Plano de Cuidados de Enfermagem para ICC
Plano de cuidados de enfermagem completo para ICC com diagnósticos de enfermagem, intervenções prioritárias e um PDF gratuito para impressão. Desenvolvido por enfermeiros para enfermeiros da unidade.
Plano de Cuidados de Enfermagem
Diagnóstico de Enfermagem 1: Volume de Líquidos Excessivo
Volume de líquidos excessivo relacionado à exacerbação da Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFElm (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciado por edema bilateral de membros inferiores de 2+ com cacifo; piora da falta de ar ao repouso; estertores bibasais à ausculta; BNP elevado > 400 pg/mL; ganho de peso > 2 kg em 48 horas.
Intervenções
- Monitorar e registrar o peso diário no mesmo horário, na mesma balança e com as mesmas roupas.
- Auscultar os sons respiratórios em todos os campos pulmonares em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo da instituição; registrar a presença e a distribuição de estertores.
- Avaliar a localização do edema periférico, o grau de cacifo (1–4+) e a simetria, conforme o protocolo da instituição.
- Manter balanço hídrico rigoroso (entradas e saídas - I&O); calcular o balanço acumulado de 24 horas conforme o protocolo da instituição.
- Monitorar BNP, eletrólitos (K+, Mg2+, Na+) e função renal (ureia, Cr) conforme prescrição médica.
- Avaliar turgência jugular (TJ) com a cabeceira do leito elevada a 30–45°, conforme o protocolo da instituição.
- Administrar diuréticos de alça prescritos conforme orientação médica, diretrizes farmacêuticas e protocolo da instituição.
- Posicionar o paciente em semi-Fowler a Fowler alto, conforme tolerado e de acordo com o protocolo da instituição.
- Garantir o cumprimento da restrição hídrica prescrita (geralmente 1,5–2 L/dia na descompensação), de acordo com a prescrição médica e o protocolo da instituição.
- Administrar a reposição prescrita de K+ e Mg2+ sob orientação médica e conforme o protocolo da instituição quando os níveis estiverem abaixo dos parâmetros prescritos.
- Coordenar com a equipe de nutrição uma dieta hipossódica (geralmente ≤ 2 g/dia), conforme prescrição médica e protocolo da instituição.
- Orientar o paciente sobre a pesagem diária em domicílio (mesmo horário, mesma balança, mesmas roupas); orientar a entrar em contato com o médico em caso de ganho de > 1 kg (2 lb) de um dia para o outro ou > 2,3 kg (5 lb) em uma semana, ou conforme instrução médica.
- Orientar o paciente e a família sobre a leitura de rótulos de alimentos para verificar o teor de sódio, conforme orientação médica.
- Orientar sobre a importância de tomar os diuréticos nos horários corretos conforme prescrição médica (geralmente pela manhã) e usar um recipiente graduado para monitorar a ingestão de líquidos.
- Notificar o médico em caso de DU < 30 mL/h por 2 horas consecutivas, ganho de peso > 2 kg em 48 horas, ortopneia de início recente ou qualquer alteração clínica rápida.
- Coordenar o encaminhamento para o serviço de atenção domiciliar para monitoramento pós-alta do peso e dos medicamentos, conforme o protocolo da instituição.
Resultado esperado: O peso, o balanço hídrico e os indicadores de perfusão são monitorados e relatados dentro dos parâmetros prescritos; o edema periférico, os ruídos respiratórios e a TJ são reavaliados e acompanhados conforme o protocolo da instituição; a tendência do BNP (quando solicitada) é registrada e relatada à equipe médica.
Diagnóstico de Enfermagem 2: Troca de Gases Prejudicada
Troca de gases prejudicada relacionada à exacerbação da Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFElm (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciado por dispneia aos mínimos esforços; ortopneia; estertores bibasais; SpO2 abaixo dos parâmetros prescritos em ar ambiente; necessidade crescente de oxigênio suplementar.
Intervenções
- Monitorar a SpO2 continuamente e registrar a tendência conforme o protocolo da instituição.
- Avaliar a frequência respiratória, profundidade, esforço, uso de musculatura acessória e ruídos respiratórios em intervalos compatíveis com a gravidade clínica e o protocolo da instituição.
- Auscultar os sons respiratórios em todos os campos pulmonares conforme o protocolo da instituição.
- Monitorar e relatar os valores da gasometria arterial conforme prescrição médica; sinalizar pH < 7,30, PaO2 < 60 mmHg ou PaCO2 em elevação.
- Observar sinais que possam refletir a piora da hipóxia cerebral: agitação, confusão, alteração comportamental, cianose, taquicardia ou taquipneia.
- Administrar oxigênio suplementar conforme prescrito e titular dentro dos parâmetros médicos para manter a SpO2 na faixa desejada; progredir em etapas (cateter nasal, cateter nasal de alto fluxo, máscara não reinalante, BiPAP, intubação) conforme o protocolo da instituição.
- Posicionar o paciente em Fowler alto ou com a cabeceira do leito elevada a 30–45°, conforme tolerado e de acordo com o protocolo da instituição.
- Orientar e treinar técnicas de respiração diafragmática e com lábios semicerrados (frenolabiolar) quando o paciente estiver alerta e apto a participar.
- Incentivar a espirometria de incentivo conforme o protocolo da instituição quando o paciente estiver alerta e apto a participar.
- Realizar aspiração de vias aéreas se necessário e conforme o protocolo da instituição quando as secreções forem excessivas e a tosse do paciente for ineficaz.
- Prever e preparar para ventilação não invasiva (BiPAP) ou intubação, conforme o protocolo da instituição, quando o esforço respiratório ou a oxigenação estiverem piorando apesar da terapia otimizada.
- Ensinar técnicas de respiração frenolabiolar e diafragmática que o paciente possa utilizar de forma autônoma em momentos de dispneia.
- Orientar o paciente sobre o ritmo de atividades e técnicas de conservação de energia.
- Instruir o paciente e a família sobre os sinais precoces de piora da dispneia que devem motivar o acionamento do serviço de emergência (SAMU/192) ou avaliação de urgência: falta de ar grave ao repouso, dor no peito, confusão mental de início recente, cianose ou escarro espumoso rosado.
- Notificar o médico em caso de SpO2 abaixo dos parâmetros prescritos apesar da titulação de oxigênio, ortopneia de início recente com cabeceira < 30°, escarro espumoso rosado ou qualquer alteração clínica rápida.
- Coordenar com a equipe de fisioterapia respiratória para suporte avançado de via aérea e ventilação, conforme o protocolo da instituição, quando as medidas não invasivas não mantiverem os parâmetros prescritos.
Resultado esperado: O paciente mantém a SpO2 dentro dos parâmetros prescritos com o menor suporte necessário para atingir a meta; a frequência respiratória permanece dentro dos parâmetros prescritos, sem uso de musculatura acessória; os achados da gasometria arterial são monitorados e relatados conforme o protocolo da instituição.
Diagnóstico de Enfermagem 3: Intolerância à Atividade
Intolerância à atividade relacionada à exacerbação da Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFElm (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciado por dispneia aos mínimos esforços (comumente deambulação < 3 metros/10 pés); relato de fadiga e fraqueza pelo paciente; necessidade de assistência com supervisão na deambulação; aumento da FC desproporcional ao estado clínico com mínimos esforços; sono prejudicado devido a ortopneia ou noctúria (diurese noturna).
Intervenções
- Monitorar os sinais vitais (FC, PA, FR, SpO2) antes, durante e após a atividade, conforme o protocolo da instituição.
- Avaliar a dispneia relatada pelo paciente em uma escala de 0–10 antes e após a atividade.
- Avaliar a qualidade e a duração do sono diariamente; identificar a ortopneia ou o despertar noturno como fatores contribuintes.
- Observar sinais de esforço excessivo: palidez, sudorese, dor no peito, síncope, palpitações.
- Auxiliar nas atividades de vida diária (AVDs) conforme necessário; agrupar os cuidados de enfermagem para permitir períodos de repouso ininterruptos.
- Colaborar com a equipe de fisioterapia em um plano de mobilidade progressiva conforme o protocolo da instituição, iniciando com atividades curtas e supervisionadas.
- Interromper a atividade, conforme o protocolo da instituição, quando os sinais vitais ultrapassarem os limites estabelecidos (geralmente queda da PAS > 20 mmHg, aumento da FC > 20% acima do repouso, SpO2 abaixo dos parâmetros estabelecidos, dor torácica nova, arritmia nova ou síncope) e notificar o médico.
- Garantir períodos de repouso entre as atividades e após as AVDs, conforme o protocolo da instituição.
- Orientar sobre técnicas de conservação de energia: moderar o ritmo das atividades, priorizar tarefas e sentar-se ao realizar tarefas sempre que possível.
- Instruir o paciente a reconhecer seu próprio limite de dispneia e a repousar antes de atingi-lo.
- Orientar sobre o valor da atividade física regular em níveis toleráveis, em vez do repouso prolongado no leito.
- Coordenar com a fisioterapia e a terapia ocupacional para o encaminhamento à reabilitação cardíaca ambulatorial, conforme prescrição médica.
- Notificar o médico em caso de dispneia aos esforços nova ou progressiva, dor no peito ou síncope.
Resultado esperado: O paciente relata redução da fadiga quando o estado clínico o permite; o paciente deambula dentro dos parâmetros prescritos com o nível adequado de assistência; a FC e a PA retornam aos valores basais dentro do intervalo esperado após a atividade, conforme o protocolo da instituição.
Diagnóstico de Enfermagem 4: Débito Cardíaco Diminuído
Alteração do débito cardíaco (débito cardíaco diminuído) relacionada à exacerbação da Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFElm (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciado por turgência jugular (TJ); ritmo de galope por terceira bulha (B3) à ausculta; perfusão periférica diminuída (extremidades frias, tempo de enchimento capilar > 3 segundos); débito urinário < 0,5 mL/kg/h; relato de fadiga e dispneia pelo paciente.
Intervenções
- Monitorar continuamente o ritmo cardíaco e registrar quaisquer novas arritmias.
- Avaliar os pulsos apical e periféricos quanto à frequência, ritmo e amplitude (qualidade), conforme o protocolo da instituição.
- Verificar o tempo de enchimento capilar (TEC), a temperatura e a coloração da pele, conforme o protocolo da instituição.
- Monitorar o débito urinário de hora em hora via cateterismo vesical de demora (Foley) quando prescrito; notificar o médico em caso de DU < 30 mL/h (ou < 0,5 mL/kg/h) por 2 horas consecutivas.
- Avaliar o nível de consciência, orientação e comportamento, conforme o protocolo da instituição.
- Auscultar as bulhas cardíacas quanto à presença de ritmo de galope de B3 ou B4 recente, conforme o protocolo da instituição.
- Administrar os medicamentos cardíacos prescritos (diurético de alça, betabloqueador, IECA/BRA/INRA, ARM, inibidor de SGLT2) sob orientação médica, diretrizes farmacêuticas e protocolo da instituição.
- Verificar novamente a FC e a PA antes de cada dose de medicamento cardíaco; suspender e notificar o médico conforme os parâmetros de suspensão da instituição (comumente FC abaixo dos parâmetros prescritos ou PAS < 90 mmHg).
- Manter um acesso venoso periférico calibroso e confiável, conforme o protocolo da instituição, para potencial administração de medicamentos vasoativos.
- Administrar o suporte vasoativo prescrito (ex.: noradrenalina, dobutamina) sob orientação médica e de acordo com o protocolo da instituição quando iniciado; monitorar PAM, ritmo, débito urinário, perfusão periférica e sinais de extravasamento.
- Garantir períodos adequados de repouso entre as atividades de cuidado.
- Orientar o paciente a reconhecer e relatar sinais de piora do débito cardíaco: aumento da fadiga, confusão mental de início recente, redução do DU, tontura ou síncope.
- Orientar sobre a adesão à medicação e sobre a importância de entrar em contato com o médico antes de interromper qualquer medicamento cardíaco, incluindo os betabloqueadores indicados para IC.
- Acionar o protocolo da instituição para achados consistentes com choque cardiogênico (ex.: PAS persistentemente < 90 mmHg ou abaixo dos parâmetros prescritos, livedo reticular/moteamento cutâneo, confusão mental de início recente, DU < 0,5 mL/kg/h), notificando a equipe médica e o time de resposta rápida (TRR) conforme a política da instituição.
- Coordenar a consulta com a cardiologia conforme prescrição médica para avaliação de terapias avançadas para IC quando os sintomas forem refratários.
Resultado esperado: O débito urinário, a perfusão e os sinais vitais são monitorados e relatados dentro dos parâmetros prescritos; as extremidades são reavaliadas quanto à perfusão (calor, coloração e enchimento capilar) conforme o protocolo da instituição; o estado mental é reavaliado e quaisquer alterações são relatadas prontamente.
Diagnóstico de Enfermagem 5: Ansiedade
Ansiedade relacionada à exacerbação da Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC); classificada pela fração de ejeção como ICFEr (FEVE ≤ 40%), ICFElm (41–49%) ou ICFEp (≥ 50%), evidenciado por verbalização do paciente de medo de morrer ou de piora clínica; inquietação, incapacidade de permanecer sentado ou quieto; taquicardia desproporcional ao estado clínico; ortopneia e sensação subjetiva de falta de ar intensa; distúrbio do sono.
Intervenções
- Avaliar o nível de ansiedade usando uma escala de 0–10 no início de cada plantão e se necessário (SN).
- Identificar os gatilhos relatados pelo paciente (falta de ar, alarmes dos monitores, medo de morrer, distúrbios do sono).
- Observar sinais físicos de ansiedade: taquicardia desproporcional ao estado clínico, inquietação, agitação de mãos/atitude de torcer as mãos, hipervigilância.
- Avaliar diariamente a qualidade do sono e os fatores contribuintes (alarmes, iluminação, intervenções frequentes, ortopneia, ansiedade).
- Proporcionar uma presença calma e acolhedora; falar de forma clara e em um ritmo pausado.
- Explicar os procedimentos e os achados em termos simples e acessíveis ao paciente antes de realizá-los.
- Agrupar os cuidados de enfermagem para permitir períodos de repouso ininterruptos quando o estado clínico o permitir.
- Limitar estímulos noturnos não essenciais (luzes de teto, conversas em tom alto, alarmes desnecessários) conforme o protocolo da instituição.
- Facilitar a presença de familiares conforme a política da instituição.
- Ensinar técnicas de respiração diafragmática e técnicas de ancoramento que o paciente possa utilizar de forma autônoma.
- Orientar o paciente e a família sobre o significado dos alarmes e o que é ou não clinicamente preocupante.
- Ensinar o relaxamento muscular progressivo como técnica para auxiliar na indução do sono.
- Coordenar o apoio com o serviço de capelania, serviço social ou psicologia/psiquiatria, conforme o protocolo da instituição, caso a ansiedade persista ou piore apesar das medidas não farmacológicas.
- Notificar o médico em caso de ansiedade grave ou persistente refratária a medidas não farmacológicas.
Resultado esperado: O paciente verbaliza redução da ansiedade; o paciente demonstra o uso de pelo menos uma estratégia de enfrentamento; FC compatível com o estado clínico.
Fisiopatologia
A insuficiência cardíaca congestiva (ICC) é uma síndrome clínica na qual o coração não consegue bombear ou se encher adequadamente para atender às demandas metabólicas do corpo. A insuficiência cardíaca esquerda produz congestão pulmonar: dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna e estertores. A insuficiência cardíaca direita produz congestão venosa sistêmica: edema periférico, turgência jugular (TJ), hepatomegalia e ascite. A insuficiência biventricular apresenta-se com ambas as manifestações.
A IC moderna é classificada pela fração de ejeção. A ICFEr (FEVE ≤ 40%) reflete disfunção sistólica com remodelamento ventricular excêntrico e é a forma com a terapia redutora de mortalidade mais robusta (os quatro pilares da terapia médica direcionada por diretrizes [TMDD]: INRA ou IECA/BRA, betabloqueador, ARM, inibidor de SGLT2). A ICFEp (FEVE ≥ 50%) reflete disfunção diastólica com hipertrofia concêntrica e ventrículos rígidos que não relaxam; a congestão é semelhante, mas as opções de TMDD são mais limitadas — os inibidores de SGLT2 possuem indicação Classe I (EMPEROR-Preserved, DELIVER), os INRA têm recomendação Classe IIb (PARAGON-HF), os ARM recomendação Classe IIb e os diuréticos auxiliam no controle de volume. A ICFElm (41–49%) é geralmente tratada de forma mais semelhante à ICFEr, de acordo com as diretrizes atuais.
À medida que o débito cardíaco cai, o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e o sistema nervoso simpático são ativados, promovendo retenção de líquidos e vasoconstrição que aumentam ainda mais a sobrecarga miocárdica, produzindo um ciclo auto-reforçativo de remodelamento cardíaco progressivo e deterioração clínica. As etiologias comuns incluem doença isquêmica, hipertensiva, valvar e miocardiopatias. Os estágios A–D (ACC/AHA) e a classe funcional NYHA I–IV ancoram a estratificação de risco e o prognóstico. A ICC agudamente descompensada pode se deteriorar rapidamente para edema agudo de pulmão cardiogênico ou choque cardiogênico; o papel da enfermagem é reconhecer os sinais precoces, prestar assistência segura à terapia prescrita, monitorar a resposta e os efeitos adversos e comunicar as preocupações à equipe médica conforme o protocolo da instituição.
Referência Rápida
- Classificação da FE: ICFEr ≤ 40 / ICFElm 41–49 / ICFEp ≥ 50
- Alvo de SpO2: Dentro dos parâmetros prescritos (comumente ≥ 92% em ar ambiente)
- Peso diário: No mesmo horário, na mesma balança, com as mesmas roupas
- Restrição hídrica: Conforme prescrição médica (comumente ≤ 2 L/dia na descompensação)
- Restrição de sódio: Conforme prescrição médica (comumente ≤ 2 g/dia)
Exames Laboratoriais Comuns
| Exame | Valores de referência | Significado na ICC |
|---|---|---|
| BNP | < 100 pg/mL | Valores > 400 pg/mL podem corroborar o quadro clínico de IC; monitorar a tendência de resposta à diurese prescrita. Os enfermeiros devem relatar valores fora da faixa de referência à equipe médica. |
| NT-proBNP | < 300 pg/mL | Aplicam-se limites ajustados pela idade, os quais permanecem úteis na doença renal. Interpretar no contexto do quadro clínico completo; os enfermeiros relatam valores fora da faixa de referência. |
| Troponina | < 0,04 ng/mL | Auxilia na avaliação de IM agudo concomitante; uma leve elevação pode ser observada na descompensação da ICC. Os enfermeiros relatam valores novos ou em elevação à equipe médica. |
| Na+ | 135–145 mEq/L | A hiponatremia é comum na IC avançada e está associada a um pior prognóstico. Os enfermeiros relatam valores fora dos parâmetros prescritos. |
| K+ | 3,5–5,0 mEq/L | Diuréticos de alça podem reduzir o K+; IECA, BRA, INRA e ARM podem elevá-lo. Os enfermeiros monitoram os valores em série e relatam achados fora dos parâmetros prescritos. |
| Mg2+ | 1,7–2,2 mg/dL | Diuréticos de alça podem espoliar o Mg2+; valores baixos podem aumentar o risco de arritmias. Os enfermeiros relatam valores baixos e preparam-se para administrar a reposição prescrita. |
| Ureia / Cr | Ureia 7–20 mg/dL / Cr 0,6–1,2 mg/dL | Valores em elevação podem refletir a redução da perfusão renal (fisiologia cardiorrenal). Os enfermeiros acompanham a evolução dos valores em série durante a diurese e relatam a piora da função renal à equipe médica. |
| Hemoglobina | 12–17 g/dL | A anemia pode piorar os sintomas de IC; os limiares de transfusão variam de acordo com o contexto clínico e seguem a prescrição médica e o protocolo da instituição. |
| Gasometria Arterial | pH 7,35–7,45 / PaO2 80–100 mmHg / PaCO2 35–45 mmHg | A acidose respiratória pode se desenvolver com a hipoventilação no edema agudo de pulmão. Achados como pH < 7,30 ou PaO2 < 60 mmHg devem motivar uma reavaliação urgente e discussão com a equipe médica, conforme o protocolo da instituição. |
Medicamentos Comuns
| Classe | Exemplos | Mecanismo de ação | Principais efeitos colaterais | Considerações de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Diurético de alça | Furosemida (Lasix), Bumetanida | Inibe o cotransportador de Na+/K+/2Cl− na alça de Henle, produzindo natriurese rápida e perda de água. | Hipocalemia, hipomagnesemia, desidratação, ototoxicidade (com infusão em bolus IV rápida), hiperuricemia. | Administrar conforme prescrito sob orientação médica; a via IV é comumente preferida na descompensação aguda, quando a absorção intestinal pode estar comprometida. Monitorar o peso diário, balanço hídrico rigoroso (I&O), K+, Mg2+ e Cr conforme o protocolo da instituição (geralmente reavaliando 4–6 horas após uma dose IV). Notificar o médico em caso de DU < 30 mL/h por 2 horas consecutivas, elevação de Cr ou hipotensão sintomática. |
| Inibidor da ECA (IECA) | Lisinopril, Enalapril | Bloqueia a enzima conversora de angiotensina, reduzindo a angiotensina II; produz vasodilatação e diminui a aldosterona, auxiliando no remodelamento reverso na ICFEr. | Tosse seca, hipercalemia, hipotensão, angioedema, elevação de Cr. | Administrar conforme prescrito. Verificar a PA e os níveis recentes de K+/Cr de acordo com os parâmetros de suspensão da instituição antes de cada dose. Notificar o médico em caso de PAS abaixo dos parâmetros prescritos, K+ acima dos parâmetros prescritos, tosse nova ou edema facial. IECA e BRA não são administrados concomitantemente; a escolha da terapia cabe à equipe médica. |
| Bloqueador do Receptor de Angiotensina (BRA) | Losartana, Valsartana | Bloqueia o receptor AT1 a jusante da ECA; fornece efeitos hemodinâmicos e neuro-hormonais semelhantes sem a tosse mediada pela bradicinina. | Hipercalemia, hipotensão; a tosse é incomum quando comparada aos IECA. | Administrar conforme prescrito. O monitoramento reflete o do IECA (PA, K+, Cr); a substituição entre IECA e BRA é uma decisão da equipe médica. |
| Inibidor do Receptor de Angiotensina e da Neprilisina (INRA) | Sacubitril/valsartana | Combina um inibidor da neprilisina com um BRA; eleva os peptídeos natriuréticos benéficos enquanto bloqueia o AT1. Classe I para ICFEr crônica e IIb na ICFEp (PARAGON-HF) de acordo com as diretrizes atuais. | Hipotensão, hipercalemia, elevação de Cr, angioedema (especialmente com exposição prévia a IECA nas últimas 36 horas). | Administrar conforme prescrito sob orientação médica. Verificar o intervalo de descontinuação (washout) documentado de 36 horas de qualquer IECA antes da primeira dose, conforme o protocolo da instituição. Monitorar PA, K+ e Cr; comunicar prontamente as preocupações com hipotensão ou angioedema. |
| Betabloqueador (indicado para IC) | Carvedilol, Succinato de metoprolol, Bisoprolol | Bloqueia os receptores β1 (e β2 com o carvedilol); reduz a FC e a contratilidade, além de apoiar o bloqueio neuro-hormonal e o remodelamento reverso na ICFEr. | Bradicardia, hipotensão, fadiga, broncoespasmo (menos comum com agentes cardiosseletivos), bloqueio AV. | Administrar conforme prescrito. Verificar a FC e a PA em relação aos parâmetros de suspensão da instituição (geralmente suspender para FC abaixo dos parâmetros prescritos ou PAS < 90 mmHg) e notificar o médico. Orientar o paciente e a família de que os betabloqueadores indicados para IC não devem ser interrompidos abruptamente sem orientação médica, pois a descontinuação repentina pode estar associada a taquicardia de rebote, hipertensão ou isquemia. |
| Antagonista da aldosterona (ARM) | Espironolactona, Eplerenona | Bloqueia a aldosterona no néfron distal e fornece diurese poupadora de K+; auxilia no remodelamento reverso e reduz a mortalidade na ICFEr. | Hipercalemia, ginecomastia (espironolactona), comprometimento renal. | Administrar conforme prescrito sob orientação médica. Monitorar K+ e Cr conforme o protocolo da instituição (geralmente semanalmente durante o primeiro mês e após alterações de dose), especialmente quando utilizado em associação com IECA, BRA ou INRA. Comunicar as preocupações de hipercalemia prontamente. |
| Inibidor de SGLT2 | Dapagliflozina, Empagliflozina | Inibe a reabsorção renal de glicose e produz diurese osmótica leve. Classe I em todo o espectro da FE de acordo com as diretrizes atuais — ICFEr (DAPA-HF, EMPEROR-Reduced) e ICFElm/ICFEp (EMPEROR-Preserved, DELIVER) — com reduções na hospitalização por IC e na mortalidade cardiovascular. | Infecções geniturinárias, cetoacidose diabética (CAD) euglicêmica, depleção de volume. | Administrar conforme prescrito. Incentivar a hidratação oral adequada quando o estado clínico permitir; o medicamento pode ser suspenso temporariamente em períodos perioperatórios ou de doença aguda, conforme prescrição médica. Instruir o paciente e a família sobre os sinais de CAD. O benefício é documentado independentemente do diagnóstico de diabetes. |
Referências
- Makic, M. B. F., & Martinez-Kratz, M. R. (Eds.). (2023). Ackley and Ladwig’s Nursing Diagnosis Handbook: An Evidence-Based Guide to Planning Care (13th ed.). Elsevier.
- Heidenreich, P. A., Bozkurt, B., Aguilar, D., et al. (2022). 2022 AHA/ACC/HFSA Guideline for the Management of Heart Failure. Circulation, 145(18), e895–e1032.
Perguntas frequentes
What is the nursing care plan for CHF?
A CHF nursing care plan organizes the assessment, nursing diagnoses, goals, interventions, and evaluation criteria for a patient with congestive heart failure. The two anchor problems are reduced cardiac output and volume overload; everything else hangs off those.
What are the nursing diagnoses for CHF?
The most clinically relevant nursing diagnoses for CHF are Cardiac Output Alteration, Fluid Volume Excess, Activity Intolerance, Gas Exchange Impairment, and Anxiety. Order them by what is currently most destabilizing for the patient — fluid overload usually leads in acute decompensation.
What is the priority nursing intervention for CHF?
Maintaining adequate cardiac output is the priority — administer diuretics on time, monitor for hypokalemia, position the patient semi-Fowler to reduce preload on the right heart, and watch for signs of worsening pulmonary congestion. Daily weights at the same time of day are the most reliable bedside indicator of fluid trend.
What complications should the nurse monitor for in CHF?
Watch for pulmonary edema (sudden worsening dyspnea, pink frothy sputum), cardiogenic shock (hypotension, mottling, decreased LOC), arrhythmias (especially in the setting of diuresis-induced hypokalemia), and acute kidney injury from over-diuresis.