, disponibilidade de EPI e equipamentos exclusivos ao paciente em cada turno conforme política institucional de controle de infecção.
- Monitorar o padrão evacuatório e registrar o tempo desde a última evacuação não formada conforme padrão de documentação institucional.
- Observar a técnica de higiene das mãos de profissionais, familiares e do próprio paciente em cada turno conforme prática de auditoria institucional.
- Implementar PRECAUÇÕES DE CONTATO (avental e luvas ao entrar no quarto, quarto individual quando possível, equipamentos exclusivos) conforme política institucional de controle de infecção pelo período determinado pelo serviço de controle de infecção.
- Realizar higiene das mãos com água e sabão antes e após o contato com o paciente conforme política institucional de controle de infecção; reforçar essa prática com a equipe em vez de depender exclusivamente de álcool gel.
- Coordenar com o serviço de controle de infecção e gestão de leitos quanto à alocação do paciente (comumente quarto privativo ou coorte de ICD) e sanitário ou comadre exclusivos conforme política institucional.
- Coordenar com o serviço de limpeza e higienização a realização de limpeza diária com agente esporicida (comumente à base de hipoclorito) conforme política institucional de controle de infecção.
- Reservar equipamentos exclusivos (estetoscópio, esfigmomanômetro, termômetro) ao paciente e desinfetar com o produto esporicida designado pela instituição entre os usos.
- Orientar a família sobre a paramentação e desparamentação do EPI e sobre a higiene das mãos com água e sabão antes de sair do quarto conforme política institucional.
- Ensinar o paciente a utilizar o sanitário ou comadre designados e a notificar a equipe antes de sair do quarto conforme política institucional de controle de infecção.
- Orientar o paciente e os familiares do domicílio sobre a limpeza de superfícies de alto contato com solução diluída de hipoclorito após a alta conforme orientação educacional de alta institucional.
- Notificar o serviço de controle de infecção diante de caso secundário suspeito ou quebra de precaução conforme política institucional de controle de infecção.
- Coordenar revisão de stewardship de antimicrobianos com a equipe médica e a farmácia para restringir, encurtar ou suspender antibióticos desnecessários conforme protocolo institucional de stewardship.
- Coordenar a documentação dos critérios de descontinuação das precauções com o serviço de controle de infecção conforme política institucional.
Resultado esperado: As PRECAUÇÕES DE CONTATO são implementadas e mantidas conforme política institucional de controle de infecção; a higiene das mãos com água e sabão é observada para o paciente, familiares e profissionais conforme política institucional; a limpeza ambiental com agente esporicida é documentada conforme protocolo institucional.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Dor Aguda
Dor Aguda relacionada à infecção por Clostridioides difficile (ICD): colite mediada por toxina variando de diarreia leve a colite fulminante com megacólon tóxico, evidenciada por relato do paciente de cólica abdominal; defesa à palpação do abdome inferior; careta facial durante os episódios de evacuação; agitação ou incapacidade de encontrar posição confortável; diaforese e taquicardia durante os picos de dor.
Intervenções
- Avaliar intensidade, localização, caráter e periodicidade da dor utilizando o instrumento aprovado pela instituição em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e quando necessário.
- Diferenciar dor em cólica ou tipo cólica de dor constante intensa ou dor de rebote; comunicar alterações à equipe médica.
- Monitorar sinais vitais durante os picos de dor; documentar taquicardia ou diaforese quando presentes.
- Administrar analgésicos prescritos conforme orientação médica, farmácia e protocolo institucional.
- Coordenar com a equipe médica para limitar o uso de opioides quando possível; reforçar opções não opioides e não farmacológicas conforme orientação médica.
- Coordenar com a equipe médica para evitar agentes antimotilidade e anticolinérgicos para diarreia ou dor, a menos que explicitamente prescritos após avaliação de risco-benefício.
- Aplicar compressa morna no abdome durante as cólicas quando prescrito ou respaldado pelo protocolo institucional.
- Posicionar o paciente para conforto (decúbito lateral com joelhos fletidos quando tolerado) e agrupar os cuidados nos períodos de menor pico de dor quando viável.
- Proporcionar ambiente calmo com iluminação reduzida e estimulação limitada à noite conforme prática institucional de higiene do sono.
- Ensinar respiração diafragmática e imagens guiadas que o paciente possa utilizar durante os episódios de cólica.
- Orientar o paciente a relatar prontamente dor intensa nova, alívio súbito ou piora da distensão.
- Notificar o médico para dor sem alívio com os analgésicos prescritos, dor de rebote nova ou rigidez abdominal.
- Coordenar com o prescritor estratégias analgésicas poupadores de opioides quando viável conforme protocolo institucional de analgesia.
Resultado esperado: A dor é avaliada e reavaliada conforme padrão institucional de manejo da dor; o paciente verbaliza controle satisfatório da dor na escala aprovada pela instituição; o paciente demonstra ao menos uma estratégia de conforto não farmacológica quando apropriado.
Diagnóstico de Enfermagem 6: Conhecimento Deficiente
Conhecimento Deficiente relacionado à infecção por Clostridioides difficile (ICD): colite mediada por toxina variando de diarreia leve a colite fulminante com megacólon tóxico, evidenciado por primeiro episódio de ICD para o paciente ou família; exposição recente a antibióticos de amplo espectro com compreensão limitada da relação causal; desconhecimento das PRECAUÇÕES DE CONTATO e da higiene das mãos com água e sabão; múltiplas etapas de medicação e acompanhamento no plano de alta; ansiedade em relação à recorrência (amplamente relatada em 20–30% após o primeiro episódio).
Intervenções
- Avaliar o conhecimento basal sobre ICD, exposição recente a antibióticos, higiene das mãos e o plano de alta utilizando o método teach-back conforme padrão educacional institucional.
- Identificar barreiras de aprendizagem (idioma, letramento, cognição, aspectos sensoriais, culturais) e coordenar recursos de interpretação ou acessibilidade conforme política institucional.
- Identificar o tomador de decisão no domicílio e o cuidador principal, especialmente para adultos idosos ou debilitados.
- Fornecer materiais educativos sobre ICD aprovados pela instituição no idioma de preferência e no nível de leitura do paciente conforme protocolo institucional de educação ao paciente.
- Coordenar orientação sobre medicamentos com a farmácia referente ao curso antibiótico prescrito e às etapas de acompanhamento conforme protocolo institucional.
- Reforçar que água e sabão são utilizados para higiene das mãos no domicílio conforme orientação educacional de alta de controle de infecção institucional, e não apenas álcool gel.
- Ensinar ao paciente e à família o que é ICD, que frequentemente está relacionada à exposição a antibióticos e por que a equipe implementou o plano atual, utilizando linguagem acessível.
- Ensinar a importância de concluir o curso antibiótico prescrito conforme indicação médica, mesmo quando os sintomas melhoram.
- Ensinar os sinais de alerta que devem motivar contato com o médico ou retorno ao serviço de saúde: febre, piora da dor ou distensão, sangue nas fezes, sintomas de desidratação ou retorno da diarreia após melhora.
- Ensinar a limpeza domiciliar com solução diluída de hipoclorito em superfícies de alto contato após a alta conforme orientação educacional de alta institucional.
- Orientar o paciente e a família sobre a taxa de recorrência (comumente citada como 20–30% após o primeiro episódio) e o plano de discutir opções adicionais (p. ex., fidaxomicina, bezlotoxumabe, terapia com microbiota fecal) com a equipe médica em caso de recorrência.
- Coordenar o planejamento de alta com gestão de casos, farmácia e equipe médica conforme protocolo institucional.
- Notificar o médico quando a compreensão do paciente permanecer incompleta após teach-back estruturado e reforço.
Resultado esperado: O paciente e a família verbalizam o que é ICD, por que as precauções estão em vigor e como os antibióticos prescritos atuam; o paciente verbaliza a importância de concluir o curso antibiótico prescrito; o paciente e a família demonstram higiene das mãos com água e sabão.
Fisiopatologia
Clostridioides difficile é um bacilo gram-positivo, anaeróbio e formador de esporos. A patogênese frequentemente tem início com a exposição a antibióticos que perturbam a microbiota intestinal protetora, permitindo a proliferação do C. difficile e a elaboração da toxina A (enterotoxina) e da toxina B (citotoxina, a mais virulenta das duas). O dano toxínico ao epitélio colônico produz inflamação, formação de pseudomembranas e diarreia aquosa. A cepa hipervirulenta BI/NAP1/027 produz maior quantidade de toxina além de uma toxina binária e tem sido associada a desfechos piores. Os fatores de risco incluem exposição recente a antibióticos (fluoroquinolonas, clindamicina e cefalosporinas apresentam maior risco), idade > 65 anos, hospitalização, uso de inibidores da bomba de prótons (associação fraca), nutrição enteral por sonda, e doença inflamatória intestinal. A classificação de gravidade conforme as diretrizes ACG 2021 e IDSA/SHEA 2017: leve-moderada (leucócitos < 15 K, creatinina < 1,5 × basal), grave (leucócitos ≥ 15 K ou creatinina ≥ 1,5 × basal) e fulminante (anteriormente denominada “grave-complicada”; caracterizada por hipotensão, íleo ou megacólon tóxico). Por ser um organismo formador de esporos, o álcool gel não elimina os esporos de forma confiável — utiliza-se água e sabão para a higiene das mãos conforme a política institucional de controle de infecção. Taxas de recorrência de 20–30% após o primeiro episódio são amplamente relatadas e podem aumentar a cada recorrência subsequente.
Referência Rápida
- Higiene das mãos: Água e sabão conforme política institucional (o álcool gel não elimina os esporos)
- Algoritmo diagnóstico: 2 etapas (comumente): GDH + EIA de toxina com NAAT como critério de desempate conforme protocolo laboratorial
- Marcador de gravidade: Leucócitos ≥ 15 K ou creatinina ≥ 1,5 × basal (conforme ACG/IDSA)
- Vancomicina VO de primeira linha: Comumente 125 mg VO QID × 10 dias (conforme IDSA 2021)
- Taxa de recorrência: 20–30% após o primeiro episódio (amplamente relatada)
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valor de referência | Significado na infecção por C. diff |
|---|---|---|
| PCR para C. difficile (NAAT) | Negativo | Triagem de alta sensibilidade; um NAAT positivo isolado pode refletir colonização. O pareamento com EIA de toxina é comum conforme protocolos laboratoriais e de controle de infecção da instituição. Os enfermeiros confirmam a coleta do espécime conforme o procedimento institucional. |
| EIA de toxina de C. difficile | Negativo | Maior especificidade que o NAAT isolado; um resultado positivo pode corroborar a doença ativa produtora de toxina. A interpretação e as decisões terapêuticas são realizadas pela equipe médica no contexto clínico. |
| Antígeno GDH | Negativo | Triagem de alta sensibilidade; um resultado positivo comumente aciona um EIA de toxina reflexo ou NAAT conforme protocolo laboratorial institucional. |
| Leucócitos | 4–11 K/μL | ≥ 15 K/μL pode corroborar a classificação de ICD grave conforme as diretrizes ACG 2021 e IDSA 2017/2021. Os enfermeiros monitoram valores seriados e comunicam os achados à equipe médica. |
| Creatinina | 0,6–1,2 mg/dL | ≥ 1,5 × basal pode corroborar a classificação de ICD grave conforme ACG/IDSA e pode refletir o estado volêmico. Os enfermeiros monitoram e comunicam; a classificação de gravidade é uma decisão da equipe médica. |
| Albumina | 3,5–5,0 g/dL | Baixa albumina tem sido associada a doença grave e desfechos piores na ICD. Os enfermeiros comunicam valores fora do intervalo de referência à equipe médica. |
| Lactato | < 2,0 mmol/L | A elevação pode levantar suspeita de colite isquêmica ou fulminante ou fisiologia séptica. Os enfermeiros monitoram o lactato e escalam conforme protocolo institucional quando os valores estão em ascensão ou sem clareamento. |
| K+ | 3,5–5,0 mEq/L | Frequentemente depletado com diarreia de grande volume; risco de arritmia se baixo. Os enfermeiros comunicam valores fora do intervalo e administram a reposição prescrita conforme protocolo institucional de reposição eletrolítica. |
| Eletrólitos / Mg2+ | Dentro dos limites normais | Perdas induzidas por diarreia são comuns. Os enfermeiros monitoram os valores e administram a reposição prescrita conforme protocolo institucional. |
| TC de abdome | Sem espessamento parietal, sem ascite | Na doença grave ou fulminante, o exame de imagem pode evidenciar espessamento da parede colônica, ascite ou megacólon (diâmetro colônico > 6 cm), o que pode motivar discussão da equipe médica com a cirurgia. Os enfermeiros comunicam achados novos ou em piora informados pela equipe de imagem e escalam conforme protocolo institucional. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos adversos | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Vancomicina oral (comumente de primeira linha conforme IDSA 2021) | Vancocin (cápsula oral ou solução oral manipulada); comumente 125 mg VO QID × 10 dias | Bactericida contra C. difficile vegetativo no lúmen colônico; não erradica os esporos, o que contribui para a taxa de recorrência de 20–30% amplamente relatada; absorção sistêmica mínima quando administrada por via oral. | Náusea, dor abdominal; efeitos sistêmicos são incomuns com a forma oral. | Administrar conforme prescrito de acordo com a orientação médica, a farmácia e o protocolo institucional. Conforme a atualização focada IDSA 2021, a vancomicina oral é uma opção de primeira linha para a ICD inicial. Os enfermeiros confirmam a via oral, avaliam a deglutição, monitoram a frequência e consistência das evacuações em resposta ao tratamento e reforçam a conclusão do curso antibiótico prescrito. |
| Fidaxomicina (comumente preferida conforme IDSA 2021) | Dificid; comumente 200 mg VO BID × 10 dias | Antibiótico macrocíclico de espectro restrito; tem sido associado a menores taxas de recorrência em comparação com a vancomicina em ensaios clínicos. | Náusea, vômito, dor abdominal; alto custo de aquisição. | Administrar conforme prescrito. Conforme a atualização focada IDSA 2021, a fidaxomicina é condicionalmente preferida (certeza moderada) em relação à vancomicina para o episódio inicial e a primeira recorrência. A ACG 2021 lista ambas como opções de primeira linha. A seleção, o formulário e a autorização prévia são decisões da equipe médica e da farmácia; os enfermeiros apoiam a administração e monitoram a resposta. |
| Metronidazol (papel comumente limitado conforme IDSA 2017+) | Flagyl; comumente 500 mg VO TID × 10 dias quando utilizado | Pró-fármaco; intermediários reativos danificam o DNA bacteriano. | Gosto metálico, náusea, neuropatia periférica, reação dissulfiram-símile com álcool. | Administrar conforme prescrito. Conforme IDSA 2017 e a atualização focada 2021, o metronidazol não é mais uma opção de primeira linha para ICD; pode ser considerado quando nem a vancomicina nem a fidaxomicina estejam disponíveis, conforme orientação médica e protocolo institucional. Os enfermeiros verificam a indicação com a equipe médica quando prescrito. |
| Enema de vancomicina (via retal) | Comumente vancomicina 500 mg em 100 mL de SF PR a cada 6h quando prescrito | Administra o fármaco diretamente no lúmen colônico quando a via oral não é confiável. | Irritação local; risco de perfuração descrito em casos de colite grave. | Administrar conforme prescrito de acordo com a orientação médica e o protocolo institucional em pacientes com íleo ou megacólon nos quais a administração oral não é confiável. Os enfermeiros coordenam o horário da administração, monitoram a tolerância e escalam preocupações conforme protocolo institucional. |
| Bezlotoxumabe | Zinplava; comumente 10 mg/kg IV × 1 dose quando prescrito | Anticorpo monoclonal que se liga e neutraliza a toxina B; utilizado para prevenção de recorrência. | Reações infusionais; exacerbações de insuficiência cardíaca foram relatadas em pacientes com IC (cautela com a carga de volume). | Administrar conforme prescrito como adjuvante à terapia antibiótica padrão. Conforme a atualização focada IDSA 2021, o bezlotoxumabe é sugerido para pacientes com alto risco de recorrência (comumente definido como idade ≥ 65 anos, imunossuprimidos, ICD prévia nos últimos 6 meses ou apresentação grave); a seleção do paciente é decisão da equipe médica. Os enfermeiros verificam insuficiência cardíaca conhecida no prontuário, monitoram reações infusionais conforme protocolo institucional e confirmam que o fluxo de trabalho de farmácia e plano de saúde está em andamento. |
| Terapia com microbiota fecal | Conforme protocolo (administração em cápsulas, via sonda nasogástrica ou colonoscopia) | Visa restaurar uma microbiota intestinal diversificada capaz de competir com o C. difficile. | Sintomas gastrointestinais transitórios; risco raro de transmissão de patógenos foi descrito. | Administrar conforme prescrito de acordo com a orientação médica e o protocolo institucional. Conforme ACG 2021 e IDSA 2021, a terapia com microbiota fecal é comumente considerada após ≥ 2 recorrências (ou seja, terceiro episódio ou posterior) e quando a terapia antibiótica adequada não produziu resposta sustentada. A seleção do paciente, a via e o produto são decisões da equipe médica e de gastroenterologia; os enfermeiros coordenam o fluxo de consentimento e monitoram efeitos adversos. |
| Reposição volêmica e eletrolítica | Comumente SF ou RL IV; K+ e Mg2+ VO ou IV conforme prescrição | Apoia a reposição das perdas relacionadas à diarreia e a perfusão renal. | Sobrecarga volêmica se houver hiper-ressuscitação; estado cardíaco e renal orientam o conjunto de prescrições. | Administrar conforme prescrito. Os enfermeiros mantêm controle rigoroso de balanço hídrico, monitoram o painel metabólico básico, o débito urinário e os indicadores de perfusão conforme protocolo institucional; os endpoints de ressuscitação são decisões da equipe médica. |
| Manejo do antibiótico desencadeante | Suspender, restringir ou encurtar quando viável conforme orientação médica | A remoção do fator desencadeante que perturbou a microbiota faz parte da estratégia terapêutica na ICD. | Risco de subtratamento da infecção original se o antibiótico desencadeante for necessário. | Coordenar com a equipe médica e a farmácia para revisão de stewardship de antimicrobianos. Os enfermeiros não suspendem antibióticos de forma independente; levantam a questão, documentam a justificativa após a decisão e implementam a prescrição revisada conforme protocolo institucional. |
Referências
- Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
- Kelly, C. R., Fischer, M., Allegretti, J. R., et al. (2021). ACG Clinical Guidelines: Prevention, Diagnosis, and Treatment of Clostridioides difficile Infections. American Journal of Gastroenterology, 116(6), 1124–1147.
- McDonald, L. C., Gerding, D. N., Johnson, S., et al. (2018). Clinical Practice Guidelines for Clostridium difficile Infection in Adults and Children: 2017 Update by the IDSA and SHEA. Clinical Infectious Diseases, 66(7), e1–e48.
- Johnson, S., Lavergne, V., Skinner, A. M., et al. (2021). Clinical Practice Guideline by the IDSA and SHEA: 2021 Focused Update Guidelines on Management of Clostridioides difficile Infection in Adults. Clinical Infectious Diseases, 73(5), e1029–e1044.
Perguntas frequentes
What is the nursing care plan for C. diff?
A C. diff nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with Clostridium difficile (C. diff). Diagnoses are ordered by what is currently most destabilizing for the patient.
What are the priority nursing diagnoses for C. diff?
Priority diagnoses for C. diff appear in the Nursing Diagnoses section above, ordered by clinical acuity. The top diagnosis should reflect what is currently most destabilizing for this specific patient.
What is the priority nursing intervention for C. diff?
Priority interventions for C. diff are listed in the care plan above, organized by diagnosis. The most critical actions address airway, circulation, and the highest-acuity problem first.
What complications should the nurse monitor for in C. diff?
Complications to monitor for in C. diff are listed within each diagnosis section above. Trend vitals, mental status, and the condition-specific red flags described in the assessment section.
Uma folha de relatório feita para este paciente
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