Plano de Cuidados de Enfermagem para ICC
Plano de cuidados de enfermagem completo para ICC com diagnósticos de enfermagem, intervenções priorizadas e PDF imprimível gratuito. Elaborado por enfermeiros para enfermeiros na unidade.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Volume de Líquidos Excessivo
Volume de Líquidos Excessivo relacionado à exacerbação de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFEi (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciado por Edema de membros inferiores bilateral 2+ com cacifo; Piora da dispneia em repouso; Estertores bibasais à ausculta; BNP elevado > 400 pg/mL; Ganho de peso > 2 kg em 48 horas.
Intervenções
- Monitorar e registrar o peso diário no mesmo horário, na mesma balança, com a mesma roupa.
- Auscultar os sons respiratórios em todos os campos pulmonares em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional; documentar a presença e a distribuição dos estertores.
- Avaliar localização do edema periférico, grau de cacifo (1–4+) e simetria conforme o protocolo institucional.
- Manter balanço hídrico rigoroso (ingestão e eliminação); calcular o balanço líquido em 24 horas conforme o protocolo institucional.
- Monitorar BNP, eletrólitos (K+, Mg2+, Na+) e função renal (ureia, Cr) conforme prescrição médica.
- Avaliar turgência jugular com a cabeceira a 30–45° conforme o protocolo institucional.
- Administrar diuréticos de alça prescritos conforme orientação médica, farmacêutica e protocolo institucional.
- Posicionar o paciente em semi-Fowler a Fowler elevado conforme tolerado e o protocolo institucional.
- Apoiar a restrição hídrica prescrita (comumente 1,5–2 L/dia na descompensação) conforme prescrição médica e protocolo institucional.
- Administrar a reposição prescrita de K+ e Mg2+ conforme orientação médica e protocolo institucional quando os níveis estiverem abaixo dos parâmetros prescritos.
- Articular com a nutricionista para dieta hipossódica (comumente ≤ 2 g/dia) conforme prescrição médica e protocolo institucional.
- Orientar o paciente sobre pesagem diária em domicílio (mesmo horário, mesma balança, mesma roupa); contatar o médico para ganho de peso > 1 kg em uma noite ou > 2,5 kg em uma semana, ou conforme orientação médica.
- Educar o paciente e a família sobre leitura de rótulos alimentares quanto ao teor de sódio conforme orientação médica.
- Orientar a importância da administração regular do diurético conforme prescrição médica (geralmente pela manhã) e do uso de recipiente graduado para controlar a ingestão hídrica.
- Notificar o médico para DU < 30 mL/h por 2 horas consecutivas, ganho de peso > 2 kg em 48 horas, ortopneia nova ou qualquer alteração clínica rápida.
- Articular encaminhamento para assistência domiciliar para monitoramento de peso e medicamentos após a alta conforme o protocolo institucional.
Resultado: Peso, balanço hídrico e indicadores de perfusão são monitorados e notificados dentro dos parâmetros prescritos; Edema periférico, sons pulmonares e turgência jugular são reavaliados e acompanhados conforme o protocolo institucional; Tendência do BNP (quando prescrito) é documentada e notificada à equipe médica.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Troca de Gases Prejudicada
Troca de Gases Prejudicada relacionada à exacerbação de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFEi (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciada por Dispneia aos mínimos esforços; Ortopneia; Estertores bibasais; SpO2 abaixo dos parâmetros prescritos em ar ambiente; Aumento progressivo da necessidade de oxigênio suplementar.
Intervenções
- Monitorar a SpO2 continuamente e documentar a tendência conforme o protocolo institucional.
- Avaliar frequência respiratória, profundidade, esforço, uso de musculatura acessória e sons respiratórios em intervalos compatíveis com a acuidade clínica e o protocolo institucional.
- Auscultar os sons respiratórios em todos os campos pulmonares conforme o protocolo institucional.
- Monitorar e notificar os valores da gasometria arterial conforme prescrição médica; sinalizar pH < 7,30, PaO2 < 60 mmHg ou PaCO2 em ascensão.
- Observar sinais que possam refletir piora da hipóxia cerebral: agitação, confusão, alteração comportamental, cianose, taquicardia ou taquipneia.
- Administrar oxigênio suplementar conforme prescrito e titular dentro dos parâmetros médicos para manter a SpO2 dentro do intervalo prescrito; escalonar progressivamente (cateter nasal, cateter nasal de alto fluxo, máscara não reinalante, BiPAP, intubação) conforme o protocolo institucional.
- Posicionar o paciente em Fowler elevado ou com cabeceira a 30–45° conforme tolerado e o protocolo institucional.
- Orientar técnicas de respiração diafragmática e com lábios franzidos quando o paciente estiver alerta e apto a participar.
- Estimular o uso de espirômetro de incentivo conforme o protocolo institucional quando o paciente estiver alerta e apto a participar.
- Aspirar as vias aéreas conforme necessário e o protocolo institucional quando as secreções forem excessivas e a tosse do paciente for ineficaz.
- Antecipar e preparar para ventilação não invasiva (BiPAP) ou intubação conforme o protocolo institucional quando o trabalho respiratório ou a oxigenação estiver piorando apesar da terapia otimizada.
- Ensinar as técnicas de respiração com lábios franzidos e diafragmática que o paciente possa usar de forma independente quando dispneico.
- Educar o paciente sobre o escalonamento de atividades e técnicas de conservação de energia.
- Educar o paciente e a família sobre os sinais precoces de piora da dispneia que devem motivar acionamento do SAMU ou avaliação de emergência: dispneia intensa em repouso, dor torácica, confusão nova, cianose ou escarro róseo espumoso.
- Notificar o médico para SpO2 abaixo dos parâmetros prescritos apesar da titulação de oxigênio, ortopneia nova com cabeceira < 30°, escarro róseo espumoso ou qualquer alteração clínica rápida.
- Articular com a fisioterapia respiratória para suporte avançado de via aérea e ventilação conforme o protocolo institucional quando as medidas não invasivas não estiverem mantendo os parâmetros prescritos.
Resultado: O paciente mantém SpO2 dentro dos parâmetros prescritos com o menor suporte que atinja a meta; A frequência respiratória permanece dentro dos parâmetros prescritos sem uso de musculatura acessória; Os achados da gasometria arterial são monitorados e notificados conforme o protocolo institucional.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Intolerância à Atividade
Intolerância à Atividade relacionada à exacerbação de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFEi (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciada por Dispneia aos mínimos esforços (comumente < 3 m de deambulação); Fadiga e fraqueza referidas pelo paciente; Necessita de assistência em standby para deambulação; Elevação da FC desproporcional ao estado clínico com mínimo esforço; Sono prejudicado por ortopneia ou diurese noturna.
Intervenções
- Monitorar sinais vitais (FC, PA, FR, SpO2) antes, durante e após a atividade conforme o protocolo institucional.
- Avaliar a dispneia referida pelo paciente em escala de 0–10 antes e após a atividade.
- Avaliar qualidade e duração do sono diariamente; identificar ortopneia ou despertares noturnos como fatores contribuintes.
- Observar sinais de esforço excessivo: palidez, diaforese, dor torácica, síncope, palpitações.
- Auxiliar nas atividades da vida diária (AVDs) conforme necessário; agrupar os cuidados para permitir períodos de repouso sem interrupção.
- Colaborar com a fisioterapia em um plano de mobilização progressiva conforme o protocolo institucional, iniciando com atividades supervisionadas de curta duração.
- Interromper a atividade conforme o protocolo institucional quando os sinais vitais ultrapassarem os limiares prescritos (comumente queda da PAS > 20 mmHg, elevação da FC > 20% acima do repouso, SpO2 caindo abaixo dos parâmetros prescritos, dor torácica nova, disritmia nova ou síncope) e notificar o médico.
- Proporcionar períodos de repouso entre as atividades e após as AVDs conforme o protocolo institucional.
- Educar sobre técnicas de conservação de energia: escalonar atividades, priorizar tarefas, sentar-se durante a realização de tarefas quando possível.
- Orientar o paciente a reconhecer seu limiar pessoal de dispneia e a repousar antes de atingi-lo.
- Educar sobre o valor da atividade regular dentro dos níveis tolerados em detrimento do repouso prolongado no leito.
- Articular com a fisioterapia e a terapia ocupacional para encaminhamento à reabilitação cardíaca ambulatorial conforme prescrição médica.
- Notificar o médico para dispneia aos esforços nova ou progressiva, dor torácica ou síncope.
Resultado: O paciente relata diminuição da fadiga quando o estado clínico permitir; O paciente deambula dentro dos parâmetros prescritos com o nível adequado de assistência; FC e PA retornam aos valores basais dentro do intervalo esperado após a atividade conforme o protocolo institucional.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Débito Cardíaco Diminuído
Débito Cardíaco Diminuído relacionado à exacerbação de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFEi (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciado por Turgência jugular (TJ); Terceira bulha (B3) à ausculta; Perfusão periférica diminuída (extremidades frias, tempo de enchimento capilar > 3 seg); Débito urinário < 0,5 mL/kg/h; Fadiga e dispneia referidas pelo paciente.
Intervenções
- Monitorar o ritmo cardíaco continuamente e documentar quaisquer novas arritmias.
- Avaliar pulsos apical e periféricos quanto a frequência, ritmo e qualidade conforme o protocolo institucional.
- Verificar tempo de enchimento capilar, temperatura e coloração da pele conforme o protocolo institucional.
- Monitorar o débito urinário horário por sonda vesical de demora quando prescrito; notificar o médico para DU < 30 mL/h (ou < 0,5 mL/kg/h) por 2 horas consecutivas.
- Avaliar nível de consciência, orientação e comportamento conforme o protocolo institucional.
- Auscultar bulhas cardíacas para identificar B3 ou B4 nova conforme o protocolo institucional.
- Administrar os medicamentos cardíacos prescritos (diurético de alça, betabloqueador, IECA/BRA/ARNI, ARM, inibidor de SGLT2) conforme orientação médica, farmacêutica e protocolo institucional.
- Verificar FC e PA antes de cada dose de medicamento cardíaco; suspender e notificar o médico conforme os parâmetros de suspensão institucionais (comumente FC abaixo dos parâmetros prescritos ou PAS < 90 mmHg).
- Manter acesso venoso periférico confiável conforme o protocolo institucional para eventual administração de medicamentos vasoativos.
- Administrar suporte vasoativo prescrito (ex.: norepinefrina, dobutamina) conforme orientação médica e protocolo institucional quando iniciado; monitorar PAM, ritmo, débito urinário, perfusão periférica e sinais de extravasamento.
- Proporcionar períodos de repouso adequados entre as atividades de cuidado.
- Orientar o paciente a reconhecer e relatar sinais de piora do débito cardíaco: fadiga progressiva, confusão nova, redução do débito urinário, tontura ou síncope.
- Educar sobre adesão medicamentosa e sobre a necessidade de contatar o médico antes de interromper qualquer medicamento cardíaco, incluindo os betabloqueadores indicados para IC.
- Escalonar conforme o protocolo institucional para achados compatíveis com choque cardiogênico (ex.: PAS persistentemente < 90 mmHg ou abaixo dos parâmetros prescritos, moteamento cutâneo, confusão nova, DU < 0,5 mL/kg/h) e notificar a equipe médica e o time de resposta rápida conforme a política institucional.
- Articular consulta com cardiologia conforme prescrição médica para avaliação de terapias avançadas para IC quando os sintomas forem refratários.
Resultado: Débito urinário, perfusão e sinais vitais são monitorados e notificados dentro dos parâmetros prescritos; As extremidades são reavaliadas quanto a temperatura, coloração e tempo de enchimento capilar conforme o protocolo institucional; O estado mental é reavaliado e as alterações são notificadas prontamente.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Ansiedade
Ansiedade relacionada à exacerbação de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFEi (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciada por Verbalização do paciente de medo de morte ou piora do quadro; Agitação, incapacidade de permanecer em repouso; Taquicardia desproporcional ao estado clínico; Ortopneia e a experiência subjetiva de dispneia; Distúrbio do sono.
Intervenções
- Avaliar o nível de ansiedade por escala de 0–10 no início de cada turno e quando necessário.
- Identificar os fatores desencadeantes relatados pelo paciente (dispneia, alarmes do monitor, medo de morte, distúrbio do sono).
- Observar sinais físicos de ansiedade: taquicardia desproporcional ao estado clínico, agitação, torcer as mãos, hipervigilância.
- Avaliar qualidade do sono e fatores contribuintes (alarmes, iluminação, intervenções frequentes, ortopneia, ansiedade) diariamente.
- Oferecer presença calma e tranquilizadora; comunicar-se de forma clara e em ritmo pausado.
- Explicar procedimentos e achados em linguagem simples e acessível ao paciente antes de realizá-los.
- Agrupar os cuidados para permitir períodos de repouso sem interrupção quando o estado clínico permitir.
- Limitar estímulos não essenciais durante a noite (luz de teto, conversas em voz alta, alarmes desnecessários) conforme o protocolo institucional.
- Facilitar a presença da família conforme a política institucional.
- Ensinar respiração diafragmática e técnicas de aterramento que o paciente possa utilizar de forma independente.
- Educar o paciente e a família sobre o significado dos alarmes e o que é ou não clinicamente relevante.
- Ensinar relaxamento muscular progressivo como recurso para facilitar o início do sono.
- Articular com capelania, serviço social ou saúde mental conforme o protocolo institucional quando a ansiedade persistir ou piorar apesar das medidas não farmacológicas.
- Notificar o médico para ansiedade grave ou persistente não responsiva às medidas não farmacológicas.
Resultado: O paciente verbaliza redução da ansiedade; O paciente demonstra o uso de pelo menos uma estratégia de enfrentamento; FC compatível com o estado clínico.
Fisiopatologia
A insuficiência cardíaca congestiva (ICC) é uma síndrome clínica na qual o coração não consegue bombear ou encher adequadamente para suprir as demandas metabólicas do organismo. A insuficiência esquerda produz congestão pulmonar: dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna e estertores. A insuficiência direita produz congestão venosa sistêmica: edema periférico, turgência jugular, hepatomegalia e ascite. A insuficiência biventricular apresenta ambos os quadros.
A IC moderna é classificada pela fração de ejeção. A ICFEr (FEVE ≤ 40%) reflete disfunção sistólica com remodelamento ventricular excêntrico e é a forma com a terapia de maior redução de mortalidade (os quatro pilares da TMDO: ARNI ou IECA/BRA, betabloqueador, ARM, inibidor de SGLT2). A ICFEp (FEVE ≥ 50%) reflete disfunção diastólica com hipertrofia concêntrica e ventrículos rígidos que não relaxam adequadamente; a congestão é semelhante, mas as opções de TMDO são mais restritas — os inibidores de SGLT2 têm indicação Classe I (EMPEROR-Preserved, DELIVER), o ARNI tem sinal Classe IIb (PARAGON-HF), o ARM tem sinal Classe IIb, e os diuréticos apoiam o controle volêmico. A ICFEi (41–49%) é geralmente tratada de forma semelhante à ICFEr conforme as diretrizes atuais.
À medida que o débito cardíaco cai, o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e o sistema nervoso simpático são ativados, promovendo retenção de líquidos e vasoconstrição que aumentam ainda mais a sobrecarga miocárdica, produzindo um ciclo autorreforçador de remodelamento cardíaco progressivo e deterioração clínica. As etiologias comuns incluem doença isquêmica, hipertensiva, valvar e cardiomiopatia. Os estágios A–D (ACC/AHA) e a classe funcional NYHA I–IV fundamentam a estratificação de risco e o prognóstico. A ICC agudamente descompensada pode deteriorar rapidamente para edema pulmonar cardiogênico ou choque; o papel da enfermagem é reconhecer os sinais precoces, apoiar a terapia prescrita com segurança, monitorar a resposta e os efeitos adversos, e escalonar preocupações à equipe médica conforme o protocolo institucional.
Referência Rápida
- Classificação pela FE: ICFEr ≤ 40 / ICFEi 41–49 / ICFEp ≥ 50
- Meta de SpO2: Dentro dos parâmetros prescritos (comumente ≥ 92% em ar ambiente)
- Pesagem diária: Mesmo horário, mesma balança, mesma roupa
- Restrição hídrica: Conforme prescrição médica (comumente ≤ 2 L/dia na descompensação)
- Restrição de sódio: Conforme prescrição médica (comumente ≤ 2 g/dia)
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valor de referência | Significado na ICC |
|---|---|---|
| BNP | < 100 pg/mL | Valores > 400 pg/mL podem corroborar o quadro clínico de IC; acompanhar a resposta à diurese prescrita. A enfermagem notifica a equipe médica sobre valores fora do intervalo de referência. |
| NT-proBNP | < 300 pg/mL | Aplicam-se pontos de corte ajustados para a idade, mantendo utilidade na doença renal. Interpretar no contexto do quadro clínico completo; a enfermagem notifica valores fora do intervalo de referência. |
| Troponina | < 0,04 ng/mL | Auxilia na avaliação de IAM agudo concomitante; elevação leve pode ser observada na descompensação da IC. A enfermagem notifica a equipe médica sobre valores novos ou em ascensão. |
| Na+ | 135–145 mEq/L | A hiponatremia é comum na IC avançada e está associada a pior prognóstico. A enfermagem notifica valores fora dos parâmetros prescritos. |
| K+ | 3,5–5,0 mEq/L | Os diuréticos de alça podem reduzir o K+; IECA, BRA, ARNI e ARM podem elevá-lo. A enfermagem monitora valores seriados e notifica achados fora dos parâmetros prescritos. |
| Mg2+ | 1,7–2,2 mg/dL | Os diuréticos de alça podem depletar o Mg2+; valores baixos podem aumentar o risco de arritmias. A enfermagem notifica valores baixos e prepara-se para administrar a reposição prescrita. |
| Ureia / Cr | Ureia 7–20 mg/dL / Cr 0,6–1,2 mg/dL | Valores em ascensão podem refletir redução da perfusão renal (fisiologia cardiorrenal). A enfermagem acompanha valores seriados durante a diurese e notifica a equipe médica sobre piora da função renal. |
| Hemoglobina | 12–17 g/dL | A anemia pode agravar os sintomas da IC; os limiares de transfusão variam conforme o contexto clínico e seguem a prescrição médica e o protocolo institucional. |
| Gasometria arterial | pH 7,35–7,45 / PaO2 80–100 mmHg / PaCO2 35–45 mmHg | A acidose respiratória pode se desenvolver com hipoventilação no edema pulmonar agudo. Achados como pH < 7,30 ou PaO2 < 60 mmHg devem motivar reavaliação urgente e discussão com a equipe médica conforme o protocolo institucional. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos adversos | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Diurético de alça | Furosemida (Lasix), Bumetanida | Inibe o cotransportador Na+/K+/2Cl− na alça de Henle, produzindo natriurese intensa e perda hídrica. | Hipocalemia, hipomagnesemia, desidratação, ototoxicidade (com infusão IV rápida), hiperuricemia. | Administrar conforme prescrito por orientação médica; a via IV é comumente preferida na descompensação aguda quando a absorção intestinal pode estar comprometida. Monitorar pesagem diária, balanço hídrico rigoroso, K+, Mg2+ e Cr conforme o protocolo institucional (geralmente recolher 4–6 horas após dose IV). Notificar o médico para DU < 30 mL/h por 2 horas consecutivas, elevação da Cr ou hipotensão sintomática. |
| Inibidor da ECA | Lisinopril, Enalapril | Bloqueia a enzima conversora de angiotensina, reduzindo a angiotensina II; produz vasodilatação e diminui a aldosterona, apoiando o remodelamento reverso na ICFEr. | Tosse seca, hipercalemia, hipotensão, angioedema, elevação da Cr. | Administrar conforme prescrito. Verificar PA e K+/Cr recentes conforme os parâmetros de suspensão institucionais antes de cada dose. Notificar o médico para PAS abaixo dos parâmetros prescritos, K+ acima dos parâmetros prescritos, tosse nova ou edema facial. IECA e BRA não são coadministrados; a escolha terapêutica é da equipe médica. |
| BRA | Losartana, Valsartana | Bloqueia o receptor AT1 a jusante da ECA; produz efeitos hemodinâmicos e neuro-hormonais semelhantes sem tosse mediada por bradicinina. | Hipercalemia, hipotensão; tosse incomum em comparação com IECA. | Administrar conforme prescrito. O monitoramento espelha o do IECA (PA, K+, Cr); a substituição entre IECA e BRA é decisão da equipe médica. |
| ARNI | Sacubitril/valsartana | Combina um inibidor de neprilisina com um BRA; eleva peptídeos natriuréticos benéficos enquanto bloqueia o AT1. Classe I para ICFEr crônica e IIb na ICFEp (PARAGON-HF) conforme as diretrizes atuais. | Hipotensão, hipercalemia, elevação da Cr, angioedema (especialmente com exposição prévia a IECA nas últimas 36 horas). | Administrar conforme prescrito por orientação médica. Verificar documentação de washout de 36 horas de qualquer IECA conforme o protocolo institucional antes da primeira dose. Monitorar PA, K+ e Cr; notificar hipotensão ou angioedema prontamente. |
| Betabloqueador (indicado para IC) | Carvedilol, Succinato de metoprolol, Bisoprolol | Bloqueia β1 (e β2 com carvedilol); reduz FC e contratilidade, e apoia o bloqueio neuro-hormonal e o remodelamento reverso na ICFEr. | Bradicardia, hipotensão, fadiga, broncoespasmo (menor com agentes cardioseletivos), bloqueio AV. | Administrar conforme prescrito. Verificar FC e PA conforme os parâmetros de suspensão institucionais (geralmente suspender para FC abaixo dos parâmetros prescritos ou PAS < 90 mmHg) e notificar o médico. Orientar o paciente e a família que os betabloqueadores indicados para IC não devem ser suspensos abruptamente sem orientação médica, pois a descontinuação abrupta pode estar associada a taquicardia de rebote, hipertensão ou isquemia. |
| Antagonista da aldosterona (ARM) | Espironolactona, Eplerenona | Bloqueia a aldosterona no néfron distal e produz diurese poupadora de K+; apoia o remodelamento reverso e reduz a mortalidade na ICFEr. | Hipercalemia, ginecomastia (espironolactona), comprometimento renal. | Administrar conforme prescrito por orientação médica. Monitorar K+ e Cr conforme o protocolo institucional (geralmente semanalmente no primeiro mês e após ajustes de dose), especialmente quando utilizado com IECA, BRA ou ARNI. Notificar hipercalemia prontamente. |
| Inibidor de SGLT2 | Dapagliflozina, Empagliflozina | Inibe a reabsorção renal de glicose e produz diurese osmótica leve. Classe I em todo o espectro de FE conforme as diretrizes atuais — ICFEr (DAPA-HF, EMPEROR-Reduced) e ICFEi/ICFEp (EMPEROR-Preserved, DELIVER) — com reduções nas hospitalizações por IC e na mortalidade cardiovascular. | Infecções geniturinárias, CAD euglicêmica, depleção volêmica. | Administrar conforme prescrito. Incentivar hidratação oral adequada quando o estado clínico permitir; o medicamento pode ser suspenso ao redor de cirurgias ou doenças agudas conforme prescrição médica. Orientar o paciente e a família sobre os sinais de CAD. O benefício está documentado independentemente do status diabético. |
Referências
- Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
- Heidenreich, P. A., Bozkurt, B., Aguilar, D., et al. (2022). 2022 AHA/ACC/HFSA Guideline for the Management of Heart Failure. Circulation, 145(18), e895–e1032.
Perguntas frequentes
What is the nursing care plan for CHF?
A CHF nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with congestive heart failure. The two anchor problems are reduced cardiac output and volume overload; everything else hangs off those.
What are the nursing diagnoses for CHF?
The most clinically relevant nursing diagnoses for CHF are Cardiac Output Alteration, Fluid Volume Excess, Activity Intolerance, Gas Exchange Impairment, and Anxiety. Order them by what is currently most destabilizing for the patient — fluid overload usually leads in acute decompensation.
What is the priority nursing intervention for CHF?
Maintaining adequate cardiac output is the priority — administer diuretics on time, monitor for hypokalemia, position the patient semi-Fowler to reduce preload on the right heart, and watch for signs of worsening pulmonary congestion. Daily weights at the same time of day are the most reliable bedside indicator of fluid trend.
What complications should the nurse monitor for in CHF?
Watch for pulmonary edema (sudden worsening dyspnea, pink frothy sputum), cardiogenic shock (hypotension, mottling, decreased LOC), arrhythmias (especially in the setting of diuresis-induced hypokalemia), and acute kidney injury from over-diuresis.
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